Murmúrio
12 Inundação
2º Dia.
Eu podia jurar ter sentido a companhia de Patch durante a noite.Tomei banho, desejando que o chuveiro pudesse lavar também cada impureza da minha alma, levar para o ralo todos os meus problemas. Comi uma salada de frutas que achei na geladeira e fui para escola procurando em algum canto do meu ser um motivo para entrar naquele prédio.- Bom dia, Vee — Sentei ao seu lado. Era aula de biologia, estava tentando encarar aqueles próximos minutos como uma aula qualquer. Olhei para a cadeira atrás da minha e não encontrei aquele par de órbitas negras que costumavam me sondar. Senti saudade.- Bom dia, Baby. — Eu não sei como ela conseguia se arrumar tanto para ir a escola. — Jujubas? — Ela estendeu uma caixa colorida.- Não, Obrigada. — Abri minha mochila e coloquei os livros sobre a mesa.Marcie Millar havia entrado na sala. Droga.- Ora… Ora. — Ela havia parado em minha carteira. Com as mãos nos quadris e língua passando suavemente pelos lábios. — Se não é a minha…- Colega de classe. — Interrompi, não queria que todos soubessem que ela era minha meia-irmã. Não mesmo.- É… — Ela entendeu o recado. — Sabe quem andou me ligando ontem a noite? — Agora ela checava as unhas.- Quem, Marcie? — Minha paciência estava mudando.- Patch. — Ela sorriu. — Disse que tem saudade de mim, acredita? - Esses homens não valem nada, mesmo. Veja só… — Eu entrei na onda e Vee se engasgou com uma jujuba.- Não está chateada? — Marcie parecia confusa, ela queria me atingir.- Claro que não. — Sorri. — Só cuidado para não ferir seus sentimentos. — Fiz uma voz suave e irônica. Peguei a caixa de jujubas de Vee e enfiei um punhado na boca. — Quer?Marcie apenas fez cara de nojo e andou até seu lugar.- Mas o que essa vadia, quer? — Vee estava bufando.- Quem vai saber? — Dei de ombros.O técnico entrou e começou a escrever no quadro.REPRODUÇÃO HUMANA- Devido a grande repercussão dessa matéria, vamos voltar a estudá-la. — Ele disse, sério.- O senhor gosta mesmo de sexo, hein? — Disse alguém, do fundo da sala.O olhar do técnico fuzilou o aluno e eu não pude deixar de rir.- Não quero que sintam vergonha. Eu vou perguntar, mas não se sintam intimados. Quem desta sala já teve alguma relação sexual e quer partilhar conosco? — O técnico havia se sentado em sua mesa.Silêncio.- Nora… — Vee sussurrou do meu lado.- O que? Nora? — O técnico urrou. Com os olhos saltando. — Quer nos contar algo, Nora?Todos estavam olhando para mim. Lembrei de Patch.- Não senhor. — Eu disse normalmente.- Mas… você já teve alguma experiência? — O técnico parecia confuso. Vee ria ao meu lado.- Bom… — Comecei. — Sim, senhor.Marcie me observava com atenção.- Partilhe algo conosco. — Ele disse, implorava por algum depoimento. Senti pena.- Bebês não nascem de cegonhas. — Eu disse a primeira coisa que veio em minha mente. Todos riram e alguns até gritaram ” lesada”.O técnico parecia constrangido,mas eu estava mais. Ele deu continuidade a aula, porém Marcie não parava de me olhar. No fim da aula ela veio falar comigo.- Foi com o Patch não foi? — Ela foi direta.- O que? — Intrometida.- Você transou com Patch? — Ela estava furiosa.- Pra que quer saber? — Vee retrucou ao meu lado. — Se ele tanto liga pra você, experimente você mesma.Ela pegou em meu braço e começou a me puxar pelo corredor, mas eu podia ouvir os saltos de Marcie batendo no corredor atrás de mim. Ela não iria desistir.- Foi com o Patch? — Ela gritava.Fingi que não ouvi e continuei andando. Chegando no estacionamento meu carro estava com o motor ligado. Corri e abri as portas. Scott estava lá dentro, ouvindo música.- Como foi a aula, Grey? — Ela abriu um sorriso.- Boa. Poderia fazer o favor de sair do meu carro? — Eu não estava com paciência.- Claro. Sairemos daqui logo logo, basta você entrar. — Ele havia se recostado mais no banco. — Vamos almoçar juntos hoje. Pode escolher o lugar.Ele estava disposto a ficar, eu teria que entrar.Entrei e fechei a porta.- Vamos ao melhor mexicano daqui. — Eu disse. Queria me inundar com as lembranças, queria ficar com Patch fervendo em minha mente. Queria me manter acessa.
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