Notas iniciais
Esta é uma história de ficção. Quaisquer cenários, diálogos, circunstâncias, personagens e demais fatores relacionados a esta obra são meramente para ilustrar o conteúdo da mesma e não possuem quaisquer relações com a vida real ou fatos reais... Ficção não é realidade, não te esqueças disto.

Fase 01 — O Homem, Zobey

... Eu não sei...

“Será que eu ainda vou voltar para minha casa?”.

... Eu...

[...]

Eu andei muito...

E, no fim, eu acabei bem aqui... Em frente a essa Pousada. Mais uma vez.

Tudo estava basicamente igual ao instante em que eu saí...

Desde o taberneiro, todo ocupado com os clientes beberrões e comilões... Até os mesmos, que trajavam as vestimentas semelhantes a Cowboys.

Enfim, o dono desse lugar me lançou um olhar desconfiado.

“Quanto tempo será que eu fiquei aqui parado, para acabar chamando a atenção dele?”.

Depois que ele me olhou daquela forma, sua feição assumiu uma postura desmotivada...

Por último, ele soltou um suspiro e me chamou com a mão, fazendo um aceno para que eu me aproximasse e entrasse logo de uma vez.

“Ele estava com pena de mim”.

O eu deste momento nada mais era do que um garoto medroso e desnorteado.

Olhos vidrados no vazio. Garganta seca. E aparência ainda mais pálida que o meu habitual... Isso era o eu de agora. Eu senti o peso desse mundo irreal... Ninguém estava se importando para a minha situação.

Se eu não fizesse algo por mim mesmo; se eu não tivesse forças para fazer algo... Então...

“Seria o meu fim”.

...

Depois de eu me aproximar do mesmo balcão de mais cedo, que agora estava bem lotado... Eu pude notar a ironia dos fatos.

Dentre todos os clientes, mesmo aqueles com vestimentas diversas...

Dentre todos aqui...

Somente o taberneiro vestia calças de algodão costurada com pele de algum animal branca, eu acho, com suspensórios, e uma camisa de manga até os cotovelos, de tonalidade marrom. Chinelo simples completava o look dele.

O tom de pele morena contrastada bem com o todo.

Ele aparentava estar mais gentil agora do que mais cedo. Principalmente porque ele pôs um avental na cintura... Essa era a única mudança desde mais cedo.

— Grrr... Eu aposto que foi perda de tempo. Sem dinheiro, esse mundo não se mobiliza para coisa alguma...

— ...

Eu não sentia vontade de responder.

O lugar estava bem estreito e as presenças intimidadoras dos clientes eram sentidas bem de perto. Era o efeito que uma taberna lotada causaria àqueles desabituados a tal atmosfera...

Reparando uma vez mais nas pessoas aqui no estabelecimento, eu percebi que cada qual possuía aparência sisuda e olhar aguçado. Só haviam homens aqui. Homens comendo e conversando... Além disso, todos eles pareciam estar vestidos igual ao que eu já vi em documentários e filmes do Velho-Oeste.

Botinas com "esporas", calças e coletes de couro, e aqueles grande chapéus que nós vemos vaqueiros usarem. E, para completar esse clima de pressão, nenhum deles olhavam em minha direção.

Eu senti o desdém e repulsa para comigo.

“Isso é sufocante e desagradável”.

Não haveria ânimo para eles conversarem civilizada e adequadamente.

— Por hora, vá tomar um banho. Encha a bacia com água do chafariz, atrás das instalações da pousada, nos fundos da rua... Banhe-se na banheira... No banheiro de mais cedo. Eu já irei colocar a lenha no forno... A água vai ficar quente.

— ...

— Quando você terminar... Eu vou te orientar depois disso. Agora relaxe.

— Obrigado...

“Abordagem prática, direta e sem enrolação... Você aprenderá através da experiência e erro. Não há outro caminho, moleque”.

[...]

Depois disso, o garoto tomou o banho... Isso o relaxou e o aqueceu nesta tarde de frio e estresse físico e mental.

O dono deste lugar o direcionou, outra vez, pelas escadas... Agora no sentido de subir.

Chegando no segundo andar, o mesmo quarto aguardava o garoto ainda cabisbaixo...

O homem mais velho decidiu não incomodar muito o rapaz e começou a falar calmamente sobre o planejamento que aguardava pelo jovem...

— Primeiro, você precisa ter roupas, além desse pijama! Isso é inadmissível; continuar assim... As roupas que eu tenho podem ficar folgadas em você, mas não tem outro jeito. Mesmo que a tua altura seja um pouco maior que a minha, eu sou bem robusto... Todavia, as roupas que disponho no momento são de peles de animais caçados... E você não gostou dessa minha sugestão anterior... Então, você precisará COMPRAR novas vestimentas que sigam o teu gosto pessoal. Mas, para isso, vamos direto ao segundo ponto problemático. A questão mais urgente de todos os teus empecilhos... Dinheiro.

— Dinheiro, hein...?

— Eles não querem ter que te olhar vestido nesses panos. É bem ridículo, como eu já disse inúmeras vezes hoje. Você já é bem crescido, mas se veste como uma criancinha. Eles não te encaram ou sequer te darão alguma atenção. Por isso, eu estou tão "motivado" a tal empréstimo. E você é um completo forasteiro, desconhecido de todos... E com essa aparência tão suspeita.

