Notas iniciais
espero que gostem!

Capítulo 1

Eram tempos sombrios. Tempos de ameaças e mortes. Ela sentia-se insegura, como nunca havia sentido antes. Era como se alguma coisa a impedisse de falar, de escutar e até de sentir. A presença daquele homem fazia com que seus pensamentos não funcionassem direito. Apesar daquele ser seu sonho.

Lillian era o seu nome. Uma simples garota de sete anos de idade, mal sabia onde estava se metendo. Era o sonho de muitos de sua raça, se tornar uma guardiã do fogo. Nem sempre sonhos são coisas boas, para seu povo, os Firetools a maior dádiva, era ser tornar um deles, e ela estava á um passo disso.

Infelizmente, os guardiões não contam tudo ao povo, quem ia querer ser um deles se soubesse do seu lado sombrio? Eles seriam sim pessoas de bem, se não fosse pelo comandante. Comandante Taios. Esse era o nome mais temido da época. O maior assassino que já existiu. Mas o povo não sabia que esse era o comandante e todo ano dez crianças eram escolhidas. E essa era a situação de Lillian.

Ela estava perdida em seus pensamentos, o homem á sua frente parecia estar se divertindo com seu nervosismo, com seu medo. “Então garota, não vai me dizer seu nome?”. Sua voz parecia ameaçadora, de uma assassino. Mas logo a pequena tratou de tirar esses pensamentos de sua cabeça. “Isso é loucura!” ela pensava.

- M-meu nom-me é Li-lillian.

Ele soltou um risada abafada, como se já estivesse acostumado com os gaguejos de seus entrevistados. Seus olhos eram negros como a noite, de um tom assustador. “Deve assustar muito no dia das bruxas.”, ela pensou soltando uma risadinha.

- Do que está rindo?

- N-nada.

Ele resolveu não perguntar, sabia o que a garota pensava. Todas as crianças pensavam a mesma coisa quando olhavam para os seus olhos, seria perda de tempo. Ele observou as vinte crianças e olhou dentro dos olhos de cada uma, como se pudesse ver sua alma.

- Vamos ver seus poderes do fogo. Cristan leve-os para a sala de combate.

- Sim senhor.

Chistan era o filho do Comandante, por mais que fosse seu braço direito, muitas vezes não concordava com seu pai e tinha um coração bom. Não queria que aquelas crianças sofressem, mas ele sabia o que lhes aguardava na sala de combate. Mortes.

Todo ano ele se perguntava por que era sempre ele que tinha que fazer esse trabalho, de ver dez crianças inocentes serem mortas e outras dez que passariam a ser nomeadas Guardiãs Do Fogo. “Um cargo idiota”, ele pensava. Queria ser normal, mas ele mal sabia no ato de heroísmo que ia cometer naquela manhã.

Ele conduziu as crianças até a sala, ele fazia o possível para não olhar nos rostos de cada uma, imaginava como eram, sorridentes, como se algo legal fosse acontecer.

Então a pequena se aproximou dele.

- Oi, meu nome é Lillian, e você deve ser o Cristan, filho do comandante. Estou certa?

- Muito bem, que garota inteligente! – ele disse fazendo um esforço para sorrir, ele adorava crianças, e por isso era um sacrifício ver todas morrerem. – então cabelo de fogo, está gostando do passeio?

- Estou adorando tudo!

- Se eu fosse você eu dava o fora...

- Isso é só mais um teste né? Você quer fazer eu desistir!

Então a pequena se juntou com as outras crianças e Cristan quis de todo coração, que ela aceitasse sua oferta.

- Agora que estamos á um passo de entrar na sala, tenho uma proposta – disse Cristan com esperança – Podem ir embora se quiserem, e nunca mais voltem. Alguém quer?

- NÃO! – disseram todas as crianças.

Um rosto triste estampou o rosto dele enquanto pronunciava seu anual “Bem vindo á sala de combate, uma vez dentro, não poderá voltar atrás”. Todas as crianças entraram correndo e olharam todo o equipamento do local. Ele era composto por arquibancadas gigantes do lado esquerdo e do direito, elas eram douradas e bem no final da grande sala, existia uma cabine que continha um painel de controle e duas cadeiras aparentemente pretas e um microfone. Uma escada vermelha conduzia á entrada da cabine.

