Mundo Submerso

5 Monte Carmim


Notas iniciais
"Iansã, cade Ogum? Foi pro Mar. Na terra dos orixás Um amor se dividia Entre um deus que era de paz E outro deus que combatia" — Iansã, Clara Nunes

Alice ~*~

Fomos até um campo verde cheio árvores de folhas verdes e tronco avermelhado... Era “Pau Brasil”, lembro-me por que já havia feito um trabalho sobre o mesmo. Tirando as árvores e o campo com uma grama verde nem clara nem escura uma parede enorme feita de cerca viva estava a nossa frente, uma única entrada e em cima da mesma um arco de rosas branco/vermelho, estavam molhadas... Haviam sido pintadas. Agora que notei essas rosas percebo que os trabalhadores no campo faziam o mesmo com as outras, estavam pintando todas elas.

— Por que pintam as rosas? Por que tirá-las de seu tom natural? – pergunto

— Basicamente, eles estavam devolvendo sua cor natural. – respondeu Petter – Desde que Amy morreu o Monte ficou seu uma Rainha e as rosas sem sua cor.

— Mas... E Dandara?– pergunto.

— Dandara ainda não é a Rainha de Copas, ela é apenas uma representante, assim como eu e Duncan. – Fico sem reação ao saber que Pit não é um verdadeiro Rei, porém, já estamos muito próximos da enorme cerca viva que leva até os pés da Montanha.

— O Labirinto de Copas! Huhu – anuncia Chapeleiro.

— Mantenham-se juntos, não se afastem uns dos outros. – uma corda é passada de pessoa a pessoa todos amaramos junto à cela e então seguimos Labirinto a dentro.

— Eu não me nomeei Rei, se é o que está pensando. – disse Petter.

— Por que te chamam assim então? – pergunto

— Querendo ou não os Representantes governam os reinos, dependendo do local os próprios cidadãos o nomeiam Rei. Mas não quer dizer que seja um.

— Entendo. – respondo

— Aaai que saudade daquele jardim. – diz o gato do nosso lado.

— Já estamos chegando Chesheri. – comenta Chapeleiro

Estamos a algum tempo no labirinto e dentro do mesmo percebo homens e mulheres negros pintando as rosas de vermelho, me pergunto se em Monte Carmim existe escravidão, mas desvio a ideia devido à impecável apresentação e felicidade destas pessoas, estão todos de branco, botas vermelhas, e camisa com um coração no centro, os números vão de dois a nove.

Finalmente saímos do Labirinto e então um grande caminho nos leva até o topo da montanha onde um castelo marca o fim da viagem. O caminho é de piso incrivelmente branco o resto da montanha toda é formada por rosas... Me pergunto se também foram pintadas.

— Graças! Finalmente chegamos nesse lugar! – diz Chapeleiro ao chegarmos numa planície no topo da montanha onde é possível ver as portas do castelo, para a minha não surpresa em formato de coração.

Uma mulher de cabelos pretos, cacheados e armados nos espera na frente do castelo, a mesma usa um vestido lindo, branco e vermelho, a parte de baixo do mesmo lembra uma rosa de cabeça para baixo. Ao seu lado à um cavaleiro com um Às de Copas no peito. Chapeleiro me ajuda a descer do cavalo.

— Maravilhosa seja ela! – diz Petter descendo e indo em direção a mulher a nossa frente. – Grande Dandara. – diz ele ao abraçá-la. Só então percebo que estamos de frente com a Representante do Reino de Copas. Sim, um Mulher Negra comanda um reino, em meu mundo isso seria quase impossível, mas no País das Maravilhas isso é meramente normal. Estou encantada. Curvo-me.

— Por Favor. – diz ela – Não sou superior a você minha cara, nem você de mim, somos iguais, não precisará desde gesto aqui. – sua voz é doce levemente rouca, ela anda até próximo a mim e escuto o estalo de saltos. – Você deve ser Alice, estou certa? – pergunta

— Sim, muito prazer. – digo

— Você chegou em um ótimo dia Alice. – fico confusa – Hoje comemoramos o Dia da Paz, teremos uma baile é um grande bufê a noite. Por que não descansa um pouco? – ela mencionou duas coisas maravilhosas, bufê e descanso, impossível não aceitar.

— Eu estaria agradecida.

— Então conversaremos mais tarde. – anuncia ela. – Senhorita Yé. – convoca ela. – Poderia por favor levar Alice e seus companheiros para seus aposentos?

