Mundo Sobrenatural
8 Dançando com fantasmas
Notas iniciais
Vamos lá!
Mundo sobrenatural
Acordei no dia seguinte em meu quarto com pelo menos duas cobertas encima de mim. Sentia-me um pouco febril, meu corpo estava meio dolorido e minha respiração dificultosa. Custei a me lembrar do que havia acontecido, mas logo que as memórias voltaram a minha mente senti um forte calafrio percorrer meu corpo. Abracei a mim mesma percebendo que usava a roupa que tinha ido a feira. Respirei fundo tentando acalmar meu aloucado coração e virei meu rosto na direção da janela.
O mosaico que tinha desenhado nela reluzia com a luz do sol que já parecia estar se pondo. Aproximei-me da janela e me coloquei em seu parapeito, aproveitando que o risco de cair era nulo por causa da mesma fechada. Olhei para o lado de fora pelos pedaços de vidro multicor procurando identificar alguma imagem. Acho que o fato de ver Kaira caminhando até a entrada da casa contribuiu muito para o que me aconteceu depois, mas ainda assim não consigo explicar porque olhei para trás naquele momento.
Um calafrio percorreu meu corpo e meus olhos se voltaram para o meio do quarto e novamente as imagens passaram diante dos meus olhos como se estivessem acontecendo. Vi Shadow e Mephiles parados no meio do quarto e como de costume quase não dava para reconhecer qual era qual de tão parecidos que eram. Nazo estava na frente deles, segurando um machado com uma só mão enquanto sorria diabolicamente para eles. Ambos os irmãos se afastaram tentando proteger um ao outro enquanto miravam atentos a arma que o homem carregava. Minhas mãos se pressionaram com força contra a madeira da janela enquanto via aquele momento... O ultimo momento da vida de um dos dois, ou talvez dos dois...
— Quem matarei primeiro? – ouvi Nazo perguntar o que fez meu corpo todo arrepiar. Era a primeira vez que ouvia alguém falar em uma das visões que tinha e cada vez pareciam mais marcantes e pesadas. Não sei em que momento prendi a respiração, mas acho que foi quando Nazo apontou o machado para Shadow. – Que tal o mais novo...
— Fique longe dele! – exclamou Mephiles se colocando na frente do irmão, que foi empurrado para trás caindo sentando na madeira bem polida. Desci do parapeito da janela e engatinhei sobre a cama sentindo como meu corpo se movia sozinho. Queria impedir aquilo, não queria que mais ninguém morresse, mas ao esticar a mão para segurar o braço de Mephiles a mesma o atravessou como se não existisse. – Antes terá que passar por cima de mim para chegar em meu irmão!
- Que amor familiar lindo! Pena que vai ter seu fim. – respondeu Nazo erguendo o machado com um sorriso maníaco no rosto e logo o descendo na direção de Mephiles que não pode fazer nada para se defender e o machado perfurou seu ombro, rasgando sua carne e espirrando sangue para os lados, sendo que algumas gotas tinham caído no rosto de Shadow que se encontrava em estado de choque. Era a primeira vez que o via dessa maneira.
Quando Mephiles caiu para trás pareceu que Shadow finalmente tinha recuperado a consciência e se lançou um pouco para frente para segurar o irmão. Meus olhos arderam ao ver a imagem de Mephiles respirando com dificuldade nos braços de Shadow enquanto sangue ainda escorria por seu corpo. Era claro que logo morreria pela quantidade de sangue que saia. Mephiles então ergueu um pouco a cabeça e sussurrou alguma coisa para Shadow que apenas assentiu um pouco hesitante.
Nazo ria igual a um psicopata enquanto via a cena, seu rosto cheio de sangue ao igual que seu cabelo branco e a blusa também branca. Por um instante tudo o que se ouvia no quarto eram as ridas até Shadow deixar o corpo do irmão no chão e se levantar, tirando o machado do ombro de Mephiles e o direcionando na direção de Nazo que conseguiu desviar por alguns milímetros, mas mesmo assim ficou preso contra a parede o que dera a oportunidade de Shadow sair correndo porta a fora, claro que não demorou muito para Nazo se soltar e ir atrás.
