Murder House
2 Chapter 2
― Como assim você me matriculou num colégio? Nós deveríamos olhar juntas!
Deveria ser uma manhã calma, um dia novo no casarão do Sul, iniciando uma vida nova, mas as coisas não começaram como Catelyn planejou, sua filha mais velha falava em tom alto e desrespeitoso, ela não era assim, mas ultimamente andava mais irritadiça, cheia de segredos e fria.
Sansa sempre fora carinhosa, era uma boa filha que sempre obedeceu Catelyn em tudo, não era aventureira e sempre pedia conselhos da mãe. Ainda conseguia se lembrar como ela chorou e veio correndo contar quando teve o primeiro ciclo.
Elas eram confidentes. Catelyn era feliz por ter uma filha que compartilhasse todos seus medos e pensamentos, mas não agora. Talvez fosse algo típico, talvez fosse a adolescência batendo em sua porta. Sansa tinha quinze anos e por muito tempo ela se comportou como uma menina, não tinha os mesmos pensamentos das garotas de sua idade, era bem mais apegada a mãe e a Robb.
Mas agora sem o irmão mais velho e seus pais não sendo mais pessoas perfeitas, aparentemente ela havia parado de tentar ser perfeita. Doía em Catelyn ver sua filha desse jeito, no entanto, sentia que não podia argumentar contra, que ela tinha o direito de estar com raiva, esperava apenas que passasse e que ela voltasse a ser a antiga Sansa.
Mas Catelyn não era tola, era apenas um desejo.
― Querida, está no meio do ano, já foi difícil conseguir uma transferência, suas aulas já começaram e não quero que fique numa situação mais desfavorável.
― Nós temos que ir hoje? Você nem falou antes, isso não é justo. – Arya rebateu de braços cruzados.
Doce e pequena Arya, uma garota de treze anos que era feroz, ela lembrava Eddard em muitos aspectos e também uma mistura da teimosia dos pais. Ela era leal e justa, e também falava o que pensava sem se importar.
Catelyn se orgulhava muito da genialidade da filha mais nova, ainda que muitas vezes fosse um grande motivo de suas dores de cabeça.
Com tudo que aconteceu entre Catelyn e Ned, Arya havia se agarrado a Jon como um irmão, como sangue de seu sangue. Ela entendia que ele não era culpado, que seus pais estavam fadados a eventualmente se separarem e que sua família não era perfeita.
Ela nunca acreditou em perfeição e viveram felizes para sempre.
Arya sempre se considerou realista e sempre debochou de Sansa por ser uma sonhadora.
Catelyn se virou na direção de Bran, ele também expressava suas opiniões muito bem para um garoto de onze anos. Era focado nos estudos e parecia não querer pensar muito a respeito do que estava acontecendo com a família, se todos estavam juntos então isso era o bastante.
― Mais cedo ou mais tarde, não acho que faça diferença. – Ele deu de ombros e jogou a mochila no ombro. Esticou a mão e pegou uma maça sobre a bancada da cozinha.
Sansa e Arya o olharam indignadas, mas pareciam se dar por vencidas de que não havia outra escolha.
― Esse uniforme é ridículo e sexista. – Arya bateu o pé tendo que ter a palavra final de alguma forma.
Ela estava linda.
O uniforme compunha de uma saia xadrez que ia até acima dos joelhos, uma blusa branca, um lenço amarrado e um blazer azul marinho. O uniforme dos garotos compunha com uma gravata e calça comprida.
― Depois nós discutimos o uniforme. – Catelyn massageou as têmporas, não era nem sete horas da manhã e sua cabeça parecia que ia explodir. – Rickon já está no carro com seu pai, aproveitem a carona.
― Não, isso é suicídio social. – Sansa dramatizou. – Eu não vou aparecer de carro com todos os meus irmãos.
― É, ninguém precisa ser visto com você. – Arya fez uma careta para a irmã.
Jon apareceu na cozinha, ele usava o mesmo uniforme, seu cabelo estava preso num rabo de cavalo todo puxado para trás.