— Aparência suspeita... Nenhum de vocês possuem uma aparência mais amigável que a minha.

— U-rruuh... À partir de agora, você trabalhará para mim. Pelo amanhecer, eu irei te ensinar o básico... Como atender os clientes... Como cuidar do balcão. E, principalmente, como lavar os pratos. Bom, isso pode esperar até amanhecer.

— ...

— Eu aceitarei isto como “ressarcimento” das despesas pela sua estadia aqui, de hoje em diante. Mas é só até você dar um jeito e resolver essa confusão toda. Isso é só uma solução paliativa. Porém, eu acho que fará alguma diferença.

— ...

— Então, não faça mais essa cara de alguém sem esperança. Você ainda é jovem. O mundo é bem grande, também... Não desista por tão pouco. "Isto" é ser homem, de fato.

Eu não entendo esse homem. Em um instante ele parece ser a pessoa mais insuportável que eu já conheci. E agora... Ele estar sendo tão... Bondoso e amigável. Eu não sei... Eu não sei mais sobre nada aqui.

“Eu acho que não devo fazer mais uma avaliação tão superficial das pessoas...”.

Quando algum tempo passou, e eu só observava o taberneiro com olhar firme, ele voltou a falar comigo me tirando desse estado torpor.

— Eu, francamente, não preciso de você me ajudando aqui no meu serviço... Mas, e-eu acho que simpatizei com o seu dilema. E eu quero te ajudar a sobreviver. Por isso, comece por aqui... Aprenda comigo e cresça como um adulto, mesmo que você seja só esse "pirralho pouco decente"...

Então o taberneiro deixou-me a divagar sobre este dia e as reviravoltas que eu passei... Ainda estava para anoitecer, mas eu somente via o céu azul-escuro pela janela aberta...

Os sons e algazarras não pareciam dar trégua alguma, mas eu me senti mais relaxado e acalentado por esse “clima familiar” que estou sentindo...

Então eu me lembrei de uma das práticas mais básicas e fundamentais das normas da sociedade civilizada... Como eu sou um rapaz bem educado, resolvi cumprimentá-lo corretamente, já que ele está sendo, ao seu próprio modo, muito legal comigo e me ajudando.

“Somente ele me ouviu o dia todo... E me ajudou”.

— Nós nunca nos apresentamos, certo? Eu me chamo-

— Um [Aventureiro] é o único que possui o direito de ter “Nome” por estas terras... Essa é a [Lei] por aqui.

— Eu não posso sequer dizer o meu próprio nome?!

— Os antigos nomes não importam... O “Nome de Aventureiro” é a nossa nova identificação!

— Hm. Isso é o cúmulo do ridículo, mas... Esta não é a minha nação para discutir sobre tal legislação... Porém, eu não gosto disso.

— Por hora, você é legalmente conhecido pelo “Nome” apenas como [Garoto].

— ...

É bem fácil imaginar a minha reação, certo? Franzi o cenho, torci o nariz um pouco... E aguentei firme tal chacota descarada.

— ... No passado, eu era conhecido como Zobey. Esse “era” o meu “Nome de Aventureiro”. Eu nasci e fui chamado pelo nome de Galjen... [Galjen Flan Zobey]. Este sou eu. Mas, isto é passado. Contudo, não te esqueças dessa regra. Entendido?

— Hm... Eu gostaria de ter me apresentado corretamente, todavia... Este é o resultado. Enfim, é bom conhecê-lo.

“Galjen... Ou Zobey? Eu não sei... Por enquanto eu prefiro Galjen”.

Enquanto eu pensava em alguma bobagem, novamente, Zobey se despediu momentaneamente e me avisou mais uma coisa.

— Quando for mais à noite, eu irei te levar algumas sobras de pão que restaram de hoje. Eu não costumo fazer isso, então trate de arranjar outro local para conseguir as tuas refeições... Agora preciso atender meus clientes. Então descanse um pouco e não faça confusão!”.

“Eu só comi o desjejum... Acho que esta não foi uma prioridade para mim hoje, não ê verdade?”.

.

.

.

#Continua...

Notas finais
Algo bem aleatório... A distribuição e organização do quarto, assim como a própria estrutura de dois andares da pousada, "coincidentemente" é muito similar ao formato do verdadeiro quarto na casa do rapaz. Somando a este fato a sonolência que ele sentiu ao ser acordado... Não é à toa que o mesmo não percebeu rapidamente essa mudança. Eu sei... Isto é um fato conveniente para mim, o autor. Enfim, sinto muito. kkkk ... Eu me decidi... Não vou escrever somente uma história original. Afinal, tem uma grande chance de eu não completá-la, pois eu fico constantemente entediado em escrever sobre o mesmo tema... Então, eu vou agir de forma menos prática e mais emocional. Vocês receberão DUAS obras originais (alternadamente e sem prazo de entrega. Também não garanto nada... kkk). Enfim, são tema "medievais", mas a proposta é nitidamente diversificada. Como eu sempre disse... Meu foco é Romance e Drama. Então, vamos começar com este início promissor! Não deixem de ler as minhas duas obras atuais: Mundo Verdadeiro – Isekai (Volume 01) ^.^ O Clã do Amor (Volume 01) Estas notas serão partilhadas em futuros capítulos de ambas as obras por algum tempo. Publicidade, meu caro... kkkk (brincadeira).