Mudanças
20 Capítulo 20
Notas iniciais
Dulce acordou animada, agora aquelas meninas iriam ver quem era a mentirosa. Ela não era! Gustavo iria leva-la a escola junto com a mãe.
Se arrumou para ir a escola, estava cantarolando. O telefone da mãe começou a tocar, ela levou até o quarto para que ela pudesse atender.
Cecilia estava animada com a animação da filha, quem dera que ela sempre estivesse nesse gás para ir a escola, não que ela não gostasse, mas hoje parecia e ela sabia que era um dia especial. Dulce entrou no quarto e lhe deu o telefone, era Gustavo.
– Oi?
– Amor, me desculpa mas não vou poder levar a Dulce na escola hoje. Tive uma emergência hoje de manhã na empresa, na verdade, já estou aqui!
Cecilia sentiu no mesmo instante o que seria seu balão de felicidade ir murchando. Dulce ficaria bem decepcionada.
– Foi algo grave?
– Não muito, houve um problema com um contrato, o clinte viu, queria desfazer tudo... Enfim, nada que o setor jurídico não pudesse resolver mas o cara fez questão de uma reunião comigo. Ou seja, Não dá pra sair daqui agora. Eu sinto muito!
– Tudo bem, tenho certeza de que ela vai entender. Eu vou explicar a ela, não se preocupe.
– Nada disso, passa o telefone pra ela, que eu mesmo explico.
Cecilia chamou a Dulce, que pegou o telefone. Cecilia notou que enquanto o Gustavo falava, parecia que uma luzinha nos olhos da filha ia se apagando. Ela ficou de coração partido. Mas não foi algo que qualquer um deles pudesse evitar. Problemas acontecem, ainda mais no mundo dos negócios.
– Não! Eu entendo sim... Não eu quero ficar na casa da Ana. Tá bom! Tchau!
– Mamãe ele quer falar com você.
Cecilia mais uma vez suspirou, e pegou telefone.
– Sim, ela está chateada, diria que decepcionada, mas não se preocupe que vai passar.
– Eu estou de coração partido aqui! Ela mal falou comigo!
Gustavo suspirou na linha, ela tinha certeza que ele estava passando a mão pelos cabelos.
– Olha, ela vai se acalmar e vai ficar tudo bem!
– Você promete?
Cecilia quis rir da pergunta, mas achou que seria insensível de sua parte.
– Juro de coração. Eu preciso ir, ou chego atrasada. Beijo, te amo.
– Beijo e também te amo.
Gustavo estava triste, não gostava de prometer o que quer que fosse a Dulce e não cumprir. Sabia que ela estava triste com ele. Queria fazer alguma coisa, pra deixa-la feliz. Mas estava ocupado o dia inteiro.
Pelo menos tinha a noite, e ele poderia conversar com Dulce e explicar tudo pessoalmente. Quem sabe eles podiam ir ao restaurante favorito dela... Era uma boa ideia.
Dulce foi deixada na escola, como sempre com beijos e abraços e recomendações. Mas ela não iria aprontar nada, estava triste.
Assim que entrou no pátio da escola, lá estavam elas, pareciam que estavam a sua espera, e tinha certeza que estavam sim.
Bábara e Frida, a dupla dinâmica que não se largavam e a brincadeira predileta era caçoar da Dulce. Primeiro por ser adotada... Agora, por não ter pai.
– Olha só se não é a chatinha Bárbara!
– É sim, e sem pai mais um dia... Ontem ele vinha te buscar e ninguém viu!
– Porque todo mundo já tinha ido embora! Por isso, mas ele veio sim!
– Vai chorar Dulce?
– Não Frida! Porque eu tenho coisa melhor pra fazer!
Dulce passou pelas duas, cheia de raiva, não gostava de se sentir assim, sabia que era errado. Sabia que Gustavo não veio porque não pôde, mas ainda assim, tudo que ela queria era calar a boca daquelas meninas insuportáveis.
O dia passou correndo, Dulce sabia que estava quase na hora da mãe chegar, queria ir pra casa, estava com dor de cabeça. Não disse nada a Ana porque o que queria mesmo era o colo da mãe. O telefone tocou, e Ana a chamou pra ela falar, dizendo que era Gustavo.
– Princesa o que você acha da gente ir no seu restaurante favorito? Nós passamos ai pra te buscar! O que você me diz?
Gustavo ouviu quando ela suspirou.
– Hoje não obrigada. A mamãe vai demorar a chegar?
Gustavo ficou um momento calado, não esperava por essa. Dulce sempre estava disposta a sair.
