Mudei por Você
18 O album de fotos.
Segunda-feira de manhã. Um dia quente, sem nuvens no céu. O sol no meu rosto, fez-me acordar pouco mais cedo que o normal. Despreguicei-me bocejando, coloquei minha pantufa e fui ao banheiro lavar meu rosto. Desci para tomar o café com o pijama mesmo. Pois aquela casa estava ficando cada vez mais vazia e não me importo tanto quanto antes com minha aparência.
- Bom dia pai. – Dizia sentando-se numa cadeira velha.
- Chame o seu namorado para jantar mês que vem filha. Quero conversar com ele. – Papai já estava pronto para ir trabalhar, apenas tomava os últimos goles de café.
- Por que não este mês?
- Não te contei? Terei que viajar até o resto deste mês. Problemas na empresa. Você ficara bem sozinha. Irei partir amanhã para Itália. Não quero nenhum tipo de meninos em casa, festa, amiguinhas fofoqueiras, musica alta e nem pinte a casa de preto enquanto eu estiver fora.
- Eu não sou nenhuma patricinha mimada pra trazer amiguinhas.
- Acho bom. Agora vou trabalhar, querida. – Me deu um leve beijo na testa e saiu.
Levantei-me da cadeira e agradeci a Deus por me deixar sozinha por algum tempinho. Fui caminhando ainda bocejando até o bule cheio de café. Peguei uma xícara que minha mãe usava sempre e fiz o típico que ela e meu pai faziam e tomavam juntos: Café com leite e um pouco de leite condensado. A asa da xícara tinha um formato de coração, meio que de lado, a foto dos dois recém-casados era o que mais chamava atenção ali. Aquela xícara tinha mais ou menos uns vinte anos.
Terminei de tomar meu café com leite e subi as escadas para me arrumar para ir à escola. Passava na frente do quarto da minha irmã para chegar até o meu. A porta estava aberta, decidi entrar para tentar matar a saudade. Como havia acordado mais cedo, teria um pouco mais de tempo para apreciar aquele cantinho. Sentei-me um pouco na cama dela, e comecei a ver novamente suas fotos no criado-mudo. Havia gavetas que nunca nenhum dos meus pais e nem eu havia mexido lá. Abri a gaveta com um pouco de medo e insegurança. Havia álbuns de fotos da família.
Comecei a ver as fotos antigas, fotos de mim pequena, foto dos meus pais quando estavam namorando, foto de quando minha mãe estava grávida, foto de nós duas brigando por causa da maquiagem. Eu ria, sem ter a mínima vontade de rir. Havia varias paginas no álbum, e muitos outros. Mais não dava tempo de ver tudo aquilo naquele instante. Peguei todos os álbuns, havia mais ou menos cinco álbuns de 187 paginas. Levei todos ao meu quarto e coloquei debaixo da cama. Coloquei meu uniforme e fui para escola. Ainda estava cedo quando cheguei, não havia quase ninguém. Fiquei sentada perto do tiozinho que abria o portão. Depois de alguns minutos avistei Rafael e Alice chegando na escola, estavam rindo, felizes, contando piadas. A amizade entre um menino e uma menina que todos sonham.
- Clarie! – Alice me cumprimentou. Rafael ficou quieto, tímido, esperando que Alice saísse.
- Oi Alice. Por que... Você esta se contorcendo toda?
- Eu preciso ir ao banheiro... Até a aula amigos! – Correu até o banheiro, esfregando uma perna na outra. – Pelo jeito não contou. – Dei um leve selinho nele, peguei em sua mão e caminhei com ele até dentro da escola.
- Como nós três somos um trio, decidi contar a ela junto com você.
- Ah! Que fofo. – Ultimamente, estava parecendo uma patricinha. – Ah... Meu pai convidou você pra jantar lá em casa mês que vem. Você topa?
- Por que não pode ser esse mês?
