Mural de fotos

2 Capítulo 2 - Primeiro Dia


Notas iniciais
Repostando de uma forma atualizada e melhorada espero que gostem!

Logo me vi sozinho na escada que ficava ao lado da portaria. Dan e eu havíamos nos separado quando um grupo de garotas nos surpreendeu chamando ele para conversar, pela aparência delas eu diria que eram da mesma sala que ele. A conversa deles não me interessava.

Fui subindo as escadas lentamente até perdê-lo de vista, eu sabia que seria assim desde o início. Ele, por si só, não consegue ficar um minuto sem conhecer alguém. No fim da escada encontrava-se uma sala oval na qual se encontrava mais três lugares para ir, ao meu lado direito ficava a supervisão e ao esquerdo a orientação. Na frente da escada ficava o corredor que dava as salas, para um colégio tão grande eu vi que conheceria tão pouco. Fui corredor adentro procurando nas portas das salas a plaquinha que informava qual era a minha sala, o lugar estava escuro ainda e dificultava a minha visão. Quanto mais eu me aproximava do final do corredor mais aliviado eu ficava com tudo aquilo, não gostava de ficar muito perto das outras salas e sempre tive a sorte de ficar longe, fiquei feliz por meu último ano continuar com essa sorte.

Eu cheguei a última sala, a placa na porta indicava "3 ano 'A' Médio." Eu olhei para trás e vi as escadas pelo corredor mal iluminado pela manhã escura. Na porta havia uma lista com nomes, nome dos aulas que estariam na sala durante esse ano, olhei na lista de cima para baixo mesmo sabendo que o meu nome estaria por último. Meu dedo parava em um nome, Erick Ferreira, meu coração gelava enquanto eu olhava novamente esperando encontrar alguém, o corredor estava vazio. Voltei a ver a lista na porta e encontrei o meu nome, Victor Dominick, mesmo sabendo que essa era a minha sala queria ter certeza disso.

Abri a porta com cuidado e a luz da sala que era mais forte. Entrei de uma vez já fechando com mais força. Assim que entrei avistei o lugar que eu queria, a última carteira da última fileira. Fui andando até lá e reparando em volta, assim que cheguei a carteira coloquei a minha mochila em cima da mesa e peguei a minha câmera. O lugar me dava uma sensação de tristeza e seriedade. Fiquei em pé no fundo em um espaço que havia entre as carteiras e alguns armários que havia ali, liguei a câmera e o barulho ecoou pelo lugar, a imagem que eu queria estava em minhas mãos, foquei a câmera no lugar que era mal iluminado e a pouca poeira que era apenas visível na luz que entrava pelas distantes janelas complementavam o lugar, o flash da câmera saiu e com isso iluminava temporariamente o lugar.

Um forte incomodo veio aos meus olhos, recuei e coloquei o braço no rosto para meu proteger da forte mudança de luminosidade da sala. Após alguns segundo abro os olhos e vejo Erick com a mão no interruptor, ele me encarava enquanto vinha em minha direção parando em frente à minha carteira e sentando. Fiquei encarando ele por alguns segundos em silêncio, ele aparentava estar mais frio, andei até a minha cadeira baixando a guardar e coloquei a câmera na mochila e me sentei. Por reflexo comecei a empurrar pelo pulso o braço dele de volta para o corpo, quando percebi ele estava virado para mim com a mão na minha mochila. Ele se rendia a pressão que eu realizava nele, mas quando a mão dele começou a sair meu coração gelou, quem ele pensa que era, ou melhor, o que ele queria.

— Solta isso agora. — Digo fazendo mais pressão no pulso dele.

Ele colocou um sorriso no rosto e com um movimento com o braço ele se soltou, ele se virava de volta para frente em silêncio, peguei a cadeira da mesa do lado e coloquei do lado da mesa dele, eu olhava para a câmera e para ele inconformado com o que estava a acontecer, ele estava olhando as minhas fotos com um sorriso besta. Comecei a relaxar com o passar do tempo ele apenas olhava as fotos e lá não tinha nada demais mesmo.

— Achei! — Diz ele enquanto olhava para mim e eu me assustava com o grito.

— Achou o que?

Ele virou a câmera para que eu pudesse ver a foto e algo me prendia ainda mais ali, naquela situação, ele olhava a foto dos rapazes na praça de alimentação do shopping.

— O que tem demais nessa foto? — Pergunto curioso.

Ele sorri novamente e diz de um jeito tão diferente que nem consegui distingui o que ele havia falado, ele me mostrava a foto novamente e disse:

— Olha aí. — continuando com o tom leve.
Eu olhei novamente para a foto do rapaz, e algo me incomodava, reparei em cada detalhe da foto, mas nada vinha a minha cabeça.

— O que eu devia encontrar aqui? — Pergunto percebendo que o sinal da escola tocava.

