Mundo Sobrenatural
2 Fantasmas em meu quarto?!
Notas iniciais
Espero que aproveitem essa fic que criei com meu jeito sombrio a toda!
Olhava pela janela vendo como a paisagem passava rapidamente por nós enquanto o carro se movia em uma velocidade de mais ou menos cem quilômetros por hora pela estrada praticamente vazia. Já fazia algumas horas que tínhamos saído de nossa cidade natal para ir morar em uma cidadezinha do interior onde tudo o que deveria ter era mato e mais mato, com pessoas linguarudas e irritantes e pequenas casas muito parecidas com pequenas fazendas. Suspirei, vai se saber por quantas vezes e logo senti como algo caia em meu ombro. Olhei para o lado oposto ao da janela e me encontrei com meu irmão que acabara dormindo e se deitara em meu ombro para cochilar melhor.
Não pude evitar sorrir ao ver o rosto pacifico que ele estava. De todos os meninos que conhecia meu irmão era o único que não me assustava. Podem me chamar de covarde, pois admito, sou uma covarde e depois que meu pai havia maltratado a mim e a minha mãe, sem falar de quase matar meu irmão, nunca mais tive coragem de chegar perto de um cara ou de um garoto, com a exceção de meu irmão. O meu “novo pai” ainda era um desafio para mim, já que minha mãe queria que eu o tratasse como se fosse da família, mas eu não conseguia, sentia muito medo do mesmo acontecer e acabar me machucando de novo, por isso quase nunca falava com ele e só me aproximava quando era verdadeiramente necessário.
Morávamos na Alemanha, um país muito bom deveria se dizer, e eu e meu irmão éramos quase como exemplos da raça. Eu tinha os cabelos loiros longos chegando até meu quadril, um pouco ondulados, meus olhos eram de um azul céu, minha pele branca, quase doentia de tão pálida, e meu corpo era pequeno com curvas discretas que tomava todo o cuidado para esconder. Meu irmão tinha os cabelos estranhamente esbranquiçados, sempre penteados de uma maneira rebelde, arrepiados e curtos, os olhos de um belo e estranho dourado, a pele pálida um pouco mais escura que a minha, mas de qualquer jeito bastante branca, era alto e atlético, deveria chamar muito a atenção das garotas apesar de seu jeitinho de cientista louco sempre fazer com que todos se afastassem dele. Não havia muitas semelhanças em nós dois, mas com nossas atitudes muitos conseguia detectar que éramos realmente irmãos.
Nossa mãe estava no banco do co-piloto, com um enorme sorriso no rosto segurando a mão do novo marido que dirigia com os olhos atentos a estrada. Nossa mãe era uma pequena mistura de mim e do meu irmão podia se dizer, os cabelos longos aloirados, os olhos dourados belos pequena e com curvas volumosas de corpo atlético, a pele pálida quase doentia. O homem com que se casara era um descendente de sul americano ou algo parecido, os cabelos negros curtos um pouco lisos, a pele morena, o corpo atlético e alto e os olhos de um castanho escuro com pequenas pitadas de verde. Ele parecia ser um cara legal, sempre com um sorriso gentil no rosto e carinhoso, mas mesmo assim isso não tirava o pavor que eu sentia.
Passei um braço entorno de meu irmão para que assim ele se sentisse mais confortável e eu mais segura. Meu nome é Maria, tinha dezesseis anos e estava começando o primeiro ano do ensino médio. Meu irmão é dois anos mais velho que eu, seu nome é Silver e já esta começando o terceiro ano do ensino médio. Depois do incidente com nosso pai nos tornamos meio que anti-sociais e por isso era difícil mudar dessa maneira. Não sabia como seria minha outra escola, mas sabia que não teria nenhum amigo, como não tinha na outra. Ainda bem que tinha meu irmão do meu lado.
