Mundos Colidindo
15 Uma pessoa complicada
P.O.V. Jared.
Eu fiz pesquisa e era verdade. Achei um diário, o diário do Edward Howe e nele dizia o quanto ele estava desesperado, que a esposa teria um filho e quando chegou a hora ela estava morrendo e a parteira não conseguia resolver, então ele apelou para a bruxa do vilarejo. Genevieve Levesque que salvou a mulher e o filho dele, Jonathan.
Ela estava sentada no refeitório.
—Você tinha razão.
—Olá pra você também.
—Você estava certa sobre o bebê e sobre tudo. Sua vó era Genevieve Levesque?
—Era.
—Aqui. O diário de Edward Howe. Ele confessou que deu a paulada na cabeça da sua vó como um ato de misericórdia para que ela não tivesse que ver seus filhos morrerem.
—Porque não, intervir e tentar salvá-los se ele podia simplesmente matá-la. E depois nós é que somos os monstros. Mas, se quer mesmo saber, Edward Howe morreu de um jeito terrível. Minha tia Jane, tem um poder especial que por acaso eu também tenho. Ela faz a vítima acreditar que está sentindo a pior e mais excruciante das dores e foi o que ela fez com Edward. O fez implorar para morrer e ai ela o matou. Drenou-o. Foi assim que a rixa começou.
—Rixa?
—Um favor aqui, um mal entendido aqui, outro acolá e pronto. Está estabelecida uma rixa entre famílias que perdura á séculos. Howe vs Volturi. É como Van Helsing vs Drácula.
—As antiguidades. Armas antigas, bestas, rifles, etc.
Á algum tempo minha mãe e eu reviramos o porão e achamos um monte de armas e livros antigos, escritos numa variedade de línguas e todos eles falavam sobre...
—Vampiros. Minha mãe queria vender, mas eu não deixei. Sou amante de história e não venderia nada daquilo nem por todo o dinheiro do mundo.
Agora parando pra pensar eu associei as "fantasias" da festa de Halloween direto com as coisas escritas nos livros.
—Você realmente não sabia?
—Não. Mas você sabia. E ainda assim salvou eu e a Bev.
—O que posso dizer? Tenho dois corações tão grandes.
—Dois corações?
—Como minha mãe. Eu fui nomeada Sil por causa do filme A Experiência, sim. Mas, não pelos motivos que as pessoas pensam. A minha mãe... o nome dela é IO. Ela é a resposta para... estamos sozinhos no universo?
—Sua mãe é uma alienígena?
—Com dois corações. É. Ela nasceu num planeta chamado Astória, mas houve um ataque de um outro povo, Morganianos.
—As coisas que você matou na festa.
—Sim. Eles eram os vizinhos, mas meu avô materno não era apenas o Rei de Astória, ele era cientista. Criou as câmaras de gênese, leitor de código raiz, os discos, mas também criou armas. E os Morganianos sabiam que naquele dia em específico... era um feriado, um dia sagrado portanto a maioria dos guardas estaria desarmado. Eles invadiram Astória, massacraram cada homem, mulher e criança, destruíram as câmaras de gênese com os fetos dentro. O General tirou a minha mãe e avós da linha de fogo, os escoltou até o templo, abriu um portal, mas os Morganianos invadiram o templo mataram meus avós e só a minha mãe sobreviveu.
—Uau! Então ela é ou era a última.
—Não exatamente. Meu avô tinha um salvo contudo, ele embutiu o código raiz de cada ISO, cada cidadão de Astória dentro do código raiz da minha mãe. Então, cada ISO que os Morganianos mataram, eles não mataram realmente. Já que meu avô escondeu o material genético deles mesclando-os com as células e o material genético da minha mãe. Assim ela poderia se reproduzir e ter milhões de bebês híbridos! E os bebês híbridos poderiam fazer o mesmo.
—Uau!
—Ele fez para salvar o nosso povo.
—Essa parte eu saquei.
P.O.V. Sil.
Senti-o pegar a minha mão e depois, me abraçar.
—Não se preocupe, não é o primeiro mortal a se apaixonar por um monstro e nem vai ser o último.
—Ah, cale a boca.
Disse fazendo carinho no meu cabelo e senti os lábios dele nos meus e sua língua invadiu a minha boca, foi esquisito. E aquele momento estranho, porém bom foi interrompido por um miado que eu conhecia muito bem.
—Um gato?
—Não um gato. O meu gato. O que foi seu Flerken maluco?
Quando li a mente dele eu não acreditei.
—Ah, Jabber! A mamãe vai ficar pistola!
—O que tá acontecendo?
—É melhor eu ir. Tenho uma situação em casa pra resolver.
—Posso ajudar?
—Quer saber, agora que você já sabe quase tudo. Pode. E você, sua criaturinha sem vergonha, vem comigo.
P.O.V. Jered.
Ela pegou o gato e fomos até o estacionamento. Sil enfiou o gato dentro do carro, eu entrei e ela saiu cantando pneu.
—Você não deveria dirigir tão rápido.
—Ok. Isso vai parecer exatamente igual ao filme, mas eles não são meus.
Me vi de volta á mansão só que menos mal assombrada. Sil abriu a porta traseira do carro e o gato pulou elegantemente pra fora.
Antes de abrir a porta ela falou:
—Não toque neles e tente não pisar em nenhum. Se pisar ele vai ficar... bravo.
Quando a porta abriu... eu vi a mansão inteira, lotada de ovos cor de rosa.
—Você...
—Eles não são meus. São do Jabber. O Jabber não é um gato, ele é um Flerken, uma forma de vida diferente que também veio de Astória. É um animal metamorfo. Em sua forma Original ele parece, mais ou menos.... com... isso.
Disse me estendendo o livro Alice Através do Espelho de Lewis Carroll onde havia a figura do Jabberwocky.
—Por isso minha mãe o batizou de Jabber. Mas, ele é ele/ela. É hermafrodita.
—Seu gato é um alienígena e você também. Seu gato botou todos esses ovos?
—Sim. Vai levar umas duas horas para estarmos cercados de bebês Flerken, considerando que ele botou faz quase um dia.

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