Mudei por Você
1 O começo.
O despertador toca, sem nenhuma vontade de me levantar. Ir para a escola e ver os mesmos rostos, os mesmos professores... Fazer as mesmas coisas de sempre... Fingir que estou prestando atenção na aula quando estou ouvindo música. O que adianta ser adolescente? Dizem que jovens tem que aproveitar, mais isso é uma coisa que meus pais super-protetores não deixariam. Eu odeio minha vida. Do que adianta viver? Você nasce... Cresce e morre. É isso... Já tentei fugir da realidade me matando. O que não deu certo, se ao menos eu tivesse amigos... Mais não, eu sou uma menina fechada, sem amigos... Sou a mais estranha da minha escola. Isso é tão obvio... Visto-me apenas de preto, sou anti-social e ouço apenas rock pesado.
- Clarie levante-se vai se atrasar! – Minha mãe dizia tirando os cobertores de cima de mim.
- Pra que ir pra escola? Eu já reprovei mesmo! – Dizia eu enquanto enfiava a cara no travesseiro.
- Está na metade do ano! Vamos! Levante-se, chega de preguiça.
Ela conseguia ser tão malvada... Sentei-me na beirada da cama enquanto ela abria as cortinas. Estava nevando, não conseguia ver nem ao menos o carro do meu pai estacionado perto do meu quarto como todas as manhãs. Não conseguia dar um passo de tanto frio. Minha mãe como sempre me levou arrastada para o banheiro. Lavei meu rosto, coloquei uniforme e me maquiei. Desci para tomar o café, todos já estavam na mesa. Meu pai, minha mãe e minha irmã menor. Meu pai estava com a cara no jornal, minha mãe servindo o achocolatado para minha irmã enquanto aquela pestinha olhava pra mim.
- Querida te levarei no outro carro que esta na garagem. – Meu pai dizia folheando as paginas do jornal.
- Aquela lata de lixo imprestável? – Taquei minha mochila perto de uma cadeira e me sentei.
- É só o fusca do seu avô.
- Ninguém merece... Isso vai ser humilhante. Eu vou de ônibus é melhor.
- Você que sabe.
Depois de tomar o café voltei para o meu quarto e peguei o dinheiro para pagar a passagem. Minha irmã entrou no quarto e ficou me encarando.
- O que você quer Isabella? – Eu sempre gritava com ela. Não conseguia dizer uma palavra com calma e educação para aquela pestinha que sempre me seguia.
- Me empresta seu batom preto? – Ela tentava fazer amizade comigo de qualquer jeito. Eu sempre a ignorava. Era típico de mim.
A tirei do meu quarto e sai junto. Tranquei a porta e fui ao ponto pegar o ônibus. Poucos minutos depois o ônibus chega. Estava com poucos passageiros, me sentei ao lado da janela. Adorava ver a vista lá de fora. O ônibus parou novamente para pegar mais passageiros, olhei para fora novamente e vi que estava perto da minha escola. Olhei no relógio e vi que o horário das aulas já avia começado. Dois passageiros entraram uma senhora e um garoto. Ele era tão lindo... Tinha o cabelo curto meio arrepiadinho... Olhos castanhos. Logo percebi que ele não gostava de rock como eu. O estilo dele era... Não tinha estilo.
Fiquei o encarando, enquanto ele procurava bons acentos, todos os bancos estavam desenhados coisas obscenas. Ele viu um lugar vago sem nada de ridículo desenhado. Era do meu lado. Continuei o encarando, respirando fundo. Finalmente achei um garoto bonito depois de tanto tempo. Percebi que ele estava mexendo a boca, tentando ver se saia palavras para me dizer. Em questões de segundos me passou milhares de coisas pela cabeça.
- Oi. – Ele dizia com um olhar de medo. Virei-me a ele e comecei a o olhar.
- Oi... – Respondi quase num sussurro. Abaixei minha cabeça com as mãos nas minhas pernas, olhei a calça dele era o mesmo modelo que a minha. O uniforme. Nunca tinha o visto na minha escola, com certeza um aluno novo. – Você estuda no Scherner? – Eu disse enquanto abria um sorriso enorme a ele. Tinha meses que eu não sorria. Aquela sensação era boa.
- Sou aluno novo de lá... – Vi que ele continuava com medo. – É... As pessoas de lá são todas assim... Meio... Góticas ou sei lá o que...
- Eu adoro estilo gótico... É tão romântico, tão... – Suspirei fundo e respondi a pergunta dele. – Não, são todos meio normais. Os professores têm a cara de defunto. A maioria das garotas de lá são patricinhas. Os meninos se acham os reis da cocada preta. Eu sou a única assim. Não precisa ter medo.
- Desculpe. – Vi que ele sentiu um alivio. Parou de apertar as mãos uma nas outras e me olhou com um sorriso lindo. – Qual seu rap preferido? – Eu fiquei o olhando sem saber o que dizer. Eu nunca ouvi um rap se quer.
- Bom... Hã... Sabe... – Fiquei nervosa, comecei a morder meus lábios com os dentes, e comecei a rezar em mente. – Desculpa mãe...
- Ah esse rap é muito legal! – Comecei a olhar pra ele com um alivio, eu acabei de dizer o nome de um rap que eu nunca ouvi.
- Olha... Eu não curto rap... Na verdade gosto mais de rock... – Na ultima palavra eu sussurrei. Poderia perder um novo e único amigo, por causa do meu gosto musical.
- Gosto de poucas bandas de rock. Na verdade acho mais legal com umas pegadas de pop rock. – Percebi que ele gostava um pouco de tudo. Isso me aliviou.
Olhei para fora novamente e me levantei. Fiquei esperando na porta no ônibus até que se abrisse a porta na frente da escola. O garoto me seguiu. Descemos do ônibus e ele começou a olhar para a escola com uma expressão surpresa.
- Que foi? – Eu dizia enquanto puxava ele para subir as escadas.
- Essa escola é enorme!
- Dã... – Revirei os olhos parei na escada e comecei a o olhar enquanto ele subia as escadas.
- Você não vem?
- Como é seu nome?
- Rafael. – Subi com pressa as escadas para alcançá-lo, fiquei na frente dele, pensei em fazer milhões de perguntas, mais assustaria o Rafael.
- Vai ficar em que sala? – Arrisquei perguntar.
- 2º ano. – Abri um sorriso de orelha a orelha, tinha apenas uma sala do 2º ano pela manhã, e eu também estava no 2º ano.
- Ai ótimo vamos ser colegas de classe! – Voltamos a subir as escadas. Parecia uma viagem à lua. – Tem apenas uma sala do segundo ano.
Continuamos a conversar até chegarmos à secretaria. O acompanhei para pegar o bilhete do aluno novo. Estava torcendo para que isso fosse rápido. Percebi a presença se alguém atrás de nós. Virei-me com medo e vi o diretor. Estava me encarando com muita raiva.
- Chegou atrasada Clarie!
- Desculpe-me... O ônibus atrasou e...
- Pare! Eu sei que você vem com seu pai.
- NÃO! O carro do meu pai recebeu uma chuva de neve e então eu vim de ônibus.
- Ah é verdade! – No primeiro dia em que nos conhecemos ele já me defendia. Achei isso tão lindo.
- Aluno novo atrasado. Mesma desculpa da Sra. Clarie?
- Aham... DIGO... É verdade eu peguei o mesmo ônibus que ela...
Ele me puxou para fora daquele lugar deixando o diretor nos encarando. As regras eram: Chegou atrasado, espere até que a terceira aula comece! Ficamos sentados esperando até que o sinal batesse.
Notas finais
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