Mundos Colidindo
11 Sil Volturi a Tri-híbrida
Notas iniciais
P.O.V. Sil.
Meus pais me protegeram de tudo, o máximo de tempo que deu. Mas, é hora de eu ir para o mundo. Primeiro dia na Faculdade.
Fui educada em casa e assim como os estudos de magia e controle, também tinha as matérias regulares. Escolhi estudar á noite graças á minha alta sensibilidade á claridade.
—Lembre se de...
—Manter a marca de nascença de ISO coberta. Eu sei.
—Mostre isso para a professora caso ela peça para você tirar os óculos.
—Ok.
—Own, o meu bebê cresceu. Boa sorte, qualquer coisa ligue.
—Certo.
Entrei no quarto e dirigi até a Universidade de Cambridge. Já havíamos nos mudado a um mês. Um dos problemas de ter uma família de vampiros é que temos que nos mudar muito, assim as pessoas não percebem que não envelhecemos.
Assim que eu entrei pela porta, todos encararam. Pensam que eu sou cega. Os longos corredores de pedra do prédio centenário cheios de alunos pensando coisas diferentes, ouvindo música com seus fones de ouvido.
Fui até a sala onde o professor daria á aula já de posse do meu horário e com meu material em mãos. Abri o livro e comecei a ler.
—Com licença, mas se você é cega porque seu livro não está em braile?
—Porque eu não sou cega, senhorita. Só tenho uma mutação na íris e na retina. Devido á mutação sou mais sensível á claridade.
Logo a sala lotou e o professor veio usando um traje casual. Estou cursando história. O professor tem cheiro de alecrim e fast-food e apoia mais o peso no pé esquerdo do que no direito o que indica que é canhoto.
—Menina, precisa tirar os óculos.
—Na verdade não. Não preciso. Aqui. É um atestado médico, a faculdade tem laudos sobre a minha mutação, qualquer dúvida o senhor pode ir até o setor de inclusão.
Ele pegou o papel na mão e aceitou com certa relutância.
—Muito bem.
Disse me devolvendo o papel.
Enquanto ele ia falando, eu ia tomando nota.
—Alguém sabe quantas baixas houveram nesta batalha?
—Duas mil cento e seis contando os cavalos, duas mil cento e duas tirando os cavalos.
—Muito bom. Qual é o seu nome?
—É Sil. Sil Volturi.
—Sil? Que nem aquele filme onde a Alienígena doida mata todo mundo?
—Sil foi trancada num laboratório por toda a sua vida, nunca teve contato humano real. Ela foi fabricada, espetada e tratada como nada além de um experimento. Ninguém nunca deu a mínima pra ela, então porque ela deveria dar a mínima para alguém? Nenhum dos cientistas que conviveram com ela jamais a viram como uma pessoa, apenas como uma cobaia, um troféu. Então, Sil jamais desenvolveu humanidade.
—Uau!
—É um jeito interessante de se pensar.
—A única diferença entre um herói e um vilão, um ente querido a ser salvo e uma causa perdida é só quem está narrando a história. O que eu não entendo é porque os seres de outros planetas são sempre vistos como inimigo por vocês. É uma hipocrisia já que vocês, nós também somos criaturas predatórias. O eles não entendem, eles temem e o que eles temem... eles tentam destruir.
P.O.V. Professor Carlton.
Ela tem razão, os seres humanos são criaturas predatórias. Nós construímos frigoríficos, abatedouros e comemos a carne daqueles animais. Mas, a última parte da fala dela, ela se referiu aos humanos na terceira pessoa.
—O que eles não entendem, eles temem e o que eles temem... eles tentam destruir.
Havia tristeza na voz dela, decepção. Ela falou aquilo mais para si mesma do que para mim.
Então, ela tapou os ouvidos e pouco depois o sinal soou.
P.O.V. Sil.
Peguei a comida e me sentei numa mesa. Comecei a beber da minha garrafa, estava com sede.
—Se importa se a gente sentar?
—Não. Quer que eu saia?
—Não. Sabe, foi demais o que você falou na aula, sobre a alienígena.
—Os vencedores sempre contam as histórias. É uma questão de perspectiva.
As duas humanas com rosto de boneca sentadas á minha frente e os dois jovens homens. Acho que estão juntos.
—Vocês são casais?
—Eu e a Emily sim, mas Jered e a Beverly são irmãos. Porque o interesse?
—Mera curiosidade.
De repente, puff. Apagão.
