Mundo sem Uma Armadura I: Anjos de Gelo
1 Capítulo 1
Notas iniciais
“Então após o longo beijo, ela disse:
¾ ”
Ela disse, ela disse... Vamos Hyoga, se concentre!
Não adiantava.
Não podia imaginar o que ela poderia ter dito, assim como não podia imaginar por que raios estava escrevendo.
Desligou o computador sem salvar nada dos últimos cinco capitulo que escrevera naquela manhã.
Acendeu um cigarro e foi até a janela.
Era deplorável que, com 27 pra 28 anos de idade tivesse virado, de grande cavaleiro de Cisne, um mero escritor de arlequim para mulheres de meia idade. E cisne siberiano era agora um codinome para esconder dos amigos sua decadência.
O que diriam Camus e Cristal?
Pois sabia que Shun e Seiya diriam para ele não desistir e que Milo diria que ele estava sendo patético.
Talvez estivesse mesmo sendo.
O que diria Shiryu, seu companheiro de lutas?
O que diria Shiryu... Talvez fosse hora de visitar Rozan.
Três horas depois, lá estava ele, em Moscou, esperando o próximo avião para a China. Nunca fora tão impulsivo, pensou, nem mesmo Ikki ou Aiolia...
Abriu o terceiro maço de cigarro.
O vôo lhe pareceu demorado demais, e quando finalmente chegou, perdeu o ultimo ônibus.
Resolveu tomar um táxi e em poucos instantes lá estava ele, subindo a pé a cadeia de montanhas.
Acabara o dinheiro que deveria durar o resto do mês.
Logo que chegou avistou Shiryu trabalhando em sua pequena horta.
¾ Olá!
¾ Hyoga, é você?
¾ Sim, meu velho e cego amigo.
¾ Seja bem vindo! Entre, Shun-rey está preparando a janta. O que o traz aqui?
¾ Gostaria de dizer que foi a saudade, mas não. Foi a falta do que fazer mesmo. Também foi a necessidade de ouvir bons conselhos.
¾ Sente-se. A séculos você não fala com ninguém, o que há? Assim vai ficar pior que o Ikki.
¾ Ahã?
¾ Não soube? Ele foi demitido na segunda semana de trabalho e nem contou nada pra gente! Como o Shun descobriu é um mistério.
¾ Pra você ter uma idéia do meu estado de espírito, estou pensando em visitar a minha mãe.
¾ Ah, peloamordeDeus! O que aconteceu dessa vez?
¾ A minha vida tá um lixo! Tudo que eu escrevo é podre, tô devendo três meses de aluguel num pardieiro onde tenho direito a somente um quarto... Tenho fumado cinco maços de cigarro por dia, pô!
¾ Está bem. Agora me ouça, você tem que sair dessa. Você é um dos caras mais incríveis que eu já conheci e não são cinco maços de cigarro que vão mudar isso. 1-Pensei que já tivesse superado essa história de escritor mal sucedido. 2-Se não superou, larga esse emprego. 3-Se não mudar, já pode escrever um romance com toda essa sua “vida ruim”. Hyoga, querido, você está fora da realidade, por exemplo: Está aqui a meia hora e ainda não perguntou como estão a Shun-rey e o bebê.
¾ Cof, gasp, que, aham, que, como? Bebê?
¾ Sabe pensamos em te chamar pra padrinho, mas é melhor não. Ninguém quer pro filho um padrinho tão desligado.
¾ A Shun-rey tá grávida?
¾ Sim.
¾ Ai, Senhor. –se sentou e fechou os olhos, para no instante seguinte abri-los, levantar e acender um cigarro.
¾ 4-Largue esse cigarro, pelo menos na minha presença. –um filete de água saiu de um copo que estava na mesa de centro e foi direto no cigarro de Hyoga.
¾ Que...?
¾ Continuo praticando, sabe. Mas como ia dizendo, a quanto tempo não abre sua correspondência?
¾ A três meses, desde que começaram a barrar minhas coisas até eu pagar o aluguel.
¾ Então acho melhor pagar. O Shun tá ficando doido com você cara. Nas ultimas quatro semanas ele vem te convidando pro aniversário dele e você não responde.
¾ Putz, nove de setembro na?
¾ Depois de amanhã.