Ele desligou a câmera e me devolvia, eu levantei para devolver a cadeira no lugar e guardar a câmera de volta na mochila, ele se levantou a mesmo tempo e nossos rostos se encontraram próximos um do outro, ele me olhava frio enquanto eu recuava devagar, quando já havia me distanciado um pouco ele virou o rosto, guardei a câmera e a coloquei a cadeira no lugar.

— Desculpa por isso, ia avisar que era melhor irmos para o auditório. — Dizia ele aparentando estar nervoso. — Bom, eu acho melhor irmos, eu vou se você não quiser.

— Pode ir. — Disse tentando esconder a raiva. — Com você não quero pode ir.
Ele parecia surpreso e eu me sentia mal com a reação dele, havia sido muito frio. Ele abaixou a cabeça e começou a andar até a porta devagar, ele estava pensativo e eu me encontrava ansioso.

— Se você quiser. — Dizia ele parando e hesitando a virar para mim. — Aparece lá, só seguir o corredor da escada, provavelmente estarei sentado no fundo.

Sentei jogando o meu corpo na cadeira. Estou confuso e isso é um fato, que garoto estranho e invasivo, cara chato. Como alguém pode ser tão estranho a esse ponto? Uma hora ele me trata bem, mas do nada vira outra pessoa e agora ele estava tentando arrumar isso? Até gostaria de dar uma chance a ele, mas por que ele é tão estranho? E no metro... Por... Espero que não seja o que parece, de verdade. Abri a mochila e tirei a câmera, liguei-a e abri a galeria de fotos, lá mostrava as últimas fotos visualizadas pelo Erick. Meu coração parava ao observar as fotos, ele não só apagou as fotos que eu tinha dele, mas como também visualizou outra foto, a minha melhor foto. Resgatei as fotos que ele havia apagado a tempo antes de serem apagadas de vez, levantei da cadeira deixando a câmera em cima da mesa e sai da sala.

Corri pelo corredor descendo a escadas de dois em dois degraus até chegar no corredor da secretaria, olhei pelo pátio que estava quase vazio e a maioria dos alunos que estavam no pátio seguiam na mesma direção, segui pelo corredor a procura do auditório, passei pelos banheiros da entrada, pela lanchonete da escola e pela biblioteca, a qual me atrairá bastante, segui correndo até chegar ao fim do corredor onde encontrei ao lado o auditório. Estava na frente da porta, Erick estaria lá dentro, acedida com o qual eu ia me acalmando ia percebendo que o diretor já começara se pronunciar. Abri a porta com calma para evitar o máximo chamar a atenção.

O lugar estava lotado. Entrei devagar procurando o Dan. Pela porta que eu entrei, a qual ficava no meio do auditório, possibilitava que eu visse um pouco de cima as cadeiras que estavam mais próximas do palco. Dan não estava em lugar algum da frente, me virei para começar a procurar nas cadeiras de trás e percebi que Erick estava ascendendo para mim em umas das últimas cadeiras, sem sucesso em achar o Dan segui para o fundo.

Subi por uma leve rampa que havia no meio das cadeiras e sentei-me junto a ele.

Continuava a olhar e procurar pelo o meu irmão, olhava de fileira por fileira, mas não o encontrava. Eu não queria estar sozinho na escola, mas Erick não era uma das melhores opções, na verdade nem sei por que ele é uma, Daniel era a unidade pessoa com quem eu gostaria de estar agora, até porque só conheço ele, já disse Erick não é uma opção.

Meu braço começa a arder e por impulso dou um leve grito que por sorte foi abafado pelo som do diretor falando.

— Victor, eu estou tentando te apresentar uma amiga. — Dizia Erick enquanto apostava para uma garota ao seu lado.

Ele encostou as costas na cadeira e eu me estiquei para cumprimentar a moça que estava ao seu lado, ela tinha um rosto delicado de olhos azuis e cabelos castanhos claros para um loiro.

— Prazer Victor. — Estendi a mão para ela e a cumprimentei.

— Prazer Thaís. — Dizia ela com um sorriso lindo no rosto. — Ah, não sou a miga dele, sou a namorada. — Complementou.

— Erick me disse que você é fotógrafo. — Dizia ela olhando para o Erick. — Que legal.

Tomar nota: "O esquecido de duas personalidades tem um namorada". Olhei para ele, o qual estava com uma cara de decepção, e olhei para ela a qual não entendia a reação dele assim como eu.

— Desculpa, preciso ir ao banheiro. — Disse ele se levantando.

Thaís não disse nada enquanto ele saia, e logo o perdi de vista quando ele saiu pela porta.

— O que ouve com ele? — Pergunto pulando para a cadeira onde estava o Erick.

Ela abaixou a cabeça e se manteve em silêncio.

"Espero que durante esse ano vocês, como alunos, aproveitem o que aqui é lhes oferecido, saibam que esses anos escolares de vocês são a base da vida profissional e social". O diretor se dirigia ao desfecho.

