Mundo Submerso
10 Solstício de Inverno
Notas iniciais
Carter ~€~
sigo a cavalo para o Castelo Branco, a nuvem negra ainda permanece no céu, está anoitecendo quando chego, Joana parece surpresa ao me ver.
— Majestade! – fala ela.
— Me Chame de Carter, por favor. — digo pela primeira vez depois que atravesso o Espelho, minha voz está mais rouca.
— Carter. – repete – Será difícil de se acostumar. – diz ela e ri, sorrio entre os lábios – Todos do Tabuleiro estão aqui, se sentiram mais seguros.
— Não os culpo. – digo – Onde eles estão?
— No Pátio, atrás do castelo. – responde – Pedirei que o anunciem, aceno com a a cabeça e vamos juntos até a entra da varanda que dá para o pátio. ela passa pela porta primeiro e eu a escuto falar.
— Saúdam o Rei Carter, o Cinza. – grita ela, vou até a varanda e todos começam a gritar e bater palmas, será que estou tão diferente?
— Meus irmãos e irmãs, hoje quando voltei do Recanto, me senti na obrigação de unificar ambos os lados, tempos difíceis estão chegando, devemos nos unir, nos tornarmos cada vez mais fortes! – termino e todos eles gritam novamente. – Para que isso aconteça, peço que venham comigo em direção ao Forte de Espadas, encantarei nosso Reino para que se una como um só. Preparem-se, juntem tudo o que conseguir, logo iremos.
— Muitos não aguentaram
— Como atravessaremos a Floresta? – diz alguns peões
— Eu abrirei um portal. – afirmo e todos ficam surpresos – Preparem-se
Dandara ~♥~
Quando saio todos me olham, pergunto o quanto mudei, mas logo percebo a leveza acima de minha cabeça, sorrisos estão por todos os lados até mesmo no rosto de Duncan.
Depois de um tempo no jardim vou para meus aposentos junto a Duncan, ele está feliz e surpreso, corro em direção a um espelho e só então vejo como mudei. Meu cabelo está curto demais, meu olhos antes pretos estão de um castanho quase laranja, minha roupa... É um vestido longo rodado feito todo em renda e escamas vermelha.
— E então minha Rainha? O que achou? – pergunta Duncan chegando ao meu lado. Corro para o abraçá-lo, meu rosto está enterrado em seu pescoço e ele ri – Você está linda.
—-
— Dandara. – uma voz levemente rouca vem a minha mente, demoro para reconhecê-la – Preciso de sua ajuda. – Duncan parece escutar também. – Meu povo precisa de um lar, crie um espelho para a passagem.
—-
— Você escutou também? – pergunto
— Parecia... – fala ele – Petter. – dizemos em uníssono. Desço correndo para o Grande Salão e sigo até a parede atrás do trono.
— Por favor, tirem-o daqui. – digo, alguns Às levam a cadeira. Fecho meus olhos imagino um espelho por toda a parede, sinto algo por entre minhas mãos, escuto cacos e trincos, quando abro os olhos eis que um enorme espelho está onde antes havia uma parede. Vou até ele e o toco, é incrível, seu reflexo muda completamente, estou vendo o povo do tabuleiro, vendo Joana, vendo... ... Petter, não vejo seu rosto, ele está de capuz. Todos atravessam o espelho, é algo mágico, cumprimento Joana.
— Nossa, você está linda. – diz ela, logo depois de me abraçar.
— Obrigada, você também está linda. – respondo. Vou em direção a Petter quando ela me puxa
— Dandara, ele mudou. – fala ela, é então que lembro-me da profecia, Petter está com o passado de Carlos, agora são um só. – Ele disse que se chama Carter. – Carter, penso, é um belo nome.
— Obrigada. – digo e ela sorri. Sigo até ele e é impressionante, sua pele está pálida, seu cabelo branco e a raiz do mesmo preta, esta como uma camisa e botas pretas, sua calça e capuz são brancos.- Carter? – pergunto
— Sim. – responde levantando a cabeça, ele também está surpreso. Sorrio e ele sorri entre os lábios
— Dandara? Vo..você, está linda. – foi sua voz que veio a minha mente, ela está um pouco rouca, seus olhos estão pretos com um brilho como nenhum outro. Lembro-me de um livro que li que os descrevia, “Olhos de Cigano, Obliquou e Dissimulado”
— Eu? Olha pra você. – digo segurando sua mão. – Você está, tão... tão lindo. – ele sorri por entre os lábios novamente. – E então, estamos no tabuleiro?
— Sim. Obrigado pela ajuda. – diz ele. – O espelho funciona como um portal, mas, Diferente da Toca de um Coelho ambos os lados devem quer fazer-lo caso contrário não funciona.
— O que vai fazer agora? – pergunto
— Unirei os lados. – responde. Duncan está vindo, também está surpreso
— Petter.. – chamou sorrindo – Petter.. – chama ele novamente, desta vez tocando em Carter, que o olha por muito tempo. — Lembrasse de mim?
— Claro. – responde – Duncan, o Rei de Espadas. – não, ele não lembrava de nada que havia sentido por ele. Duncan se fechou, toda a sua felicidade foi embora.
— Isso. – respondeu ele.
— Se me dão licença, eu tenho um feitiço pra lança. – disse Carter – Dan, Senhor Duncan. – pediu e então subiu para seu castelo.
