Muitos beijos e amores
5 Conversas...
Notas iniciais
– Olá Eduardo. Como está se sentindo? – perguntou Junior entrando em casa.
– Entediado. – respondeu com o travesseiro sobre seu rosto. – E então, como foi lá no Orfanato?
– Foi tudo de acordo como tínhamos imaginado. – afirmou Junior sentando ao seu lado no sofá e Carol sentando em seu colo. – Ficaram perplexos com a revelação.
– Claro que sim. Não imaginavam que fosse serio dessa maneira. – retrucou Carol. – Mas então Duda, falei ao pessoal do Orfanto que se você estivesse mas disposto amanhã iria fazer uma visitinha a eles. – acrescentou Carol.
– Está bem. – concordou ele levantando-se do sofá. – Bem, já que não tenho nada para fazer vou dormir. Boa noite para vocês!
Pov Thiago:
Faltava um pouco ainda para o dia clarear, de madrugada, mas precisamente as 5:30 da manhã. Todos ainda estavam dormindo, até Chico e Ernestina, pois o nosso costume de fins de semana era acordar depois das oito da manha. Meu sono já havia indo embora, rolei na cama por algum tempo na esperança de voltar a dormir, mas sem sucesso. Quando sosseguei, parado olhando para o teto num silencio que já estava me fazendo mal e com os pensamentos gritando dentro de mim, resolvi deixar a preguiça de lado e ir assistir algo na TV. Eu gosto de dormir a vontade, na maioria das vez durma apenas com um shorts ou, no caso de hoje, uma calça moletom. Antes de me levantar, como de costume dei uma olhada nas minhas redes sócias e após fui até o banheiro fazer minhas hegienes matinais. Quando me aproximei das escadas percebi que a TV estava ligada num volume baixo e uma das meninas assistia enquanto tomava algo numa caneca cor de rosa.
– Acho que tivemos a mesma ideia. – sussurrei baixo ao pé de seu ouvido.
– Ai Thiago, que merda. – gritou Bia tomando um susto. – Meu deus, nunca mais faça isso.
– Desculpe. O que está assistindo? – indaguei sentado-me ao seu lado. – Filme de terror?
– Não há opção melhor. – respondeu ela dando um gole em sua bebida. – Gosta de filmes de terror?
– Gosto, mas sou mas do tipo ação e aventura. – respondi. – E também não sou do tipo de assistir filmes de terror na madrugada sozinho. Não tem problemas com isso?
– Ah, eu fico com medo sim, não tem porque mentir. Afinal, esse é o propósito desses filmes, e eu me amarro, acaba que a curiosidade a maior do que o medo. – respondeu ela forçando os olhos para me encarar. – Enfim, perdeu o sono?
– Infelizmente. – respondi revirando os olhos. – Parece que você também.
– Na verdade não, eu acho que nem dormir. – respondeu ela com uma aparência cansada. – Com as ultimas emoções, não tem como ter um bom sono.
– Dá para perceber, sem ofensas. – retruquei.
– Shhhhh! – sussurrou Bia. – Está vindo alguém. Rápido, vamos subir. – concluiu desligando a TV rapidamente e após correndo em direção as escadas junto a mim.
Mais tarde...
– Oi Bel. – cumprimentou Janu ao ver Bel passar em frente a sua varanda. A mesma ao ver que se tratava de Janu apressou o passo sem olhar para trás. – Ei, Bel, espera! – exclamou Janu correndo atrás dela.
– Que foi Janu? Eu tenho que ir até a padaria, minha mãe está esperando. Preciso ir, dá licença. – respondeu Bel impaciente.
– Você está estranha. Aconteceu alguma coisa? – perguntou Janu a acompanhando.
– Deve ser sua cabeça, eu estou ótima. – afirmou forçando um sorriso falso.
– Sei...Não vou te atrapalhar, já que está com tanta pressa. – falou Janu. – Mas tarde nos falamos.
– Espero que não. – murmurou Bel voltando ao seu rumo.
No Orfanato...
– Mosca, pode me responder uma coisa? – indagou Rafa franzindo o cenho.
– Manda. – respondeu Mosca.
– Então, quando uma menina fala que precisa conversar serio, é ruim? – perguntou ele.
– Ah cara, sei lá, acho que sim...ou não. – respondeu ele confuso. – Não tenho conversas serias com a Mili, quer dizer, não tinha. – consertou ele.
– Entendi. – afirmou ele. – Mas mesmo assim, obrigado.
– Não querendo ser intrometido mas já sendo, porque dá pergunta? – indagou Mosca levantando a sobrancelha direita. Rafa sorriu para ele enquanto pegava seu celular no bolso, logo passou a digitar algo e alguns segundos depois o celular de Mosca apitou.
– Leia a mensagem e depois, por favor, apague. – pediu Rafa.
– Rafão, que boa noticia. – afirmou Mosca terminando de ler o celular. – Fico feliz que tenha sido apenas um mal entendido, mas quanto a parte dos vizinhos...
