Mudei por Você
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Notas iniciais
Terminei de guardar as compras e voltei para a sala descansar um pouco. Queria tirar um cochilo durante o dia mais não consegui. Fiquei observando o ponteiro do relógio fazer seu ciclo. Estava literalmente vendo o tempo passar... Eram 14h34min, passou rápido! Alice já estava em casa, fiquei na duvida em ligar, pois no tempo que faltou a aula poderia estar fazendo algum trabalho. Não precisou ligar; meu celular já tocava. Numero da Alice.
ALICE aceitar – recusar
- Oi Alice!
- Oi Clarie! E aí, como esta sendo os primeiros dias sozinhos?
- É... Até que as coisas estão indo bem Alice. Conversei com a minha mãe, e fora o fato de que ela ficou pê da vida comigo foi tudo bem! E Rafael conseguiu um emprego em uma pizzaria. Eu estava pensando em nós duas irmos lá amanhã, assim que você sair do colégio.
- Tá legal! É longe? Eu não sei o caminho Clarie...
- Eu te espero amanhã na saída. E a gente vai de lá... Pergunto pro Rafa onde é! Ai Alice, eu estou com tanto medo do que esta por vir! Sabe... Imagina o tamanho da minha barriga! Vai parecer que eu engoli uma melancia inteira!
- Clarie... Agora você me fez pensar em uma coisa...
- O que?
- E SE VIER GEMEOS?! – Aquilo me apavorou por completo! Meu coração foi a mil. E se viesse? Quais são as chances? Ah Deus...
- ALICE! – Gritei fazendo com que – obviamente – ela tirasse o telefone de perto do ouvido. – Não OUSE dizer isso novamente! Nem em sonho! – Enchi meus pulmões de ar e os soltei lentamente. – Alice, por favor, não rogue praga, por que eu sei que você tem uma boca, que pelo amor de Deus...
- Tá legal, calma! – Ela ria do meu pavor. – Não sabia que você é tão supersticiosa! Olha, eu vou te contar uma simpatia pra não engravidar, é muito fácil e não demora nem cinco minutos! Você abre um saquinho bem pequeno onde está escrito camisinha e...
- Alice – a interrompi –, se você engravidasse amanhã mesmo, eu iria rir da sua cara! Deus que me perdoe mais eu iria rir até amanhecer o dia!
- Engraçadinha você Clarie! – Ela disse num tom sério, mais logo voltou a seu tom doce de menininha engraçada. — Está muito ocupada aí?
- Que nada... Deitada no sofá pensando na vida. A linda vida que eu tenho. Cada coisa ruim acontece comigo, e eu sempre penso; se eu não tivesse feito aquilo e isso eu não estaria nessa situação e não teria de fazer algo pra sair dessa e entraria em outra. – Fiquei um pouco calada, refletindo sobre o que havia dito. Pelo silencio, notei que Alice podia estar pensando no mesmo, ou rindo de mim por ter dito isso.
- Clarie, posso ir aí? Estou sem nada pra fazer aqui...
- Pode claro que pode.
- Daqui a pouco estou aí.
- Tchau.
Desliguei o telefone e voltei a pensar no caso de vir gêmeos. Primeira transa primeira gravidez, existe a chances de vir gêmeos? E se viesse? Seria dinheiro gastado em dobro, problemas em dobro, preocupação em dobro, gritaria em dobro, fralda suja em dobro... Fraldas! Eu nunca limpei bumbum de neném! Como eu vou colocar fraldas, e limpar aquela nojeira? Ah, se eu pudesse voltar atrás, teria feito tudo tão diferente.
Quem sabe há essas horas eu não estaria debaixo de meus cobertores planejando uma festa escondida do meu pai?
Mas... Estava começando a aceitar minha nova vida. Já conseguia imaginar minha vida como mãe... Mas, sei que vai ser difícil de me acostumar a ouvir mamãe para mim. Estava pensando no seu rostinho... Mais parecido comigo ou com Rafael? E quando ele ou ela crescesse? Seria um bom menino (a), mais rebelde, popular?...
O tempo estava passando muito lentamente... Seria assim todas as tardes se eu não fizesse nada! Eu precisava trabalhar... Qualquer coisa pra ocupar meu tempo! Em nove meses, ou menos já estaria cuidando do meu bebê. Podia já começar a fazer as coisas para ele. Quando eu era da idade de Isabella, ficava assistindo novela com minha mãe, e via as mulheres grávidas fazendo sapatinhos de tricô e crochê. Eram tão pequenos! Fico imaginando como minha mãe ficou quando ficou grávida de mim... Lembro também que ela estava louca de ansiedade quando estava grávida de Isabella.
- CLAAARIE! – A voz de Alice me chamando no portão, fez com que eu voltasse à realidade.
Peguei as chaves em cima da mesinha no centro da sala e fui atendê-la. A cumprimentei com um beijo na bochecha como sempre, e abri o portão para ela entrar.
- E então, muito tédio? – perguntou enquanto andávamos para dentro de casa novamente.
- Você não faz ideia Alice! Mas eu estava pensando nisso agorinha... Eu podia fazer tipo, sapatinhos, roupinhas pro bebê! Ou arrumava tinta e pintava o quartinho da bagunça! Ia arrumando o quartinho do meu filhote! – Logo mudei minha expressão feliz. – Ah Alice, tenho nove meses pra providenciar tudo! O quarto, as roupas, berço, fraldas... Mas de uma coisa pode ter certeza, ele vai ter roupa, carinho, saúde e comida de sobra!
Alice riu e me olhou com carinho.
