Mundo Sobrenatural

4 Seguida por fantasmas até a escola.


Notas iniciais
Terminei! Nossa que sufoco, pensei que não ia dar.Bom... Eu disse que ia postar dois caps hoje então aqui esta, e como da primeira vez que tentei postá-lo o Nyah me sacaneou então esse nota aqui vai ser pequena.
Aproveitem o cap!

Mundo sobrenatural

Se eu pudesse dizer nesse instante o que estava sentindo diria que era puro pânico ou medo. Em meu quarto tinha nove loucos fantasmas que pulavam de um lado para o outro como se tudo fosse uma festa. Pelo menos meu irmão estava do meu lado, vendo tudo o que eu via e me garantindo que não era apenas eu. Deveria dizer que esperava todo tipo de coisa com essa mudança, seja ela rejeição de colegas, esquecimento de minha mãe, isolamento do resto do mundo... Tudo, menos fantasmas! E lá estávamos nós, dentro de um quarto no sótão, rodeados dessas pessoas mortas.

De repente a pequena de cabelos castanhos se aproximou de onde estava eu e Silver, ela tinha um doce sorriso no rosto, como eu tinha pensado antes, não devia ter mais de nove anos e me perguntava o que teria acontecido para pessoas tão jovens como as que eu estava vendo tivessem morrido, no auge de suas vidas poderia dizer. Ela segurou minha mão e me puxou e como estava atordoada que não pude fazer nada mais que me deixar levar por ela até a cama.

— Pensamos que você não ia voltar moça! – exclamou a pequena, animada. Talvez ao dizer aquilo todos voltaram sua atenção para mim e se reuniram a minha volta. A pequena me sentou na cama e ficou parada a minha frente me mirando com suma atenção, os pequenos olhos cor mel reluzindo de uma maneira que não consegui reconhecer o que era. – Estávamos querendo fazer algumas perguntas para você.

— Pedimos desculpas pela maneira como nos apresentamos da outra vez. – falou o garoto de cabelos negros e olhos verdes passando um braço pelo ombro do garoto parecido com ele, só que de olhos vermelhos. Seu sorriso era simpático e falava com suma educação. – É que faz anos que não temos nenhum contato com pessoas de fora. Você foi a primeira que encontramos desde 1885.

— Pera! – interrompeu Silver entrando no meio da conversa e mirando a todos um pouco descrente. Talvez ainda estivesse se recusando a aceitar o fato que eles eram fantasmas. – 1885? Mas isso foi há 127 anos! Se vocês forem realmente fantasmas, porque não atravessaram para o céu, ou qualquer coisa que seja?!

— Não sabemos, nem sabemos como morremos. – falou a garota de cabelos rosados que estava sentado ao meu lado e agora mirava atentamente meu irmão. – Só sabemos que estamos presos aqui, sem contato com ninguém. O único que se lembra do que aconteceu é Shadow e ele nunca deixa a gente sair desse sótão.

— E é melhor que não saiam. – interferiu o garoto de olhos vermelhos que devia ser o tal Shadow que a garota falara. Ele tinha o rosto sério e parecia que nunca um sorriso aparecia em seus lábios e eu me perguntava qual seria o motivo. – Quando menos souberem do que aconteceu, melhor. Sem falar que não deixarei que saiam daqui, é perigoso lá fora!

- Ele fala isso o tempo inteiro. – murmurou o garoto de cabelos azuis para mim e logo sorriu zombeteiro. Parecia que ele sempre assim, animado e alegre, totalmente o oposto do de olhos vermelhos. Perguntava-me como esses dois se agüentavam se eram tão opostos. – Alias, meu nome é Sonic, um prazer te conhecer.

— O meu é Amy. – disse a garota de cabelos rosados sorrindo para mim e segurando de leve minha mão. Outra duvida passou por minha cabeça, se eram fantasmas, como não podiam me atravessar?

— O meu é Tails, e essa é minha irmã Cream. – falou o garoto de cabelos castanhos aloirados e olhos azuis sorrindo para mim e logo apontando para a garota de marias-chiquinhas que tinha a seu lado e que me sorria de maneira infantil.

— Sou Blaze! – exclamou a garota de cabelos lilases estendendo a mão em minha direção e sorrindo, eu levei minha mão até a dela em um aperto amigável e retribui o sorriso, só que o meu mais forçado e constrangido.