— Vai atrás dele. — Thaís disse baixo, quase o suficiente para me impedindo de ouvir. — Vai! — Disse colocando vigor na voz.
Levantei da cadeira e olhei em volta, realmente estava no final do discurso do diretor.

— Onde eu...

— Biblioteca. — Diz ela me interrompendo.

Sai com o passo apressado. Voltando pelo corredor parei em frente à biblioteca, lá dentro havia uma moça em um balcão, algumas mesas espalhadas e colocadas intercaladas com alguns instantes de livros. Virei para a moça da biblioteca e ela respondeu apenas com um sinal, o qual me levava ao fundo do lugar, segui olhando cada livre que havia nas estantes, alguns novos, outros velhos, alguns clássicos outros bem atuais, tudo era apenas separado por nome e tema. Segui para a mesa mais distante da porta, ela ficava escondida por algumas estantes. Erick estava sentado me olhando.

Sentei a mesa e o silêncio dominava o lugar.

— Que horas tem? — Pergunto tentando quebrar o gelo.

Ele não faz nem um movimento, apenas continua a me olhar. Levantando a mão apontou para uma placa. "Silêncio."

"Você só pode estar de sacanagem com a minha cara, sério isso." Falei sem medir o tom da voz extrapolando o limite normal para uma conversa, "Silêncio" retrucou no mesmo tom a bibliotecária. Erick ria baixo enquanto me encarava, ele se levantou e veio até mim e falou baixo em meu ouvido. "Desculpa, foi engraçado, e eu tentei avisar que ela é rigorosa." A voz dele me causava arrepio. "Mas me conte o que te traz aqui?" Disse ele sentando novamente.

Sentei junto à mesa e volte-me a olhar mais uma vez o lugar antes de responder a pergunta, não havia nada demais além de algumas fileiras de livros espalhadas, mas, porém havia uma exceção à regra, quase imperceptível para quem desse uma rápida olhada, atrás de alguns instantes havia um relógio o qual marcava oito horas.

— Já são oito horas. — Disse apontando para o relógio e percebendo que ele não havia parado de me olhar o tempo todo. — Já deve estar acabando o discurso do diretor, não deveríamos voltar para o auditório ou até mesmo voltar para a sala?

— perceptível você, interessante. — Disse ele olhando para o relógio. — Relaxa ainda temos tempo, o sinal só bate as oito e vinte, mas agora me responda o que você ainda não respondeu o que te traz aqui? — Disse ele me encarando novamente.

Falar com ele era como andar em ovos, o fato de eu conhecer bem pouco ele me assusta porque esse pouco que eu sei é o suficiente para saber que tenho que tomar cuidado com o que eu digo a ele.

— Bem, você quer a verdade estranha ou a mentira "normal"?

— Verdade estranha. — Disse ele dure sem reação emocional, ele parecia frio e eu engoli algo seco.
O silêncio se fez na mesa e eu voltei para a posição de conforto, ele levantou a mão e por apenas alguns segundos ele apontou para o relógio, que agora marcará oito e dez.

— Já entendi que você não quer que eu enrole, então vamos direto ao ponto. — Digo fechando os olhos, eu sentia meu coração bater mais rápido, porém, ao mesmo tempo sentia vários sopros. — Você saiu aparentando estar mal, eu fiquei preocupado, a Thaís ainda me pediu, ela...

— Ela disse onde me encontrar. — Completava ele me interrompendo.

— Isso.

Algo doce e macio encostava-se aos meus lábios assim que terminei de falar, porém ao mesmo tempo era frio era delicado. A biblioteca se encontrava completamente pela primeira vez, abri meus olhos lentamente respondi ao sentimento, Erick estava me beijando, eu estava beijando ele, nós estávamos nos beijando. Pelo susto empurrei ele de volta ao encontro do acento, levantei da cadeira e comecei a recuar levando a cadeira junto com os meus passos, eu não me importava com o barulho produzido por mim ao empurrar, o barulho que no qual, ao mesmo tempo, me fazia bem e me torturava.

Ele me olhava sem entender o que fizera de errado, e eu o encarava tentando entender a minha surpresa, afinal eu já imaginava isso. Gritei a primeira coisa que veio à mente e sai sem repara no eco que a minha voz alta fazia no lugar, segui para a saída da biblioteca quando senti meu pulso sendo puxado com firmeza para trás, Erick tenha se levantado rapidamente para me alcançar e eu não havia nem se quer notado, minha cabeça ainda estava confusa com tudo isso.

— Espera! — Virei para ver ele o qual parecia abalado. — Não entenda isso mal, esse não sou eu, eu não sou gay, por favor isso nunca aconteceu.

— Não vou falar nada, posso ter conhecido a Thaís a pouco tempo, mas ela não vai saber por mim, não que eu não queria contar, afinal ninguém merece passar por isso, ninguém merece ser traído.
Puxei o meu pulso com tudo virando novamente para ir embora, ele retrucou segurando mais firme e fazendo eu contar com tudo novamente.

