Murmúrios da Escuridão
1 Prólogo
Notas iniciais
Boa Leitura!
Andei pelas margens do Estige, tentando pensar em algum plano de fuga. O sermão ameaçador que meu pai fizera ainda estava martelando em minha memória. Eu não podia mais ter uma vida social, não podia mais sair daquela droga de submundo, onde os meus companheiros eram almas vagantes, que, em sua maioria, iam direto para os Campos da Punição.
Cérbero estava atento, olhando para tudo com suas três cabeças. Pude perceber que ele me observava de soslaio, talvez mais um dos vigias que meu pai havia deixado para não deixar que eu fugisse.
Eu sabia que podia facilmente sair dali viajando pelas sombras, mas meu pai viria atrás de mim segundos depois. Era completamente impossível fugir dali. O jeito seria esperar o meu castigo terminar e poder ir para o mundo mortal mais uma vez. E tentar não trazer mais problemas para o meu pai, que havia deixado claro que se arranjasse qualquer encrenca teria sérios castigos.
O porquê de tudo aquilo?
Tudo começou quando eu resolvi ajudar meus amigos em uma pequena batalha em Manhattan. Uma dúzia de monstros os cercou. Estavam quase os devorando quando eu pensei em clamar por um exercito de mortos. Eu sempre me concentrava em fazer aquilo, para não trazer um numero muito alto de soldados mortos-vivos. Mas então aquelas vozes ecoaram em minha mente, falando algo sobre a minha irmã morta e sobre um futuro trágico para todos os meus amigos. Aquilo me deixou fora do sério, me fazendo evocar mais mortos do que o necessário. A batalha foi fácil para eles, e eu me senti exausto por liberar tanta energia de dentro de mim. Acontece que um grupo de pessoas passava pelo local e, pelo efeito da Névoa – o véu mágico que distorce o sobrenatural do real – acharam que os soldados se tratassem de russos que invadiram secretamente o país.
Cinco minutos depois, a Guarda Nacional cercou o local e atraiu inúmeros canais de televisão, fazendo a notícia ter percussão global. Os meus soldados voltaram para o submundo e eu saí dali com Percy e Leo.
O restante da história é fácil de imaginar. Os deuses colocaram a culpa em meu pai, o deus das profundezas e dos mortos, e ele, por sua vez, colocou a culpa em mim. Eu tentei explicar o que aconteceu, mas ele estava irritado o suficiente para não escutar nenhuma das palavras que eu disse. Como castigo tenho que ficar no submundo por dois meses, sem direito de sair, não importa o tempo que eu fique lá em cima.
Agora, eu estou observando as almas tomarem os seus rumos, seja para a punição eterna ou para a felicidade. Estava encostado ao muro negro do castelo de meu pai, com os braços e pernas cruzados. Stygian, minha espada de lâmina negra, estava guardada na bainha, presa em meus jeans escuros.
Tudo vai acabar mal, filho do Deus das Trevas. Aqueles que você ama irão ter um fim tão tortuoso quanto às almas confinadas no Hades. E você irá falhar, colocando a vida de todos em risco, as vozes fantasmagóricas ecoaram em minha mente, me deixando frustrado.
- Me deixem em paz! – gritei, produzindo eco na escuridão.
Eu precisava descobrir o que era aquilo. Fazia uma semana desde que esses murmúrios haviam começado. Sempre diziam a mesma coisa, me alertando para um fim trágico. Eu estava enlouquecendo aos poucos. Precisava me livrar daqueles murmúrios de uma vez por todas.
Notas finais
Esperamos vocês nos próximos capítulos, okay?
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