"Como a vida de uma pessoa pode mudar tanto em um ano?" Venho me perguntando isso nos últimos 365 dias e ainda não encontrei a resposta. As vezes o destino pode ser cruel e eu tenho muito medo do que ele me reserva.
Há um ano atrás eu era feliz com a minha família. Eu amava minha vida, amava meus amigos, a escola em que eu estudava, era feliz por completo, até aquele maldito acidente acontecer e me fazer mudar de ideia.
E então eu sempre me pergunto: "como a vida de uma pessoa pode mudar tanto em um ano?"
Se eu pudesse voltar atrás e fazer diferente, eu faria, mas nada é tão simples.
— Querida, o almoço já está pronto. — Minha avó me chamou.
Depois de tudo o que aconteceu, vim morar com ela, mas não tenho vontade de fazer nada. Não tenho vontade de comer, de respirar, nem de chorar, não tenho forças.

— Há um ano atrás -


Meus pais estavam de férias e eu também. Morávamos em Minas Gerais e iríamos visitar minha avó, que morava no Rio de Janeiro.
Minha mãe estava em seu quarto se arrumando enquanto eu já estava pronta e a esperava na sala.
— Querida, por favor, me ajude com as malas. — Papai me chamou do topo da escada.
Subi as escadas, peguei as malas mais leves e as levei para a sala. Meu pai fez o mesmo com as malas mais pesadas.
Fui até o quarto de minha mãe.
— Mãe, já está pronta? — Perguntei batendo levemente na porta.
— Sim. Só vou passar um pouco de perfume e já desço. — Minha mãe disse e eu ri, ela amava perfumes. Voltei para a sala e esperei por ela enquanto meu pai ligava pedindo um táxi. Logo minha mãe desceu e estava linda!
— Vamos? — Meu pai perguntou quando ouvimos a buzina de um carro.
— Vamos! — Minha mãe e eu respondemos juntas.
Ajudei meu pai com as malas e entramos no táxi, indo para o aeroporto. Minha mãe se sentou atrás comigo e meu pai foi no banco da frente, ao lado do taxista.
O caminho não era longo, minha casa ficava vinte minutos do aeroporto.
Fiquei conversando com minha mãe o tempo todo, éramos muito amigas e eu amava conversar com ela, minha mãe era minha melhor amiga.
De repente o tempo fechou e uma forte chuva começou a cair.
— Não é melhor deixarmos a viagem para semana que vem? — Perguntei para meus pais.
— Não se preocupe, querida, já essa chuva passa. — Meu pai respondeu dando um sorriso. Tentei retribuir mas senti uma forte dor no peito.
— Mãe, por favor ... — Disse baixo para ela com os olhos cheio de lágrimas.
— O que foi, meu amor? — Perguntou preocupada.
— Eu não sei, estou com uma dor no peito. — Respirei fundo e continuei. — Sinto que algo de muito ruim vai acontecer. Não podemos mesmo adiar a viagem?
— Nada vai acontecer enquanto todos estivermos juntos, ok? Eu prometo. — Ela beijou minha testa. — Agora se acalme e dê aquele sorriso que eu tanto amo. — Pediu me olhando e eu respirei fundo, dando um sorriso forçado de lado.
Deitei sob o peito de minha mãe abraçando seu corpo fortemente, coisa que ela retribuiu na mesma hora e eu acabei pegando no sono por cinco minutos, logo depois fui acordada por um baque.
Eu estava desacordada, mas podia ouvir tudo o que se passava ao meu redor. As sirenes, as gotas de chuva caindo pelo meu corpo, vozes ao meu redor ... Eu não entendia nada!
Acordei em um lugar de paredes brancas e com cheiro enjoativo, um hospital.
— Como se sente? — Perguntou um médico vindo em minha direção.
— Bem. Minha cabeça dói um pouco, mas consigo suportar.
— Isso é bom. Você não teve nenhum trauma, daqui há algumas horas estará liberada. — Ele disse sorrindo para mim.
— Ainda bem, não gosto de hospitais. — Disse e sorri, mas logo me lembrei de meus pais. — E os meus pais, como eles estão? — Perguntei entrando em desespero.
— Você precisa se alimentar, vou pedir para a enfermeira trazer alguma coisa para você. — Disse e quando ia se virar para sair, segurei em seu braço.
— Onde estão os meus pais? — Perguntei deixando algumas lágrimas escorrerem.
— Eles não resistiram, eu sinto muito. — Soltou de uma vez e eu fiquei sem reação.
Naquele momento meu mundo se abriu, eu já não escutava mais nada. Em um momento tudo estava perfeito, lindo e em outro já não estava mais. Eu tinha perdido os meus pais, as pessoas que eu mais amava no mundo. Eu os tinha perdido e nem tinha tido a oportunidade de dizer a eles que eu os amava. Eu tinha perdido as pessoas mais importantes da minha vida.

— Dias atuais -


E eu continuo aqui, me perguntando: "como a vida de uma pessoa pode mudar tanto em um ano?" Mas onde eu estou? Que lugar é esse, afinal?
Fiquei de pé e passei por minha avó, indo em direção á porta.
— Onde você vai? — Ela perguntou preocupada.
— Vó, eu amo muito a senhora! Me desculpe por qualquer sofrimento que eu causei. — Disse e fui em sua direção dando um abraço e um beijo nela, saindo da casa logo em seguida.
O dia estava lindo para ficar na praia com a família, brincando, olhando o mar ... Mas droga, eu não tenho família, não mais! Qual o sentido da vida, então? Levar as pessoas que você ama para longe e te fazer sofrer? A vida é uma droga!
Andei sem rumo até achar um lugar perfeito! Era deserto, não havia ninguém ao redor. Apenas uma grande pedra no meio daquela imensidão de águas claras.
Subi naquela enorme pedra e um vento forte soprou. Olhei para o céu que há poucos minutos atrás era azul, mas que agora já estava tomando um tom acinzentado e fechei os olhos. O vento forte soprou outra vez e eu fui me aproximando da beirada da pedra. Olhei para baixo e vi o mar agitado, parecia enfurecido. Por um momento pensei em minha avó que sofreria muito se alguma coisa ruim me acontecesse, mas eu queria tanto reencontrar minha família ... A saudade era grande demais e a dor mais ainda, eu não suportaria. Olhei para o mar mais uma vez e pulei.

Um filme se passou pela minha cabeça. Minha mãe brincando comigo e sorrindo para mim, meu pai saindo cedo para trabalhar e voltando a tarde com um presente, minhas festas de aniversário ...
Acordei em um lugar estranho. Do lado esquerdo havia uma ponte e do lado direito também. Vi algumas pessoas indo para o lado direito e resolvi ir também, até que vi minha mãe vindo em minha direção com um sorriso no rosto.
— Mãe! — Corri até ela a abraçando. — Senti tanto a sua falta! — Disse chorando.
— Eu também, meu amor! — Ela retribuiu meu abraço.
— Onde está o papai? — Perguntei procurando por ele.
— Estou aqui, querida! — Disse aparecendo atrás de minha mãe.
— Pai! — Corri até ele e o abracei. — Promete que nunca vamos nos separar? — Perguntei olhando para ele.
— Prometo! — Ele disse e eu o abracei novamente.

Notas finais
Essa foi minha primeira short fic, eu espero que vocês tenham gostado! Deixem comentários para eu saber se devo fazer mais histórias desse gênero ou se devo continuar com as histórias normais.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!