Mundos Diferentes, Sentimentos Iguais
23 Capítulo 23 - O coração que estava confuso, para de bater...
Notas iniciais
– V-vai embora... — A garota falou soluçando.
– Maria, me desculpa... Eu... Eu... Eu nunca quis nem nunca vou querer te magoar...
– Já magoou demais... Será que não percebeu? Ou é tão burro assim? — Maria respondeu com muita raiva, fato que surpreendeu Jaime.
– Há quanto tempo você não me chama de burro... Eu achei que isso nunca mais ia acontecer... Achei que estávamos finalmente nos dando bem... — O garoto falou com pesar na voz, Maria parou de soluçar e se acalmou um pouco.
– Estávamos Jaime, porém se toda vez que você cometer um erro, você ficar todo nervosinho, nunca nós daremos bem por completo. — Maria foi direta e Jaime olhou para a garota entristecido.
– Então... A busca pelo Paulo, as risadas que demos juntos, e o... — Jaime parou de falar e Maria olhou para ele — E o nosso beijo, selinho, sei lá o que foi... Tudo isso será deixado para trás?
Maria olhou para o garoto procurando uma resposta para a pergunta que o garoto havia lhe feito, ela abaixou a cabeça e suspirou levemente.
– O que você pensou Jaime? Que depois do que falou para mim na sala de aula, tudo entre nós ficaria bem? Você foi grosso, coisa que você não havia sido já tinha um bom tempo. — Ela falou e começou a chorar novamente.
– Eu mudei por você...
Maria olhou para Jaime surpresa com o que o garoto falou. As lágrimas iam caindo mais e mais, ela queria desculpar o garoto, queria abraçá-lo, beijá-lo, porém não queria cometer erros, não queria sofrer que nem estava sofrendo.
Jaime olhava diretamente para a garota confuso com o que estava presenciando, para ele, aquilo tudo era uma experiência nova, ele nunca havia brigado com uma garota, principalmente por algo tão sentimental. Ele queria pedir desculpas, o medo dele era de suas desculpas serem negadas, serem humilhadas.
Ambos compartilhavam de um mesmo sentimento, que não era o amor, era na verdade, o medo.
– Não vai dizer mais nada? — Perguntou e ela desviou-lhe o olhar — Eu disse que mudei por você, o que vai falar sobre isso?
– Eu... Eu... — Ela começou a chorar mais, porém suspirou e resolveu falar — Eu nunca pedi para mudar por mim, Jaime...
Aquilo para o garoto foi como uma pontada dolorosa no peito, ele queria chorar, mas para ele isso seria gay demais. Porém, mesmo sendo gay demais para ele, ele chorou, chorou não pelo que tinha escutado e sim, pelo que ele não poderia escutar.
– Entendo... — Jaime virou de costas e olhou de lado para Maria — Obrigado...
A garota olhou mais confusa ainda para ele, queria saber o porque do agradecimento do garoto.
– Obrigado... — Ele continuou — Obrigado por não me deixar iludir. Obrigado por eu não ter levado essa paixão à níveis extremos! — Gritou a última parte.
O garoto correu como nunca havia corrido na vida, porém não foi para a sala, ele foi até um local onde ele sabia que iam ajudá-lo. Ele foi falar com Firmino.
Maria levantou e voltou para a sala de aula, ao entrar foi abraçada pelas suas amigas, porém em especial, o abraço de Margarida e de Marcelina foi o que mais durou.
– Professora, eu poderia por favor, ir embora daqui? — Maria perguntou pondo-se a chorar a novamente.
– Pode sim, querida, mas primeiro quero que me conte o motivo dessas lágrimas. — A professora foi e abraçou Maria Joaquina.
– Apenas deixe-me ir, por favor... — A garota pediu e a professora a liberou.
Jaime e Firmino conversavam, Jaime contou para o Firmino e Graça (que estava junto do senhor), tudo o que ele e Maria passaram juntos, o velho senhor e a faxineira surpreenderam-se por ouvir aquilo de Jaime.
– Então, nosso querido gordinho está apaixonado? — Firmino falou sorridente.
– Olha só, nosso bixin tá crescendo! — Graça falou e abraçou Jaime.
Jaime afastou-se dos dois e foi até a janela da pequena moradia de Firmino, encostou-se lá e abaixou a cabeça.
– Você tem certeza dos seus sentimentos, Jaime? — Firmino perguntou diretamente.