—Que merda.
—Calma é só um apagão.
—Não. Não é. Agora me ouçam com atenção, quando elas aparecerem vocês vão querer correr, vão querer gritar. Não façam isso. Fiquem parados, lutem contra o instinto. Não corram e nem gritem. Porque se o fizerem, ai é que elas vão atrás mesmo.
—O que?
—Estou aqui para ajudar vocês. Eu sou o alvo. Eu sempre fui o alvo, agora abaixa!
Quando apontei a arma para a cara dele ele abaixou na hora e eu meti bala naquelas vadias.
—Caramba! O que são aquelas coisas?!
—Súcubo.
Senti quando uma delas me agarrou pela blusa.
Puxei a faca e enfiei nela. Fazendo-a me derrubar.
—Ai.
P.O.V. Jered.
Ela estava sendo carregada pela criatura alada á sei lá quantos metros do chão e quando caiu, ela não caiu, aterrissou lindamente no chão e ficou de cocoras como uma predadora se preparando para dar o bote.
—Marishka! Aleera! Verona! Estou aqui!
Ela corria, pulava, escalava tudo numa velocidade alucinante. Então a criatura a agarrou novamente, desta vez por um dos pés.
P.O.V. Sil.
Eu vou matar essa vaca.
—Você gosta de voar, Sil?
Meti a faca na Aleera e ela me atirou longe. Me preparei para a queda, mas ao invés disso, Verona me agarrou em pleno ar.
Peguei uma granada de plasma e a ativei jogando na súcubo. Ela pegou. Mais uma vez esfaqueei o seu pé e Aleera largou de mim. Bem á tempo da granada explodir.
—Aleera! Pare de provocar, Marishka! Acabe com ela!
—Que pena, que triste. Você será minha mensagem para o seu pai.
Marishka não viu a estaca prateada chegando, não até ser tarde demais. Ela tentou recuar, mas a estaca de prata atravessou bem no coração e ela virou pó.
—Aleera! Marishka!
—E ai, Verona? Quer tentar a sorte?
—Você pagará por isso! Aleera, Marishka.
A voz dela saiu chorosa. Afinal elas eram as irmãs dela.
—O que foi isso?
—Bem vindo ao submundo, professor. Bom, daqui a uns dez minutos o senhor não se lembrará de nada do que viu.
Eu abri a minha mala de viajem e chamei-o.
—Meu Deus! Isso é...
—Um grifo. Tseu tsan, Frank, Tseu tsan.
Disse passando a mão sob o queixo dele.
—Eu ia esperar até chegarmos em casa, mas preciso de sua ajuda agora.
Tirei o frasco do bolso e dei no bico dele.
—Sabe o que tem que fazer, não sabe? Vai lá garoto.
Frank criou uma tempestade e colocou as lágrimas de sereia no meio. Quando começou a chover, as propriedades obliviativas das lágrimas caíram nos mortais e eles se esqueceram do ataque das súcubo. Enquanto a poção do esquecimento fazia efeito, concertava tudo o que elas quebraram. E em minutos tudo estava de volta ao "normal" no mundo dos humanos.
Sorri. Cara, eu sou boa.
—Uau! Isso é mesmo esquisito.
—O que?
Então, percebi que tinha esquecido de recolocar os óculos. Então, coloquei de volta.
—Cara, é impressão ou eles brilham?
—Não é impressão.
—Eles são muito maneiros.
—Obrigado.
A energia voltou.
—Essa luz realmente te incomoda?
—Sim. Você tem olhos azuis, faz uma ideia de como é. Não faz?
—Um pouco sim. Mas, acho que não como você.
—Não. Como eu não.
—Então, sua mãe era fã do filme A Experiência?
—Algo assim. Qual é o seu nome?
—É Ian.
—Então, Ian, Emily e Jered. É um prazer conhecê-los. O que você cursa, Ian?
—Educação Física. E você?
—História.
—Eu faço letras.
—Licenciatura ou tradução?
—Licenciatura. O mala do meu irmão está no mesmo curso que você.
—Eu sei. Por acaso vocês celebram a noite de todos os santos aqui?
—Sim. A maior parte da população inglesa é protestante.
—Bem, então talvez vocês gostariam de ir á minha festa de Halloween.
—Claro. Vai ser legal.
—Sim. Vai sim.
P.O.V. Jered.
Tem alguma coisa que ela não está contando. Que está escondendo.
E acho que esta festa de Halloween é a chave.

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