Murmúrio
13 Sonhos - Parte I
3 º Dia.
Depois de tentar ignorar Marcie na escola e morrer de rir com Vee fui para casa. Meu corpo estava cansado e triste, eu não aguentava mais nada disso. Eu ansiava pelo meu próximo encontro com Patch.Entrei em casa e minha mãe estava na cozinha cortando vegetais.- Como foi a aula, Nora? — Ela me perguntou enquanto decepava uma cenoura.- Legal. — Respondi sem animação alguma.Era desconfortável ficar no mesmo comodo que minha mãe por muito tempo, não tínhamos muitos assuntos.- Eu vou subir e desço quando o almoço estiver pronto, ok? — Não era uma pergunta.Joguei minha mochila em cima da cama e abri minha gaveta para procurar roupas limpas. Havia uma pena negra ali. Na gaveta onde alguns meses atrás eu escondia a pena de Patch.Corri até a cozinha.- Mãe, alguém esteve aqui? — Minha respiração estava ofegante. - Não, Nora. — Minha mãe parecia cansada. — Eu passei o dia sozinha, arrumei seu quarto…- Arrumou meu guarda — roupa? — interrompi.- Arrumei. — Ela parecia se desculpar apenas com o olhar. — Mas eu não estava mexendo nas suas coisas, eu apenas queria organizar… — Minha mãe estava com essa mania de não terminar as frases.- Você colocou isto lá? — Mostrei-lhe a pena.- Claro que não, Nora. — Ela andou em minha direção com as mãos estendidas. — Me dê isso. Vai lhe causar doenças.- Não. — Minha voz estava firme. — Eu me viro com isso.Dei as costas e voltei para o meu quarto.Patch esteve ali? Sentei na cama e fiquei observando a pena, não sei porquê me veio a ideia de cheirá-la. Fechei os olhos e aproximei-a do nariz. Terra Molhada, menta e grama aparada. Sim, ele esteve ali.Coloquei a pena junto ao peito e fechei os olhos. Depois de um tempo ouvi uma voz calorosa.- Anjo? — a voz murmurava em meu ouvido.- Patch? — Meu coração golpeou meu tórax. Abri os olhos e lá estava ele, lindo e radiante como sempre. Vestindo apenas uma calça de linho preto, os músculos definidos do abdômen a mostra. Perdi o fôlego.- Ah… anjo. — Ele me puxou para si. — A saudade me consome hora após hora.- Volte para mim, Patch. — Eu queria gritar.- Eu estou mais perto do que pensa, anjo. — Eu podia sentir o sorriso em sua voz. A voz de Patch estava se tornando um zunido, seus braços estavam me soltando. O que estava havendo? O telefone estava tocando. Droga. Eu estava dormindo. - Alô? — resmunguei. — Quem é? — Não havia nem se quer olhado o número na tela.- Nossa, que bicho te mordeu Grey? — Scott ria do outro lado. — Acordei você?- Sim. O que você quer? — Eu queria voltar a dormir. Queria voltar a sonhar com Patch.- Sabe… estou cada vez mais gostando da sua companhia. — Ele queria ser sexy, mas eu estava com raiva demais para cair na sua lábia. — Eu gostei muito daquele lugar onde almoçamos ontem. Que tal irmos jantar? — Ele deu uma pausa. — Hm… então? Aceita?- Que horas são, Scott? — perguntei.- São cinco horas. Se quiser passo ai mais tarde. — Ele parecia ansioso.- Tudo bem, passe aqui as sete. — Eu não tinha planos para a noite mesmo.- Esteja arrumada. — brincou. — Tchau, Grey.Bati o telefone e me virei na cama. A pena havia sumido. Meus olhos sondaram todo o quarto em busca dela, levantei os lençóis e vasculhei debaixo da cama. Nada. Fui novamente até minha mãe.- Mãe? — Onde ela estava?- Aqui. — Respondeu de seu quarto. Parei na porta e olhei pelo chão.- Mãe… a pena — Como eu iria explicar. A pena também havia sido parte do sonho?- Sim. Eu já ia conversar com você. — Ela parecia dar de ombros. — Jogou aquilo fora?- Ah, sim. Claro! — O pânico misturado com alegria percorreu meu corpo. — Eu só queria falar que vou jantar com Scott.- Ah tudo bem. — Ela voltou os olhos para as páginas. — Se divirta.Eu queria gritar, correr e chamar por ele. Patch esteve em minha casa. Ele me abraçou e disse que estava perto. Eu não deveria sair, deveria ficar em casa e esperar sua volta. Não, eu deveria sair e comemorar. Eu queria crer na força das suas palavras ” Eu não estou tão longe.
Fale com o autor