— Aí! — Disse soltando meu pulso e esfregando a minha mão ele. — Por que você fez isso?

— Desculpa, eu não queria te machucar. — Ele deu um passo para frente e segurou a minha mão. — Mas não posso deixar você sair daqui sem saber a verdade!

— Qual verdade? Que você é gay? Que você traiu a sua namorada? Que você me usou? Qual a verdade que eu ainda não sei?

— Nada disso é verdade. — continuou ele com um tom um pouco maior quando viu que, agora, era eu quem iria interromper ele. — Para início de conversa eu não sei o que eu sou ok? Eu apenas sei o que eu não sou e eu não sou gay! Segundo eu não trai ninguém aqui, ela não é a minha namorada ela é a minha rima e ela mentiu para você e eu apenas não gostei disse, e não pude argumentar isso lá no auditório, eu não gosto de começar uma amizade através da mentira e com isso estou lhe dizendo a verdade de fato, não a que você acha saber. — Ele era frio, mas a cada palavra que era dita por Erick, ele parecia ficar mais calmo e ia baixando o tom rígido e seco. — É por final, eu nunca iria se quer em pensar em te usar, eu não sei explicar, eu apenas gostei de você desde aquele dia na parca de alimentação no shopping, mas se formos parar para pensar, eu devo admitir eu gostei de você um pouco antes desse acontecimento, mas foi ali que eu tive certeza que gostava de você, ali naquela praça eu senti uma mistura de sentimentos bons, mas por cima eu me senti bem em poder te ver de novo. — Disse ele segurado mais firme a minha mão. — Hoje quando vi dois jovens entrando no vagão usando o mesmo uniforme que o meu, significando que esses mesmo dois jovens estudavam na mesma escola que eu e o fato de eu não ter reconhecido o rostos de vocês na escola deduzi que eram novatos, até pensei em puxar assunto com vocês, mas quando eu reconheci seu rosto, quando realmente meu toquei que você era o garoto do shopping, o garoto da câmera, eu não sabia o que fazer.

— Mas você não poderia ter certeza, essa cidade é enorme as probabilidades são mínimas? — Mesmo tremendo a resposta pergunto ansioso pela mesma.

— Até alguns momentos atrás eu não tinha certeza, como eu disse antes, não vou mentir para você, eu entrei no colégio ansioso e preocupado, eu não sabia se eu tinha feito algo para vocês que pudesse causar uma impressão errada minha ou até mesmo ter falado alguma merda, ou ter abusado de um intimidade que não temos. — O sinal bateu indicando a troca de tempos, uma multidão de alunos passava pelo corredor da biblioteca fazendo com o que o lugar, que não conseguia separar os sons autos que vinham de fora. — Vem, vamos chegar atrasado depois continuamos essa conversa.

— Não, quero saber agora! — Digo como reflexo pô-la a minha ansiedade.

— Depois, preciso de tempo para pensar. — Disse ele saindo.

Fiquei sozinho na parte de trás da biblioteca onde o silencio se encontrava com o breu do local, em cima da mesa havia um pequeno pedaço de papel, no qual estava escrito: "Pros / Contras.”

Sabe com tudo o que eu já vivi nessas poucas horas de hoje, não sei dizer se posso simplesmente levar esse ano assim, um caos. Pelo o que eu sei Erick é um garoto legal, carismático e de certo modo posso dizer que ele consegue despertar algo em mim, algo bom podem assim chamar, uma curiosidade. Ele já demonstrou que é corajoso me roubando aquele beijo, mas mesmo assim muito confuso. Ele pode até parecer uma pessoa confusa, tipo de verdade, mas sei lá acho que posso entender um pouco o lado dele.

Fechei os olhos e logo me imaginei no mesmo lugar de sempre:

"- Ei. — Uma voz doce chamava a minha atenção. — Ei, Victor levanta."

"Eu despertava devagar e com cautela e colocava-me a sentar novamente na cama."

"- Você sabe que nós temos prova amanhã, não sabe? — A voz persisti. — Vamos preciso de ajuda nessa matéria."

"Abri meus olhos e lá estava ele, eu estava no seu quarto, na sua cama. As paredes em minha volta eram 'brancas'?"

"- Claro, desculpa ter adormecido, ainda mais de uma forma bem estranha. — Soltei um riso para disfarçar a minha vergonha."

"Relaxa, isso não importa agora me ajuda aqui!"

"'Claro' pensei, coloquei um sorriso no rosto e espremi meus olhos fechando-os. No mesmo instante minha boca estava encostada na dele."

"- Para Lucca, você mesmo disse que temos que estudar, não começa agora por favor."

