Murmúrio
51 Escuridão
Alarguei meus passos atrás de Patch no corredor.
- Você só poder estar brincando comigo. — Falei, pegando em seu braço.Agora ele me encarava, sério.- Você acha que eu gostaria disso? — Ele soltou um sorriso sem humor. — Claro que não, anjo.- Então porquê? — perguntei.- Porque não temos escolha. — Foi a última coisa que ele disse, depois ele me abraçou durante um bom tempo e foi embora.Passei a noite chorando na cama com medo das consequências da proposta de Scott.- Por favor me ajude! — Gritei. Minha barriga estava doendo tanto.- Você rompeu a bolsa, Grey. — Scott falou, me pegando no colo. — Eu não pensei que daria tão certo nosso plano. Vamos pra sala de cirurgia.- Onde está Patch? — Perguntei.- Bem aqui. — Ele falou, passando as mãos ao redor do meu corpo e me tomando do colo de Scott. — Pra qual direção?Ele nem Scott abriram a boca, mas ele não tirava os olhos de mim.- Eu nunca senti tanto medo, anjo. — Ele confessou.- Eu também estou com medo, Patch — Sussurrei. — Muito.- Prometa que eu não vou perder você. — Ele estava a ponto de chorar.- Eu prometo. — As lágrimas me inundaram. — Não deixem que machuque o meu anjo, Patch.- Nunca. — Ele sorriu. — Ele é um pedaço seu comigo, vou cuidar dele como se fosse você.- Eu te amo. — Sussurei, puxando a cabeça de Patch o suficiente para nossos lábios se tocarem.- Eu também te amo, anjo. — Ele murmurrou. Ele estava chorando?- Está na hora, Grey. — Scott parecia nervoso.A sala era diferente, não parecia um hospital. Parecia mais o interior de uma nave espacial, haviam muitos paineis com gráficos, centenas de botões, uma maca e uma bancada com utensílios cirurgicos.- Patch! — Gritei. — Segure minha mão!- Isso não é permitido. — Um enfermeiro me repreendeu. - Patch! — Soltei outro grito estridente, minha barriga doia tanto.- Ele ira observar tudo de lá. — Uma enfermeira apontou para uma parede de vidro no segundo andar e eu pude destinguir a escuridão dos olhos de Patch.Respirei até alguém colocar uma máscara em mim e injetar algo em minha corrente sanguínea que fez minhas pálpebras pesarem.A todo momento eu olhava para o alto na procura de consolo, enquanto eu sentia algo gelado escorrer pela minha barriga. Sangue.- Patch… — Eu sussurrei. Ele não podia me ouvir, mas felizmente ele virou o rosto pra me olhar. — Amo você.” Eu também te amo” A voz dele ecoou em minha cabeça.- Estamos perdendo a frequência, Senhor. — Uma enfermeira gritou.- Está morrendo.- Não — Eu arfei, minha voz era inaudível.Fiquei lutando com meus olhos durante tempo suficiente para ouvir um choro.- Conseguimos! — Outra enfermeira anunciou.Não tive força o suficiente para olhar para o alto, mas consegui sorrir. E esse foi meu último sorriso, antes que a porta se fechasse e tudo ficasse escuro.
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