Murder
1 Capítulo 1
Notas iniciais
É um prazer te conhecer!
Essa é a primeira história que compartilho com alguém e espero que você goste.
Nos últimos meses tenho escutado muito a Aurorinha (Se você ainda não ouviu Aurora dê uma chance a essa fada nascida em um recipiente humano), essa fic é baseada na música “Murder Song” que eu gosto muito pois existem vários caminhos de interpretação.
Espero que essas linhas sirvam como um bom passa tempo para você!
Cinco, quatro, três, dois, um
Ele segura a arma contra a minha cabeça
Quando duas almas quietas, observadoras e de certa forma melancólicas se encontram, é plausível que queiram estar juntas, principalmente naquele local onde todos eram extrovertidos, falantes e esperançosos demais.
Foi assim que a amizade mais incomum de toda Konoha High School surgiu.
Sasuke Uchiha era muito bonito, o tornando popular entre as garotas. Além disso, era ótimo nos esportes o que trazia também a popularidade entre os garotos, embora tivesse aquele jeitão irritante e distante.
Hinata Hyuga era... Hinata Hyuga. Sempre se esforçando para ser boa em tudo que fazia e com isso queremos dizer: literatura, aulas manuais e defesa dos animais.
Hinata era bondosa, caridosa e paciente, enquanto o outro era simplesmente o contrário, mas o que pouquíssimos sabiam era que, em sua essência, os dois eram iguais.
Eles foram crescendo e a amizade se tornando forte. Eram amigos, parceiros e extensão um do outro, no entanto, quem vai entender o que se passa na cabeça dos adultos, certo?
Tinham apenas 15 anos quando os Hyugas e os Uchihas tiveram o que seria chamado mais tarde de “A grandes desavenças dos Gigantes”, já que eram as famílias mais ricas e influentes de Konoha e estavam entre as mais ricas de todo país.
A partir dai, a amizade dos dois começou a ser malvista por ambas as famílias. Sasuke com toda frieza e altivez de um Uchiha, nem sequer piscou enquanto dizia clara e calmamente à Hinata que eles não poderiam mais continuar com isso, “essa coisa de amizade”, teriam de honrar seus nomes “para você eu morri agora, Hyuga”, e vendo os pequenos cristais de água formando-se nos olhos perolados nublados pela tristeza terminou rudemente “Para mim, você além de morta já está enterrada. Encerramos aqui”.
Eu fecho meus olhos e bang, estou morta
Eu sei que ele sabe que está me matando por misericórdia.
Hinata nunca teve muitos amigos, mas sempre acreditou ter o suficiente e estes poucos amigos a cercavam de amor, embora eles afirmassem ser o contrário.
No dia em Sasuke Uchiha sentou ao seu lado e lhe deu um susto ao inquirir arrogante “O que está fazendo aqui?”, ela pode-se dizer, ficou estupefata. O primeiro pensamento a rondar sua confusa cabecinha foi: “Quando foi que esse garoto se sentou tão silenciosamente ao meu lado que nem sequer notei?”. Demorou para movimentar a boca e formar as palavras. Poderia ter feito rapidamente se não estivesse tão impressionada com o fato de Uchiha Sasuke dirigir-lhe a palavra. Nunca em sua vida imaginou que isso algum dia aconteceria. Embora tivessem amigos em comum, Sasuke nunca demostrou qualquer interesse na mesma, nem sequer respondia quando lhe dirigia um amistoso “bom dia”, “boa tarde”, boa noite”, “bom final de semana”, “bom festival”, e pensando bem, parecia até irritar lhe quando por educação lhe cumprimentava.
Com calma após se recompor, explicou entre gaguejos e rubores que, sentou-se ali pois tinha prometido assistir ao treino de Kiba, mas infelizmente ficou sabendo que ele foi embora mais cedo apenas quando chegou a quadra, e como já estava ali resolveu terminar seu dever e não tinha visto que o treino tinha acabado, no entanto “muito obrigada Uchiha-san” ela continuou “S-se não fosse por você.... ta-talvez eu tivesse percebido m-muito tarde. S-se me atrasar meu N-Nii-san vai ficar bravo”.