– Péssimo, eu sei. Por isso que quero que não fale com ninguém, por enquanto. – disse Rafa. – Enquanto não temos nenhuma prova contra eles, vamos continuar de acordo com o plano deles, seja lá qual for.
– Sabe que pode confiar em mim. – falou Mosca que em seguida guardou o celular. – Mas enfim, como vai fazer para que a Bel entre despercebida no Orfanato?
– Temos que, principalmente nos preocupar com o Marian, afinal ela está bem próxima dos vizinhos. – afirmou ele. – E para isso peço que fale com a Pata para dar um jeito de mante-la ocupada. E em segundo plano, todos tem que pensar que ela veio apenas fazer um trabalho da escola com alguma das meninas. – concluiu ele.
Na cozinha...
– Nossa Chico, está uma delicia esse pudim. – afirmou Pata após terminar de comer.
– Está mesmo, sempre estar né. – concordou Mili pegando outro pedaço.
– Quero um desses no meu aniversario, Chico. – pediu Teca junto de Ana, Tati, Neco e Maria.
– Chico, eu vou dar uma saidinha rapidinho, tem algum problema? – indagou Marian adentrando na cozinha. Ela vestia uma regata branca, um short jeans claro e uma sapatilha amarela.
– Com tanto que não volte tarde. – afirmou Chico.
– Está bem. Obrigada. – falou Marian retirando. – Até mais tarde.
– Ei, Pata. – chamou Mosca entrando na cozinha. – Venha aqui rapidinho?
– Ah Mosca, agora estou ocupada. – disse Pata virando-se para seu pudim.
– É rápido patrícia e é importante. – insistiu ele.
– Ai que saco! – exclamou ela seguindo Mosca até o pátio. Chegando lá, ele passou a contar sobre Bel e Rafa, sobre o plano dos vizinhos e sobre a visita de Bel.
– Não, claro que eu ajudo. – afirmou ela. – Esses idiotas não se importam com nada mesmo, apenas com eles.
– Eu vi que a Marian saiu toda arrumada da cozinha, ela vai a algum lugar?
– Felizmente sim, parece que ela vai ter um encontro com o Juca. Bem, foi o que Cris nos contou. – respondeu ela.
– Ótimo. Agora, a próxima parte vou deixar por sua conta. Está bem? – Perguntou ele. Ela assentiu e voltou a cozinha.
******
Na sorveteria próxima ao Orfanato...
– Hum, você veio. – falou Marian ao ver quem a esperava na sorveteria.
– Eu disse que viria, apesar de estarmos expostos demais. – afirmou o garoto.
– Venha comigo. – ordenou ela puxando o tal para um beco próximo. Ao chegar lá, ferozmente jogou a pessoa na parede, indo, após, para cima dele. – Aqui está melhor?
– Isso não importa. – respondeu o garoto, agora, Marian estava encostada na parede e em sua frente estava o tal. – Viemos aqui por outro motivo. Um bom motivo. – concluiu o garoto que em segundos agarrou-a ,como se quisesse evitar que ela fugisse, e a beijou ardentemente, exageradamente, com direito a pegada e mão boba.
De volta ao Orfanato...
Cris, Vivi, Bia conversavam na sala, Thiago, Binho e Samuca viam algo no computador. Rafa e Mosca conversavam no pátio esperando a chegada de Bel enquanto Pata aguardava ela impaciente na sala, junto de Mili.
– Pata, pare de ficar saculhejando essa perna, está me deixando angustiada. – pediu Vivi com um palito de laranjeira na boca.
– Olhe para o outro lado. – retrucou ela sem olhar para Vivi.
– Pata, está dando muita bandeira, pare de demonstrar que está nervosa. – Murmurou Mili.
– Não estou nervosa, estou impaciente. Odeio esperar, essa menina está...
Pata, assim que escutou o som da campanhia, imediatamente parou de falar e correu para abrir a porta.
– Eu atendo! – gritou ela. – Olá Bel. Como vai?
– Vou bem e você?
– Estou ótima. Entre, por favor. – pediu, abrindo mas a porta.
– Licença. – falou Bel entrando no Orfanato. – Trouxe o material que pediu. – continuou Bel, que entrou na brincadeira, pois já tinha sido avisada do plano.
– Material? Não pedi nenhum material. – afirmou Pata franzindo o cenho. Bel ficou com cara de taxo. – Ah, aquele material... que maravilha. Vamos ao pátio, temos muito o que fazer. – consertou Pata desajeitada.
– Bel, que bom vê-la aqui. Como vai? – perguntou Cris.
– Também é ótimo ver vocês. – afirmou ela. – Eu vou bem, obrigada por perguntar.
– Ué, o que lhe traz aqui? Você não tinha terminado com o Rafa, voltarão? – questionou Bia deixando Pata, Bel e Mili tensas.Antes que Bel pudesse responder, Pata tomou sua frente.
– Ela veio fazer um trabalho comigo, um trabalho bem importante. – respondeu ela.
