Finalmente bate o sinal para a terceira aula. Cheio de alunos pelos corredores, passamos pelo andar de baixo. 5º serie. Era como passar perto do inferno todos os dias para chegar a minha sala de aula. Finalmente conseguimos sumir as escadas para o segundo andar. Minha professora de Matemática conversava com outro professor na porta do 3º ano. Rafael e eu entramos devagar na sala para que nenhum professor percebe-se que chegamos atrasados. Eu sentava na frente não tinha ninguém que ocupava uma carteira perto de mim. Como não conhecia ninguém Rafael se sentou ao meu lado. Vi que as patricinhas da escola começaram a me encarar, comentando obviamente sobre mim e o Rafael. Uma delas se aproximou de nós vendo se suas unhas estavam perfeitas.

- Oi Clarie... – Laura, a líder do grupo das patricinhas da minha sala pegou uma carteira e se sentou na minha frente com um sorriso falso que eu odiava, enquanto eu pegava meu livro de matemática. – Quem é o novo aluno?

- Não te interessa garota inútil. – Eu dizia em tom alto batendo forte minha mão na mesa.

- Hey Filomena eu só fiz um pergunta! – Percebi que ela se estressou.

Levantei-me da cadeira ficando cara-a-cara com ela. Percebi que Laura ficou com medo, respirando fundo se afastou um pouco.

- Clarie acalme-se! – Rafael dizia colocando as mãos em meu ombro.

Todos olhavam atentamente com expectativas que desse briga. O que era meio impossível em uma escola como Scherner. Uma das melhores do país. Afastei-me com o olhar fixo em Laura. Sentei-me na cadeira bruscamente, coloquei meus fones de ouvido e comecei a ouvir musica. Minutos depois a professora entra na sala, não disse Bom dia. Colocou seu material na mesa se sentou abriu o livro de chamada e começou a fazer a chamada. Finalmente chegou minha vez. Eu nunca respondia “presente” às vezes eu dizia... “To aqui!” “Eu!” ou quando estava de mau humor como aquele dia respondia “Faltei”. Após dizer isso a professora começou a me encarar com um olhar tenebroso. Levantou-se da cadeira e foi caminhando lentamente em minha direção. Parou na frente da minha carteira e começou a me olhar enquanto eu balançava a cabeça no ritmo da musica.

- Você é a única coisa que estraga esta escola. – Fingi que não a ouvi, peguei meu celular e coloquei a musica no ultimo volume. Dava para ouvir os gritos do cantor na música. Minha professora estendeu as mãos pedindo o celular.

- Quié Zé arruela? – Disse eu na maior cara de pau enquanto tirava os fones do celular, deixando aquela musica alta tomar conta da sala.

- Guarde esse celular! Antes que eu pegue e não devolva mais. – A professora se virou, e eu sem medo algum fiz careta pra ela como se estivesse no primário.

- Você é tão rebelde Clarie. – Rafael sussurrou pra mim com cara de quem estava doido para soltar uma gargalhada.

A terceira aula foi a mesma chatice de sempre. E claro apenas para implicar comigo me chamou para fazer uma conta na frente da classe. Apenas a ignorei. Quando finalmente bate o sinal para o intervalo eu estou quase babando na carteira de sono.

- Clarie... – Rafael dizia calmamente pra mim enquanto se agachava na minha frente. – Acorda! – Ótimo o momento de tranqüilidade dele chegou ao fim.

- Pode ir eu quero dormir. – Parecia que saia automaticamente a voz de mim.

Rafael saiu da sala com calma para não fazer nenhum misero barulho. Quando sai para fora vê os garotos metidos a riquinhos na porta o esperando.

- Velho... Você quer mesmo andar com a Clarie? – Jonatan dizia colocando a mão nos ombros do Rafael.

- O que tem de errado? Ela é tão gente boa. E por que deveria seguir o conselho de alguém que eu nem conheço?

- Vai por mim... Ela não é nada legal. Achei incrível que ela tenha falado com você. Talvez queira alguma coisa. – Rafael tirou as mãos de Jonatan de seu ombro e saiu.

Pela janela Clarie tinha visto tudo, depois de Rafael ter se afastado logo abriu a porta para “falar” com os meninos e em especial Jonatan.

- Escuta aqui garoto... – Clarie puxou Jonatan pela camisa que estava fugindo. Clarie disse alto, chamou a atenção de todos ali. – Quem é você pra dizer essas coisas de mim? – Fiquei o encarando enquanto ele olhava pra mim com expressão horrível de puro medo.

- Olha Clarie você sabe que eu morro de medo de gente como você. Então por que eu faria isso de graça? – O soltei e fiquei com uma expressão pensativa. Tinha tantas pessoas que me odiavam naquela escola. Mais por que mandar justamente um Nerd que se acha o bonitão?

Corri para fora para procurar o Rafael, o vi sentado de baixo de uma arvore folheando uma revista. Aproximei-me de vagar para não assusta-lo. Agachei-me atrás dele esperando que percebesse minha presença.

- Clarie! Você me assusto! – Não pensei que ele fosse tão idiota como os outros garotos.

- Nossa! Obrigada me senti bem. – Eu disse ironicamente enquanto me sentava do lado dele. – Rafael o que aqueles idiotas disseram pra você? – Olhei serio pra ele esperando a resposta sincera.

- Quem contou pra você que eles vieram falar comigo? – Ele disse num tom agressivo jogando a revista para trás. Que conseqüentemente caiu em Laura.

- Eu ouvi desde “Vai por mim... Ela não é nada legal!”. E olha eu sei bem como...

- Essa revista é sua Rafael? – Laura dizia com aquela voz irritante atrás de mim. Agüentei firme pra não dar uma de voadora na cara dela.

- É sim obrigado Laura. – Ele dizia pegando a revista.

- Escuta aqui garota da pra você sair daqui? – Tentei mostrar o pouco de educação que avia dentro de mim.

- Que isso Clarie. Vou me sentar aqui junto com meus amiguinhos! – Ela se sentou no meio de nós dois dando um abraço forte e desagradável.

Comecei a chorar de ódio. Não suportava aquela garota. Parecia que todos em volta conspiravam contra mim. Enquanto Laura dava uma de “legalzinha” me afastei, procurei outra arvore para me sentar e chorar. Todos que passavam me olhavam. Nunca tinham me visto chorar, competiam lugares para ver aquela linda cena. Percebi que a atenção estava voltada toda para mim e saiu correndo de lá.

Notas finais
Zenti deixem review please : ,
avisando que nao vou postar todos os dias como a minha fic anterior >