— Olha filha, já chegamos. – falou minha mãe de repente fazendo meu olhar voltar para a janela do meu lado e mirar a pequena cidade que pouco a pouco rodeava o carro. Como eu tinha pensado, casas pequenas, com enormes quintais e rodeadas de vários tipos de vegetação. Não tinha mistério, era apenas mais uma cidade de interior. Todas as casas parecia quase exatamente iguais, com as cores brancas ou creme, feitas de madeira, tendo apenas algumas de cimento. Algumas tinham animais, cachorro na maior parte das vezes que ficavam no quintal, latindo para nosso carro. Outras tinham pequenas hortas em cantos visíveis do quintal. – Nosso novo lar.
Não conseguia pensar naquela cidade como meu lar, mas fazer o que? Não podia mudar o que acontecia e tudo o que podia fazer era aceitar o que estava acontecendo com o mínimo de preocupação possível. Meu irmão murmurou alguma coisa a meu lado, mas eu não consegui entender o que era. Então passamos por um grande edifício de dois andares, largo cheio de janelas e uma enorme área gramada na parte da frente. Parecia ser um prédio antigo, mas por seus aspectos supus que era a escola, provavelmente a única do lugar. Era sábado então não tinha aula no lugar, mas ainda me perguntava o que os garotos daquela cidade faziam para se divertir se não tinha nenhum lugar como, cinema, shopping ou coisas do tipo para passar o tempo.
— Essa vai ser sua nova escola minha filha. – falou minha mãe novamente e eu apenas soltei um leve “hum” como resposta, não estando muito interessada naquilo. Por que deveria me preocupar com escola se não me daria bem nela mesmo? Ouvi como minha mãe suspirava e sabia que logo viria mais um sermão sobre amigos e coisa do tipo. – Maria, pense nisso como um novo começo, você pode finalmente ter amigos aqui! Tudo o que precisa é deixar de ser tão assustadiça e falar com alguém! Você e seu irmão não podem passar a vida inteira sozinhos com medo das pessoas.
— Não tem razão para não temer. – respondi ainda olhando pela janela sem querer ouvir aquela conversa mais uma vez. Minha mãe não me entendia, e eu também não a entendia. Não sabia como ela ainda podia confiar nas pessoas quando nosso pai mesmo fingira por muitos anos ser um cara carinhoso e quando menos esperávamos, ele se transformou no monstro que nos machucou e nos maltratou por muito tempo, revelando o ser desprezível que realmente era. – Se confiarmos nos outros como saberemos que aquilo é realmente o que a pessoa é? É bem mais seguro ficar longe de todos e assim não se machucar.
— Mas ficar sozinho não é bom minha filha. – replicou minha mãe, enquanto eu apenas suspirava. Odiava aquela conversa, era sempre a mesma coisa, mas isso nunca mudava nada, eu continuava sendo sozinha junto com meu irmão. Bem que deveria admitir que não me incomodava de ser assim desde que o tivesse por perto para me ajudar sempre que precisasse, como sempre fazia. – Nem todas as pessoas são dessa maneira.
— Deixe-a querida. Ela sofreu um trauma muito cedo, é comum agir dessa maneira. – disse meu novo pai apertando de leve a mão de minha mãe. Ouvi como ela suspirava mais uma vez e vi de relance como assentia com a cabeça. – Talvez essa cidade a faça bem, um pouco de ar puro do campo sempre ajuda a relaxar e deixar o medo de lado.
— Assim espero, não gosto que meus filhos não tenham amigos. Isso pode atrapalhar o desenvolvimento deles! – os dois continuaram falando como se eu e Silver não estivéssemos lá. Deixei os dois de lado e me concentrei na paisagem que tinha do lado de fora da janela. A velocidade do carro tinha diminuído já que tínhamos entrado na cidade e agora tudo passava mais lentamente pela janela.
Via verde e mais verde. Gostava um pouco da cor, mas vê-la esse tempo todo era um pouco irritante. O céu já estava escurecendo, o sol se punha lentamente e já podia ver algumas estralas começando a aparecer no céu entre as pequenas e finas nuvens que ainda pairavam por ali. Adorava ficar observando o céu, era algo que me dava a sensação de liberdade e me fazia pensar que tudo o que vivera era apenas um sonho e que minha vida era completamente diferente, era mais feliz.