- Ele vai viajar. E não posso fazer nada de muito interessante em casa até ele chegar. Mais pelo menos vou ficar sozinha. Deus é pai!
Ficamos quietos por um tempo, de pé. Todos que passavam para colocar suas coisas no armário, os olhavam. Obviamente pensando “Não existe casal mais estranho que esse.”. Não ligávamos para o que pensavam de nós.
O sinal finalmente bateu, entramos na sala e nenhuma das aulas prestamos atenção no que os chatos dos professores diziam. Ficávamos olhando um pra cara do outro com cara de idiota. O sinal para o recreio bate, eu, Alice e Rafael ficamos sentados de baixo de uma arvore comendo algumas batatinhas.
- Alice... A gente tem que te contar uma coisa. – Disse mordendo os lábios.
- Ai meu Deus... O que foi?
- Eu e o Rafael estamos namorando! – Abri um sorriso de orelha a orelha, esperando uma reação meio legal dela. Mais ela ficou seria nos encarando.
- Isso eu já sabia a séculos.
Continuamos conversando pelo recreio inteiro, minha cabeça no colo do Rafael, o leve vento tocando nossos rostos... Laura não havia ido aquele dia, por isso a felicidade entre os povos na escola naquele dia era fascinante. Voltamos para sala, tivemos as ultimas aulas e voltamos para casa.
Cheguei até o portão e vi todas as janelas e portas abertas. Corri para ver o que estava acontecendo, no andar de baixo, tudo estava absolutamente arrumado! Fui até a cozinha e estava a mesma coisa. Subi as escadas correndo e escorreguei, os degraus estavam molhados. Gritei algo e uma mulher que eu nunca tinha visto.
- Quem é você?! – Gritei enquanto passava a mão pelo ferimento no meu joelho.
- Sou a faxineira que seu pai contratou. Ele disse que sua mãe havia se mudado a pouco tempo e que não havia ninguém que limpasse a casa. Então virei uma vez por semana.
- Que cômodo da casa você esta limpando agora?
- Um quarto escuro, com alguns pôsteres de bandas de rock na parede.
- O meu quarto! Essa água toda esta vindo de lá?
- Sim! Joguei água pelo chão todo. Seu pai disse que você não guardava nada em baixo da cama então não me importei. Você deixou algo lá?
- SIM! Ah meu Deus! – Apoiei-me no corre-mão. E subi as escadas com dificuldade enquanto a mulher que limpava a casa ainda estava agachada me olhando.
Agachei-me para ver de baixo da cama e os álbuns estavam todos molhados. Puxei-os e as fotos estavam todas estragadas.
As únicas lembranças de fotos antigas que eu tinha da minha irmã, dos meus pais, dos meus avós, e até mesmo minhas.
- NÃO! – Gritei, enquanto gemia de dor.
- AH! Me desculpe! – A faxineira dizia enquanto abanava as fotos tentando seca-las.
- Tudo bem... Eu... Tenho que ligar pro meu pai! – Fui andando até a sala mancando.
- Alô?
- Pai! Você mandou uma faxineira pra cá?
- Algum problema?
- Sim! Eu... Eu tinha deixado as fotos de família de baixo da minha cama! Agora ela foi limpar o chão e as estragou!
- NÃO ACREDITO! Olha filha... Vou chegar tarde, obviamente você já vai estar dormindo. Quando eu chegar de viajem conversaremos sobre isso ok?
- Tudo bem...
Depois de algumas horas a faxineira terminou de limpar a casa, e foi em bora. Já estava tarde decidi ir dormir antes que meu pai chegasse. Pouco antes de deitar-me, deixei as fotos expostas ao ar em cima da laje. E finalmente fui dormir.
Notas finais
espero que tenham gostado. Gente eu tive mais duas ideias incriveis õ/ , ou seja vai demorar ainda mais pra fanfic terminar x) ( preparen-se para chorar novamente u.u).
espero que tenham gostado.
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