Murderous Lover
1 Único
Não consigo entender, apenas sei que sinto um amor incondicional por este garoto. Ele, com seus olhos azuis, cabelos loiros, e uma feição infantil, fez com que eu me apaixonasse por ele.
Mas eu não queria me aproximar. Sabia que se fizesse isso, perderia meu controle. Se dependesse de mim, nós nunca nos falaríamos. Mas a iniciativa veio dele, infelizmente. Numa manhã fria, a caminho da escola, ele me encontrou perto de uma cerejeira. E com sua voz doce e gentil, dirigiu sua palavra a mim:
- Você é da minha escola? – ele sorriu. – Nunca te vi antes. Me chamo Len Kagamine, e você?
Que nome lindo para um garoto lindo. Eu não pude deixar de corar quando vi os dentes brancos do loiro. Não compreendia, já estava me sentindo muito atraída por ele. Só então fui reparar que o uniforme do colégio caía muito bem nele. Uma camisa preta de manga comprida, uma calça de mesma cor meio folgada, e sapatos marrons. Eu nunca tinha visto um garoto tão lindo quanto ele.
- M-Me chamo Mayu... – respondi, com vergonha.
- Que nome legal! Já que estudamos na mesma escola, que tal irmos juntos?
- Ah, sim. Claro, Len...
Fomos juntos e conversamos o caminho todo, até chegarmos na escola. Descobrimos que estávamos na mesma classe. Já dentro da sala, enquanto esperávamos o professor, Len foi até minha carteira e sentou-se nela, me olhando por cima do ombro com um sorriso.
- Poxa, nunca notei que estávamos na mesma classe. Desculpa, Mayu, por nunca ter notado isso.
- Ah, tudo bem. Não precisa se desculpar.
Como eu poderia ficar chateada, ou até mesmo zangada com ele? O jeito como ele estava me olhando, me deixou hipnotizada. Ele era um garoto muito bonito, e eu me sentia cada vez mais atraída por aqueles olhos celestes.
- Espero ser seu amigo, Mayu! Você parece ser uma garota legal! – de novo, aquele sorriso. Senti meu rosto esquentar.
- O-Obrigada, Len. Também espero ser sua amiga.
No fim da aula, eu estava indo embora, quando vi Len me esperando no portão da escola. Estava encostado, com um dos pés no muro e as mãos no bolso, e sorriu assim que me viu.
- Len, o que está fazendo aqui?! Por que me esperou?
- Ora, pra gente conversar mais, é óbvio! – ele começou a andar do meu lado. – Então, me fala mais sobre você! Do que você gosta?
- Eu? Hm... – eu coloquei o indicador nos lábios. – Ah, gosto do meu coelho de pelúcia, Usano Mimi. Eu o tenho desde criança, cresci segurando ele. Sou muito apegada ao meu coelhinho...
- Ah, que fofa! – senti um frio na barriga quando ouvi o elogio. – Não sou diferente de você! Sabe...eu tenho uma banana de pelúcia, e abraço ela todas as noites! Mas não fala pra ninguém, ok?
- Uma banana de pelúcia? Quem dorme com uma banana de pelúcia?
- Eu, oras! – Len riu. – Banana é minha fruta favorita!
- Ah, sim, entendo. – não escondi um sorriso.
Chegamos até minha casa, me despedi de Len e entrei. Meus pais estavam fora, deviam estar trabalhando. Eles sempre voltam tarde, por isso, já me acostumei a ficar sozinha. Fui para meu quarto, e me sentei na cama.
Desde o início da manhã, não consigo parar de pensar em Len. Seu sorriso, seus olhos, sua voz, tudo rondava por minha mente. Agarrei Usano Mimi, e me deitei. Ele é tão belo. Ele é um garoto maravilhoso. E ele parece ter gostado de mim. Será que se apaixonou a primeira vista por mim, como aconteceu comigo? Não, eu não podia começar a pensar assim.
