Mudei por Você
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Alice posou em minha casa aquela noite. Finalmente agi como uma adolescente quase normal. Ou quase.
- Meninas esta na hora de dormir. – Minha mãe dizia com o pijama todo amarrotado, cremes no rosto e o cabelo pior que o meu.
- Já estamos indo mãe. – Fechei a porta enquanto minha mãe voltava para seu quarto. Deitei-me na minha cama fofa e esperei até que Alice terminasse de escovar os dentes.
- Caramba esse seu quarto é escuro. – Alice dizia enquanto se deitava ao meu lado.
- Você quer o que? As paredes são escuras meus objetos são absolutamente QUASE todos pretos...
- Amante de preto você hein.
- Ahan. Boa noite Alice
- Boa noite.
Dormimos feito pedra. Na manha seguinte meu “adorável” despertador não toca. Já eram 08h30min da manhã quando minha mãe toma coragem de me acordar.
- CLAAAAAAAAAAAAAARIE! A AULA JÁ COMEÇOU ACORDA! – Minha mãe gritava como se estivesse perdido por um numero na mega-sena.
- Grande coisa me deixa dormir.
- GRANDE COISA NADA! Vamos Clarie levante-se!
- Eu não vejo a hora de fazer 18 anos e sair desse inferno de casa. Fugir com o Rafael pra Bahia e ter 30 filhos, sem nada pra comer e dormir o dia todo! – Eu gritava indo para o banheiro.
- Rafael? O garoto que veio aqui em casa aquele dia? EU SABIA! Eu sabia que vocês estavam namorando! – Minha mãe dizia com um sorriso enorme na cara. – Você finalmente desencalhou minha filha!
- Ele não é meu namorado. Era pra ser, mais a Laura estragou tudo. Agora sai do meu quarto mãe eu ano consigo me arrumar com mãe no meu ouvido falando de meninos.
Minha mãe saiu do meu quarto correndo. Talvez fosse fofocar pro meu pai. Alice e eu nos arrumamos com pressa. Como não queria ver a cara do Rafael me encarando decidi ir com meu pai.
Meu pai me levou até a escola em uma velocidade impressionante. Sendo bem sincera eu estava torcendo para que encontrássemos algum guardinha pelo caminho. A aula foi a mesma coisa. O tal Giovanni não tinha ido aquele dia. Rafael não veio falar comigo e Laura estava feliz pacas por ter me deixado triste, chateada, decepcionada e iludida.
Cheguei em casa como se nunca tivesse conhecido ninguém naquela escola com exeção de Alice. Entrei ao meu quarto e pela primeira vez abri a janela. Antes eu só abria a cortina. Sentei-me na escrivaninha e tentei novamente escrever uma carta para Rafael. Peguei uma folha de papel qualquer que tinha na minha gaveta. Na verdade não era “qualquer”. Aquela folha eu tinha desde que era pequena e gostava de coisinhas cor-de-rosa. Peguei uma caneta azul e pensava em algo de romântico e que tocasse o coração dele. Mais minha criatividade é zero. Com certeza quase morri de medo do que ele pensaria sobre mim. Acho que ele me achava uma idiota por ter “inventado” aquelas idiotices. Se não fosse a Laura eu teria o garoto mais lindo e simpático do meu lado como meu amigo.
“Rafael... Você com certeza deve estar achando que fui eu que inventei aquelas coisas. Mais poxa me da m voto de confiança, eu não fiz aquilo. Será que da pra você confiar em mim pela primeira vez na sua vida? Tenho que abrir meu coração... Eu vou admitir que eu AMO VOCÊ. Mais só por isso não inventaria que você ficou comigo. E se tivesse inventado, você seria a única pessoa que levaria tão a sério. Eu não sei como ainda não tentei me matar por causa de você. Talvez por que o sentimento que tem dentro de mim ainda tenha esperanças de ter você. Sim Rafael, você pode rir a vontade do que escrevi mais eu nunca, absolutamente NUNCA fui tão sincera. Espero que você compreenda Rafael.
Clarie.”
Nunca me liberei tanto para escrever algo como tinha escrito aquilo. Desde o dia em que o vi meu coração disparou. Alguns meninos não gostam de coisas melosas assim como essas que escrevi. Coloquei a carta em um envelope fui até o correi e mandei. Estava com medo. Medo de que ele risse de mim, medo de que não me compreendesse, medo de que jogasse aquela carta fora sem ao menos ler.
Voltei para minha casa caminhando lentamente. Os correios ficavam longe. Era basicamente uma caminhada de 5 km. Pela primeira vez tive vontade de brincar com minha irmã Isabella. Eu era a única irmã dela, e sempre a desprezava.
- Oi Isabella... – Dizia eu enquanto me agachava ao lado dela, que fingia estar fazendo bolo.
- Oi Clarie, quer brincar?! – Minha irmã conseguia ser tão fofa e meiga. Percebi o que havia perdido durante todo o tempo que ficava mofando em meu quarto.
- Claro! Vamos brincar!
- Você será minha filha!
- Tudo bem mamãe! – Deitei-me no montinho de areia que ela fez. Era pra estar parecido com uma cama...
Brincando com minha irmã percebi que eu estava realmente mudando. O que eu estava me tornando? Escrevi uma carta em um papel cheio de corações, brincando com a minha irmã. Realmente, comecei a ficar assim aos poucos desde que conheci Rafael. Eu sei que ele não gostava do meu estilo. Talvez estava mudando por ele. Eu não quero isso. Se ele gostasse de mim de verdade ficaria comigo pelo que eu sou por dentro. Mais na verdade até por dentro eu estou mudando. Isso é estranho...
- Meninas entrem já esta escurecendo! – Minha mãe dizia acariciando o cabelo de Isabella.
- Ai mãe deixa a gente ficar aqui mais um pouco é sexta-feira!
- Mais um pouco, depois quero que tomem banho, jantem e pra cama!
Ficamos lá por mais meia hora. Estava começando a chover, peguei minha irmã no colo e a levei para dentro. Minha irmã tomou banho depois foi minha vez. Jantamos e cada uma foi dormir em sua cama. A sensação de ir deitar naquele dia estava tão boa. Não era mais um peso na consciência de algo que fez de errado no dia. Com o barulho da chuva e dos trovões fortes lá fora não conseguia dormir. Ouvi alguém bater forte na porta do meu quarto. Corri para abrir e era minha irmã. Ela se jogou na cama e agarrou os cobertores.
- Clarie to com medo!
- Calma Isabella. Dorme aqui comigo. – A abracei e logo pegamos no sono. Era a primeira vez que dormia abraçada com minha irmã.
Dormimos feito anjos.
Notas finais
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