― Bom dia. – Cumprimentou a todos fugindo do olhar de Catelyn, encheu um copo d’água e já estava caminhando para fora do cômodo.
― Espera, não cabem todos no carro. – Arya terminou de fazer as contas no dedo. Sansa iria no banco de frente, ela, Bran e Rickon no de trás. – Jon vai pegar o ônibus?
Catelyn respirou fundo.
― Não, porque eu vou pegar o ônibus. – Sansa falou por fim, jogando a mochila por cima no ombro e seguindo atrás de Jon.
― Eu também vou! – Arya deu alguns passos apressados, mas a mãe a segurou pelo braço.
― Vá de carro com seu pai.
― Não! – Gritou dando um puxão no braço. – Não acredito que o Jon está indo de ônibus e todos nós de carro. Eu vou com eles, não quero carona.
Catelyn cruzou os braços, mas antes que pudesse falar algo escutou a buzina do carro. Bran apenas balançou a cabeça negativamente e saiu.
Os dois garotos entraram no carro, Eddard apenas viu os outros três filhos indo a pé pela calçada.
Catelyn ficou parada no jardim até o carro sair e sumir completamente de vista. Ela então olhou para o lado, para a casa ao lado. Um homem meio calvo, mas de cabelos claros estava com uma menina pequena, possivelmente da idade de Arya, usando o mesmo uniforme.
Ela deu um sorriso na direção de seu vizinho.
― Bom dia, meu nome é Jorah Mormont. – Ele se apresentou. – Essa é minha sobrinha, Lyanna Mormont.
― Muito prazer em conhece-los, meu nome é Catelyn, meus filhos também estudam em High Garden.
― Você vai morrer, essa casa é amaldiçoada. – A menina Lyanna falou estreitando os olhos.
Catelyn ficou chocada por alguns segundos e então riu. Jorah ficou incrivelmente vermelho.
― Lyanna! – Ele a repreendeu.
― Você sabe que é verdade. – Retrucou antes de se afastar e seguir pela calçada, em direção ao ponto de ônibus que ficavam no fim da rua.
― Me desculpe, ela não é assim. – Jorah pediu coçando a nuca, ainda sem jeito.
― Crianças dizem todos os tipos de coisa, eu tenho cinco filhos, então não se preocupe.
― Eu realmente sinto muito.
Catelyn sorriu na direção do vizinho e acabou olhando para trás, para a própria casa, ela havia escutado de Varys sobre o casal que cometeu suicídio, ele tentou romantizar a história, mas ela não acreditava que tenha sido algo tão Romeu e Julieta.
― Você conheceu os antigos vizinhos? O casal?
― Sim, eles eram bem reservados. O rapaz era muito educado, a mulher um tanto desconfiada, mais tarde viemos a saber que eram irmãos.
Catelyn arregalou os olhos.
― Os irmão tinham um caso?
― Irmãos gêmeos pelo que me parece, também havia um outro, um anão, acho que a mulher não se dava bem com ele, ele estava sempre bêbado e sempre havia gritaria e coisas quebrando na casa.
― E o que aconteceu come esse irmão?
― Acho que se mudou, nunca mais o vi.
― Foi suicídio?
Jorah concordou.
― A vizinha do outro lado que os encontrou. – Ele apontou para a casa do lado esquerdo.
― Eles não entraram em tantos detalhes quando venderam a casa.
― Mas é uma boa casa, quer dizer, ela é bem grande, seus filhos devem estar felizes.
Catelyn sorriu. Eles não estavam felizes, mas talvez com um pouco mais de tempo todos poderiam voltar a se dar bem como uma família. Mas toda vez que ela pensava em Ned... ela não via como poderia acabar bem, não para eles.
—/-
Jon estava guardando alguns livros no armário quando ouviu algumas risadas baixas, ele sabia muito bem o que isso significava, no Norte quando acabou sendo transferido para a mesma escola que seus irmãos ele teve alguns problemas, os boatos que ele era um filho bastardo se espalharam e as pessoas o tratavam como se fosse alguma doença contagiosa.