Levantou-se apressada e foi embora pensando na estranheza da situação e também na improbabilidade daquilo e para sua surpresa (e de toda nação) não foi a última vez, no outro dia, e no depois desse e no depois do depois, o Uchiha falava-lhe qualquer trivialidade, perguntava-lhe qualquer coisa... no começo eram poucas palavras até que se tornaram várias, tornaram-se fugidas no intervalo, encontros após a escola, tornaram-se filmes, tornaram-se lanches à tarde e pizzas aos sábados a noite.
Um dia, quando as coisas ficaram mal entre suas famílias, a Hyuga teve um sonho onde ela dizia à Sasuke, por telefone, para se abrigar debaixo de um toldo. No sonho estranho ela dizia “Sasuke está chovendo forte, mas você deve ser paciente. Você está na rua agora, é só procurar por um toldo qualquer, chuvas fortes passam rápido, você não vê? Não precisa ir contra ela, você ficará gripado”.
Se trocou, tomou seu desjejum e caminhou até a escola pensando no sonho maluco, riu-se por dentro, nunca daria um conselho daqueles para Sasuke pois sabia que ele não era do tipo que aguarda qualquer coisa. O que ela diria, se fosse real, seria: “Não se esqueça de tomar um antigripal, após chegar em casa.”
O sorriso ainda estava em seus lábios quando Sasuke a chamou na entrada da escola.
Ele começou um discurso acerca da situação de suas famílias (que ela já sabia de cor e salteado), então seu coração apertou-se já prevendo o que estava por vir. Mordeu seus lábios com força para não deixa escapar um gemido de dor que queria escapar por conta da pressão que sentia no peito, tolamente ficou parada o observando e escutando atentamente enquanto sentia lágrimas prontas para saltarem dos seus olhos.
Sasuke lhe disse que ela estava morta. Ela fechou os olhos e absorveu aquilo. Sendo sincera consigo mesma... ela sabia que isso aconteceria cedo ou tarde. Quando abriu novamente seus olhos ele não estava mais lá.
Após o baque inicial Hinata respirou fundo, poderia passar por isso, esse seria seu mantra.... Se ela sobreviveu após morte real e física de sua preciosa mãe, passaria por isso também. Sofreria o que tivesse que sofrer e sabia aceitar as coisas. Sabia que Sasuke não havia feito aquilo sem pensar antes, que não foi de forma impulsiva. Ele fez o que ele quis e com seus motivos, motivos esses que ambos sabiam: Hinata vinha sofrendo duras repreensões em casa por conta do Uchiha. Teve benefícios tirados e era tratada com tirania pelos mais velhos da família.
Quando ela dizia para um Sasuke carrancudo “Não se preocupe com isso Sasuke-kun, eu não me importo. Você tem que pensar que não vai durar para sempre, por que não vai. Pense nisso, é a verdade e é o que eu penso também”, queria dizer exatamente isso. Mas quem disse que Sasuke escuta ou aceita algo que vai contra suas próprias conclusões?
E aqui vou eu Oh oh oh oh
Oh oh oh oh Oh oh oh oh
Ela aceitou que foi um ato de misericórdia e gostaria mesmo de dizer à Sasuke para tomar o remédio quando chegasse em casa. Para que ele ficasse tranquilo, que ela sabia e aceitava, que iria passar... mas mortos não falam e também Sasuke Uchiha não é do tipo que espera, de qualquer maneira.
Ele segura meu corpo em seus braços
Ele não quis fazer nenhum mal
E ele me segura forte
Uchiha Sasuke nunca imaginou que seria tão doloroso dizer algumas palavras, percebeu que a dor psicológica pode ser tão dolorida e angustiante quanto uma física, ela é. E poderia até dizer que é pior, pois uma dor física pode ser aliviada com uma visita ao médico ou à drogaria.