Quase no mesmo instante que Nazo sai pela porta Kaira entra, fazendo um choque entre o real e o irreal. Nazo passou por ela como desaparecendo logo em seguida, as manchas de sangue junto com o corpo de Mephiles também desapareceram, fazendo meu quarto voltar a ser o que era antes. Talvez com a diferença do clima pesado que caiu sobre mim.
— Maria? – a voz de Kaira me tirou de meus devaneios, me fazendo virar o rosto para vê-la. Meus olhos ainda deviam estar cheios de lagrimas, já que Kaira me mirou um pouco preocupada e se aproximou da cama. – Maria tudo bem? O que aconteceu?
— Você não consegue ver Kaira? – perguntei me lembrando que ela tinha dito que todos os exorcistas podia ver a morte dos fantasmas, o ultimo dia deles quando ainda estavam vivos. Ela me mirou confusa então eu logo continuei. – Não pode ver a morte deles? Não consegue ver a morte dos fantasmas?
— Precisa de uma grande quantidade de energia espiritual para isso, quando não se tem muita é preciso muita concentração e gasta muita energia. – respondeu ela colocando a mochila encima da cama e logo voltando a me mirar com preocupação. – Por que? O que você viu Maria?
— E-eu vi... – comecei a dizer, mas parecia que as palavras ficaram presas em minha garganta. Engoli em seco algumas vezes tentando desfazer o nó que tinha se formado na mesma e logo voltei a falar. – Eu vi a morte de Mephiles. Bem aqui, na minha frente. – apontei para o local que tinha visto tudo e Kaira pareceu ficar tensa por alguns instantes.
— Talvez seja o fato de você ter quase tido uma parada cardíaca. – mirei Kaira confusa. Parada cardíaca? Como assim? Eu apenas tinha desmaiado não? E como apenas eu podia ver Nazo? O que estava acontecendo aqui? – Te encontramos quase morta no cemitério. Shadow disse que seu coração havia acelerado de repente e logo depois quase parado. Acho que esse seu colar ai te protegeu na maior parte do tempo, era para você ter morrido naquela hora.
Levei a mão até o colar puxando-o para fora da roupa e olhando para o mesmo. Ele parecia ter um brilho um tanto azulado a sua volta. Aquilo trazia uma sensação de paz a meu corpo ao mesmo tempo que o fazia parar de doer por alguns instantes. Respirei fundo e o apertei entre minha mão me sentindo cada vez melhor. Logo que voltei a abrir os olhos voltei a ver Kaira que tirava alguns livros da mochila.
— Mudando de assunto, o que deram na escola hoje? – perguntei. Lembrei-me então que já tinha faltado dois dias nesses cinco primeiros. Se continuasse assim não iria me dar muito bem com a matéria do primeiro ano...
— Apenas um trabalho de literatura. Por sorte acabamos na mesma dupla e vamos ter que fazer juntas um texto sobre a valsa. – respondeu revirando os olhos mostrando que aquilo não lhe interessava nem um pouco. Ri pela reação dela e peguei os livros que ela tinha trago, todos eles sobre a dança. – Me pergunto para que um trabalho desses. O que literatura tem haver com dança?
— Se preferir posso pegar o note book da minha mãe e olharmos o que temos a escrever. – sugeri sorrindo para Kaira e ela assentiu ferozmente, quase suplicando com o olhar para que eu fizesse isso e assim terminássemos rápido o trabalho. Sorri para ela e logo me levantei da cama indo até a porta, só agora percebendo um pequeno detalhe. – Onde estão os outros?
