Mudei por Você
16 Capítulo 16
Quarta-feira de manhãzinha... Me preparava para acompanhar minha mãe ao aeroporto quando ela bate na porta do meu quarto.
- Clarie de pressa! – Dizia minha mãe batendo na porta do meu quarto.
Dei apenas um retoque na maquiagem, peguei um papel na gaveta e desci. Minha mãe se despedia da casa onde teve a mim e Isabella. Despediu-se do meu pai apenas com um abraço. Deu duas malas de rodinha para que eu levasse até o táxi que a esperava. Com muito sacrifício conseguimos colocar todas suas malas no táxi, e entramos. A cada rua que passamos, cada bairro até chegar ao aeroporto mamãe chorava olhando a vista lá de fora.
- Mãe não fica assim. Eu não gosto de te ver chorando... – Eu dizia fazendo carinho em seu cabelo curto.
- Vivi tanto tempo aqui. Agora é um pais novo, casa nova... Terei que fazer novos amigos... Terei de me adaptar a uma vida nova um mundo novo. Eu não quero continuar aqui, quero ir pra longe... Se desse eu iria morar no Japão.
Se eu a respondesse certamente iria falar alguma bobagem, então fiquei quieta. Chegamos ao aeroporto e ainda não tinham anunciado o vôo para os EUA.
- Mãe... Desculpe-me pelo modo que a tratei sempre. Você não faz idéia de como me arrependo... Agora que você vai em bora, vai deixar Isabella aqui... Cuidarei muito bem dela, eu prometo mãe. Eu amo você... – Tinha a sensação que meu coração ia se esmagando cada vez mais dentro de mim.
- Meu amor... – Ela fazia carinho em meu rosto. – Desculpe digo eu... Por ter te tratado como se fosse uma qualquer por todo esse tempo. Eu te amo muito, e admiro tudo em você. Tenho orgulho de saber que é minha filha. Você ficara no meu coração sempre... Eu amo você Clarie.
Anunciaram o vôo. Iria partir em 10 minutos. Ela pegou suas malas deu um beijo no meu rosto e entrou no avião. A escada era enorme, quando já estava lá em cima fez uma letra C com as mãos que aos poucos se transformou na metade de um coração, então juntou sua outra mão e formou-se um coração completo. Aquela cena era linda. Retribui o coração que ela fez. Logo em seguida ela entrou, cerca de alguns minutos depoistodos os passageiros entram a bordo. Tiram a grande escada de perto do avião. Acompanhava tudo de longe (Obvio) minha mãe saindo dali.
Nunca pensei que choraria tanto pela minha mãe. Se nada de importante acontecesse nesse ano iria logo em Janeiro de 2010 para os EUA.
Sai do aeroporto e fui direto para escola. Pois a aula já estava quase começando. Cheguei a tempo, segundos antes de fecharem o portão. Sentei-me no chão mesmo para descansar, estava ofegante. Vi a sombra de alguém atrás de mim, logo virei para ver quem era. Sim! Era a infantil, idiota, estúpida, arrogante, irritante da Laura.
- Todos da escola estão comentando sobre a tal carta Clarie.
- A carta que você me mandou? Não adianta mais Laura! Eu sei que foi você. E... Cara, como você consegue ser tão idiota? Não foi eu que empurrei eles comigo, foram eles que quiseram vir comigo. E o que a minha irmã tem a ver com isso? Você por acaso tem algo a ver com a morte dela? – Perguntei gritando.
- Eu não tenho nada a ver com a morte dela. E não fui eu que escrevi aquela bendita carta. Mais que você roubou duas pessoas que eu amo, você roubou.
- Idiota.
Dei de ombros e sai de lá, a aula já havia começado. Sentei-me de pressa ao lado do Rafael que já me esperava.
- Sua mãe já foi? – Perguntou acariciando minha mão.
- Sim. Sentirei falta dela... – Dei uma pequena pausa. – A Laura disse que não foi ela que mandou a carta... Não pode ser! É ela! – No mesmo instante ela entrou na sala.
- Clarie... Aquela carta é inútil. Você sabe que eu e a Alice não ligamos para o que dizem.
- Essa carta não é inútil. Se não tivesse minha irmã envolvida nisso, eu jogaria essa carta fora sem problema.
A professora entrou na sala encarando todo mundo, como sempre. Fez a chamada e começou a passar matéria enquanto eu pensava na tal carta idiota.
- Clarie! Você ouviu o que eu disse? – Pra mim tudo o que ela estava falando era chinês.
- Hã... – Levantei-me e fui ate ela. – Professora eu não estou bem. Meus pais se separaram e... Posso ir lá fora tomar um ar? – Que meus pais tinham se separado era verdade, mais eu não estava nem ai. Só sentiria falta da minha mãe, pois... É minha mãe, não é mesmo?
- Dez minutos e nem um segundo a mais! – Dizia abrindo a porta para que eu saísse.
Sai correndo daquela sala fingindo que estava chorando. Eu era realmente uma boa atriz. Fui para atrás da escola, sentei-me de baixo de uma arvore, peguei um papel amassado que estava no meu bolso e comecei a ler. Eu tinha encontrado no quarto de Isabella um dia depois de ela morrer.
Flashback.
Estava entrando no quarto de Isabella chorando por saber de sua morte. Senti-me em sua pequena cama e acariciei seu travesseiro. Ela andava pela casa toda agarrada aquele travesseiro fofo. Acariciando-o senti alguma coisa dentro da costura. Era um papel escrito “A melhor irmã.”. Não consegui ler, levei até meu quarto e coloquei em uma gaveta.
Fim do Flashback
Hoje pela manhã quando estava quase indo até o aeroporto coloquei o papel no meu bolso. Agora tenho finalmente conseguia lê-lo. Fui arrumando aos poucos e ajeitando para que pudesse ler.
De: Isabella
Para: Clarie.
Querida irmã, sei que você não tem tempo para mim, e é muito estressante dentro dessa casa. Eu nunca consigo conversar com você normalmente... De irmã para irmã. Vejo minhas amiguinhas da escola no final da aula correndo para abraçar suas irmãs que as esperam no portão, e todos os dias eu fico olhando para ver se você esta ali. Mais nunca esta.
Clarie mesmo você me chamando de tudo quanto é nome, quero que saiba que sempre vou te amar, até quando eu ficar velhinha...
Te amo.
Isabella.
A letra desajeitada e pequena deixava aquele papel ainda mais delicado. As lagrimas corriam pelo meu rosto e caia no papel deixando algumas palavras borradas. Dobrei aquele papel novamente e guardei no meu bolso. Apenas ficou uma pontada de culpa dentro de mim, por não ter dado o devido valor a ela.
Notas finais
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