Todos os dias ele observava a Hyuga e, embora silenciosamente, a acompanhava sofrer. Os olhos claros mais melancólicos que antes o faziam querer se jogar do prédio mais alto da cidade. Nunca, em toda sua existência quis fazer algum mal, não a ela. Ela era delicada e o fazia se lembrar de Dona Mikoto com seus cuidados preocupados e risinhos de sino.
Dias se tornaram meses, que se tornaram estações passando e passando.... enquanto o Uchiha tentava caminhar como podia, sempre na espreita de uma certa Hyuga.
Já a alguns anos havia percebido que Hyuga Hinata não olhava mais em sua direção. Pelo menos não depois de ter saído com todas as suas amigas de maneira intima. Não depois torcer o nariz e mostrar-se completamente desgostoso quando cruzavam os caminhos ou nos encontros com amigos em comum. Não depois de usar o melhor tom de deboche e rancor à la Uchiha, que nem ele mesmo entendia o porquê. sempre que a garota estava ao redor.
“Era isso que eu queria”, ele pensava. Mas se era realmente isso, porque parecia que havia tomado um soco no estômago cada vez que notava estar mais e mais invisível aos olhos da pequena menina?, porque sentia que sua caixa torácica estava comprimindo seus pulmões?
Porque, então, ele procurava circunspectamente toda e qualquer pessoa que percebia acercar Hyuga Hinata? Fervia de furia contra qualquer homem, mulher ou criança que ousasse feri-la de alguma forma?
Ela estava morta, ele disse, mas ele a carregava e a abraçava forte com sua proteção, tão discretamente quanto podia.
Essa dor era grande, grande demais para um jovem. O que o mantinha constante era a necessidade de mantê-la a salvo de todo aquele ódio gratuito, poderia feri-la seu desinteresse e desafeição fingida mas com certeza seria melhor, ele pensava com fervor, do que a deixar enfrentar todos os abutres de sua família.
Oh, ele fez tudo isso para me poupar de
As coisas terríveis na vida que vêm
E ele chora e chora
Eu sei que ele sabe que está me matando por misericórdia.
Para Hyuga Hinata, Uchiha Sasuke se metamorfoseou diversas vezes: de inatingível a amigo, de amigo a melhor e fiel amigo e deste para amado. Embora nunca tivesse dito a ele, Hinata esperava que de alguma forma todo o cuidado e carinho que despendia à Sasuke alcançassem seu coração. No entanto, conforme foram crescendo foi difícil para Hinata acalentar seu coração e manter pensamentos bons sobre o Uchiha. Sasuke simplesmente saiu com todas as suas amigas, todas. Embora todas elas soubessem a má fama do Uchiha em relação à mulheres, estas não lhe negavam uma transa achando que, por ventura ou intervenção divina, tinham a chance de fisgá-lo de vez.
Hinata tinha impressão, no começo, que ele fazia de tudo para tentar humilhá-la de alguma forma, algo no jeito como ele as tocava despudoradamente e soltava piadinhas ácidas quando estavam próximos.
Era como se quisesse provar algo, mas para quem?
Obviamente não entendeu muito bem, mas em algum momento deixou isso de lado. Aceitou que as coisas seriam assim e ponto final, pois ela sabia muito bem que Uchiha Sasuke não era do tipo de fazia coisas alheias e desordenadas, a mensagem era clara e cristalina para si mesma: Sasuke Uchiha sentia prazer em degradá-la ou ver qualquer tipo de tristeza em seu semblante com suas ações.
Aceitar tudo isso foi um grande passo para começar a ignorar sua presença, e depois, de forma natural chegou a um ponto onde nem se lembrava de olhar em sua direção de uma forma avaliativa. Se seus olhos se encontravam por acaso era como se estivesse olhando para qualquer estranho, não havia mais nenhuma particularidade no ato, não havia mais nenhuma ligação.
E aqui vou eu Oh oh oh oh oh
Oh oh h oh Oh oh oh oh
E aqui vou eu Oh oh oh oh oh
Oh oh h oh Oh oh oh oh
Saíram do colegial e foram para universidade, mas isso não foi capaz de afastá-la de seus amigos, nem de Sasuke, pois como bons herdeiros foram para a melhor faculdade do país juntos.
