Mudei por Você
9 Capítulo 9
Horas e horas depois finalmente um dos médicos que estava atendendo Isabella veio falar comigo. Levante-me da cadeira num pulo.
- Hã... Você é irmã de Isabella certo? – Perguntou o medico com uma expressão triste no rosto.
- Sim sou eu. O que deu lá? Ela já acordou?
- Tenho que falar com seus pais.
- NÃO! Fala comigo! Eu posso parecer uma adolescente que não tem nenhuma responsabilidade mais eu sou responsável!
- Por favor, ligue para seus pais. – Insistiu o medico me estendendo um telefone sem fio.
Peguei o telefone insegura liguei de vagar para minha mãe. No primeiro toque da chamada já ouvi ela dizer “alô!”. Estava assustada. Não contei nada do que havia acontecido, apenas a chamei ao hospital.
Fiquei abraçado ao Rafael. Tentando ver se a dor acalmasse. Meu coração batia forte. Sentia uma forte dor a cada batida. As lagrimas iam escorrendo pelo meu rosto. Naquele hospital via tantas pessoas sofrendo. Pessoas chorando desesperadamente. E eu ali. Meu coração pedia para que eu gritasse até que aquilo tudo passase. Saísse correndo em direção ao quarto onde minha irmã estava e dar a minha vida a ela.
Naquele dia não sabia se ficava feliz ou triste. A pessoa que eu mais amo havia se declarado pra mim, mais no mesmo dia minha irmã sofre um acidente. E pelo jeito foi grave.
- Clarie minha filha você esta bem? – Minha mãe gritava correndo em minha direção em quanto eu me levantava para abraçá-la.
- Eu estou. Isabella é que não esta.
Não havia mais lagrimas para sair dos meus olhos. A dor se aumentava a cada segundo. Eu só iria melhorar quando visse minha irmã feliz e brincando novamente.
- Mamãe... Eu vou falar com o medico.
- Esta bem meu amor. – Minha mãe acariciava meu rosto em meio a suas lagrimas. Apesar de tratá-la daquele jeito eu me sentia muito mal em vê-la chorando assim.
O médico finalmente pediu para que minha mãe e meu pai entrassem em uma salinha. Entrei junto de xereta.
- Hã tudo bem... A filha de vocês, Clarie, certo? — Assenti — viu como foi o acidente. Sua filha é uma criança! Que quebrou com a cabeça o vidro do carro. – Ele dizia batendo aquela caneta irritante na mesa. – E as chances de sobreviver no estado em que sua filha se encontra são poucas.
Minhas lagrimas apareceram novamente quando aquele médico idiota disse aquilo. Joguei-me no chão gritava e chorava. Não conseguia definir o que via e ouvia. Estava tudo girando pra mim. Apenas me lembro da voz da minha mãe pedindo para que eu tenha força. Senti que estava sendo levada para algum lugar em uma maca.
Acordei em um pequeno quarto no hospital. Sem entender nada do que havia acontecido.
- Rafael... O que aconteceu? – Eu dizia com uma forte dor na cabeça.
- Você desmaiou. Não foi bem assim. Você ficou revoltada se jogou no chão começou a gritar chorar, pegou um vaso de flores de vidro e tacou em sua cabeça. Por sorte não aconteceu nada.
- Eu to com merda na cabeça só pode.
- Eu entendo você Clarie. Com certeza é difícil pra você agüentar a pressão que esta sendo agora.
- Eu preciso ver minha irmã Rafael. – Sussurrei enquanto ele aproximava seus lábios dos meus. Meu coração batia forte, estava ofegante, mais não conseguia o beija-lo naquele instante. – Não Rafael não é uma boa hora.
- Desculpe-me. Eu vou dizer a enfermeira que você já esta consciente.
Revirei os olhos pra lá e pra cá. Estava tudo tão estranho. Da noite pro dia comecei a me importar com minha irmã, comecei a amá-la... Não me lembrava de absolutamente nada do que eu fiz desde que ouvi: “E as chances de sobreviver no estado em que sua filha se encontra são poucas.”. Sinceramente não conseguia me ver sem ela.
- Clarie você esta bem? – A enfermeira dizia me ajudando a se sentar na maca.
- Sim. Minha irmã acordou?
- Clarie... – Ela se sentou ao meu lado e me olhou bem no fundo dos olhos. – Eu sei que deve ser muito difícil isso que você esta passando. Todos os médicos, enfermeiros, recepcionistas... Todos que trabalham aqui ficaram preocupados com o estado de sua irmã. É um milagre que ainda esteja respirando. Fraco, respirando muito fraco. Os aparelhos que estão ajudando ela, não a ajudaram pra sempre. Eu tenho trinta e cinco anos Clarie. Trabalho nesse hospital há cinco anos. Quando entrei aqui meu filho de onze anos morreu. Ele tinha uma doença no coração que não tinha cura. Apenas se aparecesse algum doador. Mais não apareceu. Eu tive que ser muito forte Clarie. Todos os dias ele vem em minha lembrança, ele continua no meu coração. Ele esta presente em alma junto comigo me ajudando em todos os problemas. Ele morreu, mais ainda existe no meu coração. – Após a enfermeira dizer aquilo simplesmente senti lagrimas e mais lagrimas correrem pelo meu rosto. – Clarie, você não pode ficar se iludindo linda. Você tem muito pra viver. Eu não quero te assustar, mais sua irmã esta respirando cada vez mais fraco. Tenha força como eu tive.
