Acordei com o barulho da respiração ofegante de Patch, seu corpo estava quente e pesado sobre o meu.

- O que houve? — perguntei, mal conseguindo abrir meus olhos.

- Nada. — Ele estava com a voz baixa. — Durma, anjo.

Não foi preciso ele repetir e minhas pálpebras já estavam pesando.

Um baque surdo me acordou novamente. Patch havia deixado algo cair no chão.

- Desculpe, anjo. — Ele disse, recolhendo as bolsas.

- Bom dia. — Ignorei a situação, sorrindo e esticando meus braços para me expreguiçar.

Levantei e o observei de cima a baixo. Ele estava usando calça jeans de lavagem clara, uma polo e um belo par de Nikes. Seu cabelo estava molhado, tão lindo.

- Vou tomar banho. — Falei, ajoelhando-me para pegar meus utensílios na bolsa. — Não demoro.

- Já separei tudo. — Ele falou, me entregando um vestido púrpura e sapatilhas confortáveis.

- Ah,sim. — Falei. — Obrigada, deixa só eu pegar…

- Já está tudo aqui. — Ele falou com um sorriso diabólico. — Calcinha e sutiã.

Eu corei.

- Deixe a porta aberta. — Ele acrescentou.

- O que? — perguntei.

Ele não respondeu, apenas apontou para a porta e eu continuei parada.

- Ah, qual é, anjo… — Ele riu. — Com vergonha de mim?

Mal tive a chance de responder, Patch já estava nu.

- Melhor assim? — ele perguntou.

- Muito. — Eu arfei, tentando me lembrar de como se respirava.

Patch estava divertido, porém diferente. Ele estava evitando meu olhar desde cedo.

Eu o observei durante todo o café, enquanto ele sorria a cada prova nova de doce, quando ele limpava os cantos da boca sujos de glace e até mesmo as vezes em que ele queimava a língua.

- Eu nunca pensei que fosse gostar tanto de comer. — Ele disse, enfiando uma fatia de torta de maçã na boca.

- É muito bom. — respondi, distraída. — Não entendo como já posso sentir tanta fome.

Ele sorriu, parecendo satisfeito

- Tem que se cuidar, anjo. — Ele sorriu, passando o dedo pelo meu queixo e logo depois levando aos lábios. — Doce como sempre.

- Não vai me contar o que houve? — perguntei.

- Eu vou ser pai. — Ele largou a colher e soltou um riso exagerado.

- Sabe o que quero dizer. — resmunguei. — Aliás, o que vamos fazer hoje?

- Voltar. — Ele parecia sério.

- Voltar? — As palavras engasgaram em minha garganta. — Mas e o Rixon?

- Ele é a menor das nossas preocupações. — Seus olhos estavam tão escuros quanto a meia — noite.

- Não me esconda mais nada… — Minha voz estava sumindo.

Patch não respondeu, apenas enfiou as mãos na bolsa e retirou um par de sapatinhos de bebê.

De início não entendi. Um presente do papai? Sorri, mas meu sorriso desapareceu logo que virei a sola.

Estava escrito ” BOA SORTE MAMÃE, VOCÊ VAI PRECISAR”

- O que significa isso? — Joguei os sapatos em cima da mesa.

- Deixaram no quarto. — Patch estava de olhos fechados, respirando pela boca.