Mundos Colidindo
1 Capítulo 1: Aniversário
Notas iniciais
P.O.V. Alec.
Apesar do que as pessoas pensam de nós, nem somos assim tão ruins. Veja o claro exemplo da minha irmã, Jane.
A torturadora mais cruel que conheço, mas ainda assim ela é como um molusco. Por fora a casca é impenetrável, mas por dentro... ela é frágil e mole.
Hoje é vinte e três de outubro. Ela tem mais de mil anos, mas sempre insiste em comemorar seu aniversário.
—Está pronta irmã?
—Estou. Olhe para você, parece tão... humano.
—Estas lentes realmente incomodam.
—Ah, não seja rabugento. É só uma vez ao ano.
Nós fomos a boate favorita de Jane. Estávamos nos distraindo, tomando bloody maries, com sangue de verdade. Quando um cheiro maravilhoso nos atinge.
—Eu sou a aniversariante. Seja quem for, é meu.
Seguimos o cheiro até uma garota sentada no bar, dois assentos a nossa frente.
—Olá senhorita.
Ela tinha os olhos azuis mais lindos que já vi, o cabelo era loiro todo encaracolado.
De repente, ela virou uma dose de tequila, olhou para mim e disse:
—Então, porque não pulamos a parte em que você finge que está interessado e vamos direto para a parte onde eu acabo com a sua raça.
—Sabe, não vai conseguir um namorado desse jeito.
—Fazemos assim então, você e os seus amigos me encontram lá fora. Estarei esperando ansiosamente.
Ela se levantou e saiu.
—Conseguiu espantar a minha refeição?
—Ela disse que nos esperaria lá fora. Irmã.
P.O.V. Desconhecida.
Comecei a preparar as armas. Enfiando a munição de plasma dentro delas, montei, engatilhei e eles chegaram.
—Vocês quatro, contra mim? Não me parece uma luta justa.
—Está certa.
—É claro que... merda eles me acharam. Bom, parece que vocês vão ter concorrência.
P.O.V. Jane.
Aquelas criaturas horrorosas cheias de tatuagens e armadas até os dentes vieram e ela matou todas elas com um disparo e umas facadas. E as coisas viraram poeira.
—O que é isso? Como você fez aquilo?
—Sabe, o seu amiguinho tinha razão. Essa não será uma luta justa. Eu tenho a vantagem. Vadia chupadora de sangue.
Ela sumia no meio do ar, tinha aquela luz azul e puff.
—E ai? Vai logo, eu tenho mais o que fazer.
—Espera, vadia chupadora de sangue?
—Aprendi a identificar os demônios bebedores de sangue. O cabelo é mais brilhante, a pele é mais pálida, mais sedosa. Sabe, fui num culto uma vez...e tudo o que o pregador falou era merda, mas ai eu fui parar numa cidadezinha na Louisiana. E a anciã que me hospedou me disse que havia um propósito para tudo o que Deus cria. Depois que a coisa me atacou, procurei no banco de dados tudo o que eu podia sobre vocês. A maioria era besteira. Tentei estacar um e não funcionou, mas a constante é que vocês tem que beber o sangue de outros para viver. Então porque ao invés de ficarem azucrinando e matando garotas inocentes, vocês não vão azucrinar e matar maridos que espancam esposas, molestadores de crianças e esse tipo de ser humano?
Perguntou revoltada e saiu.
—Espera. Quem é você?
—Caso não tenha notado, gênio. Estou sendo caçada. A última coisa que preciso é que alguém saiba quem eu sou.
—E se eu dissesse que podemos proteger você.
—O que? Alec, do que está falando?
—Alguém que faz o que ela fez aqui... é muito valioso.
—Vai se catar. Não sou caçadora de recompensa.
—Não é ser caçadora de recompensa. É ser uma guarda.
—Uma guarda? E o que eu guardaria exatamente? O seu caixão?
—A coisa dos caixões também é mentira. Nós nunca dormimos.
—Reconfortante. Olha só, vocês estragaram a minha noite, planejavam me assassinar e conseguiram atrair os Morgs pra cá. Então vocês me devem. O mínimo que podem fazer é me fornecer um lugar para passar a noite.
—Morgs?
—As coisas feias que eu matei.
—Muito bem.

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