Ao longe, comecei a ver uma casa aparecendo. Seu telhado vermelho se destacava com o fundo verde e azul alaranjado, ele era de um formato triangular como era de se esperar de casas antigas e parecia ter seus três andares, sendo que o ultimo devia ser o sótão. As paredes de pedra da casa eram pintadas de um cinza escuro diferenciando das outras casas e seu aspecto era tão antigo quanto eu pensava. Havia varias janelas, todas de madeira com grossas cortinas que parecendo ser de um branco mofado. Algumas das janelas estavam abertas e as cortinas eram expelidas para fora pelo vento. Podia se dizer que era típico de uma casa de filmes de terror, mas diferente de meus outros medos não acreditava nessas coisas de monstros ou fantasmas, por isso não tinha medo.
O carro se aproximou lentamente e então parou na rua mesmo, perto da entrada da casa. A mesma devia estar uns quatro ou três metros afastada da rua, uma pequena parte de mais ou menos cinqüenta centímetros era o passeio, feito de grandes blocos de concreto que estava um pouco rachados e desgastados com alguns poucos buracos, o resto era gramado, uma grama um pouco alto de um verde escuro belo e reluzente, parecendo estar molhado. No centro de tudo, indicando o caminho para a entrada da casa e cortando o jardim exatamente ao meio estavam vários blocos também de concreto separados por poucos centímetros deixando a grama crescer nesse pequeno espaço. Devo admitir que a casa não era feia, e melhor ainda, era distante das outras casas que tinha na cidade.
Com delicadeza cutuquei meu irmão para que assim ele despertasse de seu sono. Ele se levantou do meu ombro e sacudiu de leve a cabeça mirando ainda sonolento tudo o que tinha a sua volta. Sorri para ele e abri a porta do carro, indo até o porta malas que já se encontrava aberto para pegar minhas coisas. Não era muita coisa, duas bolsas com todas minhas roupas e uma pequena mala com meus objetos importantes como alguns acessórios e meu diário. Ainda tinha a bolsa do meu violão, porque sim tocava, também gostava de comporto e cantar e era uma das coisas que fazia quase todo o tempo. Olhei para a casa mais uma vez enquanto tinha meu violão atravessado em minhas costas, suas malas em minhas mãos e uma bolsa pendurada em meu braço e por um momento, enquanto olhava cada janela, pensei ter visto alguém na ultima janela.
Dei de ombros e andei na direção da casa entrando pela porta da frente que minha mãe havia deixado aberta logo depois que entrou. O hall de entrada era enorme, o teto devia estar a uns oito metros do chão, sendo a junção do primeiro e do segundo andar. Perto de uma das paredes tinha uma escada que fazia uma curva para chegar ao corredor do segundo andar, mas debaixo dessa escada tinha uma parte fazia já que a mesma era apoiada pela parede. O primeiro corredor do segundo andar, o que se via desde que se entrava no hall, era como uma fina continuação da parede que acabava no lado esquerdo, sendo que abaixo dele não havia nada, ao igual a escada, tendo assim algumas portas que deviam levar a outros cômodos da casa. Nesse pequeno corredor se encontravam corrimões de metal que não permitiam que alguma pessoa caísse do corredor enquanto varias portas estavam logo atrás, novamente levando a outros cômodos.
— Seu quarto fica no sótão querida, pensei que gostaria de ficar lá já que tem a melhor vista de todas. – sem falar nada subi as escadas e caminhei pelo corredor, levando minhas coisas que já começavam a ficar pesadas para mim. Caminhei pelos corredores vendo as varias portas de madeira esculpida que tinha já mofadas e cheias de cupins. Chegou um ponto do corredor onde uma nova escada aparecia bem pequena em uma nova curva que subia até uma pequena porta diferente das outras.
