Mudei por Você
26 Capítulo 26
Não notei a hora passar. Assim que abri os olhos novamente, já estava claro lá fora. Rafael já não estava mais ao meu lado. Mais logo percebi a presença dele, assim que ouvi algo caindo na cozinha, e sua doce voz soar em meus ouvidos.
- Não tem nada pra comer! – Reclamou Rafael, abrindo todas as portas do armário.
Surgi na porta da cozinha, apoiando-me na mesma.
- Não tem nada Rafael. – Disse, interrompendo-o.
- Eu esqueci... vou ter que comer algo na rua... Você vem junto. Não pode ficar com fome.
- Tudo bem. Só vou dar uma ajeitada no meu cabelo. – Dizia já me virando para o banheiro.
Lavei meu rosto, penteei meu cabelo, e passei meu lápis. Quando voltei à cozinha, Rafael estava terminando de arrumar o resto do que havíamos deixado ontem.
- Estou pronta. – Avisei.
Rafael fechou a porta do guarda-louça e virou-se. Abriu um sorriso e veio me abraçar. Mordeu levemente a minha orelha, e logo foi mudando o rumo. Beijou minha bochecha, depois minha boca.
- Você é tão linda Clarie... eu te amo tanto!
- Rafael... – mudei o rumo da conversa – Conseguiremos nos virar sozinhos?
- Não sei... espero que sim! Farei o possível, eu prometo. – Sua voz soava chorosa, como a que eu já havia me acostumado a ouvir.
- Eu vou tentar falar com a minha mãe hoje. Ela é compreensiva, e também passou por isso.
Não houve resposta. Ele saiu do abraço e pegou na minha mão. Recebi mais um beijo demorado na bochecha, e saímos.
Tranquei a porta e olhei novamente para as janelas da frente, para ter a certeza de que estava tudo bem fechado.
Fechei o portão, e novamente chequei para que estivesse tudo bem fechado!
Havia uma lanchonete bem próximo dali. Uns três quarteirões mais ou menos. O movimento não estava grande, pois ainda era cedo embora o sol já estava ardente.
Nos sentamos em uma mesa nos fundos, esperando sermos atendidos. Pedimos um café da manhã normal... como o que você toma com a família, ou no quarto. Esperamos em silencio, de mãos dadas... com o olhar triste e vazio...
Quando o café chegou, começamos a conversar.
- Rafael, onde você vai procurar o emprego?
- Sei exatamente onde. Meu pai tinha uns amigos que acabaram de abrir uma pizzaria. Posso tentar lá.
- E você lá sabe fazer pizza?!
- Eu aprendo!
- Tudo bem... vamos terminar de comer, por que depois terei que ir no mercado.
- Eu queria ver isso...
- Besta. Ou eu vou ou a gente fica com fome. Eu não sei cozinhar muito bem então, vou comprar alimentos que só jogamos no microondas e fica pronto. É mais pratico... quando meus pais viajavam e eu ficava com Isabella a gente só comia porcaria. Ah, que saudade da Isabella!
- Eu achei estranho que você não mencionava tanto o nome dela nos últimos dias...
- Queria tanto tapar essa ferida! Tanto Rafael! Sinto uma dor enorme... queria que ela estivesse aqui... sentada nessa cadeira vaga. – Olhei para a cadeira mencionada e por um instante vi Isabella se deliciando com hambúrgueres. – Nos fazendo sorrir com um simples abraço ou um beijo... um palavra de amor! Ela era tudo pra mim Rafa... tudo!
- Eu sinto como se tudo de ruim começasse a acontecer exatamente quando você me conheceu.
- Capaz Rafael... minha vida já estava uma merda. Você não fez nada.
- Mais ela vai melhorar... eu prometo!
Dei um sorriso sem nenhuma vontade, e dei um leve selinho nele. Terminamos nosso café em silencio. Rafael terminou antes de mim, pagou a conta e sentou-se ao meu lado.
- Tenho que ir... acho que ele me aceita. Sabe que sou determinado a algo e sou de confiança, então...
- Rafael, boa sorte! Olha... se você ousar olhar pra alguma mulher eu te mato, e se conseguir me liga Rafa. Te amo.
Ele me beijou quase jogando meu corpo para trás.
- Prometo que me comportarei dona Clarie. – Achei estranho ele falar “dona” Clarie, mais engraçado ao mesmo tempo.
Ele sorriu mais uma vez e saiu do meu lado. Me virei para ver sua imagem saindo pela porta. Como eu o amava! Ele estava sofrendo por mim... por nós! Talvez, se fosse com outro cara, já tinha me deixado a tempos! Rafael é único...
Terminei meu café minutos depois de vê-lo saindo. Voltei para casa, e peguei o dinheiro do bolso de uma jaqueta minha. Tranquei a porá, de novo e o portão. O ponto de ônibus ficava na frente da casa que ganhamos, sentei do banco e esperei que ele chegasse.
Dez minutos depois, o ônibus já parava no ponto. As portas se abriram e os passageiros de trás saíram. Deixei as outras pessoas subirem no ônibus antes, pois eram idosos. Fui a ultima a subir. Paguei minha passagem e me sentei no fundo.
Se eu dissesse para Alice que iria comprar algumas coisas para casa, ela iria querer ajudar... a poupei disso. Já havia ajudado de mais, além de perder a aula e tempo conosco.
Peguei meu iPod e coloquei uma das minhas preferidas, embora não seja o metal que tanto gosto, mais sim, uma musica calma...
“Eu estou aqui
Se quiser é a mim que vai ver
Não importa
Longe ou perto
Eu posso te apoiar quando me procurar
Se o mundo te deixa confusa
E os seus sentidos você parece perder
Se a tempestade se recusa a ir embora
E você não sabe o que fazer
Olha em volta
Eu estou aqui
Não importa longe ou perto
Eu estou ao teu lado
Mesmo que por um tempo
Vire-se
Vire-se, eu estou aqui”
By your side – Tokio Hotel
“Eu estou aqui, não importa longe ou perto, eu estou ao teu lado, mesmo que por um tempo...” Aquele pequeno trecho da música me lembrou tanto Isabella, minha mãe... Ah como eu as amo! Quando estavam do meu lado, não dava valor... as tratava como animais! Nem os animais merecem ser tratados assim!
Quando me dei conta, o ônibus já havia parado, estávamos em frente ao mercado. Desci. Vamos as compras...
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