Notas iniciais
Boa Leitura!

Capítulo 2

O vento árido da manhã fria bate com força em meu rosto, me levantei apenas para fechar a porta da varanda que tinha esquecido, olhei para o jardim e vi alguns carros escuros não familiares parados lá e alguns homens de terno cinza andando e falando alto, olhei aquilo tentando adivinhar o que era, talvez fosse negociadores que queriam falar com Enrico, tanto faz. Fui para o banheiro e tomei um delicioso e quente banho lavando os meus cabelos que já estavam no meio das costas. Fui para o closet e coloquei uma calça jeans escura e blusa de manga comprida preta devido ao tempo maravilhosamente gelado, para acompanhar coloquei um tênis igualmente preto e penteei meus cabelos.

Desci as escadas em busca do café da manhã mas não tinha nada na mesa, olhei para avistar Constance porém ela não estava ali, estranho, quando que Constance não está na cozinha? Procurei pela casa toda mas não achei, então fui até a casa dela, que é nos fundos do jardim, bati na porta e nada dela abrir.

-Tia Constance ? A senhora está aí?

Esperei, esperei, esperei e nada, onde ela foi ? Ela nunca sai de casa! Testei a maçaneta e vi que a porta estava aberta, então fui entrando devagar.

-Tia? -Olhei para todos os lados da sala a procurando -Oh, não, não, não, não, tia ? Tia por favor, não faz isso comigo! -Falei ao ver Constance deitada no chão junto a uma poça de sangue. -Tia? Por favor olha para mim! -Falei levantando seu rosto e começando a chorar -Oh tia, me desculpe, por favor, acorda!

Oh meu Deus isso não pode estar acontecendo, não com ela, quem foi o monstro? Por que tudo acontece comigo ? Não conseguia mais me segurar, comecei a chorar muito, primeiro minha mãe e agora ela? Oh Céus! Me deitei ao lado dela chorando sem parar e a abraçando.

-Você prometeu que nunca me deixaria! Você não podia descumprir sua promessa! Eu te amo tanto que não faz ideia! -Acariciei sua face pálida e gélida.

...

Abri meus olhos com dificuldade, sempre que choro fico com muita dor na cabeça, tentei me lembrar o motivo do choro e as imagens de Constance caída no chão rapidamente passaram por minha cabeça. Forcei a memória para lembrar onde estava mas nada vinha, só lembro até o momento que dormi no chão abraçada em Constance e agora estou aqui, sem ao menos saber que quarto é esse e onde estou. Olhei para os lados procurando alguém e encontrei um par de olhos negros sentado em uma poltrona no meu lado.

-Senhorita Ravagnani... Sou Jonh Belluschi.

-Ellie, não precisa me chamar de senhorita -Embolei as palavra olhando atentamente para o homem que estava na minha frente. -Onde estou ?

-Seu pai vai conversar com você, ele te aguarda, podemos ir ? -Assenti e ele se levantou saindo do quarto.

Enrico me adotou logo depois de matar minha mãe, irônico não? Odeio aquele homem com todas minhas forças e sempre tentei fugir daquela casa mas, além de não ter para onde ir, o local era cercado de seguranças, resultado, nunca conseguia e sempre que Enrico descobria meu plano de tentar fugir me machucava ou ameaçava, então eu desisti.

-Vou deixar vocês a sós, vinte minutos apenas. -Falou o tal de Jonh me deixando entrar no quarto onde Enrico estava com a cara toda machucada, que merda está acontecendo?

-Onde estamos ?

-O que precisa saber e que Jonh Belluschi é dono da máfia americana e eu fiz merda Ellie, muita merda, trai a Cosa Nostra tentando pegar dinheiro a mais e ele descobriu, e está prestes a me matar se eu não entregar o poder da Cosa Nostra Italiana para ele.-Falou com a voz caída e fraca. -Minha herdeira é você, e eu só posso fazer isso entregando sua mão para o filho dele.

-Vou providenciar seu velório então. Porque eu nunca vou me casar, ainda mais com um babaca que provavelmente é escroto e ruim como você. -Falei dando as costas para sair da sala.

-Infelizmente Ellie, você não tem escolha e fica tranquila, qualquer dia vai gostar dessa vida.

-Eu nunca, nunca vou gostar disso! Vamos ver se não tenho escolha, vou ficar tão louca que acho difícil alguém querer casar comigo! -Falei batendo a porta e saindo do quarto correndo quando alguém segura meu braço.