A pequena percebeu que Cristan havia sumido, e logo notou ele dentro da cabine, não sabia como, mas percebeu que ele continha lágrimas nos olhos. Naquele momento, ela prometeu a si mesma que não iria falhar na missão.

“Crianças”, dizia a voz triste de Cristan no microfone. “Agora, vocês terão que provar que são as melhores, que podem vencer. Somente dez de vocês sobreviverão á esta sala, lutem bravamente! E mostrem ao máximo seu poder do fogo.”

Neste momento todas as crianças se entreolharam, quando perceberam que todos os equipamentos começaram a se mover. Robôs que soltavam diversos elementos, serras, diversos equipamentos de morte. Todas as crianças se espalharam e começaram a tirar fogo.

Lillian teve uma estratégia diferente, ficou mais afastada das máquinas e não usou seu poder do fogo. Ela estava dominada pelo medo e seus poderes não queriam sair. Até que percebeu que muitas crianças haviam morrido, só restava ela e mais dez.

Cristan observava atentamente a pequena desde o começo da batalha, ela não havia soltado uma só bola de fogo. Ele viu que o chão em baixo da garota começou a tremer a derrubando. Ele sabia o que aconteceria se ela não saísse dali. Ele não suportaria ver mais uma criança inocente sendo morta, nunca mais.

Saiu correndo da cabine e desceu as escadas, passou por cada uma das engrenagens soltando bolas de fogo, queimando cada uma. Aumentou o passo e empurrou a pequena para longe, ficando no lugar dela e neste exato momento, o chão onde ele estava soltou facas que o perfuraram por inteiro.

- CRISTAN!!! – disse a pequena entre lágrimas ao se aproximar dele – você não podia fazer isso!

- Se acalme pequena, já estava na minha hora – sua voz era rouca, ela nem sabia como ele conseguia falar – fique com isto.

Ela olhou o colar, ele era uma pedra com contornos se entrelaçando,como se á prendesse, ela o olhou e colocou no pescoço, era um pouco grande para ela, mas logo caberia direitinho. Naquele momento ele fechou os olhos e a pequena deu um abraço nele.

- Você não podia ter morrido, não podia.

Então todos os equipamentos pararam, a última criança havia sido morta e o comandante viu o filho morto ao lado da criança. Ele não se sentiu angustiado, ou triste, ou com raiva da garota. Pelo contrário, estava dando um sorriso largo, como se tivesse acabado de se livrar de um grande fardo.

- Muito bem crianças, vocês foram as que passaram. Fred! – disse ele apontando para um guardião. – já sabe o que fazer, Lionel leve o corpo de Cristan e das outras crianças e prepare-os para o enterro. Lillian, venha comigo!

O coração dela estava batendo muito rápido, com certeza estaria encrencada, ela havia matado o filho do comandante, não por querer, mas havia acontecido. Ela tratou de correr para perto do comandante que não aparentava nenhuma expressão, o que dificultava pensar que ela poderia sair ilesa. O que sua família iria pensar quando descobrissem que ela havia matado alguém?! Agora eles estavam passando por um corredor longo, que tinha o carpete vemelho-vinho e suas paredes eram amarelas com leves toques de laranja, elas continham quadros, que aparentemente eram de cada comandante que aquele lugar já havia tido.

Eles andaram até uma porta feita, provavelmente, de mármore e adentraram dentro. “Sente-se”, falou o comandante, fazendo o coração da pequena disparar ainda mais.

- Eu primeiramente queria te agradecer.

- Agradecer?

- Sim, por ter me livrado de um fardo como aquele, você será posta nos melhores treinamentos e quem sabe um dia será meu braço direito?

Os olhos da pequena brilhavam, qualquer um se sentiria importante recebendo uma oferta daquelas. Ela olhou nos olhos do homem, o que não era nada fácil e pronunciou um “eu estou pronta”. Jurou a si mesma que faria a morte de Cristan ter valido a pena. Mas logo ela entenderia que morrer era a melhor coisa que se poderia acontecer naquele lugar.

Notas finais
deem opiniões! não sejam leitores fantasmas!