Presumi que aquela fosse a entrada para o sótão, então comecei a subir os degraus que rangiam com o peso extra que era colocado neles e por sua velhice. Devo dizer que a cada passo que dava meu coração acelerava e não sabia se era por causa do irritante barulho das escadas ou se era pela estranha sensação de estar sendo observada. Respirei fundo logo que cheguei ao topo da escada e colocando uma mala no chão levei a mão à maçaneta abrindo a porta com um só empurrão.
O quarto não era lá essas coisas, ainda tinham varias caixas espalhadas pólo lugar, mas estavam bem no canto então sobrava muito espaço para um pequeno quarto. Uma cama de solteiro estava posicionada perto da janela, com a cabeça da cama voltada para a janela que era enorme com o vitral eito de mosaico e que se abria para cima. No momento ela estava aberta. Havia um anjo desenhado na janela pelo mosaico, ele tinha as asas bem abertas, a cabeça baixa e os olhos fechados com as mãos juntas parecendo estar orando uma prece. O chão era de madeira e rangia quando pisava nele parecendo que ia desabar a qualquer minuto. Tinha um pequeno armário de madeira em um dos cantos do lugar e um criado mudo em outro. Um tapete estava no chão, da cor marrom avermelhado e tampava quase todo o piso.
Era um quarto bom, pensei enquanto colocava minhas malas no centro do quarto e o observava com mais determinação. No centro o teto devia estar a uns cinco metros de minha cabeça, o que dava uma sensação de espaço enorme. O único problema era que não tinha nenhum tipo de iluminação o que me obrigaria a colocar um abajur ou qualquer outra coisa para que assim tivesse iluminação a noite. Tudo parecia cheirar a mofo, mas o que mais me chamou a atenção foi uma enorme estante, quase escondida, de livros antigos, todos eles emanando aquele delicioso (em minha opinião) cheiro de livro velho. Pequenas batidas na porta foram ouvidas me fazendo virar para a porta e encarar minha mãe que sorria docemente para mim.
— Pensei que gostaria, principalmente por causa dos livros. – comentou ela, mas eu não disse nada. Pouco falava desde que tudo acontecera e minha mãe se incomodava com isso. Não que eu quisesse magoá-la ou algo parecido, só não mais encontrava a vontade para expressar minha opinião em conversas, por isso compunha, por isso tinha um diário, para assim não precisar desabafar com ninguém. Ouvi minha mãe suspirar. – Sei que é difícil para vocês aceitarem isso, mas peço que pelo menos tentem se adaptar, tentem fazer amigos e mudar. A vida continua mesmo depois daquilo, vai ser uma memória ruim, isso é certo, mas temos que superar isso. Agora arrume suas coisas e dessa para jantar, eu e Kley temos algo a falar para você e seu irmão.
Assenti com a cabeça e minha mãe deixou o quarto. Suspirei de leve e levei minhas malas até a cama deixando as mesmas encima dela e logo as abrindo, revelando assim todas as minhas roupas e sapatos. Um a um comecei a tirá-las da mala e levar para o guarda roupa, as ajeitando e colocando de acordo com meu gosto. O estranho, foi quando estava pegando mais algumas roupas na bolsa e me distrair com as lembranças que uma delas me fornecia, quando me virei para guardá-la vi como uma de minhas roupas penduradas no armário aberto se mexia rapidamente, como se alguém a tivesse soltado com pressa e se escondido.
Um pouco desconfiada me aproximei e olhei a roupa. Primeiro não tinha notado nada, não havia ninguém por perto então supus ser o vento, mas então prestei atenção ao guarda roupa percebendo só então que minhas roupas tinham mudado de lugar. Se minha mãe visse o guarda roupa agora ela diria que eu finalmente tinha aprendido a organizar as coisas “direito”, e foi isso que mais me estranhou. Minha mãe não estava no quarto, Silver esta lá embaixo tinha certeza e mesmo se estivesse aqui ele não saberia arrumar tudo desse jeito, Kley devia estar ajudando minha mãe a organizar as coisas, então quem poderia ter feito isso? Um pequeno barulho soou pelo ar e eu me virei para ver o que era, vendo novamente aquele rápido movimento nas minhas coisas, dessa vez na bolsa onde estava meus acessórios e meu diário.