Abri os olhos e dobrei o papel que estava na mesa e o guardei no bolso e logo me dirigi à porta da biblioteca saindo sem olhar para trás. O corredor havia ficado em silêncio, me dirigi à escada e subi cada degrau devagar até ser chamado a atenção por está atrasado, o monitor deu um grito avisando para que eu andasse mais de presa, o corredor que andes era escuro e silencioso agora estava iluminado por algumas lâmpadas que haviam espalhadas e o barulho das salas ecoavam. Segui até a última sala, a minha sala, e abri a porta, todos estavam lá, todos nas suas "panelinhas", segui até à minha cadeira passando pelo professor que nem se quer notara a minha presença.

Erick virou para mim após eu ter sentado.

— Me impressa o seu telefone? — Disse ele com um sorriso besta. — Preciso mandar uma mensagem para o meu irmão e o meu celular descarregou.

Ele falava como se nada tivesse acontecido a pouco, não sabia se ele achou que não tinha sido nada demais ou se ele apenas estava fingindo, de qualquer modo eu peguei corda.

— Claro, aqui está. — Desbloqueei o celular e dei a ele.

— Certo turma todos sentados vamos começar a aula, o meu nome é Robertto e serei o seu professor de matemática durante o último ano letivo de vocês na escola. — Dizia ele olhando pela sala. — Olha vejamos aqui. — Disse ele olhando para mim. — Você deve ser o aluno novato, por favor diga-nos seu nome e da onde veio.

"Meu nome é..." tentei falar quando fui interrompido pelo professo que insistia que eu levantasse e fosse lá à frente para que todos conseguissem me ver, ao seu pedido levantei devagar e olhei desnorteado pela sala até avistar a Thais a qual tentava me dizer algo, o qual eu ignorei e continuei a ir lá à frente.

— Como estava dizendo á da minha carteira meu nome é Victor, tenho 17 anos e me mudei para cá há pouco tempo vindo do norte do país, meu hobby é fotografia. Prazer em conhecê-los?!

A sala se mantinha em silêncio profundo me fazendo ficar nervoso e me colocando a me sentar novamente se que o professor pedisse, olhei em volta e todos já estavam quietos olhando para o quadro onde o professor começara a escrever. Virei novamente para a Thais e ela segurava um papel com algo escrito, fechei um pouco os meus olhos forçando a visão para ler. "Não empresta..."

— Aqui está. — Erick virava me devolvendo o celular. — Obrigado.

Apenas peguei o celular de volta sem dizer nada e voltei a olhar para a Thais a qual agora se mostrava decepcionada. Só posso dizer que o ano vai ser longo.

O sinal para o intervalo tocava ecoando pelas salas, havia se passado três tempos no total, dois de matemática e um de artes e agora o intervalo. A sala entrou em alforria a professora procurava ignorar a bagunça, me aprecei e fui um dos primeiros a sair em direção ao pátio sendo empresado pelos os outros alunos que saiam das outras salas. Aviste Dan um pouco mais afrente conversando com algumas pessoas que de provável eram de sua sala, ele já estava enturmado, nada de surpreendente. Segui descendo as escadas onde o espaço era maior aliviando a preção que os alunos faziam uns nos outros.

Chegando ao terro me encontrei desnorteado, não conhecia ninguém, por assim dizer, e nem um lugar da escola. A minha melhor opção era a biblioteca, principalmente agora que eu sei da existência da mesa no fundo. Eu estava parado em frente ao último degrau olhando ao redor e sentindo as pessoas que estavam atrás de mim esbarrando a me ultrapassar.

Sozinho. Sozinho? Sozinho mais uma vez. Fica difícil eu querer me mudar, eu querer ser de um jeito que eu não estou se eu não consigo ou se eu me faz falta a minha última vida. O fato é eu estava bem sozinho, não estava pronto para isso de novo. De novo não.

Havia começado a andar sem perceber quando senti um empurrão vindo de algum dos alunos que desciam a escada, aproveitei o impulso e fui em direção a biblioteca novamente, ao chegar perto da porta coloquei a mão na maçaneta e rodei de vagar, quando abri a porta um pequeno grupo de garotas saíram e eu acompanhei elas com o olhar, após a última garota sair virei e entrei com tudo sem demora batendo de frente com alguém e derrubando essa pessoa no chão. Coloquei a minha mão na parte dolorida do meu corpo provocada pelo choque, olhei para o chão e observei a garota de cabelos loiros escuros que estava caída no chão, agachei e a ajudei a levantar.

— Aí! — Disse ela ao ver a minha mão estendida. — Não quero sua ajuda, você já me "ajudou" muito. — Disse ela levantando sozinha enquanto eu juntava a suas coisas do chão. — Para! — Gritou.

Terminei de juntar tudo que ela havia deixado cair com a queda e me levantei.

— Já disse não quero a sua ajuda. — Disse ela cruzando os braços. — Ah me dá logo as minhas coisas. — Ela estendeu a mão para pegar em um movimento, abri a minha mão deixando tudo cair no chão novamente.

Ela me olhava sem reação vendo as coisas dela espalhadas novamente pelo chão, ela saiu da postura defensiva e começará a fazer uma de choro. Olhei para ela pela última vez e voltei a andar para o fundo da biblioteca que no qual, tirando pela a bibliotecária e a garota, estava vazia.

