- Entendeu tudo? — Patch me perguntou, enquanto me ajudava a saltar da moto.

Confirmei com a cabeça.

Ele havia me dito um plano. Iriamos subir e pegar minhas coisas o mais rápido possível e dirigir para o mais longe dali.

- Joey… — Falei, enquanto passava pela recepção.

O garoto estava com os olhos arregalados.

- Nora… — Ele me segurou pelo braço. Patch o fuzilava com os olhos. — Aconteceu uma coisa.

Ah meu Deus.

- Um homem. — Ele continuou. — Chegou aqui, dizendo ser seu irmão. Ele pediu que eu deixasse suas coisas aqui embaixo. — Ele apontou para a mala que estava no canto. — Ele se registrou e subiu com uma caixa.

- Ele ainda está aqui? — Patch perguntou, surpreendendo-me com a sua voz seca e fria.

- Eu não sei. — Joey respondeu sem tirar os olhos de mim. — Os policiais estão verificando.

- Policiais? — perguntei.

- Sim… — Ele respondeu. Sua voz parecia cansada e preocupada. — Eu sei que posso perder meu emprego, mas eu queria me certificar de que você estava bem.

- Joey… — Eu disse, sorrindo. Eu queria acalmá-lo. — O que está acontecendo?

- O quarto em que você estava. — Ele começou, mas parou comprimindo os lábios. — Teve… um… incêndio.

Patch ficou rígido.

- Ele se registrou com qual nome? — Patch perguntou.

Joey caminhou até um livro, azul. Ele acompanhava as linhas com o dedo.

- Ele se registrou em nome de ” Patch Cipriano” — Ele respondeu.

- Merda — Patch ralhou do meu lado. Suas mãos circundando minha cintura e me puxando para mais perto. — Obrigada Joey, eu tenho certeza que você não vai perder seu emprego. Você pode dar um minutinho pra mim e pra minha namorada? — Patch fez questão de sinalizar a última palavra . Ele estava com ciúmes? Tentei segurar minha risada.

- Ah, sim. Claro. — Joey deu um sorriso sem graça, parecia desapontado.

- Você acha que foi o Rixon? — Patch sussurou em meu ouvido.

- Eu não sei… — respondi. — Está implicando com Joey?

Eu soltei uma gargalhada.

- Se soubesse como eu gosto desse som. — Ele sorriu. — Mas respondendo a sua pergunta, ninguém manda ele querer o que é meu.

- Ah, Patch… — eu disse. — Para.

- O que foi? — Ele arregalou os olhos.

- Nada. — Falei, pegando seu boné e colocando em mim. Sempre quis fazer isso.

- Joey? — Patch chamou.

- Sim? — Ele apareceu novamente.

- Podemos dar uma olhada no quarto? — Patch perguntou.

- Claro — Joey também não gostava de Patch — Mas não mudem nada de lugar, nem toquem em nada…

- Não vamos. — Patch respondeu com a voz dura.

Eu olhei para Joey e ele me entregou a chave.

As paredes estavam negras, a cama parecia apenas uma montanha de fuligem. Mas por incrível que pareça o banheiro estava intacto. Eu quase desmaiei quando olhei no espelho.

” Não tão fácil”

Estava escrito com o que parecia ser batom.

- Patch! — Gritei e ele logo estava atrás de mim encarando o espelho.

- Precisamos sair daqui. — Ele me puxou pelo braço, voltando para a recepção.

- Joey eu sinto muito… — Falei. Era verdade, eu não queria que ele perdesse o emprego por minha causa.

- Ele sabe que sentimos, meu anjo.- Patch cuspiu ao meu lado. — Por isso que vou ajudá-lo.

Ele retirou dinheiro do bolso. Muito dinheiro.

- O que… — Joey começou, estava com a boca escancarada.

- Dois mil dólares. — Patch respondeu com indiferença. — Use o necessário para reformar o quarto e o resto você pode ficar.

- Não posso aceitar. — Joey olhou pra mim.

- Você pode e você vai. — Patch disse, sério. Por que ele estava sendo tão rude? — Vou te esperar no carro.

Concordei com a cabeça, virando-me para o garoto para a minha frente.

- Joey, eu sinto tanto… — Falei novamente.

- Não é sua culpa. — Ele disse.

- Você foi muito atencioso comigo… — Eu continuei. — Só queria lhe agradecer.

Eu o surpreendi, com um abraço.

- Eu espero que você volte. — Ele disse enquanto eu caminhava em direção ao carro.

” Eu também, Joey, Eu também. ” Pensei, mas apenas lhe dei um sorriso e acenei com a cabeça.