¾ Ai.
¾ Ele vai dar outra festa para só amigos íntimos, como diria ele mesmo. Reclama que não tem mais sossego desde que ficou famoso. Também, depois de se tornar o melhor apresentador de documentários da Discovery, queria o que? Seria um padrinho famoso demais.
¾ Quem me dera.
¾ Não foi por falta de insistência do Shun. Por debaixo daquelas madeixas verdes existe um teimoso nato. Ele quis te pôr de contra-regra no programa dele, assim como quis me pôr como levantador de dados e o Seiya como diretor. Ele até tentou pôr o Ikki de figurinista! Mas somos todos orgulhosos demais para aceitar.
¾ Humpf, que seja. Você vai nessa festa?
¾ Infelizmente não. –Hyoga esboçou um sorriso- E é infelizmente mesmo, por que eu queria realmente ver o Shun, o Seiya, o Ikki, a Saori, a Minu. Mas o médico disse que a Shun-rey não pode fazer viagens longas.
¾ Que conveniente...
¾ Você anda realmente impossível, acho que nem o Seiya que é nosso psicólogo de plantão da um jeito no seu caso.
¾ Quer saber, eu , eu vou na festa e vou mostrar que ainda posso brilhar.
¾ Nunca duvidamos disso.
¾ Até mais Shiryu, obrigado por tudo.
¾ Mande lembranças a Seiya e os outros. –mas ele já tinha ido- Seiya, Seiya... Amor, o que acha do Seiya ser padrinho do nosso filho? –disse ele, indo até a cozinha.
¾ Hyoga, você veio! –os olhos de Shun se encheram de lagrimas- Que bom, entre!
Entrou.
Tudo naquele lugar estava em sua devida medida e proporção, misturando o moderno com o clássico. Também, o que esperar de uma casa projetada por Shaka de Virgem?
Apesar disso, Shun não parecia muito feliz. Em suas poltronas de caro couro italiano, apenas dois convidado, Seiya e um rapaz de cabelos lilás que ele não reconheceu.
¾ Sabe, dos meus quinze amigos próximos, só três vieram. Será uma festa mais do que reservada.
¾ Tome.
¾ Pra mim? Não precisava se incomodar... É lindo! –não era uma de suas melhores esculturas no gelo, mas dava pro gasto, Shun não era muito exigente com os outros.- Veja Seiya, o que o Hyoga me deu. Vou por junto com os outros presentes.
O presente de Seiya jazia ao lado da lareira apagada, junto com uma carta de Shiryu e um livro, provavelmente dado pelo estranho.
¾ Que bom que veio Hyoga, preciso mesmo falar com você. –Shiryuuu! Pensou furioso- Mas não agora. Então Shun, conte-nos sobre seu novo programa.
¾ Ah, está fazendo muito sucesso.Chama-se Navegando pelo Cosmo, eu projetei quando estava na faculdade de Astronomia. E de pensar que devo tudo isso ao Jabu.
¾ Eu perdi algum capitulo, quer dizer, perdoem o maneirismo de escritor mais, o que o Jabu tem a ver com seus programas?
¾ Bem, –recordou Shun, divertido- na guerra galáctica ele disse que eu fazia sucesso com as garotas, que devia largar a vida de cavaleiro e ir pra tv.
¾ O que houve com o Jabu, mesmo? –perguntou Hyoga, ainda rindo.
¾ Sofreu um horrível acidente de carro mês passado. Tenho pagado o hospital para ele.
¾ O coitado nunca teve onde cair morto. Shun, que tal ouvir uma musica? –Seiya desviou o assunto, olhando feio para Hyoga.
¾ Não sei, o que acha Sorento?
¾ O clima está agradável, que tal Vivaldi?
¾ Sorento?
¾ Lembram-se do Sorento amigos?
¾ Ou General Sirene, se preferirem.
¾ Não, não. Nada de Generais e Cavaleiros, não mais.
¾ Sorento, Sorento... Ah, foi você que matou o Sigfried.
Todos congelaram. Aproveitando que Shun estava de costas, Seiya deu um tapa no braço de Hyoga.
¾ Vêsesemanca!
¾ Ei!
¾ Sabe, o aniversario dele é amanhã, então pensei em comemorarmos juntos, já que o Julian viajou com a Saori pra fundação Graad.