– Não engane a si mesmo garoto. — Graça falou indo até Jaime, porém recuou um pouco.
Jaime olhou para frente e uma lágrima caiu de seu rosto, o garoto olhou para Graça e para Firmino.
– Sim, eu tenho certeza do que eu sinto, não estou enganando ninguém, nem a mim mesmo... — Falou sinceramente.
– Então? — Firmino e Graça perguntaram juntos.
– Então que... — Jaime falou e virou-se para a janela novamente — Eu a amo... Amo mesmo...
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Enquanto o clima ruim reinava na escola, o colega sumido andava sem rumo por aí, apenas tendo como companheira, sua voz da consciência.
– Ei garoto! Chega aqui com a gente, vem ficar na brisa, parece meio acabado não acha? — Um homem com um casaco preto que cobria seu rosto chamou Paulo que olhou curioso.
– Negue se for esperto, aceite se for idiota... — o Paulo do 3° ano aparecia em frente ao Paulo atual que olhou para si mesmo no passado.
– Porque eu escutaria um fantasma da minha cabeça? — Paulo falou e passou reto por si mesmo.
– Porque eu quero te ajudar, isso é o que eu quero desde o começo! — A voz voltava pra cabeça de Paulo que estava irritando-se.
– Me deixa em paz, mas que porra! — Paulo gritou e o outro cara olhou furioso.
– Como é que é moleque? Vai aprender a respeitar seus superiores! — O cara foi pra cima de Paulo e bateu nele, o mesmo levantou-se com muito sangue escorrendo de seus lábios atualmente estourados.
Paulo continuou andando cambaleando, em todo lugar que ele passava algo de ruim acontecia, tudo porque ele não queria escutar a voz que só queria ajudá-lo.
– Você não vai resistir por muito tempo, para pra descansar em algum lugar. — A voz falou e Paulo resmungou nervoso.
A noite foi chegando, as estrelas brilhavam fortemente no céu o que obrigaria Paulo a procurar algum lugar para poder passar a noite. Ou era o que a consciência dele queria que ele fizesse, porém...
– Eu não preciso dormir, eu sou forte o suficiente pra aguentar a noite acordado! — Paulo falou com dificuldade.
– Não! Eu estou mandando! Não é mais um pedido de amigo, é uma ordem! — A voz gritou, Paulo apenas resmungou e continuou andando. — Escute-me! Isso está errado, tá na hora de parar com isso! Volta pra casa, já deu tempo o suficiente pra pensar no que é certo! Não acha?
– Eu que irei saber quando der o tempo certo... — Paulo falou.
Paulo continuou andando até pisar em uma pedra e perder o equilíbrio, o garoto caiu no chão cansado.
– Ei, não durma aí! — A voz gritou nervosa — E-espera... Eu estou desaparecendo do subconsciente dele... Isso não significa que...
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– Paulo! — Valéria acordou assustada com mais um pesadelo.
A garota foi até o relógio e viu o horário que nele marcava, eram 20:27, ainda era cedo, porém para ela, dormir era a melhor maneira de escapar das dúvidas que ela tinha.
– O que está acontecendo comigo? Esse pesadelo com o Paulo, será que algo de ruim aconteceu com ele? — Valéria falou preocupada com o colega — P-porque eu estou... Me preocupando com o Paulo, tá de brincadeira né cérebro, só pode.
A garota então voltou para a cama e pôs-se a dormir novamente, dessa vez ela dormiria com um peso na consciência, o peso de ter dormido, ao invés de ter ajudado.
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– Não pode ser! Paulo acorda, eu... Eu não posso estar sumindo! — A voz da consciência gritava desesperado, só que sem a resposta do único que podia lhe ouvir, Paulo.
Paulo estava caído no chão com a barriga pra baixo, sangue escorrendo de sua boca, olhos cansados e perto de fecharem.
O Paulo do 3° ano apareceu na frente do garoto, também estava fraco apesar de ser algo que existia apenas na mente do Paulo. Aos poucos, o pequeno Paulo foi se apagando, porém...
– Você não vai morrer Paulo, você mesmo disse que é forte... Resista... — O pequeno Paulo sumiu por completo, deixando apenas o seu corpo atual no chão.
Seu batimento cessa, sua determinação se esvaece, Paulo estava perante a morte, e o pior é que, nesse momento crítico, quem o ajudaria?
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