— Sou Cosmo. – falou a garota de cabelos verdes sorrindo carinhosamente para mim e ao mesmo tempo constrangida. Retribui o sorriso já um pouco mais calma.

— Meu nome é Rouge. – disse a de cabelos brancos sorrindo também.

— Sou Mephiles, e esse mal humorado aqui é meu irmão gêmeo Shadow. – falou o garoto de cabelos negros e olhos verdes, para longo apontar para o garoto a seu lado. – E qual o seu nome?

— Maria, e esse é meu irmão Silver. – respondi apontando logo em seguida para meu irmão que ainda queimava os miolos tentando entender a situação. – Vocês disseram que tinham perguntas, quais seriam elas?

— Primeira: Em que ano estamos? Segunda: O que mudou nessa época? – me perguntou a garota de cabelos brancos, Rouge e eu logo pensei um pouco. Na segunda pergunta ta galera? Não sou tão burra para não saber em que ano estou.

— Estamos no ano de 2012, e levando em conta a época que vocês supostamente... morreram, muita coisa mudou. Agora se usa carros, equipamentos mais modernos como o celular. – tirei o meu da bolsa que estava logo ao lado e mostrei a todos que estavam olhando com admiração e encanto. Sentia-me um pouco constrangida com aquilo, já que fazia tempos que não falava normalmente com alguém, mesmo levando em conta que as pessoas com quem conversava não eram exatamente normais. – Resumindo tudo o que posso dizer, muita coisa mudou. Talvez não nessa cidade, mas em Berlin sim.

— Você veio de Berlin?! – perguntou Rouge e Amy com os olhos brilhando, acho que de animação, mas não entendia o por que. Assenti um pouco hesitante e as duas ficaram ainda mais alegres. – Sempre quisemos ir para Berlin!

— Bom... Eu nasci lá e não vejo algo muito emocionante alem das variedades de coisas que podemos fazer. – comentei um pouco nervosa. Foi então que uma coisa passou por minha mente. – Mas se vocês não saíram daqui por 127 anos quem fica matando as pessoas que entram na casa?

Os fantasmas se entreolharam, apenas o de olhos vermelhos, Shadow, não o fez. Ele sabia de algo, estava escondendo alguma coisa, não só de mim e Silver, mas também de seus amigos. O que seria tão chocante para não poder contar a ninguém? Amy então olhou para mim.

— Não sabemos nada disso. Até onde sabemos somos os únicos fantasmas nessa casa e nunca vimos uma alma viva andando por aqui. Apenas ouvimos barulhos estranhos, como se alguém estivesse batendo na porta ou gemidos estranhos. – comentou um pouco assustada e meu coração foi a mil. O que teria nessa casa? Qual seria seu segredo?

— Oi gente! – todos olharam para a porta e agora a mesma estava aberta com Sonic sorrindo extensamente perto dela. – Por que não damos uma passadinha lá fora para ver como estão as coisas?

— Não. – cortou logo Shadow que em questão de segundos estava perto de Sonic e fechando a porta em um estrondo. – Ninguém vai sair daqui. Já falei que enquanto eu puder vou manter vocês aqui dentro onde é seguro!

— Então tá... – murmurou Sonic parecendo desistir da idéia, dando um passo na direção onde nós estávamos, mas então ele sorriu e disparou para a posta, atravessando a mesma e desaparecendo do outro lado. Passou um tempo e todos ficaram em silencio, apenas olhando para a porta como se esperassem um grito de terror ou algo parecido, mas ao invés disso a cabeça dele atravessou a porta e mirou a todos com um grande sorriso no rosto. – O que estão esperando? Vamos.

Por um instante todos os fantasmas se entreolharam e logo só se viu vultos brancos indo até a porta e a atravessando como se não estivesse lá. Eu e Silver nos sentimos atordoados com a velocidade que tudo aconteceu e no quarto só tinham sobrado, eu, Silver, Shadow e Mephiles. E Shadow não parecia muito contente com o que tinha acontecido.

— Shadow qual o problema de sairmos? O que tem lá fora? – perguntou Mephiles se aproximando do irmão e colocando uma mão em seu ombro. O garoto parecia incrivelmente nervoso passando as mãos pelos cabelos com desespero e indo de um lado para o outro, parecendo tentar decidir se saia para procurar os outros ou se ficava.

