Murmúrio

34 Despedaçada


Prendi a respiração na garganta e fechei os olhos, Patch passou as mãos pela minha cintura numa tentativa sem sucesso de me acalmar.

- Respira, Anjo — Sua voz era serena. — Tenta se acalmar, por favor.

Continuei com os olhos fechados, estava me concentrando apenas no ritmo em que o ar entrava e saia do dos meus pulmões. Patch continuava sussurrando palavras doces e Vee permanecia imóvel com um sorriso bobo no rosto.

- Ele já deve estar chegando. — Ela disse, como se falasse sozinha.

- Olha… Vee não me responsabilizo por nada do que eu fizer — Eu comecei, com os olhos ainda fechados, pude sentir o sorriso de Patch em meu pescoço. — Eu quero matá-lo.

- Baby? — Sua voz saiu esganiçada. — Não diga isso, a culpa não foi dele.

- Veremos. — Foi minha última palavra.

Ficamos em silêncio durante um bom tempo, até que a campainha tocou.

- Amor! — Ela deu um gritinho quando abriu a porta. Scott estava tenso e me observava com curiosidade enquanto abraçava Vee.

- Grey… Patch — Ele sorriu pra mim e eu apenas o encarei.

Essa era uma das raras vezes em que Scott chamou Patch pelo nome, ele não seria tão burro de chamá-lo de ” anjo” na frente de Vee.

- Então… O que teremos hoje? — Ele se sentou ao nosso lado, as pernas relaxadas e os braços cruzados atrás da cabeça. — Pizza? Jogos?

- Bebês. — Eu virei para encará-lo com um sorriso diabólico. Patch me apertou mais forte contra seu corpo, eu podia sentir meus membros tremerem com a ira.

- O que? — Scott cuspiu as palavras, com os olhos arregalados.

- Estou grávida, amor. — Vee sorriu, sentando em seu colo.

- O que? — Ele praticamente gritou. — Você… tem… quero… dizer… certeza? — Scott começou a gaguejar.

- Sim. — Vee passou os braços pelo seu pescoço. — Estou tão feliz.

- Temos que dar um jeito nisso. — Ele tirou Vee de seu colo e se levantou. — Não podemos, Vee. — Scott estava nervoso, andava de um lado para o outro, passando a mão pelo cabelo. — Temos que dar um jeito nisso, antes que seja tarde.

- Nisso, Scott? — Vee parecia magoada, sua voz era trêmula. — Isso é o nosso filho.

- Nós não temos filho nenhum. — Ele olhou pra Vee com desprezo.

Meu sangue ferveu e quando me dei conta eu já tinha me soltado dos braços de Patch.

- Qual o seu problema? — Eu percebi que alguém gritava, mas só me dei conta quando minha garganta arranhou. Era eu.- Qual o seu problema? — Eu gritei mais alto, com todas as minhas forças.

- Grey… — Scott posicionou as mãos em meus ombros. — Calma.

- Me solta! — Gritei, socando seu peito com força. — Eu odeio você, Scott! Odeio! Eu só não te mato agora, pela consideração com Vee! — Eu estava gritando como maluca, Vee chorava no sofá, enquanto Patch tentava me puxar para longe pela cintura.

- Você está fazendo ela chorar, Grey. — Scott disse, abraçando Vee. — É isso que quer?

- Não sou eu! — Eu continuei gritando. — É você! Seu imundo! Tira as mãos dela agora! — Eu estava descontrolada.

- Anjo… Por favor — Patch sussurrava em meu ouvido. — Mantenha a calma, vamos resolver tudo isso. Por favor pare — Ele suplicava.

- Eu quero matá-lo, Patch. — Meus soluços começaram a se confundir com os gritos.

- Anjo… por favor. — Ele estava suplicando.

Scott estava alisando o topo da cabeça de Vee enquanto falava algo que eu não podia ouvir.

- Tudo bem? — Ele perguntou.

Ela assentiu com a cabeça e se levantou na minha direção. Patch ainda me segurava.

- Nora… — Ela disse com a voz dura. Um choque percorreu meu corpo, ela não costumava me chamar pelo nome, alguma coisa estava errada. — Pare com tudo isso.

- Vee… eu não… — Comecei, enquanto as lágrimas quentes rolavam pelo meu rosto.

- Vá embora. — Ela me interrompeu. — Agora.

Eu não estava acreditando no que eu acabei de ouvir, Vee me mandando embora?

- O que? — Perguntei — O que você disse, Vee?

Patch relaxou os braços ao meu redor, ele também havia levado um choque.

- Você ouviu bem, Nora. — Ela fez questão de destacar meu nome com desprezo. — Saia da minha casa.

Não perguntei mais nada, nem disse uma palavra. Peguei a mão de Patch e fui caminhei em direção a porta.

- Até mais, Grey… — Scott gritou do sofá, com um sorriso perverso nos lábios.

- Vá se… — comecei, mas Patch me repreendeu, puxando-me porta a fora.

Eu não estava acreditando em nada daquilo. Estava sonhando? Por que ela havia sido tão rude comigo?

Eu não faço ideia.

Enterrei meu rosto no peito quente de Patch e comecei a chorar, minha amiga não me queria mais. Minha vida podia piorar?