Mulheres Fabray
3 Conversas Indesejadas
Notas iniciais
— Hei, Punk, você tem visitas! — a porta se abriu com força fazendo o homem erguer os olhos. E vislumbrar Quinn e Brit.
— Tenho que dizer que não esperava isso. — Quinn atravessava a sala para abraçar o amigo. — Detetive Punk.
— Eu poderia atirar em vocês, não entre na minha sala assim… — Ele dava um super abraço nas duas. — Quando chegou na cidade, Quinn?
Quinn admirava a sala de Punk com atenção. Parou um instante em um porta retrato que o jovem ainda vestia o uniforme azul e segurava uma placa de detetive, a mesma que ainda estava em sua mesa. Abraçado a ele estava a mãe e a irmã, um pouco mais distante Rachel. Deus, essa garota a perseguia por todos os lados.
— Por que você não me paga um almoço e te conto como anda a minha vida. — Ela fingiu não ver a foto, Punk e Brit fingiram não notar.
— Vamos minhas loiras, me deixe exibir vocês pelo departamento. — Abraçou cada uma por um lado e seguiu sorridente acenado para os colegar.
Quinze minutos depois eles estavam em um restaurante que Quinn nunca ouvirá falar.
— Sempre tive um relacionamento bem íntimo com a lei, nada mais justo que me casar com ela. — Punk explicava.
Quinn ainda não acreditava em seus olhos, o moicano tinha ido embora, agora era um corte sóbrio, e as camisas e jeans substituidas por terno e gravata.
— Não, tem mais nesta história. — Quinn riu. — Você só acordou um dia e quis ser Detetive?
Os olhos de Noah nublaram, por um instante foi como se ele não estivesse mais ali. Seu sorriso morreu devagar e ele assentiu com a cabeça.
— É, um dia eu acordei e quis ser Detetive. — Ele sentiu os olhos das duas cairem sobre si, sacudiu os ombros e voltou a sorrir. — Mas diga, Brit, como vão as coisas com as aulas de dança e quando aquela sua mulher louca vai voltar?
— Ah, — Brit fez um beicinho. — Estou morrendo de saudades da minha morena…
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Ser mãe é uma coisa complicadamente simples. Você tem que colocar sua criança antes de você, fazer com que ela acredite em magias que você não consegue ver, ser rígida quando ela apronta e ser carinhosa quando ela está sensível, uma corda bamba que é impossível se manter estável, mas uma coisa você sempre faz, sem margem para erros ou dúvidas: Quando alguém machuca seu bebê você vira o bicho, ataca com todas as suas armas, quebra qualquer regra. Mas e quando você tem duas filhas que estão claramente machucando uma a outra. Como você as protege delas mesmas.
Judy via os olhares de Quinn para Franny, da mesma forma que via Franny evitar ao máximo estar próxima de Quinn. Queria resolver isso e ali estava ela, com a única pessoa que poderia fazer algo, prestes a pedir que machucasse a sua filha mais velha quase o quanto machucou a mais nova.
— Judy, — Rachel servia a mesa próxima a janela que a Senhora Fabray sempre se sentava. — Um chá de mate com um cubo de açucar e limão e biscoitos de nata para acompanhar. — A jovem lhe sorriu de uma forma nervosa.
— Rachel, sente-se comigo um instante sim. — Ela acenou e a Rachel não pode recusar, não haviam tantos clientes que ela não pudesse para um pouco e deixar as coisas por conta de Marley. — Bom, eu queria conversar com você sobre…
Ela tinha todo um discurso pronto, pediria que a mulher se afastasse de suas filhas, tentaria de forma doce deixar claro que a proximidade dela com Franny havia criado uma cratera entre as irmãs, mas não conseguiu dizer nada disso. Seus olhos vislumbraram um carro estacionar bem na frente do café e um homem de terno sair de lá. Ele olhava ao redor e seus olhos cairam nela.
A idade havia feito bem a ele, cabelos aparados não conseguiam esconder os fios brancos que começavam a despontar. O terno dava uma sobriedade que as camisas com espantas hippys nunca conseguiram, mas o sorriso de lado estava ali, e ao ver Judy não conseguiu segurá-lo, na verdade sequer tentou.
Ela estava em apuros, não ainda mais complicado que isso, ela estava ferrada e sabia disso, seus problema aumentava conforme ele caminhava em direção a entrada do café.
— Lance. — Seus lábios permitiram escapar.
— Lance? — Rachel substituiu a cara de aflição por uma de completa dúvida.
Só então que Judy percebeu que havia falado em voz alta e que Berry ainda estava ali aguardando que ela se explicasse, mas como definir quem é Lance, poderia começar dizendo que ele foi seu maior e melhor erro.
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Ele não conseguia parar de pensar nos sorrisos de Felicity, da forma com que ela olhava para a outra garota, a forma com que lhe tocava de leve os ombros, ou como ela andava de forma a deixar a distância certa entre elas, nem perto demais nem distante demais.
Ele conhecia todos esses sinais porquê um dia foi para ele que ela sorria, seu corpo que ela tocava e para quem irradiava calor. Sentiu a necessidade de ver a outra garota de perto, talvez se a visse compreendesse o que Fel… Francine, o que Francine viu nela e assim seguiu para o café, passou pela mesa da Senhora Fabray e assistiu a garota andar pelo café.
Não conseguia ver nada de especial nela, era baixinha, morena, com longos cabelos negros, cada aspecto dela era o contrário delem um homem alto, loiro com cabelos curto, não conseguiu evitar a comparação. Ele queria conversar com ela, mas ela se sentou derepente e outra garçonete veio em sua direção.
— Boa tarde, o que o senhor deseja? — Ela perguntou com um olhar simpático e um sorriso tímido.
Ele ainda deu mais uma olhada em Rachel, sim, ele sabia o nome dela, pode ouvir a Judy falar em voz alta, virou para a moça que o atendia, e pediu um café para viagem. Tudo na posição de Judy indicava que seria uma conversa longa e ele não estava interessado em esperar. Pegou o café, trombou em um senhor de terno que tinha um sorriso bobo no rosto, desculpou-se e seguiu devolta para o hotel.
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— Judy Fabray. — A voz rouca fez com que Rachel se virasse para encarar o recém chegado. Ela se levantou e ele ergueu as mãos. — Não, senhorita, por favor, não pretendia atrapalhar.
Judy pretendia deixar claro que precisava coversar com Rachel, mas Berry já estava de pé se afastando da mesa o mais rápido que conseguia insistindo que traria para ele um café e alguns biscoitos por conta da casa.
Ele se sentou e o coração de Judy parecia querer correr pela janela, um misto de anciedade, desejo e pavor crescia. Os minutos se arrastavam
— Lance, como vai? — Ela mexia nervosa no cabelo.
— Bem, — ele bateu de ombros, — e você, como vai a rainha do baile?
A noite do baile a tantos e tantos anos voltou na mente dela e fez com que ela corasse, Santíssimo, depois de velha ainda corar.
— Muito bem, obrigada. — Rachel deixou o café, sorriu mais um pouco e voltou para balcão instruindo Marley a cuidar de tudo que precisava fazer mais uma fornada de biscoitos.
Ele tomou um gole do café e descobriu que a garota tinha o dom para lhe trazer o café perfeito.
— Acredito que temos muito o que conversar. — Ele pontuou e Fabray sentiu o biscoitinho de nata que acabara de colocar na boca descer arranhando toda sua garganta.
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