P.O.V. Jared.

Ela ainda estava fraca, desorientada.

—Sinto muito por ter arruinado nosso jantar.

Sil tentou se levantar, mas caiu.

—Não consigo me levantar. Sempre que tento minha cabeça gira.

—O que é isso? O que foi isso?

Perguntou Thomas

—Fusão.

Eu me aproximei, o pai dela também. Nós dois nos oferecemos para ajudá-la.

—Desculpe pai, mas super-velocidade não vai me fazer bem agora.

—Bota o braço no meu pescoço.

Sil passou o braço ao redor do meu pescoço, passei meus braços por baixo de suas pernas e a carreguei como se fosse uma noiva.

—Obrigado.

Ela era pequena comparado á mim, era relativamente pesada. Acho que mais pesada pra mim do que para o pai dela.

—O garoto não vai conseguir carregá-la daqui até a Mansão. E mesmo se conseguir, vai nos atrasar.

—Dimitre!

—Posso colocá-la no carro e levá-la.

—Certo.

Disse o pai dela olhando feio pra mim.

Coloquei-a na minha S.U.V. e dirigi até a mansão. A casa era a mesma, grande, com colunas gregas na fachada, coríntias, um belo jardim que agora quase não podia ver. Os enormes portões de ferro, todos trabalhados. Que se abriram para que pudesse passar.

—Vamos lá, Cinderela.

—Se sou a Cinderela, isso faria de você meu Príncipe?

Tive que carregá-la para dentro e eu a coloquei no sofá de couro macio. A sala era decorada com vasos antigos, artefatos históricos que imagino sejam todos autênticos e de valor inestimável. Vasos da dinastia Ming, relógios, lampiões.

Os móveis eram de madeira entalhada, quadros pendurados nas paredes e num deles estavam os familiares de Sil. Seu pai, sua tia e os outros.

—E quem são esses três?

—Aro, Marcus e Caius. Devemos a eles nossas vidas.

—Sua casa é como uma capsula do tempo.

Haviam fotografias também. IO, Alec, Jane, Dimitre, o outro o grandão e um bebê que imaginei ser a Sil.

Sil criança e adulta.

—Sem querer ser rude, mas... quantos anos você tem?

—Novecentos e dois.

Disse a garota baixinha e loira.

—Você e a sua mania de comemorar aniversários, irmã.

—Nem se atreva a reclamar. Se não fosse pela minha mania de comemorar o nosso aniversário, você jamais teria conhecido a IO e Sil jamais teria nascido.

—Tem razão.

—Eu geralmente tenho. Sou Jane á propósito.

—Jared.

—Oh, que pena.

—Porque?

—Ele é filho da professora de música. O que Sil acha bonitinho.

—Ela me acha bonitinho?

—Ela te acha... como é mesmo a gíria?

Ela pensou como se procurasse o termo.

—Gato. Isso. Gato.

—Bom saber.

Ouvi um rosnado gutural. E dois olhos pretos miraram em mim como adagas afiadas.

—Seus olhos não eram vermelhos?

—Ficam pretos quando ele está com raiva ou com sede. Tenha calma, meu querido.

Disse a mulher loira de olhos azuis fazendo carinho no braço do vampiro.

—Olha, eu nunca, nunca desrespeitaria a Sil ou qualquer outra garota. Não sou assim.

—Porque não vai lá fora tomar um pouquinho de ar?

Disse IO. Aquilo não foi um pedido, foi uma ordem gentil. A qual o vampiro felizmente acatou.

—Felix, por favor, leve a Sil para o quarto dela. Se ela dormir ai vai ficar ainda mais dolorida.

—Sim senhora.

O grandão a carregou para cima numa fração de segundo.

—Acho que o seu marido me quer morto.

Ela riu.

—É complicado para ele. Ele é duma outra era, é o pai dela. As coisas eram diferentes naquela época. E os gêmeos tiveram um começo difícil, consegue se imaginar sendo queimado numa estaca, menino?

—Não. Não.

—Alec e eu tivemos vidas de certa forma semelhantes. Perdemos nossas famílias muito cedo, tivemos nossa inocência roubada, fomos forçados a fazer coisas das quais não nos orgulhamos para sobreviver. Nós queremos o que é melhor para nossa filha. Juramos protegê-la, dar a ela algo melhor. Vai ficar ai plantado? Sente-se. Eu ao contrário do meu marido não mordo.

Me sentei e falei:

—Falei sério quando disse que nunca desrespeitaria a Sil.

—Eu sei. Mas, antes de qualquer coisa deve saber onde está se metendo.

—E onde estou me metendo?

—Quando Sil era criança nós a mandamos para uma escola especial onde ela pôde ser ensinada a controlar os seus dons, nós a ensinamos disciplina, compaixão entre outras coisas. Porém, não se engane nós somos criaturas predatórias e Sil é a Predadora Alfa. Fiz o meu melhor para impedi-la de abraçar os seus impulsos mais sombrios, mas somos criaturas predatórias. Todas as três espécies as quais a minha filha pertence são. Vampiros são atraídos pela matança, pelo cheiro de sangue. Isos tendem a ser pacíficos porém quando acuados ou assustados, quando nos sentimos ameaçados acontece o que viu lá no restaurante. E bruxas? Podem ser servas da natureza, mantedoras do equilíbrio, mas quando provocadas são responsáveis por algumas das maiores atrocidades da história.

—Como Salém?

—Salém foi um erro. Mas, você tem que compreender que não é seguro para você estar aqui. Esse não é o seu mundo. Pode parecer fascinante para um mundano. Oh, vampiros como são bonitos, imortais, poderosos. Porém letais. Bruxas, são mágicas, belas, poderosas... porém letais. Minha filha não é uma má pessoa e nem o meu marido ou eu. Mas, a vontade de matar, de voar no seu pescoço e drená-lo até a morte. Existe para eles. É real. É uma necessidade física. E acredite é quase impossível resistir ao imperativo biológico.

—Espera, você disse três espécies?

—Sim. Ela é unica do seu tipo. Filha de uma Princesa alienígena e um vampiro. Neta de uma bruxa. Ela é uma híbrida de três criaturas diferentes. Sil é A Tri-híbrida. Suas emoções são ampliadas duma maneira que... você menino nem pode imaginar. Como vampira, eles experimentam os sentimentos, as sensações dum jeito que nem eu entendo. A raiva, se torna fúria, a tristeza, é desespero, a culpa... porém quando eles amam... garoto eles amam. É uma espécie de... é Devoção.

Chocante.

—Você tem que entender os riscos desta sua situação. Eu sei que minha filha te ama, porém... se ela perder o controle, se ela te matar... você a leva para o túmulo com você. Ou pior. Ela vai para as trevas.