Obviamente a frequência que se viam era menor, mas nem por isso era escassa.
Os amigos eram os mesmos, já haviam se passado anos, provavelmente ninguém mais lembrava que os dois eram unha e carne, pelo menos não a ponto de darem importância. Tudo o que todos sabiam eram que suas famílias se detestavam, que Hinata e Sasuke não mantinham contato e fim da história, embora fosse visível que por parte do Uchiha a coisa chegava a ser ate agressiva, enquanto por parte de Hinata era mais uma questão de educadamente ignorar.
Um dia, em um dos encontros que sempre tinham, Ino que era uma das melhores amigas de Hinata, agarrou-lhe surpreendendo a morena que soltou uma exclamação chamando atenção dos amigos que eram acostumados a presença sempre contida e silenciosa da mesma.
A loira ignorou o muxoxo e disse-lhe algo no ouvido, algo que fez a morena ficar rubra, e afastando-se de supetão olhou para morena com o sorriso MUITO sacana, um sorriso que só a loira espevitada poderia dar.
Aquela atitude incomum chamou a atenção de todos, que logo deram risinhos e soltaram frases desconexas direcionadas as meninas “HMMM”, “ABRE O BICO YAMANAKA”, “HINA O QUE ESSA MENINA FALOU PARA VOCÊ”, “CARA, MELHOR NEM SABER QUE TIPO DE INFORMAÇÃO FOI TROCADA ENTRE AS DUAS AGORA”.
Hinata como sempre ficou muito vermelha e deu uma risadinha sem graça, o que atiçou ainda mais a curiosidade dos amigos que já estavam pra lá de altos por causa da bebida, iniciando assim uma algazarra de vozes altas e tentativas de adivinhação falhas – e outras nem tão falhas assim – sobre qual seria o assunto entre as duas.
Sasuke sentiu os pelos da nuca eriçar.
Estava em mais uma reunião ridícula com os amigos, a maioria mais bêbado do que o aconselhável, como sempre. Tudo nos conformes até que viu uma cena peculiar: Ino disse alguma coisa para Hinata, atitude que levou a morena ficar num tom escarlate tão forte que até então duvidava que seria humanamente possível, no entanto para seu desgosto, percebeu que aquele rubro não era um constrangimento ruim, era visivelmente um constrangimento bom.
Ele se sentiu muito incomodado com aquilo, sem saber o porquê. Ficou irritado consigo mesmo e virou o rosto com fingido desinteresse, mas por dentro ele sabia que havia presenciado uma coisa importante, e que as coisas mudariam.
Ino falava de seu primo Naruto. A notícia era que ele se mudaria pois faria seus Masters na mesma universidade que elas. Ino disse que ele queria guardar segredo, aparecer de surpresa. No entanto ela mesma não aguentava mais. Ela disse “Vai Hina, ele está em casa, pode ir primeiro”.
Hinata, por sua vez, ficou rubra pois se lembrou do que aconteceu quando ficaram a sós na última vez.
Ele segura meu corpo em seus braços
Ele não quis fazer nenhum mal
E ele me segura firme
Oh, ele fez tudo isso para me poupar
Das coisas terríveis na vida que vêm, ele chora e chora
2 anos antes da chegada de Naruto, Ino e Hinata fizeram uma viagem à América para visitar os parentes da loirinha e foi nessa viagem que a morena conheceu Naruto e, bem, foi amor à primeira vista.
Ele, na época, estava apaixonado por outra garota e Hinata obviamente percebeu isso, mas se manteve próxima ao loiro pois ele era totalmente diferente de qualquer pessoa que conheceu. Estar próximo dele era como estar num local quente e acolhedor. A energia positiva, o sorriso e atenção prestada desprovida de qualquer interesse egoísta a fazia se sentir viva e de alguma forma emocionada e completa.
Mesmo após voltar de viagem, Hinata manteve contado com garoto dos olhos azuis cristalinos, precisava de uma pessoa como ele em sua vida mesmo que fosse apenas como amigo. Se considerava muito privilegiada por conhecer alguém assim e desde o primeiro momento teve certeza que Naruto era o tipo de pessoa que não se encontra muitas vezes ao longo da vida.