– Não querida, nós já estamos indo.
– Tá bom.
Dulce desligou o telefone.
Gustavo estava atônito olhando para Cecilia. Ele explicou que ela não quis ir ao restaure e que mal falou. Cecilia mais vez disse que ela estava chateada, mas que tinha certeza que iria passar. Ela iria falar com ela mais uma vez.
Gustavo tinha saído a tarde, e tinha comprado um quebra-cabeças para que os dois pudessem começar a montar juntos. Ele esperava que isso o fizesse se reaproximar da Dulce.
Assim que chegaram, Cecilia foi buscar Dulce e Gustavo ficou esperando pr elas em casa. Cecilia notou que Dulce estava mais quieta, mas quando a mãe perguntou, ela respondeu que estava com dor de cabeça. E que era apenas isso.
Gustavo tentou com todo custo puxar assunto com Dulce, peguntou do dia na escola, não foi uma boa ideia, ela apenas lhe disse que foi normal, dando de ombros. Perguntou como estava a comida, ela lhe respondeu que boa.
Quando acabaram, Gustavo mostrou a Dulce o quebra-cabeças, ela achou lindo mas assim, que ele perguntou se ela gostaria de começar a montar, ela lhe disse que outro dia, pois estava com dor de cabeça e queria dormir. Chamou a mãe para lhe colocar na cama. Mas antes de sair, ela lhe deu um beijo de boa noite. Pelo menos isso, ele pensou. Ele estava preocupado.
Cecilia ajudou Dulce a colocar o pijama, a deitar-se e perguntou se ela queria que ela continuasse com a leitura, ela disse que não. Queria que a mãe a abraçasse. Antes de Cecilia fazer isso, falou com Dulce.
– Filha, você sabe que esse gelo que você tá dando no Gustavo tá machucando muito ele?
– Não é de propósito mamãe, eu só tô triste, mas vai passar. Amanhã eu já vou estar bem. E eu ainda amo ele.
– Você sabe que ele não foi te levar na escola, por problemas no trabalho, não foi planejado.
– Eu sei disso. Você pode deitar comigo até eu dormir, por favor?
– O que você precisar meu amor.
E lá Cecília ficou, deitada com a filha, até que sentiu que ela tinha dormido.
Na sala o clima não estava nada bom. Gustavo estava triste.
– Ela não está fazendo por birra, eu percebi isso. Deve ter mais coisa, e ela não está falando. Vocês vão ficar bem. Ela me disse que te ama.
– Eu quero que ela seja feliz, sempre.
– E ela é! O que você teve, foi um contra tempo, ela entende e amanhã, já vai estar tudo bem.
Gustavo ficou abraçado a Cecilia pelo o que pareceram horas, dava pra perceber o seu cansaço, ela quase chegou a perguntar se ele gostaria de dormir lá. Mas pensou em como Dulce ficaria quando o visse logo cedo, e sabia que mais uma vez ele não poderia leva-la na escola.
Eles se despediram. Ela pediu que ele por favor a avisasse assim que chegasse em casa.
Recebeu a mensagem, e pôde dormir em paz. Amanhã seria um dia melhor.
O dia seguinte foi tão ou mias corrido que anterior. O dia acabou, Gustavo mal viu Cecilia, por mais que trabalhassem na mesma sala.
Ela entrou na sala, perguntando se ele estava pronto para ir embora. Ela era uma visão em meio ao dia corrido e a dor de cabeça persistente. Ele levantou-se, foi até ela e a beijou. Pouco se importava que estavam no meio do escritório. Tinha que ter algo de útil em ele ser chefe. Tinha todo o direito de beijar a namorada, mesmo sabendo que ela não queria esse tipo de demonstração no trabalho. Ele precisava dela.
Gustavo gostaria de dar um tempo para Dulce, sabia o quanto a tinha magoado não indo leva-la ao colégio e isso acabava com ele também. Ver aquele olhar tristonho.
– Acho que não vou entrar Cecilia, não quero irritar a Dulce.
– Você não a irrita. Entra, mostra que você tá aqui, mesmo quando ela não quer. E mais hoje pela manhã ela já estava melhor.
– Tem certeza?
– Absoluta!
Ela deu a mão ao namorado e ambos foram buscar a Dulce.
Dulce continuava calada. Mas no final do jantar aceitou começar a montar o quebra- cabeças com Gustavo.
– Como está na escola? As meninas pararam de pegar no seu pé?
Dulce suspirou, e encarou Gustavo, um olhar sério.
