Murderous Night
1 Murderous Night
Murderous Night
Eu estava em meu quarto bagunçado e abarrotado de coisas, procurando uma pista que fosse no vestido amarelo-ovo de minha avó, Laura. Ela tinha sido assassinada na semana anterior e todos nós tentávamos achar pistas.
Vi uma data impressa ao acaso no plástico onde o vestido era guardado e que não estava ali antes.
14 de Novembro.
O dia em que ela aparecera morta.
Eu precisava conversar com o delegado. Mas primeiro, procurei o pingente que eu tinha com a foto dela, e deixei em cima do vestido, para em seguida pegar o meu.
Saí do quarto arrumando o colar e vi Raul pelo caminho.
Raul era meu pai. Branco como leite, quase careca, olhos azuis, e usava um suéter também azul de cashmere, apesar de não estar tão frio a esse ponto.
- Onde vai, Ângela?
- Preciso ver o delegado.
- Então vamos logo, estamos todos saindo também.
Vi Suzana, Eric e tantas outras pessoas pela janela atrás dele, na área de serviço, montando algo enquanto riam.
- Espere um instante, esqueci algo. — Disse já dando as costas a ele e voltando ao meu quarto para pegar o pingente de Laura sobre o vestido, e deixando a janela com grades meio aberta.
Voltei aos fundos da casa para sair com Soraya e Elizabete ao meu lado.
A porta estava aberta. Tudo estava escuro e de repente todos haviam sumido. Tudo o que podíamos ver era o canteiro de flores da casa.
Escuro.
Sombrio.
Mortífero.
Eu estava com medo e meu coração disparou com aquela visão. Algo ruim ia acontecer.
- Vamos voltar para dentro antes que vejamos coisas piores.
Passamos pela cozinha e pelo banheiro dos fundos, procurando por velas. De repente tudo ficara frio e ainda mais escuro.
- Parece que só achamos três. — Falou Soraya saindo do quarto em frente ao meu, enquanto eu saía do banheiro entre os quartos com uma vela apagada, e Elizabete chegava da cozinha com uma vela acesa.
- Mas eu tinha certeza que tínhamos mais.
Estávamos todas indo para o centro da sala, quando de repente senti um vento gélido passar por mim. A janela do meu quarto estava meio aberta, como eu deixara. Entrei por um instante no quarto, mas no segundo seguinte voltei.
- Soraya, a janela daqui tem cadeado, não tem?
- Sim, mas não sei onde está. — Respondeu, petrificada.
A sala estava cheia de velas, juntamente com tudo que estava ao redor da poltrona vermelha e do espelho ao lado dela, que estava virado para a janela que dava para a rua. Mais se parecia com um velório. Ou...
Voltei novamente ao quarto, apagando as pequenas partículas amarelas de fogo no portal e na cama. Vi o cadeado preto atrás da máquina de costura em cima de minha mesa, e me virei para a janela aberta e sem grades.
A praça da cidade estava vazia. Deserta. As casas com suas luzes apagadas. Algo acontecera ali.
Droga!
Olhei mais uma vez e vi corpos estirados no chão. Sangue por toda parte. E o cheiro de morte e destruição não me deixava enganar. Seríamos as próximas.
Fechei a janela e assim que passei o cadeado, vi alguém do outro lado. Alguém que tentava abrir a janela, enquanto eu segurava com firmeza.
Um homem, pois uma mulher não poderia ter tanta força, apesar de eu não poder ver o seu rosto nem ao menos um minúsculo pedaço de pele. Estava de preto e com um chapéu da mesma cor, além de a cabeça estar abaixada, parecendo olhar para algo em seus pés.
Um serial killer era a única coisa que me veio a cabeça, e eu duvidada estar errada. E aquilo não estava nem perto de acabar.
FIM
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