Segui pelo meio das estantes de livros até chegar a mesa dos fundo, pela minha sorte não havia ninguém. Sentei me jogando na cadeira que fazia um barulho de metal arranhando o azulejo do chão o qual ecoava pelo local, fechei os meus olhos e me pus a pensar.

Presta atenção, pensa comigo... Victor anda, raciocina. O que você quer? O que você já conseguiu? E esses dois meses não foram nada? Já aconteceu antes isso, lembra? Te fez bem? O Lucca me fez bem?

Lucca, aqueles olhos castanhos escuros como café, seu cabelo chocolate sempre no corte da moda, seu sorriso pequeno e tímido, sua pele macia e clara, um claro bronzeado. Aqueles lábios, seu carisma, seu...

— Ei. — Uma voz impede a minha linha de pensamentos.

Abri os olhos, o qual eu nem tinha percebido que estavam fechados, olhei para a origem da voz.

— Não sei dizer se eu sabia ou não se te encontraria aqui, mas posso dizer que faria sentido. — Disse ele se sentando a mesa.

— Quem disse que você é bem vindo a mesa? — Digo não me importando com o tom de voz.

Ele começa a me encarar me olhando de cima para baixo me deixando confuso e desconfortado, mas sem deixar que ele perceba isso.

— Só para constar. — Disse ele se apoiando com os braços na mesa e se aproximando com o rosto. — Essa mesa aqui que você supostamente acha que está sobre o direito de decidir quem senta ou não, foi colocada aqui pela a gente a uns dois anos atrás, as estantes estão desse jeito porque nós colocamos assim, aquele relógio está ali porque nós colocamos ele ali. — Dizia ele indicando com a mão cada item dito anteriormente.

— Pera, como assim a gente? — Pergunto curioso.

— Eu, Thais, Laura e o Eduardo. — Disse ele voltando a deitar na cadeira. — Mas pode ficar eu queria falar com você mesmo.

O silêncio, como devia ser sempre aqui, dominava o local e logo o único barulho perceptível era o do ar condicionado e o relógio.

— Ah por um acaso, eu e a Thaís somos apenas irmãos, não namorados como dito antes.

— O que quer dizer com apenas?

— O Eduardo faltou hoje por ser sexta, e o feriado de Carnaval está bem aí. — continuou ignorando a minha indagação. — E sobre mais cedo...

— O que aconteceu mais cedo? Não me recordo. — Digo interrompendo-o.

— Não vou fingir que isso não aconteceu e você também não deveria. — Disse ele levantando e vindo na minha direção.

Ele me puxou com força pelo pulso me machucando e me fazendo levantar e cair apoiado dele, empurrei ele para longe de mim com força fazendo-o bater na estante que há atrás dele e derrubando alguns livros, ele me olhava confuso com a mão na nuca onde devia ter batido, olhei para ele com a expressão de ódio e me virei para ir embora, senti meu pulso ser puxado e dessa vez eu dei um puxão sem olhar para ele soltando o meu braço começou a arder, continuei saindo sem se importar com a ardência.

— Desculpa. — Gritou Erick me fazendo parar de costa para ele.

— Você só sabe se desculpar, por que não assume o que faz? — Digo sem alterar a voz continuando em um tom frio.

— Mas é exatamente o que eu estou fazendo aqui, assumindo. — Olhei para ele o qual estava de cabeça baixa apoiado na estante. — Eu não sei o que fazer, você diferente, não comparando você com outras pessoas, mas isso geralmente funciona com as garotas, devia funcionar com você?

— Isso foi uma pergunta? — Pergunto puxando a cadeira.

— Não, claro que não, desculpa a intenção não era essa. — Erick começava a aparentar nervoso.

— Que bagunça é essa? — Uma voz surge entre as estantes. — O que está acontecendo aqui, gente arrume isso agora. — Continuava a voz.

— Não é nada. — Erick dizia olhando para o corredor que levava a porta.

Virei para olhar e uma garota estava parada de braços cruzados com uma expressão de indignação no rosto.

— Quem é você?

— O novato da nossa sala, saberia se não passasse o tempo todo falando com a Thaís. — Retrucou Erick.

— Estou interrompendo algo? — Digo sem olhar para nem um dos dois.

— Não! — Os dois disseram ao mesmo tempo.

O silêncio chegou junto com o clima tenso. Comecei a juntar os livros que haviam caído no chão a pouco para esconder o desconforto que estava sentindo.

— Não vou comentar nada sobre vocês dois começarem com isso hoje cedo, lá pelo o almoço eu até entenderia, mas agora? Poupe-me os dois. — Eu ignorava a voz familiar que quebrava o silêncio. — Victor, o que aconteceu aqui? Porque se eu for perguntar deles nunca chegarei a um veredito.