Ao olhar mais de perto percebi que a bolsa agora estava aberta e o conteúdo dentro dela estava todo remexido. Me assustei um pouco pensando que era um ladrão que tivesse entrado e mexido em minhas coisas, mas ao olhar cada objeto que tinha dentro de minha bolsa percebi que não tinha nada faltado. Então, quem poderia ter mexido em minhas coisas e mesmo assim não ter levado nada? Seria uma brincadeira de mal gosto de Silver? Não, há muito tempo ele não fazia esse tipo de coisa. Então quem poderia ser?
Novamente um ligeiro barulho chamou minha atenção e quando me virei novamente vi um de meus sapatos no chão. Andei até ele e o peguei levando até o armário, só para ter a surpresa que mais roupas estavam organizadas lá, tiradas de minha bolsa, sem que tivesse sido eu, e colocadas cuidadosamente no armário, junto com alguns sapatos. Deixei aquele que tinha na mão do lado de seu par e fiquei ali parada mirando o armário, pensando nas possibilidades do que poderia estar acontecendo. Então ouvi o barulho do meu violão e ao voltar a vê-lo encostado em uma das paredes percebei que alguém tinha aberto sua capa deixando-o completamente exposto. Isso estava começando a me assustar.
— Silver! – chamei sem encontrar outra explicação para o que estava acontecendo. Talvez o ar do campo o tivesse afetado e agora ele tinha voltado a fazer brincadeiras. – Silver, se for você apareça agora mesmo! – alguns barulhos foram ouvidos no quarto, mas nada se mostrou. Comecei a ficar irritada, ele sabia que odiava esse tipo de brincadeira e não garantiria bater nele se não saísse agora mesmo, mesmo eu gostando dele muito. – É sério Silver, se não sair agora mesmo e parar com essa brincadeira eu juro que quebro um de seus brinquedinhos estranhos! – novamente barulhos, mas ninguém apareceu. Fiquei ainda mais furiosa. – Estou avisando Silver, não me obrigue a falar com a mamãe, sabe que ela não gosta quando se assusta as pessoas!
— Maria! – gritou alguém do lado de fora. Corri até a porta do quarto e olhei para o fim da escada, vendo como Silver estava logo ali, parado olhando para mim como se não soubesse o que estava acontecendo. E talvez realmente não soubesse. – Mamãe pediu para te falar que o jantar tá pronto e que era para você vir comer!
— Ei Silver como foi parar ai embaixo tão rápido?! – gritei de volta sem compreender como ele poderia estar fazendo tudo isso em meu quarto e quase meio segundo depois voltar lá para baixo como se não tivesse feito nada. Por acaso ele tinha adquirido super velocidade? – Você não estava aqui mexendo nas minhas coisas tentando me assustar?!
— Do que esta falando?! Fiquei aqui embaixo o tempo todo, nem fui ai no seu quarto ainda! – gritou ele de volta e pude sentir como o sangue deixava meu rosto. Meu corpo todo começou a tremer quando me dei conta de que realmente não estava sozinha naquele quarto, e não era um membro da minha família que se encontrava ali tentando me assustar. – O que aconteceu Maria?! Algum problema?!
— Diz para a mamãe que já vou! – voltei a gritar e me afastei da porta, caminhando de costas para o meio do quarto. Minhas mãos tinham ido parar no peito, sentindo como meu coração ficava aloucadamente rápido. – Se não foi Silver, então quem... – comecei a me questionar em voz alta, mas não pude terminar de falar. Senti uma presença atrás de mim, não me pergunte como, mas senti, e meu corpo congelou no lugar enquanto minha voz morria. Engoli em seco e lentamente, como se tratasse em um filme de terror, virei meu rosto para trás.