– Não lembro de a professora ter passado nenhum trabalho em dupla e importante. – afirmou Bia desconfiada.
– Merda... – sussurrou Pata tensa. – Não é trabalho escolar, é um trabalho para... a caridade, isso a caridade. – respondeu ela. – E chega de perguntas, temos que ir. – concluiu ela correndo para fora dali o mas rápido possível.
– Eu hein Bia, que inconveniência, que saber de tudo. – reprendeu Mili.
*****
– Nossa, essa foi por pouco. – afirmou Bel ao passar pela sala.
– É, foi mesmo. – afirmou a levando até o pátio. – Escute, o Rafa está bem ali. Eu vou ficar aqui, para não desconfiarem de nada. – concluiu Pata apontando para uma porta, que levava para a parte traseira do Orfanato. Bel assentiu e foi a procura de Rafa.
– Amor? – chamou Bel.
– Estou aqui. – sinalizou ele, que estava em pé atrás de uma arvore.
– Já estava com saudades. – afirmou ela dando um selinho nele.
– Eu também. Queria poder de beijar na frente de todo mundo, sem se importar com ninguém. – falou ele a beijando, desta vez um beijo mas complexo. – Mas, então, o que quer me dizer de tão importante?
– Eu escutei uma conversa, entre a Janu e a Marian. – então Bel passou a contar tudo que havia ouvido.
Pov Mosca:
Mili... o nome que ecoa na minha cabeça. O que fiz foi ruim, muito ruim e sei que ela está certa de ter terminado comigo e fingir que não existo, porém isso está acabando comigo. Eu não consigo ignorar o que sinto por ela, é forte demais. Tenho que dar um jeito nisso, preciso dar um jeito nisso. Uma caminhada agora me faria bem, é o que farei. Peguei o casaco que estava pendurada na armação da minha cama, calcei um tênis e troquei as bermudas por um calça de moletom de cor preta. Sai apressado do quarto, para os meninos não ficarem me fazendo perguntas desnecessárias, e acabei, sem querer, esbarrando em alguém.
– Foi mal ai. – me desculpei sem olhar para a cara da pessoa, estava com pressa, então voltei a caminhar para as escadas.
– Espera! – gritou a pessoa, pela voz baixa e doce, se tratava de...
– Mili... – sussurrei ao virar para trás.
– Sim, sou eu. – respondeu ela, num tom frio. – Não queria criar um dialogo com você, mas fui contra a minha vontade e estou agindo de acordo com minha sanidade. Acho que precisamos conversar, sobre o que houve com a gente naquela noite.
– Desculpe Mili, mas eu não estou com cabeça para falar sobre isso. Vamos deixar para outro dia. – disse.
– Aproveite que hoje eu estou de bom humor, se deixar para outro dia, quem não vai querer sou eu. – retrucou ela. – Ande , vamos até a praça.
*******
– Meu deus Bel, isso é muito serio. – afirmou Rafa indignado com o que tinha acabado de ouvir. – Como conseguiu ser amiga de uma garota como essa? Senhor, ela tem um parafuso a mais, só pode.
– Uma pessoa nunca demonstra todas a suas faces. – retrucou Bel. – Nunca imaginei que ela faria algo assim, e ainda mas por causa do Duda. Sem querer ofende-lo.
– Relaxa, você não é a única que pensa assim. – respondeu ele rindo. – Mas, e a agora, o que vamos fazer?
– Eu tenho algo em mente – falou ela, verificando os lugares em sua volta. – Mas, acho que deveríamos contar ao Duda, ele é a principal vitima.
– Concordo, vamos contar o quanto antes. – afirmou ele. – Então, ira me contar o que planeja?
– Aqui não é um bom lugar, assim que ficarmos mas a vontade, prometo que te conto. – disse ela. – Já está escurecendo, tenho que voltar para casa.
Pov Mili:
Depois de muito pensar, resolvi fazer a coisa certa, bom eu acho. Enfrentei o meu ódio e a minha magoa e decidi conversar com o Mosca. Depois do que houve, não tivemos chance de esclarecer todo e por um ponto final, eu necessito disso. Eu tenho a sensação que a gente apenas teve uma discussão boba de casal e que depois vai voltar todo ao normal, mas acontece que o buraco é mas em baixo. Por pura coincidência, esbarrei com Mosca no corredor e o convenci de vir comigo até a praça. Chegando lá, depois de algum tempo em um profundo silencio, ele quebrou o mesmo.
– Então... – pigarreou ele.
– Então o que? – perguntei sem graça. – Bem, acho que me deve explicações. – afirmei, sentando num banco próximo.
– Eu sei, só que eu...não sei o que falar, nem por onde começar. – respondeu ele coçando a palma da mão.
– Talvez, deveria começar pelas desculpas. – retruquei encostando no banco.
– Não, tenho uma ideia melhor. – afirmou ele, que em seguida a puxou para um beijo. Mili retribui o beijo, pois mesmo com todos os problemas atuais entre eles, eram completamente apaixonados um pelo outro.
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