Mundos Colidindo
17 Prova de dança
Notas iniciais
P.O.V. Katherine Howe.
Nunca vi ninguém nem parecida com ela. É um milagre, essa menina é abençoada.
Ela é uma bailarina incrivelmente talentosa. Bailarina, musicista, pianista, violinista, compositora, cantora.
—Brava! Brava! Bravíssima!
—Obrigado, senhora Howe.
—A sala de ensaio fica no fim do corredor.
—Obrigado.
P.O.V. Sil.
Estava chegando á sala de ensaios quando de longe vi as outras alunas e o mais importante de tudo. Eu vi os...
—Espelhos! Espelhos!
Voltei correndo para o outro lado e acabei trombando em alguém. Reconheci o cheiro de longe.
—Fugindo da forca?
—Não. Dos espelhos.
—Espelhos? Porque você fugiria de espelhos?
Respirei fundo.
—Meu reflexo não é como o das outras pessoas. Pode ser perturbador para um mundano ver o meu reflexo. Ele é ás vezes independente de mim e muito diferente disso que está vendo agora.
—Como assim o seu reflexo é independente de você?
—Bem assim. É uma coisa de ISO.
—Sil, está perdendo o ensaio.
—Não posso entrar naquela sala.
—Porque motivo?
—Espelhos.
—Ah, que bobagem. Vamos, não seja tímida.
P.O.V. Jered.
Minha mãe começou a arrastar a Sil enquanto esta implorava, tentava argumentar com minha mãe para que ela não fizesse aquilo. Fui atrás delas e fiquei chocado com o que vi.
Quando Sil estava diante do espelho o reflexo dela era uma coisa sombria, os cabelos, o rosto, as sobrancelhas exatamente iguais só que pretos, o reflexo dela era preto e branco. Haviam buracos fundos e negros no lugar dos olhos. Era como uma alma penada, uma assombração.
—Meu Deus! O que é isto?
—Eu. Mas, não eu. É complicado.
O estúdio de balé com as barras, o chão de madeira e é claro os espelhos. E refletido no espelho estava aquela sombra. Era como se a sombra estivesse dentro dela e ao mesmo tempo atrás dela.
—Que tipo de brincadeira é essa?
Minha mãe tocou o espelho, o reflexo. Bateu nele como se para ter certeza de que o espelho estava mesmo lá.
—Pare. Senhora Howe por favor, em nome do Criador pare.
Ela não parou e o reflexo de Sil ficou bravo com ela. Atacou-a. Fazendo-a recuar.
—O que diabos é isso?
—Espelhos tem este poder especial, eles revelam o que está oculto. Aquilo que escondemos ou que se esconde dentro de nós. Este belo rosto no espelho, sou eu por dentro. Minha parte maligna. Eu sou feia, mas pareço bonita. O reflexo do meu povo, do povo da minha mãe revela quem eles são por dentro. Sempre tive medo do meu, mas com o tempo me acostumei, aceitei. Isso que o espelho mostra é o lado ira, destruição, fome, devastação. Basicamente coisas ruins.
—Isso é impossível.
—Nada é impossível, não existe impossível. Eu sou meio bruxa, meio vampira e meio alienígena!
P.O.V. Sil.
Ela riu. É claro que ela iria achar que estou brincando. Os humanos fazem qualquer coisa para negar a existência de algo que os assusta, mesmo que este algo esteja bem diante de seus olhos, sendo esfregado na sua cara.
Oh, esqueci de mencionar. Eu mudei de forma. O fato de eu ter centenas de milhares de códigos raiz dentro de mim me permite fazer isso. É como trocar de roupa.
—Ainda não entendo como você ficou tão ruiva. Bom, mudou o tom do cabelo não é mesmo?
—É.
Negação, clássico. Quando a aula acabou uma das alunas veio me azucrinar.
—E ai esquisita. Você parece uma aberração, aquela garotinha da família de mortos vivos da TV.
—Minha família é em sua maioria composta por mortos vivos. Mortos vivos que se alimentam de sangue de patricinhas metidas como você.
—Aberração.
—Talvez, mas quando uma mulher consegue ficar jovem e bela para sempre e tem tanto poder quanto eu tenho? O mundo é dela. Sua juventude vai acabar em uns dez anos, talvez? E baseado no tanto de cosméticos que você coloca na cara todo dia, sua pele vai sofrer danos permanentes e você vai precisar de quilos de maquiagem para cobrir os danos o que vai causar mais danos. Sua pele vai parecer com a de uma mulher de sessenta anos quando chegar aos quarenta. Adeus garota de plástico.
