Mundo De Plástico
1 Único.
Eu somente recosto minha cabeça na janela e imagino o mundo de plástico que se compõe através dela. Não consigo imaginar nada sem me decepcionar. Apenas escute meus prantos, a água escorre como se fosse uma folha ao vento. A decepção é a sequência da existência, então não me surpreendo ao me ver frágil.
Escute os pássaros. Eles cantam de modo tão belo que me encantam e me fazem repensar se devo existir. Tente observar com meus olhos, você enlouquecerá.
Meu coração dói. Minha mente dói e eu não consigo me recompor. Minh'alma não consegue sustentar-se e desaba ao chão como um livro derrubado. Ela está sendo enforcada por mim mesma, por mais que eu tente... ignorar.
Não sonho. Apenas sigo o que algo maior me diz e vago por esse mundo de plástico, apenas procurando minha própria sombra. É uma solidão infundida, que me segue como se fosse um cachorro sem dono. Me pergunto o quão isso irá me afetar.
Olho para o céu e meus olhos ardem. Tudo é fechado em volta do meu próprio coração, e meu egoísmo tranca a saída de ar. Não quero ser percebida. Uma entre milhões não faz diferença.
Por mais que minha mente seja aturdida por perguntas que qualquer um não ligaria, eu enlouqueço somente em tentar entendê-las. Abro meu peito e vejo um coração vazio, às vezes, nenhum coração.
Sento-me numa sombra e balanço meus pés. Quero fugir desse mundo plastificado, que me agonia. Que arranca minha sanidade, que me deixa paranoica.
Cambaleio pela linha da existência e não sei distinguir direita de esquerda. São inúmeros espelhos atrasados. Um choque que me corta em tiras quando vejo pessoas despreocupadas.
Volto a caminhar pela rua, sigo minha rotina.
Quando vamos deixar de ser ignorantes e pensar? Oh, como a vida me dá uma tortuosa chance de existir.
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