Por parte de Naruto, podemos dizer que inicialmente ele não teve sentimentos românticos por Hinata Hyuga. Obviamente ela era linda, talvez a garota mais linda que já havia visto em toda sua vida, mas naquele momento seu coração era de outra pessoa.
Hinata havia ido embora mas trocava mensagens consigo todos os dias e, aos poucos aquele assombro em seu coração foi se enchendo de luz, uma luz calma e simples chamada Hinata.
Quando reconheceu o que se sentia pela menina ficou inseguro, mas após uma conversa com Ino, soube que Hinata poderia facilmente retribuir seus sentimentos.
Assim que teve uma folga em seus estudos viajou pata Tokio com qualquer desculpa esfarrapada. Queria ter certeza do que sentia.
E teve.
Quando viu Hinata sentiu coisas dentro de si que achava impossível até então, e se deu conta que nunca havia amado antes, foi tudo ilusão, um tipo de treinamento para o sentimento de verdade... Decidido a manter todo aquele oceano interno, passou todo tempo que podia junto a Hinata, a amando e demostrando tudo o que sentia. Foram poucos dias, não mais que três semanas, mas podemos dizer que fizeram muitas coisas juntos. Descobriram-se e reinventaram-se como se houvessem nascido justamente para ficarem juntos.
Ainda pensava consigo mesmo na sorte que teve: uma garota gentil, inteligente, linda e, por Deus, gostosa como nenhuma outra.
Fez planos com Hinata e se comprometeu com ela, ele tinha certeza que sua promessa estava guardada naqueles olhos perolados.
Apressou-se como pode e um ano depois conseguiu se transferir para a mesma universidade da morena, gostaria de fazer-lhe uma surpresa e acima de tudo, estar junto com ela daquele momento em diante.
E assim foi feito.
Cinco, quatro, três, dois, um
Cinco, quatro, três, dois, um
Ohhh
O moreno de olhar frio estava sentado com os cotovelos apoiados na mesa enquanto o queixo descansava sobre as mãos, uma posição avaliativa e distante que mantinha desde criança.
As grandes janelas espelhadas de seu escritório refletiam sua silhueta, uma bela silhueta, por assim dizer.
Sasuke Uchiha se transformou em um homem lindo, sua pele pálida e seus olhos e cabelos de um negro profundo arrancavam suspiros de mulheres de todas as idades.
Assumiu a vice-presidência das empresas Uchiha muito cedo, aos 26 anos, e vinha desempenhando um ótimo papel neste cargo, 2 anos de aprendizado e formação pessoal.
Pensava sobre sua vida, vinha fazendo muito isso ultimamente. Com a chegada cada vez mais próxima de seu casamento, Sasuke ia afundando num lago arrependimentos, um local muito perigoso para se estar por tanto tempo.
Sasuke, quando mais novo, tinha a certeza que nunca se arrependeria de nada em sua vida, mas não podia estar mais enganado.
A sensação que tinha era de depressão.
Se enganou achando que nunca mais se sentiria dessa maneira, da maneira que se sentiu à 6 anos atrás. Aos 22 anos Sasuke achou que fosse enlouquecer quando presenciou aquela cena ridiculamente perfeita acontecer diante de seus olhos, naquele dia Naruto se ajoelhou perante todos os seus amigos, familiares e sociedade, numa festa onde todas as famílias mais ricas e influentes do país participavam, pedindo Hyuga Hinata em casamento, com direito a chuva de pétalas de rosas brancas e incansáveis rodadas de champanhe.
