Mudei por Você

30 Sinto sua falta pai...


Acordei bem cedo na manhã seguinte. Me virei para o outro lado da cama para ver Rafael, que ainda estava dormindo. Ah! Ele domia como um anjo. Comecei a acariciar seu rosto. Notava cada vez que ele enchia seus pulmões de ar e os soltava.

Levantei da cama, coloquei minhas pantufas e fui até o banheiro. Me olhei no espelho e suspirei vendo minha imagem refletida. Eu estava feliz... realmente feliz; por ter um filho, um namorado que me ama, amigos verdadeiros e por fim... uma ótima mãe.

É, eu tinha tudo, mas era cega. Tinha uma mãe e uma irmã carinhosa, uma casa bonita e confortável, um pai trabalhador, amor... Só faltava eu enxergar isso tudo.

Sorri para mim mesma e suspirei. Lavei meu rosto, penteei meu cabelo e fui para a cozinha preparar o café da manhã. Não havia comprado muita coisa no dia em que fui ao mercado, mas me virei.

Coloquei a água para esquentar enquanto colocava algumas frutas e pães sobre a mesa. Terminei de arrumar aquilo tudo e fiquei esperando até que a água fervesse. Comecei a cantarolar e mal notei a presença de Rafael atrás de mim.

— Uau! Que menina prendada. — Disse ele, fazendo com que eu notasse sua presença e me envergonhasse por completo.

— Porque você não faz barulho quando levanta? — perguntei indo até ele.

Pousei minha cabeça sobre seu tórax nu de olho na chaleira. Rafael me acariciava me deixando cada vez mais a vontade com ele.

— Que música era aquela? — Ele perguntava, quebrando o gelo do momento.

— Photograph. - Disse, e comecei a cantar partes da música — Este é o lugar onde estudei, na maior parte do tempo eu tinha coisas melhores pra fazer, fichas criminas dizem que envadi a propriedade duas vezes, eu devo ter feito isso umas seis vezes...

— Meu Deus, essa música foi feita pra você! — Exclamou ele. Naquele momento me senti a pior pessoa do mundo, mas assim mesmo, estava rindo de Rafael.

— Sabe o que é engraçado Rafa?

— Não, sei não. Conta aí. — Rafael conseguia deixar o clima cada vez mais gostoso com seu jeitinho de garoto meigo...

— Eu sou a "bad girl" e você o mocinho...

Ele riu de mim, e olhou para a chaleira que já estava saindo vapor. Sai dos braços de Rafael, e fui passar o café para tomarmos. Enquanto eu colocava o bule em cima da mesa, Rafael se sentava.

Me sentei também, e enquanto nos serviamos, comecei a puxar assunto.

— Hoje vou dar uma passadinha pra ver Isabella.

— Olha, grana pra folhes ainda não tem. Mas a vizinha ali tem bastante no quintal.

— Rafael!

— Desculpa, foi brincadeirinha.

Não existiu momento algum em que eu ficasse encomodada com a presença de Rafael. Ele sempre me fazia rir, quando eu estava triste, ele conseguia arrancar um sorriso meu. Nos momentos em que ele fez cair uma lágrima minha, foi de tanta alegria em estar com ele. Rafael me completa.

— Ontem eu estava vendo nomes pro bebê.

— Jura? Pensei que iriamos decidir isso juntos. Mas tudo bem. O que você esta pensando?

— Se for menino, Caíque Oliveira Martins. — Rafael me olhou sorrindo, como se gostasse do nome que escolhi junto à Alice. — E se for menina... TCHANTCHANTCHAAAAN...

— Deixa eu adivinhar... Isabella Oliveira Sobrinha. — Ele disse me interrompendo. Rafael com certeza já fazia ideia de que este seria o nome, Isabella era tudo pra mim. O mínimo que eu poderia fazer, seria isso.

— Exatamente!

— Gostei dos nomes. Caíque, ou Isabella. É, minha namorada arraza. Podemos ter mais trinta filhos e todos eles teram belos nomes não é mesmo?

— Claro. — Eu disse olhando pra ele maliciosamente.

— Não me olha assim não Clarie... — fingi que não ouvi Rafael, e continuei o encarando. — Clarie... Eu tenho que ir trabalhar, para com isso!

— Haha, tudo bem! Você é bom em resistir hein. — Elogiei me levantando da mesa e indo para o quarto, deixando Rafael sozinho na mesa.

Abri o guarda-roupa procurando algo para sair, ver Bella. Peguei uma calça jeans preta, e uma blusa roxa que deixava meus ombros amostra. Ouvi Rafael saindo da mesa e indo para o banheiro tomar banho. Troquei de roupa, passei uma leve maquiagem, coloquei um arquinho, all star e já estava pronta.

Sai do quarto em direção a cozinha, para arrumar a bagunça do café da manhã, e me esbarrei com Rafael. Ele estava com uma toalha enrolada na cintura.

— Nem pense nisso. — Ele disse se afastando de mim.