— Não posso conta Mephiles, mas se eles ficarem lá fora por muito tempo é provável que nunca mais voltem! – exclamou quase em desespero. Eu e Silver nos entreolhamos, sem compreender nada do que tinha acontecido. De repente ouvimos o barulho de freios e nos dirigimos para a janela em um salto. O carro de nossa mãe e de Kley tinha parado na frente da casa e estavam prestes a entrar. Só tinha um problema... A casa estava cheia de fantasmas!

— Essa não! – exclamamos ao mesmo tempo e saltamos para fora do quarto, correndo escada a baixo pulando vai se saber quantos degraus e deslizando pelos chãos de madeira. Mas a casa era imensa, por onde começaremos a procurar sete fantasmas que devia estar mexendo em tudo que vissem pela frente? Paramos na escada que levava para o primeiro andar e logo nos entreolhamos. Silver então começou. – Eu olho aqui em baixo e você procura pelos outros cômodos ok?

— Certo. – respondi, mas quando ia começar a correr na direção dos quartos que tinham espalhados pelo segundo andar meu olhar voltou para o primeiro, no hall de entrada mais exatamente, percebendo que Sonic e Amy estavam brincando com um dos aparelhos de Silver, um dos muitos que ele deixava jogado para todos os lados. – Silver, ali!

Meu irmão olhou para o hall e ao ver os dois fantasmas se divertindo com um de seus inventos ficou uma fera, mas a porta então fez o agonizante som de estar sendo aberta e pareceu que meu irmão tinha adquirido super poderes. Em poucos instantes ele havia corrido escada a baixo e segurado os dois fantasmas, os puxando para dentro de outro cômodo que tinha ali perto pouco tempo antes de nossa mãe e Kley abrirem a porta e entrarem conversando. Suspirei de leve e corri para a parte que cabia a mim olhar.

O primeiro cômodo que fui olhar era o quarto de minha mãe. Ao entrar vi uma cama de casal com cobertores vermelhos cobrindo praticamente toda a cama, os travesseiros encima da cor branca se destacando enquanto a cabeceira marrom logo atrás se destacava com a parede branca. O chão também de madeira parecia bem cuidado e polido, ao lado da cama de minha mãe estava um criado-mudo onde deveriam estar suas jóias e bijuterias, a poucos metros da porta estava um armário de madeira escura um baú de roupa se encontrava no pé da cama e havia uma janela que dava vista para a o lado da casa. Mas meu interesse estava na garota de cabelos brancos que mexia sem parar nas jóias de minha mãe.

— Rouge, temos que voltar, minha mãe ta em casa! – exclamei segurando seu braço e a puxando ao mesmo tempo que fechava as gavetas do criado-mudo e colocava desesperadamente algumas jóias no lugar. Para meu azar bem quando estava empurrando Rouge para fora do quarto minha mãe entrou e pude sentir como o sangue deixava meu rosto o tornando mais pálido do que já é. – M-mãe. Q-que bom que voltou.

— O que esta fazendo em meu quarto, Maria? – perguntou enquanto colocava Rouge atrás de minhas costas e sorria nervosamente para minha mãe. Não deixei de segurar o pulso de Rouge nem um momento, não podia deixar ela fugir. Minha nossa, por que tinha que passar isso a mim?

— Apenas olhando suas jóias. Como amanhã é meu primeiro dia queria causar boa impressão. – falei torcendo para que aquilo convencesse minha mãe que não tinha nada de errado. Mas Rouge também me escutou e logo apoiou os braços envolta do meu pescoço e sorriu alegre.

— Escola? Podemos ir também? Seria divertido acompanhar você. – lhe dei um leve puxão no braço tentando fazer com que ficasse quieta, e por sorte minha mãe não percebeu. Apenas sorriu para mim e se aproximou tirando do criado mudo um colar de outro com um medalhão pendurado no mesmo. Ele tinha o formado oval e era bem grosso, com uma pequena rachadura no meio o que me fez pensar que deveria se abrir.

— Talvez possa usar esse. É muito bonito e pode colocar duas fotos de pessoas que você gosta muito ai dentro. – peguei com cuidado o colar e sorri para minha mãe. Rouge praticamente subia encima de mim para ver o colar e isso estava começando a me incomodar.

— Muito obrigada mãe, pode ter certeza que irei usá-lo amanhã. – falei e comecei a caminhar na direção da porta torcendo para que tudo terminasse logo. Rouge não ajudava em nada, fazia de tudo para ir para o guarda-roupa de minha mãe e olhar o que tinha dentro, mas eu segurava seu pulso e não deixava, a puxando para fora. – Se me dá licença vou dar uma passadinha em meu quarto e logo volto para jantar ok?