-Onde vai ?

-E eu te devo satisfações agora ? Nem o conheço! -Falei puxando meu braço.

-Prazer, seu futuro sogro. -Falou sorrindo

-Nem no inferno -Soltei meu braço das mãos dele e fui descendo escada baixo.

-Pega a menina e leva para casa do Lucca, ele saberá o que fazer com ela. -Jonh fala calmamente do alto da escada e logo depois some, antes que eu possa passar pela porta, um homem me pega e me coloca no banco traseiro do carro sentando junto comigo.

-Nem pense em fazer nada ou as coisas não acabarão nada bem para você. -Falou mexendo na arma que estava em sua cintura.

Suspirei pesadamente, minha vontade de bater naquele segurança ao meu lado era enorme, a de morrer não era tanta, então decidi me controlar e ficar quieta. Fui olhando pelo vidro escuro para ver se reconhecia o local, mas não identificava nada ali e tenho certeza que nunca passei por aqui. O carro parou do lado de fora de uma linda mansão, fiquei de boca aberta ai ver o tamanho dela, dava duas da do Enrico, não tinha muros ao redor porém a quantidade de seguranças era imensa. As paredes da casa era de uma cor escura, uma cor parecida com preto, os telhados claros e inúmeras janelas ocupavam toda a extensão, na entrada da varanda um arco. O jardim era bem grande e muito verde, alguns arbustos e o chão com um mato bem reto e baixo. Olhei para janela do motorista, que estava aberta, e vi ele falando com um homem que estava dentro da guarita que logo em seguida liberou passagem.
Desci do carro sendo segurada pelo braço pelo homem que estava ao meu lado.

-Não precisa me segurar, não vou fugir! -Falei secamente.

-Só fica quieta. -Falou me puxando.

Acho incrível a habilidade das pessoas de me ignorar, elas tem prazer em fazer isso! Nunca ninguém me escuta. Só fico sendo carregada de um lugar para o outro igual uma besta... É, talvez eu seja uma, aquelas bestas das boas. Paramos na porta e um dos homens que vieram no carro tocou a campainha, não se passou cinco segundos e a porta se abriu, uma mulher atendeu com um sorriso educado no rosto.

-Seja bem vinda! — falou me olhando feliz, a ideia de tentar fugir ainda está em mente certo ? -Venha, pode deixar ela comigo agora! -Falou para os seguranças que prontamente soltaram meu braço.

Eu entrei na casa que nossa, era um sonho aquela sala, as paredes brancas com uma enorme lareira de tijolos e ao redor um sofá em L que ocupava grande parte da sala.

-Venha, o Senhor Belluschi te aguarda. -Sorriu me puxando pela escada -Que indelicadeza a minha, sou Matilda -Falou a mulher com uma rapidez impressionante e continuou me puxando por um corredor.

Paramos em frente a uma porta de madeira tabaco a qual Matilda bateu e na mesma hora ouvi uma voz grossa "Entre" e ela abriu a porta me empurrando para dentro e a fechando-a logo depois. Abaixei a cabeça por um instante mas logo depois encarei o homem que estava em minha frente e nossa! Que homem! Seus cabelos claros, um loiro escuro talvez, completamente bagunçados o que o deixava mais sexy, olhos azuis e um rosto muito bem esculpido, um terno escuro cobria seu corpo incrivelmente esportivo, nossa, não tenho adjetivos para esse homem.

-Senta. -Falou voltando os olhos para os papéis que estavam na mesa de seu escritório.

-Não me importo de ficar de pé.-Ele suspirou fundo e me olhou como se fosse me matar, e do nada me bateu uma vontade de sentar.

-Sabe que se casará comigo certo ?

-Não, um casamento é quando os dois querem e particularmente eu não quero me casar com você.

-Já deve ter percebido que eu não tenho muita paciência para brincadeiras.

-E quem disse que estou brincando? -Ele deu um longo suspiro.

-Nos casaremos em cinco dias, Matilda te ajudará com o vestido.

-Já disse que não vamos nos casar! Eu ao menos te conheço!

-Não quer que seu paizinho morra quer ?

-Quero. -Ele me fuzilou com os olhos e respirou fundo antes de falar.

-Posso resolver isso, mas você ainda se casará comigo, está liberada.

-Posso voltar para minha casa então?

-Pode ficar quieta no seu quarto!

Notas finais
Aguardo comentários!