Meus pensamentos estavam perdidos, assim como eu. Eu queria poder marcar um café com Vee, comer uns donuts, compras novas lingeries e fazer comentários engraçados sobre Marcie Millar, mas eu não podia, Vee não queria mais me ver, por enquanto.

- É culpa dele, Patch! — Eu estava gritando. — Culpa dele! Vee nunca faria isso comigo!

- Eu sei, Anjo… Eu sei. — Ele falava com a voz baixa e amigável, como se quisesse acalmar uma criança.

- Eu não tenho outros amigos, Patch — Meus soluços estavam aumentando. — O que eu vou fazer?

- Você tem a mim. — Ele estava alisando minhas mãos.

- Patch… — Voltei a chorar. Era como se uma camada de gás estivesse prendendo as palavras em minha garganta.

- Não basta? — Agora ele me encarava, enquanto beijava a ponta de cada um dos meus dedos.

- Eu te amo, isso basta pra mim. — Minha voz era um sussurro. — Isso é tudo pra mim.

- Eu também te amo. — Ele sorriu, como se esperasse resposta. — Sabe que há poucas coisas menos dolorosas do que ver você sofrer.

- Eu queria que tudo isso não estivesse acontecendo. — Olhei no fundo dos seus olhos, procurando alguma resposta.

- Se eu pudesse, tomaria sua dor para mim. — Sua voz era amarga, doentia. — Mas infelizmente…

Não respondi, envolvi meus braços em sua cintura, sentindo os músculos rígidos e tensos em suas costas, enquanto repousava minha cabeça em seu peito.

- Não me deixe. — sussurrei.

- Nunca. — Ele disse, plantando um beijo no topo da minha cabeça. — Vamos sair daqui.

Entrelacei meus dedos nos seus. Meus dedos eram delicados e pequenos, assim como minhas mãos, diferente dos de Patch que eram compridos e fortes, porém macios. Uma combinação que particularmente me agradava.

- Quero te mostrar um projeto. — Ele disse, com um sorriso bobo nos lábios. — Não está completo… ainda.

Não hesitei, andei em silêncio enquanto Patch sibilava um canção que eu não conhecia, mas que funcionava como calmante.

- Como faz isso? — Perguntei, meu corpo parecia peso morto. Meus membros estavam entorpecidos.

- O que? — Sua expressão estava divertida.

- Você sabe… — Era a primeira vez que eu sorria no dia, agradeci mentalmente ao destino por ter me enviado Patch.

- Ah sim, isso. — Ele voltou a sussurrar a melodia. — Coisa de anjo.

- Funciona. — Minhas pálpebras pesavam.

Ele sorriu e parou de cantar, passou os braços pelas minhas pernas e me levantou com facilidade.

- Injusto. — Eu sorri, enquanto passava as mãos pelo seu pescoço e me aninhava em seu peito.

- Você é tão linda. — Ele pousou os olhos negros sobre mim. — Não canso de me perguntar quando vou me acostumar com isso.

- Digo o mesmo. — Fiquei surpresa com a ponta de humor em minha voz.

Patch abriu a porta de sua casa em silêncio, ela havia sido trocada. Haviam algumas mudanças.

- Não demoro. — Ele disse, enquanto me deixava na cama.

- Hmm… — Murmurei, enquanto agarrava a gola de sua camiseta preta e o puxava pra mais perto, até que nossos lábios ficassem juntos o suficiente para um beijo.

- Anjo, achei que estivesse cansada. — Ele estava rindo.

- Pra você? Nunca? — Meus olhos se abriram com a empolgação.

Ele sorriu e umedeceu os lábios com a língua.

- Um minuto. — Ele desapareceu pela porta.

Observei cada detalhe do quarto, as paredes, o armário, o cheiro dos lençois. Eu estava em casa e segura.

- Quer conversar? — Senti o peso de Patch afundar a ponta do colchão.

- Você ainda tem vontade de se tornar humano? — Não sabia porquê aquela pergunta havia surgido, mas quando me dei conta as palavras já haviam saído.

- Pergunta interessante. — Sua boca havia se tornado uma linha dura. — Eu não sei se humano, bastava ser capaz de poder te proporcionar uma vida feliz.

- O que? — Meu corpo se ergueu com o choque da sua resposta. — Você já faz isso, Patch.

- Não como eu gostaria. — Ele sorri, sem humor.

- Você é o meu sonho. — Eu sussurro, repousando minha cabeça sobre a mão para observá-lo melhor.

- Anjo… — Ele fecha os olhos, absorvendo as palavras. — Se eu pudesse fazer tudo o que tenho vontade.

- Ei — Repreendi. — Não pense assim.

Ele sorriu e estendeu a mão pra mim.

- Quero te mostrar algo.

Levantei e comecei a caminhar pelo corredor, estava diferente, mas eu havia gostado. Percebi que algumas portas haviam sido adicionadas.

Patch pousou a mão sobre a maçaneta da última porta.

- Pronta? — Ele me olhava como uma criança.

- Sempre.

Quando Patch abriu a porta, meu queixo caiu. Não acredito.