A família Stark era bem conhecida, aparentemente toda a geração estudou no mesmo colégio, então ele era uma mancha na reputação deles. Não ajudava que Robb e Sansa fossem bem populares e nenhum deles era muito favorável a presença dele de modo geral.
Agora as coisas estavam um pouco melhores...
Jon fechou o armário e olhou na direção do grupo, a risada debochada e comentários maldosos não eram para ele, mas para um garoto na direção oposta, mexendo no próprio armário, ele era alto e gordo.
Um garoto passou esbarrando no ombro dele com força, fazendo com que ele derrubasse todos os livros que estava segurando.
O grupinho riu ainda mais alto.
― Dia difícil? – Jon perguntou o ajudando com o material espalhado.
― Estou acostumado, se ignorar eles se cansam mais rápido. – Ele disse dando um sorriso duro. – Obrigado, mas é melhor você ficar longe.
Jon sabia o porquê.
― Por que? – Mas perguntou como se não fizesse ideia.
― Vão mexer com você também.
― Estou acostumado. – Deu de ombros.
Os dois se levantaram e continuaram parados no meio do corredor. O garoto apertou os livros e olhou nervosamente para os lados, como se quisesse sair correndo.
― Não me leve a mal, mas um cara como você não entende.
Jon sorriu.
― Meu nome é Jon. – Estendeu a mão para ele.
O garoto suspirou.
― Samwell, mas prefiro Sam. – Eles apertaram as mãos.
—/-
Sansa entrou no banheiro feminino e a primeira coisa que fez foi dobrar o cós da saia algumas vezes, subindo o comprimento. A saia agora batia na metade de sua coxa. Deu uma rápida olhada no espelho, ficava bem melhor assim. Ela era relativamente alta, a saia até os joelhos a deixavam estranha.
Pegou um lápis preto do estojo de maquiagem e passou na linha de baixo dos olhos e depois fez uma linha um pouco mais grossa sobre a pálpebra.
No corredor, andava sem prestar atenção, estava mexendo nas músicas e ajeitando o fone de ouvido quando esbarrou em alguém, o fone de ouvido desconectou e Arctic Monkeys — Do I Wanna Know começou a soar pelo aparelho.
― Eu não acredito. – A voz de uma garota soou irritadiça.
Sansa apenas arqueou a sobrancelha na direção da garota. Uma loira com os cabelos tão compridos quanto os seus.
― O que?
― O uniforme desse jeito e toda essa maquiagem.
Sansa deu de ombros.
― Ainda estou usando o uniforme, não faz diferença como.
― Claro que faz.
― O que te importa?
― Sou do conselho estudantil, é meu dever fazer com que os estudantes respeitem as regras. O uniforme é uma regra.
Sansa deu um sorriso seco e começou a andar para o pátio, ignorando a garota. De repente sentiu seu cabelo ser puxado. Com força.
― Me solta, sua lunática! – Sansa gritou tentando se livrar da mão da outra.
A garota e Sansa voltaram para dentro do banheiro e só então a loira soltou seu cabelo.
― Ajeite o uniforme, não vou deixar uma novata andando como bem quer. – Ela cruzou os braços, como se fosse forte o bastante para não permitir que Sansa saísse pela porta.
― Eu passo por cima de você se for necessário.
― Encoste um dedo em mim e você vai se ver com o meu irmão, e ele tem uma péssima fama.
― Encoste em mim e você vai se ver com todos os meus irmãos.
A garota pareceu ficar na dúvida se levava a ameaça a sério ou não, Sansa aproveitou para passar por ela, acertando seu ombro com tudo.
—/-
― Então garota interessante, de onde você é? – Um rapaz chamado Gendry perguntou sentando-se sobre a mesa enquanto Arya mexia com o garfo em sua refeição.
Era intervalo e Arya ainda não havia visto nenhum dos irmãos pelo corredor, estava apenas tendo a companhia de Gendry com quem fazia algumas matérias em comum.
― Norte.
Ele riu.