Já me apaixonei demais por ele, e meus sentimentos não podem ser controlados. Ele vai ser meu.
-
A semana passou mais rápido do que eu imaginei. Len e eu íamos juntos para a escola todas as manhãs, íamos embora juntos, e sempre que eu chegava em casa, sentia meu sentimento crescer cada vez mais. Estamos nos aproximando, acho que posso ter ele para mim, enfim. Era isso que eu pensava, mas na semana seguinte, as coisas mudaram.
Como sempre, eu estava esperando por Len debaixo da cerejeira onde nos conhecemos. Ele estava atrasado, mas eu não iria sem ele. Quando o vi chegando, abri um sorriso, mas ele logo desapareceu quando percebi que ele não estava sozinho.
- Ah, Mayu! Desculpe a demora, eu passei para pegar a Miku.
- Miku? Quem é Miku? – meu tom de voz estava diferente, e acho que Len percebeu isso.
- Esta é Miku. – ele colocou as mãos nos ombros da garota ao lado dele.
Era uma menina bonita, tinha cabelos verde-água compridos, presos em duas marias-chiquinhas. Seus olhos eram de um azul claro, e ela tinha um corpo pequeno.
- Prazer em conhecê-la. Sou Miku Hatsune! – ela sorriu para mim.
- Ah, prazer. Me chamo Mayu. – respondi de forma rápida e seca.
- Queria ter apresentado a Miku pra você antes, Mayu. Mas ela estava fora da cidade e voltou faz três dias. – disse Len, com um sorriso tímido.
Por que ele está sorrindo assim? Ele nunca sorriu de forma tímida perto de mim.
- Sem problemas, Len. – eu sorri. – Vamos indo?
- Vamos, claro!
Aquela manhã foi mesmo diferente. Len e Miku foram na frente conversando, enquanto eu estava atrás, de cabeça baixa. Não me sentia a vontade naquele lugar, não com aquela menina perto do meu Len.
Ele pertence a mim, não vou permitir que outra garota fique perto dele.
Felizmente, Miku não estava na mesma classe que nós. Mas parece que isso aborreceu um pouco o meu amado. Não entendi a razão. Na saída, a menina não nos acompanhou, e fiquei feliz por isso, mas Len parecia chateado. Enquanto andávamos sozinhos pela rua, não hesitei em perguntar:
- O que há com você, Len? Parece chateado.
- Hã? Ah, não é nada, Mayu. Só estou um pouco triste porque a Miku não veio nos acompanhar. Ela mora longe, e vai embora de carro. – ele falou com um sorriso. Fiz uma careta.
- Por que está triste? Eu estou aqui, você não vai embora sozinho.
- É que... – ele suspirou. – Promete que não conta pra ninguém? Eu gosto da Miku.
- ...o quê? – meus olhos se arregalaram.
- É, isso aí. Já nos conhecemos a dois anos, e passei a gostar dela no ano passado. Estava meio chateado porque ela estava viajando, mas agora que ela voltou, me sinto um pouco mais alegre. – Len sorriu. – Ah, olha aqui sua casa! Tchau, Mayu, até amanhã!
Me despedi dele e entrei em casa. Fui correndo para meu quarto, me joguei na cama e fiquei imóvel. Acho que fiquei assim por, mais ou menos, duas horas. Só então, eu sorri e me levantei. Ainda estava claro, então fui tomar um banho para relaxar. Depois, fui até a cozinha e peguei nosso facão.
Deixei um bilhete para meus pais, dizendo que ia dar uma volta e que poderia chegar tarde, e deixei a casa. Eu não sabia para onde estava indo, mas sentia um desejo incontrolável de matar alguém.
Como Len pode dizer que está apaixonado por aquela menina? Eu o amo, e ele sente o mesmo por mim. Ele me pertence. Ele é meu, de ninguém mais. Era isso que eu estava pensando enquanto caminhava sem rumo pela rua, até esbarrar em uma pessoa.