— Tudo no quarto de Silver, assim eles não incomodavam você enquanto descansava. – respondeu e logo me indicou a porta, mostrando que era para eu pegar o computador rápido enquanto ela dava umas olhadas nos livros que tinha pego. – Vá logo enquanto eu tento começar esse maldito texto.
Ri um pouco e sai do quarto caminhando tranquilamente pelos corredores da enorme casa que agora passei a morar. Podia estar parecendo tranqüila, mas meus olhos pulavam de um lado para outro enquanto me concentrava em alguma mudança de meus sentidos. Meu braço ainda latejava pelo o que havia acontecido e não queria outro encontro com aquele maníaco assassino. Entrei no quarto da minha mãe aproveitando que ela não estava em casa (ou pelo menos eu pensava que não estava) e peguei a pasta onde ela carregava o leptop.
Caminhei de volta para meu quarto, mas então passei por uma porta que antes nunca tinha percebido. Era de madeira como todas as outras da casa, mas era mais escuro entalhada de maneira diferente e parecia estar bem mais concertava. Como curiosidade aqui sempre mata o gato, pendurei a alça da pasta do notebook da minha mãe no ombro e abri a porta adentrando no que parecia ser uma biblioteca cheia de estantes cheias de livros velhos e colecionáveis, com apenas algumas mesas mais para perto da porta.
Meus olhos brilharam ao ver a imensa quantidade de conhecimento que tinha na casa e quase esqueci do meu trabalho com Kaira, caminhando para dentro da biblioteca com passos lentos e um pouco atordoados. Aproximei-me de uma das estantes e olhei cada livro que tinha na mesma, analisando seus títulos, suas capas... Adorava ler e aquele lugar era agora meu paraíso.
Foi então que encontrei um livro de capa vermelha sangue sem titulo, sem detalhes, sem nenhum indicio do que poderia ser. Curiosa e intrigada o puxei para tirá-lo, mas chegou um ponto que o livro travou e um “tic” foi ouvido sair do que parecia ser engrenagens velhas e enferrujadas. Então um pedaço na estante afundou na parede até um ponto e logo deslizou para o lado revelando uma sala secreta do tamanho mais ou menos de um quarto. Ao adentrar no mesmo percebi vários papeis de jornais pregados na parede todos eles falando de corpos encontrados ao redor da cidade, assassinados de uma maneira brutal, mas que nunca se descobriu o assassino. Tinha pelo menos duas mesa no lugar, um armário que ao abri-lo vi varias armas manuais, e uma pequena estante com alguns livros.
Fui na direção das estantes logo que olhei algumas reportagens e olhei os livros que tinha por lá. Surpreendi-me ao ver alguns falando sobre exorcismo, fantasmas e coisas sobrenaturais, mas pensei que poderia ser útil para aprender sobre essa nova habilidade que tinha. Achei uma bolsa de couro marrom clara por ali e lá coloquei os livros sobre esse assunto, tomando cuidado para não danificar nenhum já que pareciam muito velhos. Mas a perda de livros fez com que alguns caíssem por estarem sem apoio, mas o que caiu no chão foi o que mais me assustou.
Era um fino livro, não tinha titulo, sua capa era negra com alguns detalhes em vermelho, as folhas já estavam amareladas pelo tempo e parecia quase se desmontar. O peguei com cidade e abri a capa vendo escrito na primeira folha em letras um pouco dificultosas e tremulas, um pouco apagada pelo tempo: “Diário de Amy_1880”
Alguma coisa travou em minha garganta e sabia que devia sair daquele lugar naquele instante. Já tinha conseguido tudo o que queria, apesar de não saber no momento que era o que precisava para solucionar todo o enigma em minha cabeça. Sai da sala secreta e a estante voltou para seu lugar logo que empurrei o livro-chave de volta para o lugar. Fiquei em pé na frente daquela estante e abrir o diário de Amy lendo a primeira anotação que tinha ali.