― Seu sotaque é forte, é meio engraçado. — Ela fez uma careta e voltou a mexer na comida. – Então, por que veio para o Sul?
Arya meio que deu de ombros, mas Gendry continuou a encarando curioso.
― Minha mãe descobriu que meu pai a traiu, eles ainda estão tentando ficar juntos, nos mudamos porque precisávamos de um novo começo.
― Meu pai traiu a esposa dele, eu sou um filho bastardo. – Deu de ombros. – Nós não escolhemos nossa família.
Arya sorriu mais simpática, agora Gendry parecia um pouco menos irritante.
—/-
O colégio era diferente, ou talvez fossem apenas eles. Sansa assistia as aulas sozinha, sem nenhuma amiga para conversar ou trocar bilhetes. Arya sentava no fundo e prestava atenção nas aulas e ocasionalmente conversava com várias pessoas.
O pequeno Rickon fez amigos rapidamente. Sam ainda estava relutante em deixar Jon ser seu amigo, mas Jon era um cara paciente e insistente. Talvez os papeis estivessem invertidos. Jon tinha um amigo, Arya fez amigos rapidamente e Sansa.... bom, ela estava tendo problemas em se adaptar.
― Eu sonhei com você. – Um garoto disse colocando a mão no ombro de Bran.
Ele já havia visto o garoto mais cedo, eles tiveram uma aula juntos, ele reconheceu a garota que estava junto dele. Ele tinha muitas aulas em comum com a garota, provavelmente eram da mesma idade.
O loiro que o encarava com a sobrancelha franzida deveria ser um ano mais velho.
― Ok... – Bran não sabia o que dizer.
― Você viu algo que não deveria e eles fizeram você pagar. Do alto de uma torre.
Bran deu uma risada nervosa.
― Ignore o meu irmão. – A garota finalmente se aproximou e puxou o loiro. – Hey, eu me chamo Meera e esse é meu irmão, Jojen.
― Bran. – Ele apertou a mão dos dois. – Então, você vê o futuro ou algo parecido? Tipo premonição.
― É a casa, ela faz coisas estranhas com você.
― Que casa?
― A casa. A sua casa, você mora na casa mais famosa do Sul.
― Como você sabe onde eu moro?
― Porque eu vi você caindo, lembra?
Bran parou para pensar, de fato havia uma torre no casarão, a janela dos fundos ficava no terceiro andar, num quarto não utilizado. Tinha algo lá? Não era como se ele tivesse aberto cada porta de cada cômodo só para dar uma olhada.
—/-
Jon não entrou assim que retornou para casa, ficou do lado de fora no quintal dos fundos, a mochila largada num banco velho de madeira, ele acendeu o segundo cigarro. Com a mão direita abrindo e fechando o zippo, era um bonito modelo metálico com um lobo entalhado, o único presente que seu pai lhe mandara quando ele fez quinze anos.
Por que alguém daria a um garoto um isqueiro?
Ele aceitou o presente e desde então começou a fumar, não era regra, não era um vício, ele costumava fumar poucas vezes. Alguns cigarros, as vezes um maço durava um mês inteiro.
― Oh, você mora aqui?
Uma jovem com um sorriso delicado se aproximou. Cabelos compridos como o de Sansa, ruivos, mas não alaranjados, bem cobre. Olhos azuis que brilhavam. Ela era linda. Jon engasgou com a fumaça.
― Sim, eu... s-sim. – Apagou o cigarro no mármore.
― Me desculpe, eu me chamo Margaery, moro aqui ao lado. – Eles apertaram as mãos.
― Jon.
― Eu nem conheço você e já quero fazer um pedido. – Ela sorriu constrangida.
― Fique à vontade, se eu puder ajudar.
― É que meu irmão costumava trabalhar aqui no jardim, ele era ótimo e dava conta e todas as flores. – Ela apontou para o jardim que de fato precisava ser aparado e possivelmente regado.
Jon imaginou que mais cedo ou mais tarde ele teria que fazer isso, função que ele não se importaria de desempenhar, embora preferisse não se envolver, Catelyn parecia ser muito exigente com o jardim.
