Muito Além da Intuição
7 Pai
Notas iniciais
― Aliás, Sai! Parabéns pela paternidade!
Naruto parou de andar ao lado de Sai quando viu que o clima entre os dois havia mudado. Ao se virar para ver melhor o amigo, se surpreendeu com o semblante confuso dele. Enquanto o momento de choque se passava, Naruto só conseguia pensar no quanto ele estava ferrado.
Sakura havia revelado para ele, no dia anterior, em meio a muitas lágrimas, confusão e desespero, que estava grávida. Ela desabafou sobre nunca ter sido descuidada, e no único dia em que deixou a proteção de lado, o temido evento aconteceu. Ela estava perdida, gerando uma criança aos dezenove anos, sem estar casada e no processo de dirigir um hospital quase que sozinha.
No entanto, ela expressou ao amigo que não pretendia interromper a gestação. Sakura achava toda forma de vida preciosa, e se dizia nunca ser capaz de interromper a formação do que um dia seria um ser com vida própria. Sozinha ou não, ela enfrentaria o que viria pela frente.
O principal problema era Sai. Sakura não fazia ideia de como dar a notícia a ele, e muito menos como lidar com as reações dele. Sai era uma caixinha de surpresas, suas ações e pensamentos nunca poderiam ser previstos e, no meio do processo de reaprender a sentir, ela nunca saberia se ele entenderia o fardo que os dois carregariam dali pela frente. Por esses e outros motivos, a médica se encontrava em um conflito interno, sem saber quais palavras usar e qual expressão vestir no rosto.
Bem, Naruto pelo menos a poupou da parte mais difícil.
― O quê?
― Ahn... Desculpa! Eu me confundi! É o Kiba quem vai ser pai! É, isso mesmo! Ele engravidou a namorada! ― Tentou dar a resposta mais esfarrapada que veio na cabeça, só depois pensando que a coisa mais boba do mundo era ter confirmado que alguém seria pai. Se pudesse, cavaria um buraco e enterraria sua cabeça nele.
― O Kiba nem sequer tem namorada, Naruto.
― Ah, sim! Então eu me confundi de novo, hehehe. ― Ele soltou uma risada que era para parecer calma, mas saiu mais como um guinchado agudo e desafinado. ― Bem, se você não se importar, eu tenho que checar a minha… é… criação de lagartixas no teto do banheiro e… bem… tchausaiatéamanhã!
Naruto não esperou resposta alguma e correu para casa o mais rápido que conseguiu, tendo a certeza que a Sakura o mataria no momento que o visse. De qualquer forma, ele não receberia resposta alguma de Sai tão cedo assim, já que o artista estava surpreso ao extremo. Todavia, ele parecia ligar os pontos.
Naruto não era burro de forma alguma e não tinha dito aquilo em vão. Paternidade… Significava ser pai. Obviamente, se fosse para ser pai de alguma coisa, seria de um filho de Sakura.
Se Sakura estivesse grávida, qual seria a pessoa que ela contaria a novidade primeiro? Obviamente seria Naruto, o seu melhor amigo e porto seguro. Ela confiava em Ino, mas o próprio Sai sabia que ela não entenderia e saberia lidar com uma questão como essa tão bem quanto Naruto. Logo, o loiro não blefou ao lhe dizer aquilo.
Pai... Pai... Pensou nessa palavra tão pequena e com um significado gigantesco enquanto rumava conturbado para a casa de Sakura, deixando de lado a ida à loja de tintas.
Ele não se lembrava do seu pai, ou se algum dia chegou a ter um. O que fazia um pai? Ele seria capaz de ser um bom pai? O que Sakura esperaria dele, se fosse verdade?
A caminhada até o apartamento da namorada parecia mais longa e demorada do que nunca, então quando chegou até lá não demorou para tocar a campainha. A porta se abriu e ele viu uma Sakura vestida naquela blusa de alças que ele tanto adorava, o cabelo preso em um rabo alto e visivelmente surpresa com a visita inesperada.