¾ Pois é.
¾ Ele até me convidou para is com ele pra Áustria, mas meus horários estão tão apertados, onde eu enfiei esse cd... Sorento, vem cá me ajudar.
Seiya aproveitou que os outros dois estavam ocupados para dar uma bronca em Hyoga.
¾ Quer fazer o favor de colaborar?
¾ Com o que?
¾ Não tá vendo o estado do Shun?
¾ Pra mim ele parece ótimo.
¾ Ótimo, sei. Hyoga, presta atenção! Eu devia estar na fundação com o Julian e a Saori, mas não, tô aqui dando uma força pro Shun. Andei dando uma olhada na lista de convidados dele e alem de nós aqui estavam:O Jabu, que tá em coma; o Ikki, que tá preso...
¾ Tá o que?!
¾ Preso! Ele andou metido em brigas de gangues, por isso foi demitido.. Mas ouve a lista. A Saori, que tem trabalhado mais que não sei o que por isso nãoveio; o Shiryu que não veio porque, caso não saiba, a Shun-rey tá grávida...
¾ Eu sei sim...
¾ Deixa eu continuar! Bom, resumindo, o resto da lista são Mu, Aldebaran, Saga, Aiolia, Shaka, Milo...
¾ Mas eles estão...
¾ Mortos, eu sei. Mas o Shun não consegue aceitar isso. Ele age como se a culpa fosse dele, pelo incidente com Hades.
¾ Isso é ridículo!
¾ Assim como era ridículo você quer resgatar sua mãe daquele navio, mas nós nunca questionamos isso. Seja menos egoísta! O Shun sempre foi sensível e com o passar dos anos e a distancia dos amigos, porque antes que você me interrompa nós nos distanciamos sim, as mortes no passado dele foram pesando mais e mais.
¾ Ele tá é precisando ver a June.
¾ Ele brigou com a June, Hyoga.
¾ Por que?
¾ Porque ela disse que você é um escritor medíocre.
Hyoga se calou.
Não era possível que as coisas tivessem chegou a esse ponto e ele não tivesse visto nada.
Não tinha contato com ninguém desde que Jacob passara no colegial, mas também não era pra tanto.
Shun brigara com June por sua causa!
Shiryu ia ser pai!
Ikki estava preso!
¾ Achei! Obrigado, Sorento.
¾ Por nada.
O flautista ajudou o outro a se levantar enquanto Seiya servia o vinho em algumas taças.
Hyoga se segurava para não acender um cigarro. Não na frente de Shun, pensou.
A noite seguiu tranqüila, conversas amenas e brindes por anos melhores.
Um bolo, uma vela, um pedido.
¾ O que pediu? –perguntou o sereno Sorento.
¾ Que Ikki seja liberado. Ele não deixou eu pagar a fiança... –as lagrimas do rapaz se misturaram ao vinho.
¾ Vai ficar tudo bem, você vai ver. –disse o outro, já arrependido da pergunta.
¾ É isso aí! –concordaram os outros dois.
O resto da festa se passou sem maiores incidentes.
Quando Seiya foi embora, Hyoga teve a oportunidade de conhecer melhor o flautista, todos conversaram muito sobre literatura, musica, tecnologia.
A única palavra que não se mencionou foi passado.
Quando, na sexta taça de vinho, Shun perguntou.
¾ Ei, Hyoga, já que eu não posso ir pra Áustria com o Sorento, por que não vai você?
¾ Se ele quiser...
¾ Apreciaria muito a sua companhia.
¾ Então vou. Não tenho mais o que fazer mesmo, minha vida é um lixo.
¾ Você vai ver que não é verdade. E se for, vou mudar isso.
As palavras do rapaz de cabelos lilases fixaram-se na mente de Hyoga.
¾ Obrigado por me acompanhar.
¾ De nada. Feliz aniversario.
Sorento sorriu.
Hyoga era uma companhia agradável, era culto, atencioso. A única coisa que o incomodava era aquela frieza.
O russo descobriu que Sorento estava fazendo 31 anos, que apreciava Shakespeare, era musico desde os dez anos, que dirigia uma orquestra.
A qual era formada por africanos carentes. Uma alma idealista e caridosa, pensou.
