Murciélago

2 Não Solte a Minha Mão


Notas iniciais
Depois de mil anos eu finalmente posto o segundo capítulo! Foram tantos problemas com notebook, com internet e falta de tempo que tudo que posso fazer é me desculpar. Gomenasai, minna-san!!!

Um dia foi o suficiente para entender a dinâmica de sua vida. Ela morava sozinha. Não possuía parentes humanos, a não ser uma tia distante. Não tinha servos para cuidar da casa e de suas necessidades. Ela cuidava de si mesma ... porém era uma humana muito distraída.

— Você conheceu a Tatsuki-chan na primeira vez que veio para Karakura, mas seu amigo tentou matá-la – seu corpo estremeceu com a lembrança.

Tudo que me contara até agora foi aleatoriamente. Nenhuma das informações que dera parecia importante ou significativa para mim, mas ela contava tudo com um sorriso no rosto.

Pensei um pouco no que havia me dito sobre Kurosaki Ichigo. Sua luta com Aizen lhe custou suas habilidades e a capacidade de nos enxergar. Ele era apenas um humano comum. Ao que parece as reclamações de Grimmjow eram inúteis. Grimmjow queria a permissão de Halibel para vir ao mundo humano e lutar com Kurosaki Ichigo, uma ação que achei desnecessária já que não eram mais inimigos em meio a uma batalha.

Ouvi um baque surdo e me virei para a mulher humana, que esfregava sua testa. Obviamente ela havia batido a cabeça na porta de vidro. Distraída. Ela riu de si mesma e então recomeçou a falar.

— Ulquiorra-kun, eu tenho que sair para comprar comida – me dirigi até a porta e ela me lançou um olhar duvidoso.

— Ninguém além de você me verá, mulher – aquilo a fez relaxar e logo ela saiu porta fora, comigo em seu encalço.

Caminhamos lado a lado por sua rua visivelmente calma e rapidamente chegamos a um mercadinho. Estava cheio de velhos humanos e crianças felizes, cheias de energia. Parei em um dos cantos para ficar longe deles e observar a humana com cuidado.

Suas escolhas por comida pareciam saudáveis e necessárias a um humano. Enquanto ela cantarolava animada uma criança surgiu correndo, mas ao olhar para trás acabou caindo no chão. Seu choro era insuportável e eu já havia decidido me retirar daquela loja, quando a mulher foi ao encontro do pequeno.

É claro que ela iria cuidar da criança ...

— Soten Kisshun ... – o que ela chamava de cura, eu chamava de rejeição dos eventos.

A criança parecia maravilhada por seu ferimento no joelho ter desaparecido, mas é claro que ele não podia notar o escudo ou as criaturas que tornaram isso possível.

— Não conte para ninguém, vai ser nosso segredo! – ela sorriu gentilmente para a criança, que lhe respondeu com um grande abraço.

— Arigatou, nee-san!

A criança saiu correndo pela loja novamente, seguro iria machucar-se novamente e o esforço da mulher seria inútil. Ela voltou a escolher seus alimentos e eu me aproximei dela. Ela me notou de imediato, sua única reação foi um leve rubor nas bochechas ... por algum motivo sua reação me era muito interessante.

— Por que o curou? Sabe que ele provavelmente voltará a se ferir. – ela olhou diretamente para meus olhos ao me responder, o que só fez seu rubor ficar ainda mais intenso.

— Isso não importa, Ulquiorra-kun! Se eu posso fazê-lo, então o farei. – suas palavras eram decisivas, embora eu ainda não a entendesse muito bem.

Quando pareceu pegar tudo o que precisava se dirigiu ao dono do mercadinho e pagou pela mercadoria. Peguei suas sacolas num movimento involuntário, não pensei em ajudá-la ... por que? Ela pareceu tão surpresa quanto eu, mas inteligentemente decidiu não se manifestar.

Ela parecia perdida em seus próprios pensamentos, caminhava olhando para o chão e sem nada falar. Seu rosto tinha uma expressão séria, diria que transmitia uma sensação de dor. Mas o que sabia eu sobre a dor ... ?

Um grande grupo de humanos acabou por entrar no nosso caminho, ela pareceu se perder de mim por um instante. Levantou a cabeça e pude ver seus olhos me procurando desesperadamente.

Voltei e agarrei sua mão.

— Não se perca de mim, mulher. Você não é mais uma criança. – ela não me respondeu, nem ao menos olhou para mim ... apenas apertou ainda mais sua pequena mão na minha. – Está passando mal?

Minha pergunta certamente a pegou de surpresa, mas ela pareceu sair de sua mente e me olhar finalmente. Ela deu um pequeno sorriso, muito tímido e triste.

— Não é nada, Ulquiorra-kun ... – ela parecia esconder algo, algo que não sabia como me dizer.

Não era nada? Não parecia ser esse o caso. Se fosse qualquer outro ser eu não discutiria, mas as reações daquela mulher humana me deixavam preocupado.

— Se não quer falar, pelo menos não minta. – seu sorriso falso desapareceu e ela parou de caminhar, mas não soltou a minha mão.

Parei de caminhar, ela parecia estar tomando coragem para falar o que havia em sua mente. Ela não olhava para mim, mas sim para nossas mãos entrelaçadas.

— Depois de tanto tempo você reapareceu do nada e quando te perguntei o porque de ter vindo até mim, apenas me deu uma resposta vaga. O seu modo de agir e de ver as coisas é diferente do meu. Eu não consigo prever o que você vai fazer e sempre acabo sendo pega de surpresa – ela parecia sofrer ao falar tudo aquilo ... ela se sentia perdida ... ?

Nunca pensei que ela poderia ser tão lenta em compreender meus sentimentos ... sentimentos, uma palavra estranha cujo significado ainda não era claro nem mesmo para mim. Tudo o que eu queria era permanecer ao lado daquela mulher e observá-la.

— Foi através de você que eu aprendi o que era um coração, mulher. O fato de eu ter vindo até Karakura é apenas por você, porque você é interessante. Também não compreendo bem minhas ações quando se trata de você. Não sou um humano, mas estou aqui e agora com você ... isso não basta? – seus olhos estavam molhados, ela iria chorar.

Ela abaixou a cabeça e deixou suas lágrimas caírem livres. Entendi que a culpa era minha ... quando encontrei aquela humana os sentimentos mais fortes que possuía eram por Kurosaki Ichigo, mas em seu último dia em Las Noches ela estendeu sua mão para mim. Não havia mais medo em seu olhar, mas enquanto eu me desfazia em pó sua tristeza e sua dor eram imensas.

Levantei seu queixo com minha mão livre e a puxei para perto de mim, com a mão que entrelaçava a dela. Ela foi obrigada a olhar em meus olhos e facilmente pude entender o que ela esperava de mim. Baixei minha boca na sua e a beijei, não mais do que alguns segundos. Foi o suficiente para seus olhos se arregalarem, seu rosto ficar completamente vermelho, seu choro parar e seu coração entrar em um ritmo intenso.

Uma humana precisava de momentos como esse, em outro momento eu teria pensado que era desnecessário ... mas agora, tudo que tinha relação com ela era interessante para mim. Eu daria tudo que ela quisesse, enquanto pudesse observá-la de perto e mantê-la para mim. Eu precisava daquela humana, e esse pensamento era algo novo pra mim.

— Por que me beijou?

— Por que estendeu sua mão para mim?

Notas finais
Tem momentos em que eu percebo um pouco de Edward e Bella nessa fanfic auhsuahusuhuahs Ai Kami-sama, me ajude! Escrever como Ulquiorra é beeeeem difícil, então tenham paciência comigo! Bjbj
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.