“Querido diário,
Finalmente aprendi a escrever e agora posso escrever tudo o que passo nessa casa dos horrores. Não sei quando fui trazida para cá, acho que era muito pequena na época para me lembrar, mas desde que me conheço por gente vivo sofrendo nessa casa onde dois maníacos vivem. Não sei quem são, em todos esses anos nunca nos disseram, só sei que era um homem mais ou menos de sessenta anos e um garoto de vinte e poucos. Eles nos torturam todos os dias! Tenho medo do que possam fazer comigo e meus amigos a cada dia e esse medo só aumenta com a chegada da morte do velho e a substituição dele pelo mais novo. Ele com certeza é o pior. Vivemos no inferno e não sou apenas eu e meus amigos, mas outras pessoas, crianças, adultos... são varias, mas nosso numero diminui com o tempo... Quando eles as matam”
Um calafrio percorreu minhas costas e minhas mãos pareceram se mover sozinhas indo para a ultima pagina escrita do diário, havia panas alguns escritos nelas, sendo que quase toda a pagina estava manchada de sangue. Não preciso dizer o que me aconteceu depois. Novamente “voltei no tempo” e vi Amy sentada no chão a minha frente escrevendo furiosamente no diário enquanto parecia se esconder de algo até que ele apareceu.
- Quem te ensinou a escrever pequena? – perguntou sorrindo maniacamente e arrancava o pequeno caderno das mãos de Amy. Ela se encolheu perto da estante onde estava e mirou a Nazo temerosa, tremendo incontrolavelmente. – Não me lembro de ter permitido isso.
- N-n-niguém. – gaguejou ela e mirando com os olhos marejados e o corpo tremulo. Nazo sorriu de uma maneira que chegou a me passar calafrios e logo ergueu Amy com apenas uma mão pelos cabelos. Ele a jogou contra a estante e pressionou seu corpo contra o dela enquanto mordia seu pescoço, e a pobre não conseguia fazer nada alem de chorar e implorar que não fizesse aquilo.
— Mentira. – murmurou Nazo e legou uma mão até a perna de Amy que chorava com ainda mais desespero. Eu apenas via aterrada tudo até o momento que Sonic apareceu e empurrou a Nazo para longe se colocando na frente de Amy que ainda chorava. Nazo sorriu divertido e Sonic foi para cima dele tentando dar-lhe um murro, mas Nazo esquivou com facilidade e esmurrou o estomago de Sonic, fazendo ele perder o ar. Logo o puxou para uma parede que tinha ali perto e colocou a mão na nuca de Sonic, que ainda estava atordoado, e o empurrou na direção da parede fazendo sua cabeça bater com força na mesma, e assim sucessivamente até o ponto que o rosto de Sonic ficou irreconhecível e o sangue escorreu aos montes pela parede.
Nazo o deixou cair no chão, já morto, e o sangue dele escorreu a montes pelo chão até ir o diário de Amy que se encontrava no chão com a ultima parte aberta, o liquido molhou as paginas do lado que ainda não foram escritas enquanto Nazo se dirigia para Amy que já passara a gritar o nome de Sonic em desespero. A próxima cena eu não consegui ver até o final, principalmente porque fechei os olhos e sai correndo, mas sabia o que Nazo tinha feito a pobre Amy. Uma coisa que toda garota temia, uma coisa que não se desejava ao pior inimigo... Amy fora estuprada violentamente, morta no processo.
Sai daquele cômodo fechando a porta ruidosamente atrás de mim. Ainda me encontrava de olhos fechados e havia percebido que minha respiração estava agitada. Não sei quanto tempo fiquei assim, tudo o que queria era tirar aquelas cenas de minha cabeça, esquecer tudo...
- Algum problema Maria? – perguntou uma voz a minha frente me fazendo dar um salto de susto e soltar um ligeiro grito abafado. Abri os olhos na hora e me encontrei com Mephiles e Shadow a minha frente, ambos preocupados me mirando sem entender. Suspirei um pouco mais relaxada e assenti com a cabeça. – O que estava fazendo?
