Muito Longe Do Mais Puro Vermelho.
6 Capítulo 6 - A identidade da dama de preto
A sala parcialmente escura, somente com uma luz azulada abrigava agora uma mulher de cabelos bem encaracolados presos de qualquer jeito em um rabo de cavalo mal feito, um short curto estava colado em suas pernas com um corte pequeno ao lado, era de vinil e preto, suas pernas longas e finas estavam cobertas por uma meia rastão, saltos escandalosamente pretos, maquiagem pesada, um top que mau conseguia disfarçar os peitos quase saltando pra fora, fumava um cigarro com a maior cara de tédio e os pés estavam por cima da mesa de metal (estava naquelas salas de polícia). Do outro lado da sala vendo a cena estava um rei com expressão normal, ao contrário de sua tenente que demonstrava uma feição indescritível.
Seri — Fushimi, q-quem diabos é...
Fushimi — vocês me pediram um relatório sobre nossos novos visitantes, a de preto... e o rei rebelde certo?
Seri — pedi que trouxesse informações confiáveis e você nos trás uma... perdão senhor... uma prostituta de mais baixo nível?
Fushimi — é a mais próxima que temos. Por alguns trocados ela denunciaria Hitler se ainda fosse vivo e lhe desse algum lucro.
Seri — Fushimi!!
Reisi — Awashima-san, já chega. Se é a única pista que temos não vamos disperdiçar, abram as portas e vamos falar com ela. Fushimi, me acompanhe....
Fushimi — sim senhor.
Ambos entram acompanhados de Seri, que mesmo enojada decide ficar quieta e ouvir o que Fushimi havia conseguido.
Fushimi — esta é Madoka Hiwatari, estávamos procurando informações sobre Mizuki quando a encontramos. Coincidentemente... acabamos achando algo sobre nossa mais nova visitante.
Seri — visi...tante...?
Fushimi — *mostra foto ampliada de Mira saltando sobre altos prédios* capturamos essas numa fração de segundos.
Seri — com a tecnologia do rei dourado... quem não conseguiri...
Reisi — essa foto originalmente era um borrão.
Seri — o que....?
Fushimi — ela era tão rápida que quase não conseguimos ver mas pela trajetória... ela tem seguido o novo rei vermelho... não se sabe ainda o porque mas... essas duas visitas tem intrigado bastante a nossa organização.
Seri e Reisi — um...
?? — hey vocês ai... vão ficar aí conversando ou vão falar comigo?
Seri — é o que?
?? — escuta, quando mais cedo eu falar o que sei mais rápido me livro dessa porcariazinha aqui e consigo meu dinheiro falou?
Seri — ora... como ousa...
Reisi — Awashima-san, já chega.
Fushimi — agora... fale
?? — o que quer saber afinal de contas?
Fushimi — tudo.
?? — ar... está bem.... *amassa o toco de cigarro na mesa* pra começar... meu nome não é prostituta... é Kaye Hiwatari, codinome... Kitty.
Seri — Kitty...?
Kaye — nomes japoneses não fazem sucesso com... bem... digamos com certos tipos de prostitutas, como eu por exemplo.
Fushimi — pedimos pra contar a história.
Kaye — estou contando, tudo, calma lá.
Reisi — prossiga.
Kaye — bem.... todas nós, ou a maioria de nós vivemos... bem, vocês sabem, mas não somente qualquer tipo de homens vão pra lá, existem também os ricos, ganhar vida como prostitutas longe dessa cidade cheia de fiscalização e guardas pra mulheres pobres é um bom negócio. Mas... nem todas vão lá por quererem estar lá, algumas são vendidas pelas famílias como a Yuko e a Junko.
Fushimi — ambas porque as famílias queriam?
Kaye — quase... tinha uma diferença. Yuko foi por livre e espontânea vontade e Junko foi obrigada. Ela tinha um empregado strain, o idiota morreu faz dois anos. Ele apagou a memória do namorado dela e de todos os seus amigos, depois ela foi vendida pra uma cidade longínqua.
Seri — os próprios pais fizeram isso com ela?!
Kaye — os tios, ela era adolescente. Os pais morreram uns tempos antes. Depois disso a fortuna da família teria que ser repassada e eles não queriam herdeiros, muito menos problemas, a solução foi apagar a memória dos camaradas do namorado dela, do namorado dela, dos conhecidos e vendê-la pra bem longe.
Seri — os camaradas do namorado dela?
Kaye — era um ruivo todo malvado e a gague dele ia dar problemas pros pais dela.
Todos em pensamento — "SUOH MIKOTO?!"
Kaye — creio que na época estava grávida...
Reisi — *choque*
Kaye — e justamente do Akito, foi muito difícil esconder sobre de quem ele era filho inicialmente e ela decidiu esconder colocando o sobrenome dela Mizuki e não Suoh Akito, se fizesse isso haveria muita confusão....
Fushimi — e sobre essa moça? *joga foto na mesa*
Kaye — incrível... essa é muito parecida com a Yuko...
Fushimi — Yuko?
Kaye tira uma foto escondida de dentro da bolsa, uma mulher de quimono vestida de gueixa com longos cabelos compridos e lisos.
Fushimi — uma gueixa nesse tempo?
Kaye — é... Yuko, Kurogane Yuko era filha de uma família japonesa habilidosa na arte de lutas estilo livre.
Fushimi — quer dizer...
Kaye — lutavam com qualquer coisa, geralmente preferiam usar as mãos livres pra isso, eles poderiam te derrubar somente com um pedaço de dois milímetros de fita adesiva se quisessem.
Fushimi — até mesmo quem..
Kaye — até mesmo quem pertencesse a algum clã. Yuko Kurogane era dessa família e ela foi porque quis. A família estava ficando pobre com o tempo chegando e ela decidiu ir ganhar dinheiro pra sustentar, porém somente tinha sua beleza pra isso. Ela trabalhou como uma das raras gueixas dessa época, mas foi somente com um homem que ela se permitiu ter uma filha e é aí que a coisa complica....
Fushimi — porque?
Kaye — porque essa maldita filha desgraçou a vida da gente de vez... O cara era de família importante e rica e ela uma prostituta, uma prostituta de luxo, respeitada a gerações no Japão mas ainda sim uma prostituta, sabe o que significa não sabe...?
Reisi — ...
Kaye — não sabem... porque se importariam se tem sua cidade pra se proteger?.... ... ... O incêndio foi muito rápido, eu e algumas mulheres magras e crianças conseguimos passar pelo buraco e algumas saídas mas Yuko ficou presa durante o incêndio, Junko foi tentar socorrê-la mas... e a pequena Mira sumiu... Uns anos depois Mizuki conseguiu ter todo o dinheiro da família e virou um canto famoso... mas sei que qualquer dia o passado do pai voltará a atormenta-lo... Vocês sabem não é?
Reisi — do que senhora?
Kaye — não se façam de tontos... eu vi a cara de vocês, sabem quem é o pai do Mizuki não sabem?
Reisi — retirem esta mulher daqui e deem-lhe o prometido.... *sussurra pra Fushimi* aproveitem e limpem a memória dela... não queremos que mais alguém dê a língua entre os dentes.
Fushimi — O que houve depois do incêndio?
Kaye — como eu já disse meu bem, a pirralha sumiu, as mulheres morreram, o ruivinho ficou rico... ar... me deem logo a grana e me deixem sair, tenho cliente pra hoje.
Awashima só olha de esguelha os outros a liberando de lá.
Reisi — agora as coisas estão aos poucos fazendo sentido... mas... o que houve depois e... qual é o seu objetivo afinal?... Kurogane Mira?
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