Murmúrio
49 Afazeres
Passei a tarde criando planilhas e fazendo modificações com Scott, não era nada fácil ser líder. Já passava da meia-noite, mas eu estava sem sono.
- Vai continuar, Grey? — Scott coçava os olhos.Eu soltei uma gargalhada, ele parecia uma criança mimada.- Vá dormir. — Eu respondi. — Eu tenho um quarto?- Eu cuidei de tudo. — Ele sorriu me estendendo a mão.Caminhamos por um corredor tão silencioso quanto a morte, haviam várias portas, todas fechadas. Scott me levou a um quarto na última porta, ele era bem bonito.- Nossa, obrigada. — Abracei Scott. — De verdade.- Não por isso. — Ele murmurou. — Se não se importa eu vou me deitar um pouco, qualquer coisa só bater na segunda porta a direita.- Tudo bem — respondi, correndo os olhos pelo quarto. — Boa noite.Antes que eu pudesse ouvir sua resposta ele já tinha sumido na escuridão do corredor, resolvi voltar mas um choro ecoava no corredor seguinte.Caminhei até a porta de onde vinha o choro e abri sem bater, havia uma criança sozinha, enrolada numa manta cor-de-rosa.- Ei, tudo bem? — perguntei.- Mamãe? — A menina levantou os olhos. Mas logo voltou a chorar. Ela era loira de olhos verde, parecia uma boneca, devia ter uns 4 anos, algo nela me era familiar.- Tá tudo bem — Sussurrei, colocando-a em meu colo. — Não precisa chorar. Qual é o seu nome?- Angie. — Ela respondeu, passando os dedinhos pelos olhos. Logo pensei que ela seria uma boa amiga para o meu bebê, sorri com a ideia. — E o seu?- Nora — Eu falei, ainda sorrindo. — Você vir comigo?Ela começou a rir e logo depois pegou em minha mão.- Você tem algum brinquedo que queira levar? — Eu perguntei. Ela olhou ao redor do quarto vazio e apontou para a colcha rosa. — Que colcha bonita.- Minha mãe que me deu. — Ela sorriu.Não tive coragem de perguntar mais nada a Angie, segurei em sua mão e levei até comigo ao escritório.- Quer biscoitos? — Mostrei-lhe o pote que Scott havia me dado horas atrás.Ela sorriu e enfiou os dedinhos pequenos no recipiente, entreguei uma folha em branco e alguns lápis e continuei meu trabalho. Depois de meia hora eu e Angie já tínhamos comido todos os biscoitos, eu já tinha adiantado mais da metade da papelada e ela estava com sono.- Vem, vamos para o meu quarto. — Peguei Angie em meu colo. Ela colocou os bracinhos em volta do meu pescoço e apoiou sua cabeça em mim. Ela estava suja e com fome, a raiva tomou conta de mim. Como podem deixar uma criança nesse estado?O corredor estava escuro, mas eu escutei passos atrás de mim. Eu estava quase correndo quando cheguei ao quarto, Angie estava mais acordada, lhe dei um banho e uma maçã que eu achei no frigobar. Liguei a televisão e deixei que ela deitasse em minha cama. Eu estava de costas, mas podia sentir a presença. Droga.- Você fugiu. — Ele disse. — De novo.Patch estava parado na porta, com olheiras e o cabelo despenteado.- Você não me ama, mais. — Minha voz era pura amargura.- De onde você tirou isso? — Ele riu sem humor. — Ah, Scott. Só podia ser, quantas vezes já te disse que ele não é confiável?- Me amar não é certo, Patch? — Eu falei, contendo meus gritos para não acordar Angie, que havia acabado de dormir.- É a única coisa certa que eu faço. — Ele sussurrou, cansado. — Anjo, eu sei o que ele lhe mostrou e o que lhe disse, aquilo aconteceu, mas é porque eu te amo.- Me explique isso, Patch. — Minha voz, aumentou. — Porque não estou entendendo mais nada.- Eu precisava de tempo. — Ele suspirou. — Eu atirei pra todos os lados para que pudéssemos ficar juntos, não entende isso?Ele chegou mais perto e meu corpo amoleceu.- Eles estão com Vee. — Eu cedi, as lágrimas brotando em meus olhos. — Eles só vão vai deixa-la sair se eu ficar.- Eu sei. — Ele confirmou com a cabeça. — Mas você não vai ficar aqui.- É o que veremos. — Scott disse. Merda, ele também estava no quarto. — Você fica. — Ele apontou pra mim. — Já você sai.Patch se aproximou dele.- Qual o seu problema? — Ele urrava.Eu corri e abracei Angie, com medo.- Ela vai ficar — Scott estava tranquilo. — Agora, por favor saia antes que eu tenha que chamar a segurança.- Patch… — Eu sussurrei, minhas lágrimas brotando. Eu levantei para pegar em seu braço, mas Scott foi mais rápido e me puxou colocando uma arma pressionada contra minha têmpora.- Scott? — Eu gritei. Angie havia acordado e tremia , eu queria que ela não tivesse que passar por isso.- Me desculpe, Grey — Sua voz estava tão fria quanto um cubo de gelo. — Mas é o certo.- Scott, larga isso. — Patch tentava persuadi-lo, seu corpo estava ereto.- Vá embora, suma. — Scott respondeu. — Ei, nem mais um passo…O corpo de Patch vacilou e Scott pressionou mais a arma.- Scott — Eu gritei. — Pare!- Me de um motivo, Grey — Ele gritou de volta. — Só um.- Eu estou grávida, Scott. — As lágrimas se juntaram aos soluços.
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