― Nesse caso você teria que falar com meus pais. – Ele tentou não parecer desconfortável em falar pais.
Catelyn não era sua mãe, ele nunca a chamaria assim, ela nunca o consideraria um filho. Era a única coisa que eles concordavam, mas não havia motivo para tentar se explicar para uma vizinha.
― Oh, você acha que ele tem uma chance? – Ela perguntou parecendo mais receosa.
― Não custa nada tentar. Ela deve estar na cozinha.
Jon não fez menção de acompanha-la. Margaery parou no meio do caminho.
― Eu devo simplesmente sair entrando?
― É melhor você ir sozinha.
Ele acendeu outro cigarro.
—/-
O almoço estava todo na mesa, Bran, Rickon, Arya e Sansa já estavam com os pratos servidos. Catelyn havia feito um almoço caprichado para ouvir sobre o primeiro dia dos filhos.
Rickon era o mais animado, Bran comentou sobre os professores.
― É legal. – Arya deu de ombros e voltou a comer.
Catelyn considerava isso como um progresso, olhou esperançosa para Sansa.
― Eu odiei.
― Ela odiou porque não é a garota mais bonita ou popular, qualquer menina em High Garden tem cabelos compridos e olhos claros.
― Cale a boca!
As irmãs começaram a gritar.
― Sansa! Arya! – Catelyn gritou ainda mais alto. – Queria, tenho certeza que você vai se adaptar em breve.
― Duvido. – Sansa cruzou os braços. – Não estou mais com fome, estou me retirando. – E se levantou sem esperar por uma resposta.
O prato estava basicamente intocado.
― Mais pra mim. – Arya pegou o prato da irmã e misturou com sua refeição. Rickon ria enquanto Catelyn balançava a cabeça negativamente.
—/-
― Ugh! Odeio essa casa estúpida, odeio aquele colégio cheio de garotas idiotas.
Sansa bateu a porta do quarto e se jogou na cama.
Mirah — Special death
Seu celular estava conectado na caixa de som, mas ela não havia tirado o celular da mochila quando chegou em casa, ou muito menos levado a mochila para o quarto, havia largado na cômoda da sala, perto daquelas ridículas luminárias da Tiffany.
― Quem está fazendo isso? – Ela perguntou em tom alto.
Mas ela não obteve uma resposta. Passos lentos vinham do corredor.
― Jon?
Não eram passos leves, não eram os de Arya, mesmo se ela se esforçasse.
― Você deveria pular para a próxima faixa. – Uma voz masculina soou do outro lado.
Sansa deu um salto da cama, ela deu alguns passos, mas parou no meio do próprio quarto, sem coragem de abrir a porta, ela não conhecia aquela voz.
― Quem é você?
Ele não respondeu, ela foi até o celular e avançou a música.
Lauren O’Connell – House of the rising sun.
Ela não conhecia a música, era outra que ela não tinha no celular.
― Eu prefiro o original, mas achei que você fosse gostar mais dessa versão.
Sansa nunca tinha ouvido a música antes, ela sabia que era uma música antiga, e de fato ela preferia essa versão meio lenta num vocal feminino. Ela ouviu a letra atentamente, talvez o estranho quisesse dizer algo.
A música falava de uma casa em New Orleans, sobre ser a ruína de muitas garotas.
― O que isso significa? – Ela perguntou quando o silêncio tomou conta do quarto.
― Nada, é apenas uma música. É o meu presente pra você, de boas vindas.
― Foi você quem colocou as outras músicas no meu celular. – Não era uma pergunta.
― Hmm. Foi bom conversar com você, Sansa.
Ela escutou alguns passos no corredor.
― Espera! – Mas ela não se aproximou da porta. Ele parou de andar. – O seu nome, você não disse.
― Ramsay.
Ele voltou a andar, mas ela não o escutou descer as escadas. Depois de um minuto ela correu a abriu a porta do quarto, mas não havia ninguém lá.