— Mas é claro. – responde a moça – Por favor, sigam-me.

— Obrigada. – diz Dandara.

Vamos para dentro do Castelo todos juntos, subimos um grande escada e Pit e Dandara se separam de nós. O quarto onde estou é enorme e possui uma seleção de vestidos e joias estão arrumados para mim. Há uma varanda no quarto, sigo até ela, a vista é linda. Um jardim cheio de madressilvas, ciprestes, margaridas, paus Brasil, no centro a uma fonte hexagonal com uma rosa no topo, ao longe no final do jardim tem um deck, vejo Petter e Dandara lá. Logo após o deck a um penhasco, é possível ver ao longe a Floresta Negra, na minha esquerda um castelo negro bem ao longe, na minha direita a três montanhas, não consigo ver o que há no centro. Volto-me ao quarto e vou em direção ao banheiro... Eles têm uma banheira.

Petter --^--

— Acha que pode dizer alguma coisa? – pergunto a Dandara

— Eu não sei. Se ela entrou então quer dizer que há um rachadura, alguém mais poderia entrar. – diz ela

— Me pergunto quantos além dela já entraram.

— Sua decisão é perigosa, sabe disso! – afirma ela

— Sim, porém, eu não sei a quem recorrer. O oráculo poderá afirmar coisas importantes. Não só sobre ela.

— Então não está a levando ao Oráculo? – indaga ela

— Co..como?

— Petter, está achando uma desculpa para ir vê-lo. O que aconteceu que não quer me contar?

— Nós dois sabemos que você já sabe. – Dandara sabia parte do que passava nos corações de todos, afinal era a representante de Copas, era seu dom.

— Sei que não é mais o mesmo, e que ha dor dentro de você.

— Me desculpe. – olho para o fim do penhasco, onde deveria estar passando o rio que caia no mar... Está seco. – Eu tive ilusões sobre algo que não deveria acontecer.

— Não é por que não deveria acontecer que não possa tentar fazer acontecer. – ela levantou meu rosto com os dedos e ficamos olhando um para o outro.

— Faço suas palavras as minhas. – digo

— Eu ainda não estou pronta. – afirma

— Sei que é difícil, para todos nós, mas é o nosso dever, uma hora ou outra você terá que subir e pega-la.

— A questão é o preço. Eu não quero pagar o mesmo que ela.

— E não vai. – digo.

— Como você sabe disso? – pergunta ela olhando fixamente para as montanhas.

— Por que diferente dela, você ama verdadeiramente.

— Haha E quem será?

— Bem... Eu – rimos – E todos os cidadãos daqui, assim como todos eles te amam. Seu preço nunca será o preço dela.

— Ainda sim terei que pagar um preço.

— Sabe... – digo saindo do deck – Preços nem sempre são ruins, colho uma maçã do jardim e olho para Dandara. – Se conseguir... Pago-lhe um Bolo de Desaniversário.

— Mirtilo? – pergunta

— Silvestres. – respondo e ela corre em direção a mim enquanto segura o vestido, corremos por todo o jardim rindo e gritando até que ela me alcança e cairmos na fonte.

— Aaaah – grita ela e ambos caímos na gargalhada — Piit, as lavadeiras vão lhe matar. – riu e percebo que não estou mais segurando a maçã, procuro-a na água da fonte e não a acho. – Me devo um Bolo. – diz ela e então morde a maçã.

— Lembra quando fazíamos isso? – pergunto

— Quando não fazíamos? – rimos – Já faz quanto tempo?

— Talvez uns noventa e cinco anos, não sei. – digo

— E ainda temos carinha de vinte – ri ela.

— Um lado bom sobre o escudo.

— Vem, precisamos nos preparar para o baile.

— Vamos. – preparo-me para ir embora quando vejo as montanhas. – O que é aquilo? – pergunto olhando nuvens se formando no topo das mesmas.

— Eu não sei, está lá a dois dias. – diz ela

— Alice chegou a dois dias. – digo – Acha que tem alguma ligação? – indago.

— Espero que não! Essas nuvens me assuntam. Não temos tempestades aqui a muito tempo, espero que permaneça por lá.

— Alguém já foi vasculhar?

— Mandei dez de meus homens, ainda não voltaram. É uma viagem de três dias. Espero que estejam bem. – responde ela