Nem esperei que respondesse rapidamente sai do quarto e corri até as escadas que levavam ao meu. Lá pude ver como Sonic e Amy estavam sentados na cama enquanto Shadow tinha uma cara estressada e os braços cruzados em sinal de irritação. Silver deve ter conseguido levar os dois para lá enquanto eu procurava no quarto de mamãe. Deixei Rouge com eles pedindo para que não saíssem e logo voltei a sair do quarto indo procurar em outros lugares.

Entrei em um quarto perto do de Silver e quase cai para trás com o susto. O quarto tinha uma pintura diferente nas paredes, era de um azul claro e delicado, o chão continuava sendo de madeira só que cheio de tapetes infantis com desenhos de ursos ou filhos de animais. Um berço estava posicionado no centro do quarto, ele era branco com alguns detalhes em azul, em um dos cantos tinha um pulf verde claro, no teto tinha pregado alguns adesivos que no escuro brilhavam e já podia ver alguns brinquedos infantis espalhados pelo chão. Um pequeno armário estava perto de outro canto das paredes e uma janela que dava vista a parte de trás da casa. Cream e Cosmo estavam olhando animadamente o berço rindo e sorrindo de tempos em tempos e logo voltaram o olhar para mim.

— Você vai ter mais um irmão Maria? – perguntaram e um nó se formou em minha garganta. O que havia acontecido ontem passou por minha mente e a idéia que minha mãe estivesse me trocando voltou a dominar minha mente, mas agora não era hora disso. – Eu e Cosmo adoraríamos ajudar a cuidar do bebê. Podemos?

— C-claro. – falei ainda sem focar exatamente no que acontecia. Balancei de leve a cabeça e voltei minha concentração para o que estava acontecendo agora. – Aqui Cream, vocês poderiam voltar para meu quarto?

— Por que? – perguntou ela fazendo uma cara triste e Cosmo logo a acompanhou e um grande pesar se apossou de mim. Elas passaram muito tempo naquele sótão, era até covardia fazer isso, mas se minha mãe ou Kley soubessem disso nem sei o que seriam capazes de fazer. E a confusão que eles deveriam arrumar enquanto exploram as coisas não é algo que acho que suportaria.

— É que minha mãe ta em casa e seria meio difícil explicar que pessoas mortas estão andando pela casa. – respondi e Cream logo fez um cara de choro. Tinha que arrumar alguma coisa para convencê-la, mas o que... – Olha, se for para o meu quarto e ficar lá quietinha eu prometo que quando for para lá toco o meu violão para vocês.

— Sério? – perguntou ela mais animada. Cosmo também me mirou dessa maneira e percebi que qualquer coisa de novo para elas era algo que lhes agradava. Por enquanto permaneceria na chantagem do violão.

— Sério. – ambas se miraram e logo sorriram desaparecendo no mesmo instante. Suspirei exausta e sai do quarto me encontrando quase que imediatamente com Silver caminhando pelo corredor, parecendo ter acabado de descer as escadas de meu quarto. –Cosmo e Cream já voltaram para o quarto, e já levei Rouge para lá também.

— Levei Sonic e Amy e agora Tails. Quem mais falta? – me perguntou e eu pensei um pouco. Shadow e Mephiles haviam ficado no quarto, Sonic e Amy já estavam lá junto com Rouge, Tails, Cosmo e Cream. Então só faltava... – Blaze! Mas onde aquela praga pode estar?

— Garotos, venham jantar! – gritou nossa mãe desde as escadas e eu e Silver nos entreolhamos. Caminhamos juntos até a sala de jantar e quase no mesmo instante vimos Blaze atravessando a porta da cozinha enquanto nossa mãe e Kley colocavam a mesa. Eu e meu irmão ficamos tensos enquanto mexíamos em nossas cabeças tentando arrumar alguma desculpa. Nossa mãe olhou em nossa direção. – Algum problema garoto?

— B-bom... T-temos que i-ir na cozinha rapidinho. – falou Silver me puxando na direção da cozinha enquanto sorria nervosamente para nossa mãe. Pelo menos ele tinha pensado em alguma coisa. – Voltamos rapidinho para jantar ok?