—/-
Depois do almoço que não foi tão desastroso quando poderia ter sido, Catelyn cuidava da louça. Ela precisava de uma empregada, e eles precisavam de mais dinheiro. Foi quando olhou pela janela que viu uma bonita jovem em seu quintal, ela parecia receosa e olhava curiosamente para a casa.
Catelyn secou as mãos e foi ao encontro da jovem.
― Posso ajudar?
― Oh sim! – Ela abriu um lindo sorriso. – Me chamo Margaery, sou sua vizinha.
― Catelyn. – Sorriu para a moça.
― Meu irmão costumava trabalhar aqui, ele era jardineiro, o quintal tinha muito mais vida. – Ela apontou para o jardim que agora estava sem vida, sem flores e definitivamente precisando de cuidados.
― Oh sim, é bem grande, confesso que nunca parei para olhar com calma, me mudei ontem.
― Acredito que você ainda deva estar cansada da mudança, mas meu irmão é ótimo, e ele também é vizinho, então não teria problema com atrasos. – Ela riu meio nervosa.
― Eu vou... vou pensar no assunto, mas obrigada por oferecer o serviço.
Margaery não teve outra opção, se não ir embora. Catelyn olhou na direção da casa de Jorah e da garota Lyanna e agora na direção da outra casa, por que todos seus vizinhos eram estranhos?
—/-
Rickon estava entediado, suas irmãs estavam trancadas no quarto, Bran não queria brincar, seu pai estava fora e sua mãe ocupada. A casa era enorme e não havia nada para fazer.
Ele subiu para o terceiro andar, o quarto das irmãs com a porta fechada, foi andando pelo corredor em passos lentos que reparou uma outra escada, uma de madeira que descia do teto. A passagem para o sótão estava aberta e ele não tinha ido lá antes.
Rickon não era um covarde, mas ele não gostava de lugares escuros, mas ainda era tarde e a luz entrava pela janela empoeirada do sótão. Havia várias caixas e coisas antigas que não pertenciam a eles, algumas malas, cômodas, provavelmente um acumulo de coisas de outros donos.
Talvez alguns brinquedos. Ele foi olhando meio curioso e receoso quando uma bola correu em sua direção.
― Quem está aí? – Ele perguntou pegando a bola e caminhando incerto na direção em que ela veio.
Uma risada baixinha.
― Arya?
A mesma risada.
Ele se aproximou mais e viu uma garota, ela tinha cabelos compridos castanhos, havia algo estranho na metade de seu rosto, como uma pintura em alto relevo, pareciam escamas.
― Você quer brincar? – Ela perguntou com um sorriso.
― Eu não deveria brincar com estranhos. – Ele parecia confuso.
― Me chamo Shireen. – Ela esticou a mão, mas logo recuou. O que quer que tivessem seu rosto também tinha em seu braço.
― Rickon. O que você tem? Parece uma tatuagem.
Ela tocou a própria bochecha.
― Nasci assim.
― É diferente.
Ela meio que deu de ombros.
― Acho que você não deveria estar aqui.
― Você não queria brincar?
― Eu quero, mas você deveria ir embora.
― Eu moro aqui, é o meu sótão.
― Da casa. Você e sua família. Não acontecem boas coisas aqui. – Ela começou a falar mais baixo quase sussurrando.
― Do que você está falando?
― Rickon? – A voz de Catelyn soou do terceiro andar. A menina correu para o fundo do sótão quando os passos se aproximaram. – O que está fazendo aí?
― Estava conversando com a Shireen. – Ele olhou para trás e não viu mais sinal da garota. – Ela estava bem aqui.
― Shireen é o nome da sua amiga imaginária? – Catelyn perguntou tentando não rir.
― Ela não é imaginária! Ela estava aqui e disse que devemos nos mudar!
― Bom, avise pra Shireen que nós não vamos nos mudar. Aqui tem muita poeira, vamos sair daqui.
Quando Rickon estava descendo as escadas ele viu Shireen sentada perto da janela, ela sorriu e acenou. Ele apenas sorriu, mas não falou nada.
Fale com o autor