― Oh, Sai! Tudo bem? Algum problema? Você não me avisou que vinha e–
― Eu vou ser pai? ― perguntou sem delongas, ansioso demais para passar pela demora dos cumprimentos.
Sakura não terminou sua fala, o queixo caindo e o olhar um tanto quanto perdido.
― Sakura, você está grávida? ― repetiu.
― Estou... ― ela respondeu incerta da resposta que ele queria ouvir, em choque por ele saber da notícia que ela ainda tentava descobrir como contaria. Xingou Naruto mentalmente de todos os nomes possíveis ao ver Sai descer o olhar até os seus próprios pés.
Ele iria ser pai. Um pai jovem, esquisito, cheio de falhas, em processo de aprender a sentir, porém um pai.
O rapaz não sabia o que fazer e muito menos o que falar para a mulher a sua frente, que aguardava pacientemente alguma reação por parte dele. Encarou a barriga de Sakura e a única coisa na qual conseguiu pensar foi que ela, a pessoa que ele amaria pelo restante de sua vida, estava grávida de uma criança dele. Uma criança deles, metade Sai e metade Sakura. Uma representação física do que eles sentiam um pelo outro, por mais que fosse inesperado, não planejado e muito, mas muito fora de hora. No entanto, saber de tudo aquilo o fazia se sentir bem como jamais se sentira antes.
Ele amava Sakura mais do que amava qualquer outra coisa no mundo, e o amor deles tomava forma física dentro dela. Ele não sabia o que seria dos dois (três?) dali para frente, mas, se ele realmente entendia o que era o amor, ele já o sentia pela criaturinha que os dois criaram juntos. Talvez aquela fosse, acima dos quadros e desenhos que fez a vida toda, a arte mais bela que já fizera.
Puxou Sakura para si e a envolveu no abraço mais afetuoso que a deu em toda a sua vida. Ele não sabia o que dizer no momento, mas viu que ela entendeu perfeitamente o que se passava dentro da cabeça dele quando ela retornou o contato com a mesma intensidade.
Ele a levou cuidadosamente para dentro do apartamento, enchendo-a de beijos e carinhos. Fizeram amor apaixonadamente e a cada toque que se davam, faziam o outro sentir o quanto se amavam.
Cansados após o ato, Sakura descansava a cabeça em seu travesseiro enquanto Sai se apoiava em seu braço, gentilmente mexendo no cabelo cor-de-rosa.
― Você vai ser um ótimo pai, Sai ― Sakura comentou, quebrando o silêncio confortável entre os dois.
― Como você sabe?
― Você me ama, não ama? ― Ela sorriu para ele ao ver o balanço afirmativo de cabeça. ― E hoje você me mostrou que ama a criança que vamos ter. Quando se tem amor, as coisas se resolvem e acabam dando certo. Só por termos tanto amor envolvido no meio disso tudo, seremos bons pais e teremos uma família linda.
Família. Aquela palavra pesou nos ombros de Sai e logo em seguida perdeu toda a dor que ela costumava carregar. Ele teria uma família com Sakura. Uma família, como ela mesma disse, cheia de amor. Aquele fato o tocou de um modo que jamais tinha tocado antes e ele sorriu levemente, tirando um risinho satisfeito de Sakura.
Se beijaram novamente antes de dormirem um nos braços do outro, os corações calmos e contentes como jamais estiveram. Eles seriam pais precoces, não casados, cheios de desafios pela frente, e aqueles fatos não os incomodariam naquele momento tão perfeito. Sai e Sakura se amavam e tinham a certeza de que se amariam para sempre, amando também aquela vida ainda tão recente dentro do ventre da garota. Enquanto estivessem juntos, tudo iria acabar bem.
Cheios daqueles sentimentos maravilhosos, dormiram serenamente.
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