Murmúrio

15 Cuidados Parte I


4 º Dia.

Passei a noite em claro, virando de um lado para o outro na cama. Pensei ter ouvido passos durante um bom tempo no corredor, mas não me levantei nem procurei saber de onde vinha o som, se é que ele existia. Não conseguia tirar a imagem de Patch da minha mente, eu queria poder tocá-lo, certificar-me de que estava tudo bem, queria dizer tudo o que eu estava sentido no momento, mas principalmente matar a saudade que estava me corroendo por dentro.

” Vou matar aula hoje, afinal já sei a matéria e não me sinto nada bem. — Sentirei sua falta, falo com você mais tarde? Beijos, Nora.” — Mandei uma mensagem para Vee.

Continuei por um bom tempo deitada, quando minha mãe apareceu na porta.

- Não estou me sentindo bem… — Falei com a voz abafada pelo travesseiro.

- Não tem problema, Filha. — Ela se sentou na beirada da minha cama e me observou. — Não é por causa dele, é?

- Nem sei de quem está falando. — Lá vinha minha mãe querendo culpar o Patch.

- Tudo bem, não falaremos sobre isso. — Ela colocou a mão sobre minha testa. — Não agora, você está com febre. Vou pedir a visita que vá embora. — Ela jogou uma colcha sobre meu corpo.

- Visita? — Meu corpo formou um ângulo de 90 º graus instintivamente — Que visita?

- Tem alguém dodói, ai? — Scott apareceu na porta. Estava relaxado.

Deitei novamente.

- Ah, Scott… — Tentei esconder o desapontamento. — Como está?

- Estou bem. Mas parece que tem alguém precisando de cuidados. — Ele andou em minha direção e sentou-se onde minha mãe estava há alguns instantes.

- É exagero de mãe. — Revirei os olhos na direção de minha mãe, ele riu.

- Bom… Nora. — Minha mãe parecia gostar da presença de Scott. — Eu vou ter que dar um pulinho na cidade, mas não demoro. Você fica de olho nela por um tempo, Scott? — Ah, Dona Blythe vamos ter uma conversinha mais tarde.

- Claro. Use o tempo que for necessário. — Scott piscou pra mim.

- E quero que fique para o almoço. — Disse minha mãe para Scott, enquanto saia.

Virei para o outro lado, mas eu podia sentir o peso de Scott afundar a ponta do meu colchão. Ele estava com uma das mãos pousadas em minhas costas. Eu realmente me sentia segura.

- Scott? — Perguntei, minha voz parecia infantil e carente.

- Hm? — Agora ele alisava meu pescoço.

- Como é pra você… ser um nefilin? — Sentia essa curiosidade a muito tempo.

- Pergunta interessante, Grey. — Eu podia sentir o sorriso em sua voz. — Sabe… às vezes eu queria ser normal como todo mundo, sentir dor, poder me machucar, ter meu corpo só pra mim. — Ele fez uma pausa. — Ter uma namorada bonita e inteligente…

Não sei porquê, mas assim como Scott eu estava sorrindo.

- E pra você? — Ele me perguntou .

Virei meu corpo.

- Problemas e mais problemas. — Não pude deixar de rir, era a mais pura verdade.

- Sente fala dele, não é mesmo? — Eu podia ver um tom de dor em seus olhos.

- Scott… — Comecei.

- Eu sei que não quer falar sobre isso… — Ele riu sem humor algum, e baixou a cabeça para fitar o chão, mas continuava a me acariciar com as pontas dos dedos. — Eu sei que sou a última pessoa que você escolheria falar sobre isso, mas… porquê amar uma pessoa que queria matá-la? — Ele me fitava, meus olhos estavam tentando segurar as lágrimas. — Desculpe… Eu não devia…

Passei as costas das mãos para secar os olhos, mas o resultado foi contrário. Os soluços aumentaram e as lágrimas rolaram sem vergonha. Meu corpo estava flácido e fraco, mas senti quando os braços de Scott me puxaram para si. Ele estava me aninhando em seu peito.

- Ei, grey… Está tudo bem, estou aqui e ninguém vai te fazer mal. — Ele sussurrava e balançava o corpo como se ninasse uma criança. Scott afagou meu rosto e secou minhas lágrimas. Ele estava tão perto.

- Por que isso tudo acontece comigo, Scott? — Eu queria chorar mais.

- Porque o acaso não escolhe pessoas normais. — Ele me puxou pelo queixo. E alinhou meus olhos com os seus. — Você é incrível.

Só percebi o quanto ele estava perto, quando seus lábios foram pressionados contra os meus.

Scott estava me beijando.