— Olá! – exclamou uma garota de cabelos rosados curtos, mal chegando a seus ombros, os olhos de um verde brilhante e reluzente parecendo uma esmeralda, a pele fantasmagoricamente pálida, e o corpo esbelto de uma garota que deveria ter seus quinze anos. Usava um vestido de um cinza claro um pouco rasgado chegando a metade de suas cochas, mas algum dia, supus, devia ter chegado até seus joelhos. Ela tinha um enorme sorriso no rosto e me encarava com os olhos brilhos, mas o que mais me assustava naquela garota não era o fato de ser tão branca que quase conseguia ver através dela, mas sim o fato dos pés descalços e meio sujos dela não estarem encostando no chão! Ela estava flutuando! Claro que não pude evitar o grito que saiu de meus lábios e o súbito impulso de me afastar dela.
— Com mais calma Amy! Não pode simplesmente aparecer na frente da garota e dizer um “olá”. – repreendeu uma garota de cabelos lilases presos em um rabo de cavalo alto permitindo ao mesmo chegar apenas até um pouco abaixo de seu pescoço, os olhos de um dourado reluzente e inteligente, a pele também assustadoramente branca e o corpo com menos curvas que a garota de cabelos rosados, mas mesmo assim não deixava de ser menos belos, sendo tampados por uma blusa branca quase completamente rasgada e uma calça cinza também rasgada, chegando a metade de sua canela, parecia ter seus dezoito anos e pelo jeito desleixado que aparentava ter quase se assemelhava a um garoto se não fosse pelo cabelo longo e o rosto delicado. Ela simplesmente havia aparecido do lado da outra, sem mais nem menos! E seus pés descalços também não encostava no chão! Meu deus o que elas eram?!
— Desculpa Blaze. Mas é que não pude me conter. – respondeu a de cabelos rosados que atendia pelo nome Amy. Ela parecia constrangida, mas não via nenhum rastro de vermelho em seu rosto, ele permanecia pálido, assustadoramente pálido. Assustada, comecei a me afastar lentamente, caminhando para trás com cuidado para não fazer nenhum barulho e chamar a atenção, até um pequeno grito ecoar pelo lugar fazendo automaticamente minha cabeça se virar para o lado, na direção do meu guarda-roupa.
— Nem acredito! Olha essas roupas! – exclamava uma garota de cabelos brancos curtos, que batiam em sua nuca, os olhos brilhosos de um azul escuro bem bonito e agora cheio de animação, a pele, igual a das outras, era muito pálida e seu corpo era esbelto, belo como o de uma garota de dezenove anos sendo ainda mais ressaltado pelo vestido cinza que usava que se ajustava bem em seu busto, encostando apenas de leve nos quadris e ficando um pouco largo perto das penas e na cintura, mas ao mesmo tempo era rasgado ao igual as roupas das outras duas. Ela mexia em minhas roupas olhando cada uma com suma atenção. – Amei esse século! Parece que esqueceram completamente a exigência de garotas terem que conservar o corpo. Olhem esse vestido! – ela então mostrou uma de minhas saias negras que era ligeiramente rodada e chegava, em mim, na metade das cochas, e devia admitir era curta. – Boa parte das pernas ficam de fora, e ainda tem que ser completada por blusas masculinas, só que mais justas! – ela então mostrou uma blusa branca minha que realmente se ajustava bastante em mim. – É incrível!
— Rouge! Deixa de mexer nas coisas dos outros, isso não é certo! – exclamou uma voz masculina fazendo minha cabeça se voltar para perto de minha cama onde tinha um garoto alto, com a pele igualmente pálida a das garotas que ali se encontravam ali, seus cabelos eram um pouco grandes, tampando um pouco de seu rosto e chegando até metade sua nuca em um grande volume, mas era arrepiado e rebelde dando a impressão de ser curto, de um negro profundo e realmente escuro, os olhos de um belo verde acinzentado reluzente, o corpo atlético e atraente que lhe aparentava ter vinte e poucos anos, tampado um uma blusa branca rasgada e uma calça cinza também meio rasgada chegando até metade de sua canela. Ele tinha os braços cruzados e mirava desaprovadoramente a garota de cabelos brancos.