Em um só puxão entramos na cozinha e fechamos a porta logo atrás. Blaze olhava fascinada tudo o que tinha lá dentro. A cozinha era grande. Havia um balcão que acompanhava três das quatro paredes da cozinha, todo o balcão com armários em baixo onde devia ter reservas de comidas ou panelas e coisas parecidas. A lâmpada devia ter sido trocada por uma mais moderna e foi o único cômodo que trocaram, havia alguns armários acima dos balcões, sendo que em uma parte deles tinha uma pia e outra um fogão. Tinha uma mesa no centro com algumas panelas.

- Que coisa legal! Nunca tinha visto esses equipamentos antes! – falava Blaze enquanto se aproximava de um liquidificado ligando o mesmo e fazendo um ruidoso barulho. Silver correu até ela e tirou a tomada do liquidificador fazendo o barulho parar. – Que legal! A onde vai aquela porta? – ela flutuou até perto de uma porta que tinha na parede a minha esquerda, uma porta que fazia o balcão terminar mais atrás. – Que barulho estranho. O que tem aqui?

— Essa é a porta para o porão. – comentei enquanto me aproximava. Realmente tinha uns barulhos estranhos saindo de trás da porta. Pareciam gemidos, reclamações, não sei ao certo, mas eram barulhos estranhos. Fiquei ao lado de Blaze e levei uma mão até a maçaneta e tentei abrir, mas parecia estar travada. – Por que será que não abre?

— Vou dar uma olhada. – falou Blaze e fez menção de passar pela porta, mas quando ia fazer isso alguém a segurou pela gola da camisa e a puxou para trás. Não demorei muito a perceber que era Shadow que tinha um tosto sério e mal humorado, parecia até mesmo transmitir calafrios.

— Ninguém vai entrar ai. E se faço é por um motivo. – falou ele e puxou Blaze para fora da cozinha. Ele chegou perto da porta e já estava fazendo menção de atravessar quando parou e se virou para mim. – E é melhor você voltar logo. Cream falou para todo mundo sobre o que você prometeu para ela, e todos agora estão ansiosos para ouvir você tocar.

Assenti com um leve suspiro e logo eu e meu irmão caminhamos até ele, abrimos a porta enquanto Shadow passava ainda puxando Blaze. Foi só então que nos lembramos que nossa mãe e Kley estavam lá e ambos ficamos tensos. Esperamos parados na porta enquanto Shadow passava despreocupadamente pela sala de jantar. Quase tive um treco quando minha mãe olhou na direção deles, mas ao parecer não os viu e Shadow e Blaze a atravessaram como se nem existisse. Minha mãe estremeceu.

— Nossa que vento frio que passou por aqui agora. – comentou e logo se sentou novamente o lado de Kley. Eu e meu irmão nos miramos impressionados. Eles nunca tinham nos atravessado, na verdade conseguimos encostar neles como se fossem humanos vivos. Nossa mãe nos mirou com um olhar confuso. – Vocês não vêm jantar?

Silver e eu assentimos caminhando até a mesa, nos sentando em nossos lugares e comendo em silencio com nossa mãe e Kley. Comi o mais rápido que pude e subi com Silver até meu quarto onde todos estavam esperando. Fiquei um tempo tocando para eles, e não sei até que horas fiquei apenas nisso. Chegou um ponto que meu irmão foi para o quarto e eu me troquei para ir dormir (claro que em um lugar escondido. Tenho quatro meninos mortos em meu quarto). Deitei na cama e acho que dormi na hora.

Quando acordei no dia seguinte com o barulho do meu celular. Ainda um pouco sonolenta, me sentei na cama e esfreguei os olhos desligando meu celular logo em seguida. Empurrei a coberta para o lado e me levantei indo até meu armário. Não me surpreendi nem um pouco quando Rouge apareceu do meu lado com um enorme sorriso no rosto. Suspirei e abri meu armário olhando a roupa que iria usar.

— Não vou levar vocês para a escola, Rouge. – falei enquanto procurava a roupa. Rouge se colocou em minha frente com um cara de cachorro pidão. Suspirei e peguei uma blusa preta, uma saia negra com detalhes brancos, minha bota negra e uma jaqueta branca com detalhes negros. Seja como for, tudo com negro, como passei a gostar. – Sabe a confusão que daria. Não posso ficar de olho em vocês a todo tempo e é meu primeiro dia, não posso arriscar que façam alguma bobagem.