Virei levantando com alguns livros no colo quando ouvi o meu nome, era Thaís que tinha acabado de chegar. Expliquei para ela o que tinha acontecido ignorando o máximo possível e não dando muita informação sobre eu e o Erick.

— Mas como os livros foram parar no chão ainda não entendi? Afinal de contas tudo começou por causa dos livros. — Indagou Thaís.

— Eu e o Erick discutimos antes dela chegar. — Disse apontando para a garota que encarava Erick. — Eu acabei empurrando ele o qual bateu na estante que derrubou os livros, só isso e ponto final. — Pera aí, que tipo de intimidade vocês acham que vocês têm comigo? Mal conheço vocês. — Continuei. — Sério que tipo de jogo mental é isso? Nada faz sentido perto de vocês.

Eles me encaravam sem entender muito que eu queria dizer, soltei os livros e novamente eles foram de encontro ao chão, o barulho ecoou pela biblioteca e era amenizada com o tempo e com os pequenos ruídos que vinham de fora. Segui em direção a porta do local, preferia estar sozinho no pátio com todo o barulho e movimentação do que ficar aqui.

— Espera! — Erick gritou.

— Fala apenas fala! — Digo sem se importar com o tom da voz. — Sério, apenas fala. Você fica pedindo para que eu espere, para mim ficar aqui, mas nunca fala o que você quer.

O silêncio dominava o local mais uma vez assim que o eco parou, todos olhavam para o Erick o qual se encontrava sem reação. A garota baixava a guarda enquanto deixava o local com a Thaís sem deixar de olhar para mim e o Erick.

— Eu... Eu quero te pedir, não, na verdade eu quero te perguntar...

— Apenas fala, tenho mais coisa para fazer. — Digo interrompendo ele.

Ele respirou fundo.

— Eu sei que não é a coisa mais normal para se disser agora, mas eu gostaria de te fazer um convite.

— Que tipo de convite? — Digo observando ele andar em minha direção e parando a um palmo de mim.

— Nossos pais, meu e da Thaís, viajaram hoje para o interior deixando a gente com a casa como eles fazem todos os anos no período do carnaval, gostaria que você fosse passar o feriado lá em casa, pode levar o seu irmão para você não se sentir deslocado. Podemos terminar nossa conversa lá, a sós.

— Sério isso? — ele se mostrava surpreso com a minha reação de indignação.

O sinal para a volta do intervalo batia e o som era fraco na sala, olhei o relojo para ter certeza se era o sinal.

— É a minha vez de te deixar sozinho aqui.

Fui de encontro a porta passando pelos corredores da biblioteca, os quais eram marcados pelas estantes. Quando cheguei perto da porta avistei a bibliotecária conversando com a garota que eu esbarrei, olhei melhor ela, mas preferi deixar quieto por enquanto. Saí para o pátio que estava bem movimentado ainda, e fui na mesma direção de todos, as escadas.

Por sinal eu estou cada vez mais confuso com esse povo, Erick não mudou mais de uma hora para outra, por assim dizer, mas não sei se gostei dessa personalidade dele. Ele poderia me fazer um favor e para de complicar as coisas.

Estou mais confuso ainda pelo fato deles acharem que rola uma intimidade entre a gente, cansei de ser um mero espectador nessa trama todo.

Quando voltei a consciência de si me dei conta que estava entrando na sala e o professor dizia: "Sentem todos vamos voltar para a aula."

A aula havia acabado rapidamente e pela primeira vez Erick não foi um problema. Na aula ele mal falou comigo, e o que falou foi apenas o essencial. Eu já estava chegando perto da estação do metrô, eram treze horas e quatro minutos da última vez que eu olhei para o celular para me informar, isso quando saía do colégio. O clima de São Paulo favorecia você andar de tarde perto do meio dia, já que hoje estava frio. Nós não falávamos muito quando andávamos para os lugares, eu gosto de pensar enquanto ando e por isso gosto de andar. Um gosto muito útil em minha opinião. Então começamos a descer a rampa que levava ao andar do metrô em si.

— Vai ver a loja? — Perguntou. — Hoje de manhã não deu tempo certo? Podemos entrar se quiser.

Coloquei um sorriso no rosto de agradecimento pelo o meu irmão me conhecer tão bem, apesar de que ele nunca vai entender esse sorriso ele sempre sorria de volta.

Entramos na loja de fotos, bem uma loja mista por assim dizer, os donos era um casal de senhores de idade, uma aspirante em leitura, o qual o seu lado da loja era uma doce livraria, e o senhor apaixonado por fotografia, uma loja com câmeras e acessórios que por sinal não eram todas das últimas linhas, mas "raras" e de ótima qualidade.

— Olá garotos é sempre um prazer em revê-los, como posso ajudar hoje? — Perguntou o senhor.

— Olá seu Zé. — Respondeu Dan. — Na verdade estamos apenas passando para ver novamente, hoje de manhã não deu tempo.

Ele deu um sorriso e continuou a atender o outro cliente do caixa.