— Eu não ia fazer nada. — Falava enquanto saia de mais perto dele, indo para a cozinha.

— Te conheço.

A cozinha já estava arrumada, e eu estava na sala, esperando Rafael terminar de se arrumar para sairmos juntos. Rafael demorava mais que eu para se arrumar, eu já estava impaciente.

— RAFAEL! VEM LOGO!

Após eu gritar, ele já aparecera na sala com as chaves de casa. Me levantei, e fui para fora, deixando a porta aberta. Rafael saiu e a fechou, enquanto eu já estava no portão. Estava ansiosa para estar "perto" da Bella novamente.

Rafael fechou o portão, pegou em minha mão e fomos ao ponto de ônibus. Normalmente naquele horário estaria cheio de pessoas indo trabalhar. Rafael e eu ficamos abraçados, esperando que a droga do ônibus chegasse logo.

Passaram-se minutos, mas pareciam horas. O ônibus chegou, e as pessoas que estava ali antes de nós subiam, enquanto outras desciam.

Pagamos nossa passagem e nos sentamos. Eu fiquei do lado da janela, olhando para o lado de fora. As pessoas andavam apressadas, umas saindo de bares, outras boates, correndo contra o tempo...

Rafael me deu um selinho e despediu-se. Iria descer ali mesmo. Ficava de olho para ver Rafael ficando para trás do ônibus.

Minha cabeça estava encostada no vidro da janela do ônibus, esperando até que estivesse perto do cemitério. O que está acontecendo comigo? Eu não sou mais a menina de duas semanas atrás. Eu estava morando com meu namorado, completamente, apaixonada. Não! Apaixonada é pouco pro que estou sentindo... eu o amo.

Viajei em meus pensamentos, e mal notei que estávamos perto do cemitério onde Isabella estava. Me levantei, apertei o botão para o motorista parar e esperei. Uma senhora idosa ocupou o lugar onde eu estava, sorrindo para mim. Se eu, que tenho 16 anos acho que vivi de mais, imagino alguém como ela.

O ônibus parou e eu desci. Os portões do cemitério estava aberto, senti um arrepio assim que coloquei meus pés lá novamente. Havia um grupinho de pessoas do outro lado... Fiquei triste por eles, por pessoas que nunca vi na vida. Eles estão sofrendo também, eles tem coração, e também amavam a pessoa que acabara de partir.

Procurei com os olhos o túmulo de Isabella. Havia alguém lá. Alguém que eu conhecia... meu pai.

Me sentei de baixo de uma árvore, esperando que ele fosse embora logo. Queria ir lá, e abraça-lo, compartilhar minha dor, e também o amor. Minha família estava toda para um lado. Minha mãe nos Estados Unidos, meu pai sabe-se Deus morando onde, eu com Rafael, e Isabella morta.

Papai colocou as flores em cima do seu túmulo e saiu. Meu Deus, como eu sentia falta de seus berros!

Ele passou por mim, e parou. Olhou para trás e voltou. Me olhou cheio de lágrimas em seus olhos, algumas, correndo pelo seu rosto.

— Papai... — Eu disse forçando para não chorar.

— Clarie! — Ele se agachou e me abraçou. Retribui o abraço. Aquele momento era perfeito!

— Pai! Me desculpe pelo como falei com o senhor. Eu te amo, eu sinto sua falta pai!

Ouvi seus soluços, e comecei a chorar ainda mais. Ele saiu do meu abraço, me olhou, enxugou suas lágrimas e saiu. Eu nao estava entendendo mais nada. Ele acabou de me abraçar, e saiu. A única coisa que ouvi dele foi meu nome.

Me senti a pessoa mais rejeitada do mundo! Me levantei, olhei para trás esperando que ele voltasse. Aquela minha esperança estúpida logo foi preenchida por uma profunda magoa. Magoa que ele deve ter sentido milhares de vezes.

Fui em direção ao túmulo de Isabella e comecei a chorar ainda mais. Grosas gotas de lágrimas caiam no chão, onde folhas secas das árvores encontravam-se junto as novas.

— Bella! Sinto tanta saudade maninha! Não trouxe flores, porque estou pobre. — Disse eu, soltando um risada forçada e sem graça. — A maninha está esperando bebê. Se for menina terá seu nome! Não tenho muito o que falar, só vim matar as saudades. Te amo Bella. Te amo...

Notas finais
Esse capítulo ficou muito bom! Tô me achando mais ficou mesmo! Ah! O Nyah agora está marcando em quantos favoritos a história está! E esta está em sete. Mais no máximo três mandam review. Vocês gostam de receber review, eu também gosto. Amigo, seu dedo não vai cair :D. Mas, queria agradecer a Alicitchaa e MariRosier-, Sabrina Jones, Lolly-Black, enfim, a galera que esta acompanhando que não deixa review e se ferrou porque não citei aqui o/ . Obrigada gente ! *------*
Obs: Quero review, -Q
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.