— Por favor, Maria. – insistiu ela enquanto eu caminhava para fora do quarto para ir ao banheiro que tinha no corredor, já que meu quarto não tem banheiro. Rouge me seguia, tanto escada baixo quanto quando entrei no banheiro. Só esperava que os garotos não tivessem essa mesma idéia. – Nunca fomos a uma escola! Deixa a gente ir só dessa vez, por favor!!

— Rouge, não sei se percebeu, mas não tenho cara de quem faz amigos com muita facilidade. E minha mãe esta quase insistindo para que isso aconteça. Não posso ficar correndo atrás de vocês hoje. Quem sabe outro dia. – falei enquanto ligava o chuveiro e deixava a água molhar meu corpo. Era um ótimo jeito de acordar completamente, pena que nunca demorava muito. Como não estava lavando o cabelo não demorei dez minutos para acabar aquele banho e me secar com a toalha.

— Mas o fato de ser seu primeiro dia apenas reforça a idéia de irmos com você! – exclamou Rouge enquanto colocava minha roupa. – Assim te faremos companhia e não vai ser tão difícil!

— Eu agradeço a intenção Rouge, mas acho melhor não. – respondi saindo do banheiro e caminhando até a cozinha. Rouge continuou me seguindo e já não me preocupava mais com minha mãe e Kley, sabia que eles não podiam vê-los. – Sem falar que Shadow e Silver não iam gostar nada disso se eu deixasse e a ultima coisa que quero é problema com meu irmão e o mau humorado daquele fantasma.

Rouge fechou a cara e logo desaparece, mas um mau pressentimento sobre isso passou por meu corpo. Deixei isso de lado e desci as escadas para o primeiro andar. O café da manhã já estava colocado na mesa da sala de jantar. Nada alem de um pão, bolo e suco de uva pelo o que pude perceber. Silver já estava na mesa comendo um pedaço de bolo. Ele usava uma jaqueta branca com detalhes verdes, uma blusa branca por baixo, calças jeans e um tênis branco com detalhes verdes. Não parecia muito animado, ao parecer ainda estava com raiva de nossa mãe e Kley.

Sentei-me na cadeira que tinha a sua frente e bebi um pouco de suco, para logo depois pegar um pedaço de bolo e morder um pouco. Logo nossa mãe chegou usando uma calça jeans um pouco justa, uma blusa negra com um pequeno decote, um jaqueta jeans por cima e botas com um ligeiro salto. Eu e Silver nos entreolhamos sem entender e logo voltamos a mirar nossa mãe que parecia estar bem apressada.

— Tenho uma entrevista de emprego hoje e posso ficar fora por um tempo. – comentou ela esclarecendo nossas duvidas. Ela se sentou em uma das cadeiras da mesa e colocou um pão com manteiga na boca enquanto as mãos tentavam fazer um rabo de cabalo com seus cabelos loiros. – Vocês vão precisar que levem vocês para a escola? Posso levar vocês lá e pedir ao diretor que leve vocês até as salas e...

— Isso apenas causaria mais problemas mãe. – interrompeu Silver sem a mirar e bebendo um pouco do suco de uva que tinha a frente. – Nós sabemos nos virar sozinhos. Vamos até a escola a pé e agiremos como qualquer outro estudante. Não precisa se preocupar tanto.

— Vocês têm certeza? – ela voltou a perguntar, parecendo não muito convencida da idéia de Silver que podíamos nos virar bem sozinhos. Ela me mirou e soube que sua maior preocupação era comigo. Lhe sorri mostrando que tudo estava bem apesar de por dentro estar tremendo de medo. Silver também assentiu e ela não teve escolha a não ser ceder. – Tudo bem, mas caso aja algum problema é só pedir para que me liguem.

Eu e meu irmão assentimos e logo escovamos os dentes e pegamos nossas coisas para ir a escola. Eu não vi nenhum dos nove fantasmas que agora assombravam meu quarto, mas não me importei muito com isso e coloquei musica em meu celular que já tinha os fones de ouvido colocados e comecei a ouvir tentando me distrair do nervosismo que sentia. Aos poucos fui me acalmando e quando o prédio da escola foi aparecendo já não me preocupava mais se iam gostar de mim ou não.