Já o musico não descobriu muito sobre o companheiro de viagem, a não ser que ele era russo (loiro, de olhos azuis, sotaque... óbvio) e escritor.
¾ Chegamos.
¾ Bem, vamos ficar na minha casa, depois vou te mostrar as belezas da Áustria.Talvez possamos ver uma orquestra tocar e eu poderei ler alguns de seus livros.
¾ Melhor não.
¾ O que?
¾ É melhor que não leia meus livros. Sou o que chamam de analfabeto funcional que virou escritor, até um macaco escreve melhor que eu... –mas Sorento pôs a mão nos lábios de Hyoga.
¾ Não sabe o que está dizendo. Vamos, ou perderemos o táxi.
¾ Não tenho dinheiro. –se apressou em dizer.
¾ Não se preocupe com isso.
A paisagem de Viena era realmente linda, com toda aquela neve, e Hyoga se sentia confortável com aquele clima.
Só não se sentia confortável diante da enorme mansão de Sorento.
Era patético, na presença de um antigo inimigo ele era só um mágico falido. O sonho acabou, se repetiu, pela milésima vez.
¾ Entre!
¾ Eu...
¾ Para você não deve ser problema Cisne, mas estamos no meio de uma nevasca e aqui dentro tem aquecimento central. –após ficar um pouco alarmado com o nome pelo qual fora chamado, entrou.- Escolha um quarto, por aqui tem muitos, e como pode ver, eu não venho muito aqui... – a mansão estava descaradamente abandonada, em petição de miséria.- Sinto lhe dizer que com a nevasca não poderemos sair, pelo menos eu não, e tudo que posso oferecer é uma lareira e chocolate quente.
¾ Aceito. –disse, sorrindo.
Quando Sorento saiu para arrumar o chocolate Hyoga começou a observar o local. Tudo lá era grande, vazio e triste.
Hyoga percebera pelas conversas que Sorento não tinha muitos amigos e trabalhava muito, quase um workaholic.
Como eu..., pensou, A diferença é que o que ele faz funciona.
¾ Então, vamos, fale um pouco mais de si.
¾ Não há o que falar. Sou órfão porque minha mãe morreu num naufrágio. A minha família mais próxima, meus mestres Camus e Cristal, também estão mortos. Minha carreira de escritor há muito foi para o espaço.
¾ E não há o que falar?!
¾ Desculpe se me empolguei.
¾ Hyoga, por que está tão triste? Não há mal em se abrir com alguém.
¾ ...
¾ Vamos, pare de encarar essa xícara e me fale.
¾ Eu não me encaixo na sociedade, não sei o que fazer desde que Atena deixou Saori e a Terra. E se tentava dizer isso aos outros eles diziam “a vida continua Hyoga”, me achavam egoísta. Ontem descobri que Ikki não estabilizou em um emprego por mais de um mês faz cinco anos, que por trás do sucesso profissional o Shun está em um processo de depressão... O Seiya e o Shiryu só não enlouquecem porque têm a Saori e a Shun-rey. Mas eu... Eu não tenho ninguém e estive sendo realmente egoísta nos últimos anos. Aha, como pude ser tão cego? Por que os deixei para trás?
¾ Não, não chore. Cada um está recebendo a carga que podem suportar, tinham que passar por isso para superar. E você não está mais sozinho, tem a mim.
Sorento estava realmente com pena do cavaleiro, e o abraçou.
Hyoga se sentiu reconfortado, protegido...
Existia, então, no mundo alguém que o compreendia sem querer julgá-lo.
¾ Me fale sobre o seu trabalho. –disse o Marina, acariciando os cabelos do loiro como se confortasse uma criança que tivera um pesadelo.
¾ É uma das minhas maiores decepções. Tentei embarcar rápido no mundo das letras, e aprendi que o caminho mais rápido nem sempre é o mais fácil. Fiz sucesso nos dois primeiros anos, tanto quanto um escritor de banca de jornal pode fazer. Hoje não posso mais escrever, sinto como se nunca tivesse podido.
¾ Ninguém pode ser tão ruim assim. –disse Sorento, deixando Hyoga para se servir de mais chocolate quente- Não subestime um livro por ele não estar na pagina de best-sellers do eBay. Já li coisas incríveis que nem sequer foram publicadas.
