Acabara de chegar à casa nova e já odiei tudo que tem aqui. Sentia falta do meu velho apartamento que eu morava com papai, antes dele morrer. Kat me olhava com um olhar sonolento de quem acabara de acordar, virou-se para a janela e ao ver a neve começou a miar. A neve começou cair forte La fora e fazia redemoinhos em alguns cantos, o vento soprava pelas frestas da janela e aquele barulho me irritava cada vez mais. Minhas malas estavam fechadas e jogadas em algum canto do quarto, eu realmente não queria arrumar nada, não queria acreditar que viveria ali agora. Tirei o travesseiro da mochila e o abracei forte, senti uma lágrima escorrer. Eu me lembrei “dele”.

Era uma cidade nova, uma casa nova, vida nova, escola nova, amigos novos. Mas quem eu amara continuava sendo ele, La estava tão frio, eu só queria poder sentir os braços dele em envolvendo mais uma vez. A lembrança do meu olhar protetor sobre mim, aquele sorriso que me fazia esquecer todos os problemas que me rondavam. Ah era mágico. Abri um pouco a janela e o cheiro doce de seu perfume parecia se misturar com o cheiro gelado da neve caindo.

De repente a porta do meu quarto se abriu, sequei as lágrimas que caiam logo e me virei fingindo estar dormindo, eram mais caixas da mudança que os caras traziam pra casa. Kat se escondeu rápido, ela não gostava de gente estranha que tentava ser querida, assim como eu. Quando ele forma embora pudesse levantar, fui procurar uma roupa e tomar banho quente. Depois de me trocar fui dar uma voltar pra conhecer a vizinhança, as casas dali eram realmente grandes e bonitas. Não que eu pudesse falar algo, afinal a casa que minha mãe tinha comprado era enorme, ate exagerada só pra nas duas, mas era linda. Pelo menos Kat havia adorado, tinha um jardim enorme para brincar e muita árvore para subir.

Peguei meu celular e coloque os fones no ouvido, enquanto caminhava pelas ruas quietas ouvia as doces palavras da minha música romântica. Algumas partes ate me faziam sorrir, eu lembrava dele, era inevitável. Não conseguia acreditar que o tinha perdido por culpa da mudança repentina na minha mãe, que raiva.

A chuva começou cair, como se eu me importasse, de repente uma gota caiu na tela do celular, quando olhei meu rosto se encheu de lágrimas, meu sorriso aumentava cada vez mais. “Mensagem recebida” estava escrito, era dele. Meus olhos brilhavam como ao ganhar algo que eu queria muito, ele se lembrava de mim.

Entrei correndo em casa, a chuva ficara cada vez mais forte e eu estava com medo que algo pudesse acontecer. Peguei o celular para responder a mensagem, mas no momento que o segurei recebi uma ligação.

– Alô. Eu disse

– Oi Mary. Ele disse, era “ele”. Meu coração começou bater cada vez mais forte e minha respiração ficou ofegante.