Entramos juntos na escola e já vimos no são principal que era uma enorme área com apenas alguns pilares de sustentação e bancos ligados as paredes, onde vários estudantes matavam a saudade das férias de verão. Todos eles pareciam se conhecer muito bem, apenas eu e Silver que éramos os estranhos dentro daquele lugar e por esse mesmo motivo todos os olhares se voltaram para nós.

Sabem os nervos que antes disse que tinha perdido? Pois agora estavam todos de volta e não consegui dar um passo se quer. Silver então segurou minha mão e me puxou indo para o final de toda aquela enorme área, onde tinha pregado na parede um painel verde cheio de folhas de papel. Podia sentir as miradas de todos, e ouvir um pouco dos múrmuros que eram lançados ao vento sobre nós e meu rosto apenas parecia ficar mais e mais vermelho enquanto tentava manter minha cabeça baixa para que assim ninguém visse o quão envergonhada estava.

— Você tem aula de educação física. As quadras ficam no ginásio logo ao lado. Vai ficar bem sozinha? – me perguntou Silver logo que olhou o horário. Eu assenti levemente lhe sorrindo, mas já não tinha certeza disso. Andei lentamente até o lado de fora me separando de Silver dando leves olhadas para trás enquanto andava. Estava com medo, primeiro dia nunca é fácil.

Por fora o ginásio não parecia grande coisa. Era apenas uma enorme construção com o prédio um pouco arredondado, as paredes de um cinza desgastada e parecendo ser feitas de concreto puro, com algumas janelas e uma porta de entrada. Respirei fundo e entrei me deparando com uma enorme área onde tinha arquibancadas nas duas paredes laterais, sendo que de ambos os lados tinham portas que separavam as arquibancadas em alguns pontos. O centro tinha quadras de vôlei, basquete, tênis e pista de corrida circular que passava envolta de todas as quadras. Minha perna tremeu fortemente ao ver as pessoas do primeiro ano indo na direção de algumas portas, meninas para uma e meninos para outro.

Corri na direção das garotas e entrei junto com elas me deparando com vestiários com uns vinte chuveiros em um canto, armários de metal em outro e vasos em um canto mais afastado. Todas as garotas se trocavam colocando a roupa de ginástica, e sem outra opção fui fazer a mesma coisa. Coloquei minha bolsa dentro do armário e peguei o uniforme que minha mãe havia me dado antes de chegarmos.

As garotas já saiam enquanto eu trocava. Pude ouvir alguns comentários das garotas enquanto estava me trocando, coisas como: “ela só usa preto? Que coisa ridícula” ou “fiquei sabendo que mora naquela casa assombrada” “Então já deve estar louca, é melhor ficar longe dela”. Era engraçado que dessa vez não foi culpa minha ter afastado todas as pessoas de perto de mim.

— Oi Maria! – olhei assustada para frente me encontrando com Amy que me sorria alegremente. Cai sentada no chão enquanto a mirava surpresa. Afinal o que diabos ela estava fazendo aqui?! – Wow! Então isso é uma escola? Não era nada do que eu imaginava.

— Amy, você pirou? Desde quando está aqui? E outra por que esta aqui? – falei tentando manter meu tom baixo para não chamar a atenção de ninguém, mesmo todas as meninas já tendo saído. Já imaginou se me pegassem falando sozinha? Isso seria o fim de minha vida social, se é que tinha alguma. Amy me sorriu.

— Eu e os outros queríamos ver você estudando. Queríamos saber como é uma escola. – respondeu ela dando voltas e voltas pelo vestiário. Engoli em seco ao pensar que os outros fantasmas também estavam por aqui. Olhei para porta pensando que logo teria que sair, então segurei a mão de Amy e a puxei para o lado de fora do ginásio.

— Se quer ficar aqui é melhor ficar quieta e perto de mim! – exclamei baixinho antes de sair do lugar e ir na direção onde as garotas tava e para minha alegria íamos jogar vôlei. Fiquei perto das garotas que seriam escolhidas e esperei não muito cômoda já que o uniforme de ginástica era bem justo. Nada mais que um short de malha justo, um pouco menos que pegando um terço das coxas e uma blusa branca justa com mangas bem pequenas. Amy olhava tudo com animação e tentava se soltar de minha mãe, mas eu a segurava com força então ela ficou, depois de alguns minutos, quieta.

— Ficaremos com a novata. – disse uma das capitãs apontando para mim e eu me aproximei puxando Amy junta. Logo o jogo começou e como meu dia não podia ficar melhor o primeiro time a jogar era o meu. Tentei manter a calma, não era ruim jogando, mas mesmo assim, por causa de meus nervos, não conseguia me concentrar e chegou um momento que a bola bateu na minha cara.

