Mundo dos Demônios

1 Uma adolescente sozinha no mundo.


Notas iniciais
Escrevi essa Fic há algum tempo, como achei que não estava muito, excluí. Agora resolvi editar algumas coisas e postar de novo! Espero que gostem e tenham uma boa leitura! :3

Aquela foi mais uma noite mal dormida por causa de meus pais. Estava levando bronca na escola por dormir nas aulas e não prestar atenção. Estava cansada das brigas diárias entre meu pai e minha mãe, mas não podia interferir... Não que eu já não tivesse tentado, mas para acabar com um tapa no rosto, preferia ficar quieta no canto do meu quarto.

Acordava sempre sozinha. Ninguém vinha até minha cama com o café da manhã, ou apenas com um leite morno, me dar um beijo de bom dia e dizer que já está na hora de levantar. Botava meu uniforme, vestia meu casaco sobre ele, penteava meu cabelo, escovava os dentes, pegava minha mochila e ia a caminho da escola. Ouvia um Rock bem leve nos fones de ouvido pela caminhada. Observava as várias pessoas que passam pela rua aquela hora da manhã... Muitas eram adolescentes e crianças. Algumas, da minha escola. Algumas, acompanhadas de um amigo.

Me lembrei da época em que eu era louca para ter amigos. Amigo foi uma coisa que eu nunca tive. Sempre fui apelidada desde pequena como Sombra, Noite, ou Gótica. Dentre eles, o que era menos pior pra mim, era Gótica. Pesquisei na Internet com 10 anos, o significado disso. Me chamam de Sombra hoje em dia. Dentro da escola, fora da escola, na rua... em casa.

Chegando na escola, sentei em um banco em que ninguém estava sentado. Uma menina acompanhada de outra sentou-se logo depois de mim. Eu me levantei e fiquei em pé a uns 10 metros de distância delas. O sinal tocou, eu desligo meu celular e fui para a sala de aula, como todos os dias.

Minha rotina escolar era sempre a mesma, por sinal. Chegava na escola, ficava sozinha em um canto, entrava na sala, sempre calada. Saia da escola e voltava para casa... Sempre sozinha.

Na aula de redação a professora pediu para fazermos nossa Autobiografia. Alguém perguntou o que era aquilo. Ela explicou que era como contar nossa própria história, falar sobre nós mesmos.

Peguei a folha em branco, um lápis e comecei a escrever.

“Meu nome é Sthefania. Não sei qual o motivo de ter um nome tão incomum, mas para ser sincera, eu gosto. Meu apelido é Sombra, eu tenho 15 anos, e para não mentir, não direi que sou feliz, como fazia em minhas redações nos anos anteriores.

QUEM SOU EU? Uma Anti-social e Gótica.

Uma viajante do tempo e espaço.

Uma adolescente sozinha no mundo.

Uma garota que odeia os humanos.

Uma garota sombria.

Uma garota fantasma.

Uma adolescente... Sozinha no mundo.”

Me recusei a escrever mais do que aquilo. Enfatizei a última frase de minha redação, “Uma adolescente... Sozinha no mundo”. Essa foi realmente uma das coisas mais verdadeiras que já escrevi.

A professora corrigiu as redações ali mesmo, naquela mesma hora. Ela saiu de sala por um tempo e voltou já dando nossas notas. Tirei um 8, por escrever muito pouco, e também uma visita do diretor a minha carteira. Ele me chamou até sua sala para conversarmos e eu fui.

Odiava o diretor. Ele era alto, porém gordo. Com a voz grossa, e uma barba bem feita. Seu nome era Rodrigo. Já não tão novo mas com uma eficiência enorme no que fazia. Seu alvo geralmente era eu.

Chegando lá, ele me perguntou como se algo tivesse acontecido.

– Senhorita Sthefania, você está bem?

Fui curta e grossa. Não gostava de papo.

– Sim.

– Algum problema em sua vida?- Ele levantou as sobrancelhas ao perguntar. Eu não mexi um músculo e novamente fui curta e tão seca quanto antes.

– Não.

– Bom, não é o que vemos em sua redação! Você disse ser uma adolescente sozinha no mundo... O que quer dizer?

– Eu só estava criando uma história dramática, senhor diretor. – Menti.

Ele parou pra pensar. Não era bobo... Ele me conhecia. Para evitar conflitos, Rodrigo me dispensou. Voltei à sala de aula e terminei minha rotina escolar.

Ao fim das aulas, fui no banheiro que estava vazio. Entrei, joguei minha mochila no chão e me observei no espelho. Pele clara, olhos pretos, cabelo tingido, calada, fechada, infeliz. Eu era assim e nada me mudaria. Por um estante virei o rosto e observei minha bochecha. Lembrei-me de dois dias atrás quando cheguei em casa e vi um prato vindo em minha direção. Me abaixei a tempo, porém, tempos depois, suplicando para meus pais pararem de brigar, levei um grande tapa no rosto. Caloroso e doloroso... Não foi o primeiro e não seria o último.

Joguei um pouco de água no rosto e peguei minha mochila em seguida. Botei meu Rock novamente para tocar em meus fones e segui pra fora da escola a caminho de casa. A rua estava movimentadíssima naquele dia. Carros e mais carros corriam numa velocidade absurda. Caminhões e motos passavam sem parar pela avenida em que eu passava todos os dias. Olhei assustada para quantidade de veículos que vi em um só dia, em apenas alguns minutos. Voltei a prestar atenção no meu Rock e me desliguei totalmente daquela confusão toda.

Quando chegou na minha parte preferida da música, pensei em várias coisas boas e relaxantes e, de repente, a rua se esvaziou. Não vi o sinal verde mas mesmo assim botei o pé na faixa. Olhei para a esquerda, não vi nenhum carro. Olhei para a direita, não vi carro nenhum.

Um... Dois... Três passos.

Rua vazia do nada?

Quatro... Cinco...

Ouço um enorme estrondo e não vejo nada mais.