- Você mudou tanto Clarie. Sabe... Eu te via de longe e sempre quis ser sua amiga, por você ter atitude e ser quem você é sem medo. E eu nunca pensei que veria você pensando nonsei que veria vocmpre quis ser sua amiga, por voc! que comprar, sabe... Planejando as coisas para seu filho. Eu pensei que você nunca namoraria, ou sentisse amor...
- Eu podia ser fechada e tal, mais ainda sou humana. Eu sinto amor. Mais eles estavam tipo, “ausente”. Pois, agora que minha família está longe percebo como os amo, e agora que estou prestes a ter a minha família meu sentimento AMOR está aflorando, era apenas uma semente e agora já esta uma rosa já bem formada.
- Então, digamos que você mudou pela sua família, amigos... Por quem você realmente ama?
- Mudei, por que... Percebi que minha família é tudo pra mim, que meus amigos verdadeiros estariam do meu lado mesmo nessas horas. Por que é só quando passamos por isso, que vemos como é difícil. – Abaixei minha cabeça e comecei a pensar. Eu realmente havia mudado, e estava mudando cada dia mais. Pra melhor. – Alice, obrigada por estar ao meu lado. Sempre! Você é uma amiga e tanto.
- Clarie, posso te perguntar uma coisa?
- Claro.
- Você nunca pensou em abordo ou adoção, não é?
- Te confesso que sim. Mais desisti. Não quero que meu filho sofra como sofri que chore e implore para todos a sua volta pela sua mãe verdadeira. Quero que ele ou ela seja meu melhor amigo... Que conte meus segredos numa boa, sem temor algum! Como eu queria contar os meus segredos pra minha mãe.
- Você vai ser uma ótima mãe, hein.
- Obrigada! Falando em família, amanhã cedo irei visitar Isabella. Levarei flores... Imagino se ela estivesse aqui! Todos preocupadíssimos com minha gravidez, e... Ela estaria mega feliz! – Abri um sorriso de orelha a orelha imaginando Isabella acariciando minha barriga. – Ela era tão carinhosa.
- O corpo dela não tem vida alguma, ninguém mais a vê ou sente o calor do seu corpo. Mais ela ainda está viva no seu coração, e sei que enquanto você estiver viva, seu coração vai bater e a cada batida para bombear o sangue em suas veias o nome dela estará estampado em seu peito.
- Que lindo Alice. Mas, pode ter certeza que sim. Eu era feliz e não sabia. Quero começar minha vida do zero.
- Já pensou no nome do bebê?
- Não. Ajuda-me?
- Se vier menino?
- Rafael Júnior? Ah, ah!
- Thiago é bonito.
- Giovanni. – Disse, recordando-me do episódio em que estávamos no shopping, e conheci o tal menino que Laura gostava.
- Clarie, você tem sérios problemas mentais sabia?
- Eu sei! Ah, ah!
Alice era a única que conseguia me animar diante dessa situação. Há tempos não sorria...
- Lucas, Rogério, Mauricio, Emerson, Gabriel, Diego, Alexandre, Caíque? – Alice soltou uma bomba de sugestões.
- Caíque é legal...
- E menina?
- Isso não precisa nem me perguntar, já tenho a resposta na ponta da língua; Isabella Oliveira Sobrinha.
- É uma bonita homenagem e um bonito nome.
- É. E se for menino, Caíque Oliveira Martins.
A cada dia que se passava, eu ficava mais apegada à Alice. Ela era uma ótima amiga... Nesse pouco tempo de amizade, eu e ela ficamos muito unidas. Agora, caso acontecer algo – o que é meio obvio, que acontecerá algo! –, não sei se consigo seguir em frente sem ter ela do meu lado me apoiando, me puxando a orelha quando necessario e até me ensinando o que é certo e errado. Jamais esqueceria dessa garota que não me abandonava em hipótese alguma.
- Clarie, voltando ao assunto das roupinhas do bebe... Minha avó pode te ajudar. Isso se você se der bem com ela.
- Ela é muito chata?
- Ela é gente boa. Muito legal! Conto tudo pra ela... E ela sempre está fazendo roupas, toucas e coisinhas assim pra mim. É uma graça! Quando contei de você pra ela, ela ficou com tanta dó! Mais, ao mesmo tempo, meio enfurecida. O conceito dela pra vida é: primeira transa, depois do casamento! Ela é contra fornicação... e eu também, viu?!
- Agora entendo o por que...
- É... Mais também é pela nossa religião. Toda minha família é Testemunha de Jeová. É tão bom Clarie... Você podia vir num sábado com a gente pro Salão do Reino. Você vai gostar.
- Vou, vou sim. Mais, voltando a sua avó!
- Ah, sim! Quer ir lá em casa?
- Agora?
- É!
- Tudo bem, só vou ligar pro Rafa... Avisar né? – Disquei o numero com esperanças que ele fosse atender, pois, poderia querer causar ótima impressão...
- Fala rápido Clarie.
- Só pra avisar que vou à casa da Alice e não sei que horas que eu volto. OK?
- Tudo bem... Se cuida. Amo você.
- Uhum. Tchauzinho.
Desliguei e telefone, e eu e Alice já nos levantávamos para ir para sua casa.
Durante o caminho até lá, andei refletindo mais e mais sobre o que estava acontecendo, e Alice ficara calada o caminho todo.
- Sua casa fica longe de mais Alice! Parece até que estamos dando a volta na cidade! – disse eu, quebrando o gelo.
- Ah Clarie, não reclama não! É você que nunca anda, e agora só de andar um pouquinho já se cansa.
- Ok, desculpa mamãe!
Viramos a esquina e finalmente chegamos a casa de Alice.
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