— Tudo bem Maria? – me perguntou Amy enquanto eu me levantava esfregando de leve o nariz. Eu apenas assenti e voltei a minha posição. Amy me mirou um pouco triste e logo estalou os dedos. – Já sei. Entendi esse jogo e acho que posso te ajudar.

— Amy, o que vai fazer? – sussurrei, mas ela não me respondeu apenas ficou transparente e, acho eu, entrou em mim. Depois meu corpo não mais me respondia e tudo o que conseguia fazer era ver o que estava acontecendo. A bola veio em minha direção e todas gritavam para eu pegar, e meu corpo se ajeitou sozinho segurando a cortada da garota como se não fosse nada passando para as outras que logo marcaram o ponto.

Fiquei impressionada com aquilo, mas então percebi que quem jogava na realidade era Amy que controlava meu corpo. Foi o resto do tempo que jogamos assim e no final meu time ganhou sendo que boa parte dos ataques e das defesas fora “eu” que realizara. Amy então saiu de meu corpo logo que o jogo terminou e pude sentir como meu corpo ficara completamente exausto, não sei se pela “possessão” ou se pelo jogo.

— Nunca mais faça isso. Sinto-me acabada! – falei para ela, já que nos encontrávamos em um lugar mais afastado das outras. Amy sorriu e logo os dois horários de educação física acabaram e voltei para o vestiário, tomei um leve banho e vesti minha roupa, mas quando fui procurar Amy, não a encontrei.

Aproveitei que era horário do intervalo e fui até a escola procurando tanto a Amy como aos outros. Corri pelos corredores do colégio enquanto todos estavam do lado de fora, lanchando. Para minha alegria, quando corria pelos corredores do terceiro andar acabei trombando com alguém, nada mais nada menos que Shadow que me segurou antes que pudesse cair no chão.

— Desde quando um fantasma é duro feito uma pedra? – perguntei colocando uma mão na testa e o mirando atentamente, mas pelo rosto que tinha não parecia estar com ânimos de falar alguma coisa. Alem, claro, da mesma pergunta que eu me fazia.

— Onde estão os outros? – suspirei sabendo muito bem que tinha saído sem a permissão dele, e ainda queria entender o porque dele não deixar.

— Não faço a mínima idéia. Estava procurando eles agora. – respondi colocando as mãos na cintura e mirando envolta para ver se via mais alguém por perto. – Encontrei com Amy, mas ela desapareceu enquanto estava distraída. Mas até Mephiles veio?

— Desde que você apareceu não consigo mais manter nenhum deles dentro daquele sótão. – falou cruzando os braços e em um tom acusador. Franzi o cenho e o mirei desconcertada.

— Não venha colocar a culpa em mim! Não fui eu que mandei eles virem para minha escola sendo que eu mesma tinha dito que era melhor eles ficarem em casa! – retruquei levando o dedo indicador até seu peito e o empurrando levemente. Ele me mirou raivoso. – E pelo o que eu saiba quem devia estar controlando eles era você! Afinal você é que não quer que eles saiam!

— E se faço isso é por uma causa, diferente de certas garotas que nem consegue lidar com um problema de família simples como a mãe casando de novo! – rebateu ele aproximando o rosto do meu.

— E como sabe disso?! Ah! Quer saber? Não estou nem ai como você descobriu! E posso não saber de nada quando você estava vivo, mas se caso algum dia teve um pai que te bateu quase ao ponto de te matar então vai saber muito bem porque não aceito ter outro! – agradecia muito pelo corredor onde estava estar vazio. Estava começando a me irritar e ainda controlava minha voz, mas ia chegar o momento que começaria a gritar.

— Pois também não foi você que foi morta por um maníaco que praticamente te arrancou dos pais! – exclamou ele com pura raiva e eu recuei um passo, ao mesmo tempo em que ele percebia o que tinha dito. Seu rosto se tornou frustrado e preocupado enquanto passava a mão pelos cabelos negros. – Droga... Olha sobre isso...

Antes que ele pudesse terminar um vulto passou por mim e antes que pudesse dizer uma “ah”, Shadow já estava imobilizado no chão

Notas finais
Acho que até que ficou engraçado. Estou esperando reviews.
Bjsss