– Elas nunca vão parar de pegar no meu pé Gustavo. Primeiro porque eu sou adotada, eu não ligo, porque a mamãe é minha mamãe, os nossos corações se escolheram. E depois porque eu não tenho pai. Mas eu tenho você, que é como se fosse. Só que o que elas falam machucam. E elas nem ligam. Mas eu vou ficar bem, eu tenho um monte de amigas!
Gustavo não sabia o que dizer depois de tanta sinceridade. Ele estava sentado a frente dela, levantou-se a abraçou, prometeu ali naquele momento, falando em seu ouvido, que sempre estaria com ela. Que ele cuidaria dela, a protegeria do que fosse. Inclusive de meninas malvadas.
Ela sorrio com esse final. A risada da Dulce, tornou-se um dos sons mais lindos do seu mundo. Ele não permitiria que quem quer que fosse tirasse isso dela.
Cecilia colocou Dulce para dormir, ultimamente ela andava mais cansada, ela dizia que era a idade. Na sala encontrou Gustavo pensativo.
– Você não acha que está na hora de nós falarmos com os pais dessas meninas?
– Não é certo o que elas fazem com a Dulce.
– Eu sei, também já pensei nisso. Mas primeiro, quero tentar resolver isso com a diretora da escola, se não der jeito, vamos conversar com pais delas.
– Tudo bem.
Eles se despediram... Foi mais demorado, a porta ainda estava fechada. Se eles fossem adolescentes, poderiam dizer que os amassos estavam ficando cada mais intensos. Depois que Gustavo foi embora, Cecilia encostou-se na porta e suspirou, continuava a fazer isso, e de uns meses para cá, isso só vinha aumentando.
Cecilia e Dulce já frequentavam o apartamento de Gustavo, mas nessa sexta-feira elas iriam jantar lá. Sempre estavam de passagem. Dulce adorava lugar e Fran, que ela disse que a ensinou a sambar.
A sexta-feira veio, estavam no meio do dia no escritório, quando Gustavo entrou na sala de Cecilia.
– Pega sua bolsa e vamos!
Cecilia parecia que estava olhando para um alien. Porque não fazia ideia de pra onde tinham que ir.
– Posso saber pra onde vamos?
– Buscar a Dulce na escola!
Ele deu um sorriso travesso.
– Você sabe que ainda tá cedo...
– Essa é a intenção. Agora vamos! E mais, depois dessa semana tensa, nós aproveitamos e começamos o fim de semana mais cedo!
Chegaram rápido ao colégio. Gustavo pediu que ele fosse até a sala buscar Dulce, a diretora entendendo a situação permitiu. Não era o procedimento padrão mas dessa vez, não havia como negar.
Gustavo chegou na porta, e viu a Dulce sentada e concentrada no que parecia ser a lição.
Bateu na porta e pediu licença. Todas as meninas olharam para eles. Dulce abriu o maior sorriso que ele já viu na vida.
– Com licença professora, eu sou o pai da Dulce Maria e vim busca-la! Será que ela poderia ser liberada um pouco mais cedo?
A professora que também estava por dentro de toda a situação, não fez objeções. Ficou feliz ao ver carinha da aluna. Tão feliz!
Dulce pegou a mochila e correu até Gustavo. O abraçou ali mesmo, foi a melhor surpresa! Ele foi busca-la! Do colo do pai, olhou para colegas que pegavam no seu pé e deu língua.
Foram mais cedo para o apartamento, Dulce parecia que estava revigorada. Mais falante, elétrica. Disse que depois que jantarem ela queria ver filme em família. E que ela iria escolher. Perguntou inclusive se Gustavo não gostaria de fazer um quarto para ela em seu apartamento. Cecilia engasgou com o suco que estava tomando. Mas a menina disse que era só até eles morarem juntos, daí ela ficaria com um quarto só claro.
O jantar estava delicioso, simples mais perfeito. Silvestre primoroso. Dava pra ver o cuidado que ele tinha com o Gustavo, e agora com a família.
O filme que Dulce escolheu foi um antigo, que Gustavo tinha em sua coleção. E.T, ela até tentou ficar acordada, o filme todo, mas não conseguiu. Dormiu.
Cecilia realmente pensou em ir para casa... Mas sabia que iria acordar a filha, e ela já estava habituada a casa de Gustavo, provavelmente não iria estranhar.
Cecilia vestiu uma camisa de Gustavo em Dulce e a deitou na cama, esperou um pouco para ver se a filha acordava. Nada.
Cecilia foi para o quarto principal. Ela também colocou uma camisa de Gustavo para dormir e esperou pelo namorado que estava no escritório.
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