Quando voltei ao Salão do Palácio de Copas tudo estava cheio, cheio de pessoas, cheio de legumes, cheio de objetos, fui me direção às escadas e todos olharam para mim.
— Senhoras e Senhoras, hoje de manhã eu e Petter fomos Através do Espelho para reivindicarmos os tronos de Copas e do Tabuleiro, respectivamente. Ao fazer isso o nosso querido Petter, o representante Branco se tornou Carter, o Rei Cinza. O mesmo está agora nos arredores do tabuleiro unificando as duas partes, para isso foi preciso que os habitantes de lá viessem para cá, por isso, eu peço ao povo de Copas; Ajude-os a se acomodarem por um tempo até que a casa deles estejam prontas, levem-os para o Forte de Espadas, todos devem ir para lá, ao que tudo indica tempos difíceis estão chegando, todos estarão protegidos... – ao terminar de dizer, as pessoas procuram conhecidos e começaram a ir com eles para o Forte de Espadas, o mesma foi feita para receber todo o povo do País das Maravilhas em tempos de Guerra.
— Ele não se lembra de mim. – diz Duncan depois de muito tempo a mim.
— Ele se lembrará. Eu prometo. – digo. Um enorme brilho surge clareando parcialmente a noite, vamos até a entrada do castelo, uma lua enorme esta no céu. A Unificação. Carter chega atrás de nós. — É linda. — ele sorri com os lábios. — Bem agora é minha vez. — Fecho os olhos levo as mãos a terra na frente do Castelo, quando os abro um brilho passa por baixo de toda a montanha e todas as rosas começam finalmente a voltar a sua cor natural, Carmim.
Alice ~*~
É aquela velha, como ela pode estar aqui? Ela está segurando um Globo de vidro, está vindo em minha direção.
— Não tenha medo de mim, Alice. – diz ela, ela levanta a mão esquerda e algo me joga longe. – Ou tenha, não me importo. – é uma Bruxa. Levanto-me e ela já está na minha frente, ela segura meu rosto e me levanta, a esfera de vidro brilha, ela me joga para perto do espelho novamente. A esfera é sua varinha mágica, ainda caída lembro-me da faca que trouxe comigo, tiro ela do bolso do vestido e quando a bruxa aparece novamente passo a faca em sua panturrilha, ela derruba a esfera, eu a pego e me afasto.
— Não. – balbucia. – Por favor não a destrua.
— Que assim seja. – jogo o globo de vidro no chão e ele se despedaça, um estrondo é lançado, olho para o céu, a nuvem negra está desaparecendo e o mesmo esta... Esta... Rachando. A bruxa ri, só então percebo que fui enganada, a mesma vai em frente ao espelho e o toca, fazendo ele ganhar um fundo, um enorme salão. O céu... Explode.
Carter ~€~
um estrondo chama atenção de todos, olhares se vão para o céu, a nuvem está sumindo e o escudo que protege todo o País está se quebrando.
— O Escudo!- afirma Dandara – Quem teria poder pra isso? – ela olha para Duncan e então para mim, lembro-me do que aconteceu e só então tenho a resposta.
— Alice. – falamos em uníssono
— Como ela conseguiu poder?
— A Tempestade. Talvez seja isso. — respondo ainda olhando para o céu.
um vento forte vem da floresta negra, vamos até o topo do palácio onde temos uma visão melhor, as folhas estão se abrindo, um castelo está saindo de dentro da floresta.
— O que é aquilo? — pergunta Chapeleiro nos surpreendendo
— Aquilo, é o castelo de Árvores meu amigo louco. – digo pondo a mão em seu ombro
— Raphael. – diz Dandara lembrando-se do representante daquela divisão. – Vamos. – ela corre em direção à entrada do castelo, eu e os outros a seguimos.
— E Alice? – pergunto descendo as escadas.
— Há cem anos meu irmão ficou preso naquela Floresta, peço que me desculpe, mas eu irei vê-lo. – responde
— Tudo bem, eu e Chapeleiro iremos atrás dela. — digo
— Ela está em algum lugar a Oeste da Floresta. – anuncia Cheshire chegando junto a Lebre.
— Então vamos. – Chapeleiro monta em um cavalo junto a Lebre, pego o meu e vamos á Floresta.
Alice ~*~
— Obrigada, Alice. – diz a Bruxa – Graças a você, eu tenho todos os meus poderes novamente. – a esfera era o escudo e não sua varinha. A bruxa estala os dedos e sou levada para frente do espelho, viro-me para olhar para ela e algo me puxa, estou no Salão que vi dentro do Espelho.
— Quem é você sua Bruxa? – pergunto. Ela mexe a mão direita e uma fumaça contorna todo seu corpo a transformando numa mulher de cabelos ruivos, nariz pontudo, vestido elegante e preto e... Deixando sua pele verde.
— Eu sou Elphada, A Bruxa Má do Oeste. – diz ela. – E graças a você eu finalmente posso pegar o mais poderoso poder das trevas.
— O que? Onde eu estou? – pergunto, um macaco com asas me impede de fugir.
— Bem ... Você está em Oz... Ou melhor – ela mexe a mão direita novamente e um corpo idêntico ao meu aparece deitado no seu lado – Você está morta.
— Não, não, nãooooooo! – grito
Ela segue indo em direção a floresta quando para, a mesma estala os dedos e o espelho se trinca. Ouço sua risada e então o vidro se quebra por completo, me aprisionando em Oz.
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