Andamos pela loja como o de costume, olhando as capas dos livros, rindo com a dona Ana, a esposa do seu Zé, olhávamos alguns equipamentos que estavam a amostra e por final eu namorava a minha, bom, a minha futura câmera instantânea. Um sonho para mim.

— Pegue, anda você sempre compram aqui são os nosso clientes fixo e quando digo isso é porquê vocês nunca saem daqui. — Ana dizia com um grande sorriso. — Isso aí só pega poeira aqui, aposto que com você teria mais uso.

— Não posso aceitar. — Digo colocando a máquina no lugar. — Ela é relativamente cara para que eu aceite de presente de vocês, não que eu esteja me fazendo de desfeito, não é isso, por favor, não pense assim, é que eu apenas quero comprar com o meu dinheiro, e não falta muito.

— Querida por favor, todo o dia a mesma coisa, tem certeza que não está ficando gogó? — Disse seu Zé fazendo graça, Dona Ana fechou a cara e voltou a limpar a loja.

— Vem vamos já está na hora de irmão — Disse Dan ao ver o metro chegando na estação.

Nós nos despedimos e fomos correndo até o vagão do metrô que acabará de chegar. Entramos bem a tempo de pegar o metrô, o qual estava lotado dessa vez.

O vagão rapidamente começou a andar fazendo com que eu me desequilibrasse e quase caísse sobre o meu irmão, esperei um pouco até o meu corpo se acostumar com a velocidade e me coloquei apoiado na parede.

— Conheceu alguém novo hoje? — Digo eu quebrando o silêncio entre nós dois percebendo está perto de casa.

— Difícil de dizer que não, conheci uma sala lotada de pessoa, não?

— Babaca você, perguntei no sentido de conhecer amigos não colega, algum possível amigo, gostou de alguma garota? — Pergunto diminuindo o tom de voz após uma breve excitação.

A porta do vagão se abriu e nós saímos devagar em direção à saída e logo mais eu estava girando a chave na porta para poder entrar em casa a qual estava escura e um pouco abafada, entramos e eu fui em direção ao meu quarto.

— Enfim em casa! — Dizia Dan entrando.

Entrei no meu quarto, sem responder ao comentário que o Dan jogou, e larguei a minha mochila no chão e me joguei na cama com o meu celular.

"Uma nova mensagem: 'Desconhecido'"

[10:54] Desconhecido: "Posso te fazer um convite?"

— Daniel! — Gritei reagindo a mensagem.

— Oi. — Ele entrou correndo e parando apoiado na porta e jogando seu corpo para dentro do meu quarto.

— Você deu meu número a alguém?

Ele me olhou e saiu em direção a cozinha.

— Não, e se me dá licença vou fazer o meu almoço. — Gritou ele da cozinha.

A mensagem estava lá e o DDD era de São Paulo. Comecei a pensar quem poderia ser o destinatário já que eu não conhecia ninguém descente nessa cidade, e muito menos havia dado meu número a alguém.

[13:03] Victor: "Quem é?"

[13:04] Desconhecido: "Estava esperando você responder, só não achei que não fosse me reconhecer, já viu a foto de perfil? Talvez não tenha, mas caso queira clicar para carrega-la você pode aproveitar e salvar o meu número."

Abri o perfil do contato e cliquei para a carregar a foto, levei um leve susto quando a foto terminou de carregar, Erick havia conseguido o meu número.

[13:07] Victor: "Como você conseguiu o meu número Erick?"

[13:07] Erick: "Foi fácil na verdade, você praticamente me deu ele, eu só tive que pegar seu celular e ligar para o meu, então quer saber qual é o convite?"

[13:09] Victor: "Devia ter desconfiado, mas foi muito ingênuo, vou começar a esperar mais de você."

[13:09] Victor: "Anda me fala desse convite."

[13:09] Erick: "Como você deve ter percebido nossa escola é um pouco estranha e sempre começa as aulas no meio ou final da semana, e geralmente o primeiro dia de aula é antes do carnaval."

[13:10] Erick: "Posso mandar um áudio? Fica mais fácil para mim."

Olhei em volta do quarto e pelo corredor, Dan estava entretido com o almoço então fechei a porta.

[13:11] Victor: "Não sei, acho melhor não, creio eu que não tem necessidade."

"Erick está gravando um áudio..."

[13:15] Erick (Áudio): "Olha aqui, presta atenção, você deveria vim aqui para casa, não é por nada não, mas você não vai se arrepender, não sei se o Erick te chamou ou não mas...

Para Thaís me devolve-me telefone...

Desculpa minha irmã nem sempre é tão agradável assim, o que eu queria dizer é meus pais viajaram hoje para um retiro espiritual deles, e nós estávamos sozinhos em casa, nós quatro, então como eles fazem isso todos os anos eles deixam a gente chamar alguns amigos para passar esse feriado aqui, por um acaso você gostaria de vim?"

Notas finais
Obrigado pela sua leitura.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.