¾ Arlequim?
¾ É um gênero como outro qualquer, só que ao invés de ficção cientifica é ficção romântica. –disse o rapaz, rindo limpidamente- Pergunte, não para os seus amigos, mas para as amazonas ou algo assim. Thétis por exemplo, devia gostar.
¾ Acho que as amazonas não curtem não. –disse, pensando em June- Mas o Shun gosta.
¾ Devia levar as opiniões dele mais a sério, ele é maravilhoso!
¾ Um tanto romântico e fora da realidade, também.
¾ Um pouco de romance não faz mal a ninguém, sabia?
¾ Você é um idealista.
¾ E você um assassino.
¾ Com?
¾ De toda e qualquer esperança que possa existir no mundo. –foi a vez de Hyoga rir- Então, você sabe patinar no gelo?
¾ O que você imagina de um siberiano?
¾ É porque a nevasca passou e como já está escurecendo, seria melhor patinarmos no lago que tem aqui do que sair.
¾ Concordo.
Logo, lá estavam eles patinando. Hyoga era muito habilidoso, pelo menos bem mais do que Sorento.
Muitas voltas depois, a lua já alta...
¾ Ei, o que acha de apostarmos uma corrida?
¾ Acho melhor não. Começo a entender porque o lago de Tchaikovsky é dos Cisnes. Meu lugar é em Hamelin.
¾ Ora, não seja covarde.
¾ Não sou muito competitivo...
¾ Mas eu sou!
Hyoga começou a perseguir Sorento no gelo, o que não deu muito certo porque acabou com ele caindo de bruços em cima do flautista.
¾ Hyoga, eu...
¾ Shhh, não diga nada...
Hyoga o beijou.
Não sabia dizer o que o surpreendia mais, se era a própria atitude ou a do rapaz de madeixas lilases, que correspondeu ao beijo ardentemente.
Durante todo o tempo como cavaleiro ele flertara com muitas garotas, mas nenhuma o fazia se sentir assim.
Sorento era lindo, uma beleza quase sobre-humana, e possuía todas as qualidades que ele apreciava, inteligência, compreensão, confiança e a determinação.
A determinação que ele nunca tivera até aquele momento.
Já o Marina não quisera, não precisara, pensar. Se entregava de corpo e alma a suas ações.
Quando finalmente se separaram, suas bocas desligaram-se uma da outra e Hyoga soltou Sorento, ambos não tinham palavras.
O primeiro a romper o silencio foi o flautista.
¾ Quando era criança, sempre fazia anjos de gelo na neve. Hoje tenho um ao meu lado. –murmurou olhando o horizonte.
¾ Você se esquece...
¾ Do que? –perguntou, sem desviar o olhar do horizonte, decidido a não encarar o loiro e não se deixar levar pela resposta.
¾ De que vou embora amanhã.
¾ E será o fim? De um nós que nem sequer se iniciou? –disse, cerrando os olhos.
¾ Não quis dizer isso... –disse o cavaleiro, passando os dedos na delicada pele do Marina.
¾ O que quis dizer então? –continuou ainda sem o encarar.
¾ Não sei. Só sei que não posso me separar de você.
O segundo beijo não só era esperado como mais, ansiado. Eles ainda passaram muito tempo na sombra do lago.
No dia seguinte, Hyoga esperava o avião para Moscou.
¾ Quando disse que mudaria minha vida...
¾ Nunca poderia imaginar isso.
¾ Conseguiu. Você a mudou para sempre... –os olhos de Sorento brilharam- Nos vemos semana que vem?
¾ Parece uma eternidade.
¾ A paciência é uma virtude.
¾ Não disse que não é. É melhor fazermos isso de uma vez. –deu um ultimo beijo no loiro e se virou para ir embora- Te amo.
¾ Eu também. –o Marina já se afastava quando Hyoga se lembrou...- Sorento!
¾ Sim? –o rapaz se voltou.
¾ Que livro você deu ao Shun?
¾ Tudo Depende de Como Você Vê as Coisas.
O Marina piscou, travesso, para o cavaleiro e sumiu na multidão.
Notas finais
Mas foi uma inspiracao de momento meio doida mesmo, probabilidade zero (eu mesma acredito q eles nao sejam homo).
Aff¬¬
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