— Procurando o notebook da minha mãe para fazer um trabalho com Kaira. – respondi com a primeira coisa que veio em minha cabeça e por sorte acho que isso os havia convencido, ao ponto de não perguntarem mais nada. Logo comecei a andar de volta a direção de meu quarto, mas os dois ficaram no mesmo lugar. – Não querem vir?
Eles se entreolharam por um momento, mas logo assentiram e me seguiram até meu quarto. O caminho inteiro foi em silencio enquanto subíamos a escada e abria a porta para me encontrar com uma completamente desorientada Kaira que estava completamente perdida em meio a livros e mais livros. Ri divertida e me sentei com ela na cama com Mephiles e Shadow posicionados perto de nós.
— Vou colocar um vídeo para vermos de valsa ok? – perguntei para Kaira e a mesma assentiu. Programei tudo e não demorou muito para o vídeo ficar completamente carregado e assim podermos ver. Não era como a valsa que costumávamos dançar, passinho para o lado passinho para o outro, mas sim uma mais complicada feita por pessoas já experientes no assunto, coisa que pareceu interessar aos dois fantasmas.
- O que é isso? – perguntou Mephiles um pouco surpreso apontando para a tela do computador. Sabia que não era o computador porque já havia respondido para eles o que era, então só devia ser a valsa.
- Se chama dança. Isso daí é uma forma mais complicada, mas tem versões mais simples. Tem vários tipos de dança, esse é a valsa. – respondeu Kaira tentando parecer entender sobre o assunto e eu ri com a ação, mas os garotos ainda ficaram um pouco impressionados com o que viam. Eu e Kaira nos entreolhamos e sorrimos uma para outra. – Querem tentar?
Os garotos se entreolharam um pouco duvidosos, mas Kaira nem dera tempo para pensarem. Logo ela tinha puxado Mephiles para o centro do quarto e o posicionava, colocando uma mão dele em sua cintura, colocando a própria mão no ombro dele e as duas livres se entrelaçavam, claro que os corpos estavam bem juntos. Sabia que minha mãe tinha guardado na memória do computador a valsa que ela tinha dançado com nosso pai no casamento de ambos então a coloquei paratocar e os dois começaram a dançar.
No inicio se notava que Mephiles tinha uma pequena dificuldade para acompanhar, mas com o passar dos segundos ele pegava o ritmo e o jeito da coisa e logo não precisava mais olhar para os próprios pés para ver se não pisaria nos de Kaira. Foi então que percebi uma coisa, ambos se encaravam, os rostos bem próximos e não pareciam se incomodar com tal coisa. Deixei o computador em um lado da cama e me ajoelhei na mesma vendo com um grande sorriso no rosto como ambos pareciam estar em seu próprio mundo, perdidos nos olhos um do outro.
Então olhei para Shadow ao meu lado e por um instante duvidei. Meu coração se acelerou até não poder mais e minhas mãos suaram frio. Deveria realmente fazer isso que estava pensando? Realmente deveria arriscar? Bom quem não arrisca não petisca então era melhor não perder a chance. Segurei sua mão e o puxei para o centro do quarto, também o posicionando e logo começamos a dançar. Era um pouco surpreendente ver que ele havia pego todo o método apenas olhando para Mephiles e Kaira, sem falar que ele tomava o máximo de cuidado com meu braço machucado.
- É algo relaxante. – comentou ele enquanto permanecíamos naquele vai e vem que estávamos girando de vez em quando. Sorri para ele e logo voltei a me concentrar no que estava fazendo. Meu rosto estava completamente corado e meu coração a mil e em minha mente me questionava o que de verdade sentia por aquele fantasma que tinha a minha frente. Não era tão simples como amizade disso eu tinha certeza. – Maria... – ergui o rosto e o mirei só para perceber que o rosto dele estava bem próximo ao meu o que apenas me fez ficar ainda mais nervosa. – Sabe aquele dia na roda gigante?