Levantei meus olhos e sorri, era Miku.
- Ah, desculpe, Mayu. Eu estava distraída, não notei que você estava na minha frente. – disse ela, com sua voz irritante e enjoada.
- Não, eu que peço desculpas. Eu também não estava prestando atenção. – respondi, tentando parecer natural. – Ei, Miku, pode vir comigo um minuto?
- Aonde?
- Você vai ver. – agarrei seu pulso e saí andando.
Ela era uma menina teimosa, ficava me perguntando a cada dois minutos aonde estávamos indo. Mas, se eu ia mesmo fazer isso, então teria de ser bem-feito. Enfim, chegamos a um beco escuro. Nem precisei empurrá-la, ela mesma foi até o fim do beco.
- Por que me trouxe aqui, Mayu? – perguntou ela, com as mãos atrás das costas.
Não respondi, só fui me aproximando dela, enquanto tirava o facão do bolso de minha blusa. Quando Miku se virou, cravei a lâmina em sua barriga com força, e só a ouvi gritar de dor. Então, ela começou a tremer e segurou meu pulso com as duas mãos.
- O...quê...?
- Eu te odeio, sabia? – falei de forma fria. – Não entende que o Len é meu?
- Do q-que está falando?
- Não se faça de boba! Len me falou que gosta de você! Mas eu não vou permitir que outra menina fique com ele. Porque ele é meu.
Retirei o facão e perfurei seu peito, enquanto seus gritos e gemidos cresciam. Minhas mãos já estavam cobertas de sangue fresco. Logo vi seu corpo cair no chão, sem vida. Sorri e gargalhei em seguida, pegando meu facão.
- Não importa quem for, homem ou mulher. Estará morto se por acaso paquerar meu Len...
E então, deixei o corpo para trás, saindo do beco.
-
Dois dias depois, vi no noticiário que o corpo de Miku tinha sido encontrado. Estava na casa de Len, estudando matemática. Quando ele viu a notícia, seus olhos se arregalaram e suas mãos passaram a tremer.
- N-Não pode se-er... – percebi que ele estava a ponto de chorar. – Mayu, você viu isso?! A Miku foi morta num beco!! Isso é terrível!
Eu abaixei minha cabeça, e sorri. Quando a levantei, olhei para Len com meu sorriso gentil e prossegui:
- Fui eu que a matei. – respondi, com a maior naturalidade. O loiro me olhou, com desespero.
- C-Como assim? Foi você?! Por quê?!!
- Porque você gostava dela, e eu não vou permitir que você seja tirado de mim. Você é meu, afinal. Agora podemos voltar à nossa antiga rotina, sem ninguém para nos atrapalhar!
Eu ainda o olhava com meu sorriso, mas ele já me olhava com medo e tentava se afastar. Fiquei confusa e fui engatinhado até ele.
- Len-!
- NÃO!! Não se aproxime, sua maluca!! – as lágrimas já caíam de seu lindo rosto. – Como você pôde matá-la, por causa de ciúmes?!! Fique longe!
Len se levantou aos tropeços e saiu correndo da sala, e eu estava completamente confusa. Me levantei também e comecei a caminhar até ele.
- Por que você está chorando? – procurei meu facão no bolso, e retirei-o de lá quando o encontrei.
- Fique longe! — ele estava procurando a chave para destrancar a porta, mas não a encontrava.
- Por que você está tentando fugir de mim?
Eu sorri e o abracei por atrás. Ele estava trêmulo, chorando e apavorado. Não hesitei e comecei a perfurá-lo, sem piedade. Só podia ouvir seus gritos e sentir minha mão coberta de sangue.
Enfim, seu grito falhou quando perfurei seu coração. Soltei seu corpo e o vi cair no chão.
- Finalmente, você é somente meu, Len. – sorri. – E para sempre será.
Notas finais
Gostaria de reviews construtivos, falem a opinião de vocês. Isso me ajuda a melhorar cada vez mais ^^
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