Levantando-se, pressiona a ponte do nariz respirando fundo, aquelas lembranças eram agoniantes, mas ainda assim não chegavam nem perto do gosto amargo na boca que sentia quando se lembrava daquele fatídico dia. Sasuke estava em pé no altar olhando para porta da igreja, sentia seu estômago revirar... Não ajudava nada a cobrança requirida por seu organismo naquele momento a respeito da quinzena louca de dias que passou regado a bebida, drogas e muito sexo. Percebia o suor correr por sua nuca e esconder-se em baixo do seu terno negro chique. Sentia falta de ar e, ao mesmo tempo que o estômago parecia em chamas, sentia tamanhos calafrios na espinha que o faziam tremer em antecipação. Quando as portas se abriram e por ela entrou Hinata Hyuga, desconfiou que seu estado de saúde estivesse pregando peças em sua cabeça. Poderia jurar que aquela mulher vestida de branco com cabelos escuros e olhos brilhantes de lágrimas era um anjo. O jeito delicado e o sorriso gentil e emocionado direcionado ao homem ao seu lado lhe dava vontade de morrer.
Ela estava se casando com Naruto Uzumaki, seu melhor amigo.
Embora tenha tentado odiá-lo e rechaçá-lo de todas as formas, no final convenceu-se que aquele idiota era o melhor ser humano que conheceria, além de seu irmão Itachi. Naruto criou uma cisma incomum sobre si, e lutou muito para conquistar sua amizade, então quando ele pediu para que fosse padrinho de seu casamento Sasuke se encontrou em uma situação enlouquecedora. Poderia ter dito não, é claro. Mas em sua cabeça isso só significaria que ele mantinha sentimentos por aquela mulher, o que com certeza era ridículo, afinal ele era adulto agora. “Nada disso me importa”, pensava. Aceitou o pedido sem titubear. Por esse motivo, mais do que qualquer outro, teve que concordar com o que Itachi lhe dizia desde sempre e nunca aceitou: que Sasuke era realmente um irmãozinho tolo.
Crispou os lábios.
Quando Naruto se casou, Hyuga Hinata nem ao menos se dava ao trabalho de pensar em Sasuke de alguma forma, poderia ter se poupado daquela posição, mas como sempre, achava que era o centro do mundo, enganou-se mais uma vez.
Se Sasuke pudesse mudar algo, com certeza seria não ter desprezado tanto sua menina, como fez. Ele a afastaria, mas com certeza deveria cativá-la para mantê-la para quando a tormenta passasse, afinal a situação de suas famílias não durariam para sempre, agora ele enxergava isso.
Os Patriarcas de ambas as famílias vieram a falecer a algum tempo, deixando seus “reinados” para Hyuga Neji e Uchiha Itachi dois pacificadores que sem demora fizeram uma aliança entre as empresas e hoje dominavam o mercado juntas, como nunca antes.
Talvez, se tivesse contido suas atitudes e seu orgulho, protegendo demais uma mulher que desde menina era forte, tudo poderia ser diferente. Poderia ser o Sasuke Uchiha de 28 anos casado com quem ama e não prestes a se casar com uma mulher a quem não nutre nenhum sentimento romântico e duvida que algum dia nutrirá, não se casar com uma mulher que sabe que não é amada e está se sujeitando a toda essa merda.
Ele conta até cinco mentalmente enquanto passa os dedos sob a caligrafia fina e inclinada no papel em sua mesa: a confirmação de comparecimento na cerimonia de Uchiha Sasuke e Haruno Sakura, assinada por Uzumaki Hinata em nome de toda família Uzumaki desejando os melhores votos para o matrimônio.
A arma se foi, assim como eu
E aqui vou eu
Enquanto ao longe, um moreno desolado tomava um último copo de whisky antes de ir para casa, Hinata caminhava tranquilamente até a sala de estar, carregando grandes baldes de pipoca, Naruto se encontrava largado preguiçosamente sob o tapete felpudo ao lado de um garoto loiro dos olhos azuis vibrantes, enquanto uma pequena menina com mãos gorduchas se divertia puxando o cabelo de ambos os loiros.
Sorriu, se sentindo feliz e completa.
Amava sua vida e sua família, e tudo o que teve que fazer foi seguir em frente, tudo o que teve que fazer foi aceitar e ir adiante.
Notas finais
Caso haja interesse o link da musica é este: https://www.youtube.com/watch?v=hHnGpltEgMM
Até mais!
Fale com o autor