- Hum... – foi o único que consegui responder enquanto ele se aproximava lentamente de mim. Não sei se fantasmas respiravam, mas parecia que um hálito gelado saia da boca de Shadow e batia em meu rosto me passando calafrios por todo o corpo.
- Eu queria fazer uma coisa... Mas preciso que me diga se quer... – falou em um sussurro enquanto seu rosto ficava ainda mais próximo do meu. Meus olhos começaram a se fechar e tudo o que pude fazer em meu estado meio grogue foi assentir com a cabeça concordando. E por fim nossos lábios se fundiram em um.
Se algum dia me perguntasse se eu já sonhei em dar meu primeiro beijo com um fantasma eu te responderia que você teria bebido varias, mas agora... Tudo parecia tão mágico. No inicio foi sereno, tranqüilo e delicado, como apenas um roce entre nossos lábios, e toque inocente. Então ele pressionou mais sua boca contra a minha e por um momento as coisas ficaram um pouco mais profundas. As duas mãos deslizaram para minha cintura e meu braço bom foi para seu pescoço, entrelaçando em seus cabelos negros. Então ele começou a se mover sobre meus lábios e eu apenas o seguia com os olhos fechados aproveitando cada instante.
Não se quanto tempo ficamos assim, mas quando nos separamos minha respiração estava agitada e meu pulmão doía ligeiramente. Sabia que ele não sentia o mesmo por já estar morto, mas pelo sorriso que me dedicou sabia que tinha gostado ainda mais do que eu. Um ligeiro movimento em nosso lado nos fez virar a cabeça só para ter uma surpresa não muito impactante.
Kaira e Mephiles se beijavam, mais intensamente do que eu e Shadow fizemos. Kaira tinha os dois braços envolta do pescoço de Mephiles, ficando na ponta dos pés para alcançar o rosto dele, sendo que o mesmo ainda tinha que abaixar um pouco. Ele tinha as duas mãos no rosto dela enquanto mexiam seus lábios ferozmente um contra o outra em algo que, mesmo com minha baixa experiência no assunto, sabia que era profundo o bastante para estarem com a língua dentro da boca do outro.
— Vamos dar privacidade a eles. – me sussurrou Shadow para logo me puxar para outro beijo, mais rápido e tranqüilo que o outro. E logo saímos de mãos dadas do quarto ficando no primeiro degrau perto da porta. Não demorou muito para Shadow me puxar para outro beijo mais profundo que os outros. Eu apenas fechei os olhos e deixei que ele guiasse como em uma dança.
As mãos dele passavam por minha cintura e subiam para o rosto enquanto seus lábios se moviam contra os meus com impaciência até o ponto de morder meu lábio inferior e me fazer abrir a boca permitindo que sua língua adentrasse na mesma enquanto a minha, um pouco mais lentamente, ia até a sua. E era nessas horas que odiava estar viva, meus pulmões exigiram ar e por mais que quisesse continuar Shadow sabia que precisava respirar e por isso se afastou. Mas quando íamos dar outro...
— Maria! Chama a Kaira e vem jantar! – gritou minha mãe provavelmente no corredor perto do quarto do Silver. Respirei fundo e soltei um leve suspiro.
— Você desperta os dois ai dentro e eu vou lá para baixo jantar ok? – perguntei para Shadow e ele assentiu com um pequeno sorriso no rosto. Ele me deu um pequeno beijo na testa e logo me permitiu descer as escadas e ir até a sala de jantar.
Digamos que foi o melhor jantar de todos. Em meio a conversa entre eu, Kaira e Silver, tentando ocultar o máximo que conseguíamos a parte que os fantasmas falavam Shadow não saiu do meu lado e sempre me abraçava ou segurava minha mão. Mas por mais que adorasse isso, por mais que percebesse que passei a gostar muito de Shadow sabia que tinha um problema que impedia isso. A questão da vida e da morte...
Notas finais
Bjsss e até a proxima!
Fale com o autor