- Não é tão simples pra mim. – Eu dizia com a cabeça baixa meio as lagrimas. – Eu sempre xingava minha irmã, fazia de tudo pra deixá-la pra baixo. E então apareceu um anjo pra mim. Esse anjo me fez mudar totalmente. Eu comecei a brincar com minha irmã, até dormi com ela quando ela tinha medo dos trovões. E isso não faz muito tempo. E eu preciso muito viver mais ao lado da minha irmã. – Eu chorava desesperadamente. Via a imagem da minha irmã sorrindo pra mim a cada vez que fechava os olhos pras lagrimas escorrerem.
- Não chore Clarie... – Ela levantou minha cabeça, secou as lagrimas e acariciou meus cabelos. – Você tratava todas as pessoas assim?
- Sim. Mais depois que eu conheci esse anjo eu mudei por ele. E por que percebi que isso me fazia bem. Mudei com todo mundo, agora estou conseguindo novos amigos. Mais não sei se vou conseguir seguir em frente com essa forte dor.
- Nunca diga que não vai conseguir. NUNCA. Eu estava sofrendo muito por causa do meu filho. Eu chorava feito uma maluca. Mais ai conheci meu marido atual. Que me fez sorrir novamente. Que me fez dar mais uma chance à felicidade e a vida.
- Que lindo...
- Sim. Agora vamos sair dessa sala. Seus pais estão te esperando lá fora.
Saímos da sala de vagar. Enquanto ela ia abrindo a porta eu corri para pegar um paninho e secar as lagrimas.
Rafael, minha mãe e meu pai estavam sentados impacientes.
- Clarie! – Rafael vinha em minha direção.
- Enfermeira... Esse é meu anjo. – Eu dizia segurando para que as lagrimas não escorressem.
Ficamos sentados esperando por mais noticias.
- Olha... Esta tarde e vocês estão a bastante tempo aqui. Por favor peço que vão pra casa descansar e amanhã voltem. – Disse um médico que se achava o rei da cocada preta.
Saímos do hospital com o coração na mão. Como é que eu iria descansar? Se minha irmã estava absolutamente respirando com ajuda de aparelhos. Minha vontade era fazer aquele médico não respirar mais.
Rafael foi pra sua casa e eu fui pra minha. Joguei minha mochila no canto do meu quarto e fui logo no quarto da minha irmã. Ela tinha um retrato meu no seu criado-mudo. E na mesinha do seu Laptop infantil uma foto dela segurando um papelzinho escrito: “Clarie i love you”.
Deitei na caminha dela e comecei a chorar. Sei que se ela estivesse lá iria fazer de tudo para que eu abrisse um sorriso de orelha a orelha com seu jeitinho meigo, simpático...
Estava indo em direção ao meu quarto. Talvez conseguisse dormir pois estava com muito sono. Senti a presença de algo pelos corredores. Vi um vulto preto passando pela porta do meu quarto. Meu coração disparou.
- Tem alguém ai?! – Perguntei com medo. Não ouvi absolutamente nada. – Há que bobagem eu devo estar sonhando acordada.
Me deitei abraçada a foto da minha irmã. Ouvi algo enquanto dormia.
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Um lugar totalmente escuro. Estava andando com medo pelas ruas quando avisto lá de longe uma garota pálida. Com os cabelos pretos. E um vestido de hospital rasgado e branco.
- Você tem que acreditar em você mesma para conseguir ser feliz. No momento em que você mudou com sua irmã ela morreu. Essa é a realidade e ninguém pode mais voltar atrás. Encare a realidade Clarie. Você pode sentir culpa por não ter sido alguém com que tivesse orgulho de si mesma. Não é tarde pra mudar. Mais saiba que quem mais a amou mesmo você a tratando como a tratou foi Isabella.
A voz suava triste e deprimente. Logo a imagem da menina foi se afastando de mim.
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Acordei de pressa com medo. Abracei o retrato da minha irmã e coloquei na cômoda ao lado da minha TV. Me deitei pensando no que havia sonhado.
- Sempre levarei tua imagem dentro de mim. Você foi um exemplo pra mim Isabella. E tudo que farei é por você. Me perdoa por ter sido quem eu fui com você durante quase tua vida inteira. Eu te amo muito... – Sussurrava meio as lagrimas.
Notas finais
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