Acenei para ela e suas acéclas pouco antes de sair. Com um sorriso cruel no rosto.
—Uau! Aquilo foi cruel.
—Foi a verdade.
—Meu nome é Thomas.
—Sil.
—O que?
—Meu nome é Sil.
Disse soltando o cabelo do coque ou a minha cabeça iria começar a doer.
—Seus pais são fãs de ficção científica então?
—Algo assim.
—Nossa, como você é fria.
—É que leva um tempo para eu ficar inteira de novo depois que olho no espelho.
—Você estuda o que?
Olhei para aquele ser humano burro como se perguntasse:
Sério?
—Certo é bailarina. Música então.
Comecei a me sentir irritada, mas também a sentir o calor voltando. Eu e minha sombra estávamos nos fundindo de novo. Então voltei a sentir.
—Ufa. Estou completa de novo. Que tal sairmos para comer alguma coisa daqui a uma hora?
—Porque daqui a uma hora?
—Porque eu tenho um compromisso agora, mas se você não quiser... eu vou entender.
—Não, claro.
—Ótimo. Te encontro aqui em uma hora?
—Claro. Posso ter o seu telefone?
Escrevi no celular dele e sai. Ele nem percebeu.
P.O.V. Thomas.
Ela me passou o contato dela e quando me voltei para ela... ela tinha sumido.
—O que? Sil? Olá? Eu ein.
—Com licença, estou procurando uma pessoa. Uma garota. Cabelo ruivo, pele pálida. O nome dela é Sil.
—Bom, ela acaba de sumir. Sou Thomas á propósito.
—Jered.
P.O.V. Sil.
Ouvir a frequência de rádio da polícia é uma boa forma de conseguir presas. Desta vez, será um banquete. Uma quadrilha inteira. Os policias estão do lado de fora, mas as câmeras de segurança estão desligadas. Presas fáceis.
Depois de forçá-los a liberar todos os reféns e a me seguirem para um local bem afastado e bem desolado.
—Ai, valeu. Mas, não dava para ter trazido a gente para um lugar melhor? Tá o maior breu.
—Não há lugar melhor que esse. É hora do jantar.
Meus olhos mudaram de cor, de volta para o seu costumeiro azul brilhante e gelado. Os mundanos atiraram em mim, mas eu não senti nada.
—Que é isso mano?
—Quanto mais cruel o homem, mais doce é o sangue. Sabiam?
Eu os persegui, os acuei, matei um por um. Deixei o líder que abandonou seus homens para a morte por último. Deixei-o pensar que havia se safado.
Quando ele me viu gritou como uma menininha.
—Bo!
Enfiei minhas presas no pescoço dele e o drenei até que caísse morto. Então arrastei os corpos, empilhando-os.
—Não entendo porque os mundanos ainda fazem velórios. Na época em que não havia medicina avançada papai contou que era para se certificar de que o defunto estava mesmo morto, mas agora? É meio insignificante.
Sorri para os cadáveres. Fiz o mundo ser um lugar melhor e saciei a minha fúria assassina e minha sede. Temporariamente.
—Incendea.
A pilha de corpos logo virou uma fogueira.
—Bom, se não estavam mortos... agora estão.
Sai correndo antes que alguém notasse a fumaça. Fui para casa, troquei de roupa, um vestido preto de mangas longas, porém curto. Uma sandália de tiras finas preta com um salto quadrado e uma maquiagem leve.
—Onde vai toda arrumada desse jeito?
—Convidei um cara pra jantar e ele disse sim. Como amigos.
—Sil, olhe pra mim.
—Estou bem?
—Estou preocupada com você querida. Isso não é você.
—Sim. É sim.
—Não. Ficou diante do espelho não ficou?
—Eu vi a sombra. E dai? Bem, tenho que ir. Não posso deixar meu amigo esperando.
P.O.V. IO.
Isso não é bom. A sombra, o lado negro de Sil a está dominando. A fusão não deu certo.
—Alec! Alec!
—O que? Eu posso te ouvir a quilômetros, lembra?
—Isso é irrelevante. Alec, Sil se viu no espelho. A sombra se separou dela.
—E?
—E? A fusão não deu certo. Alec, o lado negro de Sil a está consumindo. Temos que parar a fusão, colocá-la novamente diante do mesmo espelho onde viu a sombra pela primeira vez e repetir o processo.
—E se não fizermos isso?
—Nossa filha não vai existir mais. Será apenas trevas, escuridão e morte.

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