— Mas o Sonic também esta mexendo! – exclamou ela apontando para o lado onde estava meu violão e ao me virar vi sentado perto do mesmo um garoto de cabelos estranhamente azulados, do mesmo estilo que o garoto de cabelos negros, os olhos de um verde potente, apenas um pouco mais escuro que o da garota de cabelos rosados, o corpo atlético dando-lhe, no chute, uma idade de mais ou menos dezenove anos usando a mesma roupa que o garoto de cabelos negros. Ele brincava com as cordas de meu violão passando os dedos por elas provocando o típico som de qualquer violão bem afinado. Ele parecia encantado com aquilo.
— Sonic sai daí! – exclamou o garoto de cabelos negros indo coisa que o de cabelos azuis apenas o mirou e sorriu de maneira travessa voltando a passar o dedo pelas cordas do violão, só que dessa vez de uma maneira mais desafiante. Logo um outro garoto apareceu do lado do de cabelos azuis, ele tinha os cabelos loiros um pouco escuros bem curtos, os olhos de um azul um pouco mais escuros que os meus, baixo com o corpo de uma criança de mais ou menos treze anos com o mesmo tipo de roupa que os outros garotos ali e a mesma cor de pele. Ele olhava para o meu violão com admiração como se tentasse entendê-lo.
— Isso é um instrumento musical? A senhorita saberia tocá-lo? – ele voltou seu olhar para mim e senti como meu corpo tremia descontroladamente e em minha mente repetia uma e outra vez que aquilo não poderia ser real. Fechei os olhos com força e levei as mãos à cabeça falando varias vezes que deveria acordar, que tudo aquilo não passava de um sonho, mas quando voltei a abrir os olhos todos os garotos ainda estavam ali, mexendo em minhas coisas e para melhorar a situação, mais uma tinha se unido a “festa” e mexia em meus colares e pulseiras. Ela tinha os cabelos verdes curtos que chegavam perto dos ombros, mas não chegavam a encostar neles, com dois coques na cabeça um de cada lado da mesma, os olhos de um belo azul, também um pouco mais escuro que os meus, a pele do mesmo doentio branco, o corpo parecendo ser de uma criança de treze ou doze anos e usando o mesmo vestido cinza que as outras garotas, exceto a de cabelos lilases.
— Você esta bem moça? – perguntou uma doce voz ao meu lado me fazendo virar o rosto para ver quem era e qual não foi minha surpresa em encontrar uma pequena garota de cabelos castanhos presos em duas marias-chiquinhas, os olhos de uma cor mel reluzente e belo, a pele do mesmo pálido e o corpo de uma garota que não deveria ter mais de oito ou nove anos. Ela usava o mesmo vestido cinza de todas as outras e me mirava atentamente, mas mesmo parecendo tão inocente não tirava o fato que de repente ela se erguera do chão (isso, flutuou, voou, qualquer coisa do tipo!) para quase ficar da minha altura. – Por acaso você é uma artista mossa? Poderia tocar algo para nós? Faz anos que não ouvimos uma musica se quer.
Ta, estava começando a entrar em curto. Gritei com força e me afastei da garota, tão bruscamente que acabei caindo sentada no chão de madeira, mas mesmo assim não deixei de me afastar, arrastando pelo chão, bagunçando o tapete que tinha no mesmo. Chegou um momento que me choquei com alguma coisa, e pelas saliências que podia sentir em minhas costas chutei ser a perna de alguém.
Torcendo para que fosse meu irmão ou minha mãe, ou até mesmo Kley, ergui a cabeça só para me encontrar com outras daquelas... coisas. Dessa vez era um garoto muito parecido com o primeiro que apareceu, os cabelos negros volumosos e arrepiados, a pele doentiamente pálida, alto com um corpo atlético com uma aparência de vinte e poucos anos, sua única diferença com o outro garoto era que seus olhos eram de um potente vermelho tão assustador quanto sua cor. Ele tinha a mesma roupa que todos os garotos e seu rosto era completamente sério, apesar de ser belo.
O que fiz? Simples! Gritei e sai correndo. O que mais poderia fazer quando você descobre que tem nove pessoas em seu quarto que não são exatamente normais?
Notas finais
Bjsss
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