Mudanças

20 Cada gesto conta


Notas iniciais
Yo Mina-san! Eu sei que devo inúmeras desculpas para todos vocês, mas eu tenho um bom motivo para demorar tanto. 1° Ei tive a prova da Vunesp (a uni que eu quero ir) e depois da prova, que foi dificílima, eu fiquei meio deprimida (na verdade eu ainda estou, acho que não fui bem o suficiente nem para ir para a segundo fase)e então tive o pior bloqueio da minha vida, tudo o que eu escrevia saia uma porra! Teve um momento em que eu tentei matar a Sakura, vê se pode?!
Então eu resolvi dar um tempo e me recompor, demorou mais do que eu esperava, mas valeu a pena. Bem é só isso, minhas sinceras desculpas e boa leitura XD!!!

Pov’s Ino

Essa foi uma das melhores noite de sono de toda a minha vida, o corpo dele abaixo do meu, os braços fortes me segurando e me protegendo, o cheiro forte e másculo... Talvez ma casar com ele não seja algo tão ruim assim. Acho que só vou sentir falta da vila, mas nada que eu não supere.

É. Meu destino não me parece tão ruim assim.

Os braços dele se estreitaram a minha volta, ele parecia estar sonhando e não era uma coisa muito boa. Ele estava tendo pesadelos. Um gemido esganiçado escapou dos lábios dele e eu não pude resistir à tentação de abrir os olhos e virando minha cabeça para cima poucos centímetros vi seus olhos cerrados com força e seu rosto um pouco suado e contorcido. Talvez eu devesse acordá-lo, meu coração parecia dentro de uma caixinha de tão apertado que ficava vendo uma expressão tão sofrida no rosto bonito.

Me afastei alguns centímetros e fiz força para afastar seus braços, mas com cuidado para não acordar ele. Mas não fui muito feliz nessa ação.

—Estava esmagando você? –Ele perguntou assim que abriu os olhos, seu rosto suado e o ângulo reto das suas sobrancelhas (o lugar em que elas deviam estar ¬¬#) contradiziam seu sorriso pequeno e tímido. Será que ele tem medo de mostrar todos os dentes da boca? Será que ele não TEM todos os dentes da boca?!

É a única explicação, tanto para ele quanto para o Sasuke e o Neji que nunca sorriem de verdade, apenas um leve curvar de lábios.

—Não. Eu só tive a impressão de que você estava tendo um pesadelo.

—Não se preocupe Ino. É assim toda noite, mas não é nada de mais. Mas acho que já esta tarde para continuarmos na cama, não é?

—É verdade, já passou da hora de nos levantarmos. Não sei bem o que fazer hoje, mas acho que seria bom encontrar com os outros e saber como vão às coisas. Só espero que ninguém tenha se saído tão mal quanto nós. –Soltei um suspiro cansado antes de sorrir doce para ele. –Que tal um jantar entre amigos hoje?

—Ótimo, meu amor! Estou me sentindo de férias aqui em Konoha, eu passo o dia todo sem fazer nada! Estou ficando mal acostumado.

—Mas é por uma boa causa, fofinho. Ou você acha que me esperar não é um bom motivo? –Entrei no jogo brincalhona. Tinha pelo menos três Anbus de Suna do lado de for a do quarto esperando para entrar.

—Melhor impossível! –Ele se inclinou um pouco e tocou seus lábios nos meus, um beijo calmo e carinhoso. Separamo-nos e eu sorri para ele. Os lábios dele eram viciantes, nunca provei um sabor tão bom como esse e duvido que um dia vá provar.

Ele retribuiu meu sorriso com aquele que era de praxe para ele. Levantei-me da cama e segui para o pequeno banheiro acoplado ao quarto. Ele me seguiu de perto, com as mãos presas a minha cintura e o rosto deitado no meu ombro. Usei a escova dele para escovar os dentes e ele logo depois escovou os dele. Afinal, se eu já o beijei mesmo não tem problema nenhum e ele parece concordar por que nem se importou com minha atitude. Certas coisas são pura frescurite e eu não tenho saco para esse tipo de coisa.

—O que vamos fazer hoje? –Perguntei com os lábios perigosamente próximos do ouvido dele, ele estremeceu de leve e escorando a bunda perfeita na pia do banheiro e envolvendo minha cintura com os braços ele respondeu.

—Não sei. Você não faz nem idéia? –Ele deu um beijinho suave na base do meu pescoço e desceu esfregando os lábios por todas as partes que ele conseguia alcançar. Balancei a cabeça em um “não” silencioso e ficamos ali, simplesmente abraçados. –O que você acha de irmos às compras? –Afastei meu rosto do seu pescoço e encarei ele que sorria simpaticamente.

—Você está falando serio? Vai me levar para torrar seu dinheiro pela vila? –Acho que esse foi o maior sorriso que eu já havia dado em toda a minha vida, só a mera possibilidade de torrar dinheiro já me deixava nas nuvens. Sou consumista mesmo e daí?!

—Mas é claro! –Ele riu da minha expressão e logo continuou a falar. –Como Kazekage eu ganho muito bem, sem contar na herança que meus pais me deixaram. Fora que ver você com essa expressão vale todo o dinheiro do mundo! –Meu sorriso aumentou ainda mais e mesmo sem querer deixei que meus lábios se unissem com os dele. –E alem de bancar suas compras ainda vou ser seu carregador particular.

—Adorei! Mas não vale se arrepender depois viu?! Eu quero comprar tantas coisas para o casamento. –Soltei uma sonora gargalhada e apertei mais meus braços no pescoço dele.

—É verdade, você ainda precisa comprar o enxoval né?

—Isso! Então vamos logo. –Segurei seu pulso e comecei a arrastá-lo para a porta. Ele fez um pouco de força no chão, apenas para me contrariar. –Vamos, Gaa-Neko!

—Espera, florzinha! Primeiro um bom banho e você ainda tem de passar na casa dos seus pais para se trocar, não? –ele riu e puxando seu pulso com força ele me arrastou para perto do seu corpo de novo, passando seus braços ao redor da minha cintura e prendendo nossos corpos colados.

—Malvado! –Fiz um biquinho que ele mordeu travesso. Senti seu corpo ficar tenso, não de verdade, era só parte da simulação para os Anbus que espiavam da janela. –O que foi? –Entrei no jogo e perguntei me fingindo de assustada.

—Quem está ai? Apareça! –Ele ordenou com a voz grave. No mesmo instante um dos Anbus apareceu na frente dele, e nas minhas costas, virei meu rosto alguns centímetros e encarei a mascara dele.

—Perdoe-me, Kazekage-Sama. Não era minha intenção atrapalhá-lo ou ficar bisbilhotando sua vida privada... –Ele começou a tentar se explicar, mas Gaara não parecia muito paciente para ficar ouvindo.

—Suas desculpas não me interessam! Diga logo o que você tem a me dizer.

—S-sim! Mas... na f-frente d-dela...? –A cara do Gaara estava tão sombria que até eu senti medo, não pude evitar de tremer levemente. Ele notou meu medo e passou as mãos pelas minhas costas, como que tentando me acalmar.

—Você tem, por acaso, algum problema com a minha noiva? –Sua voz soou fria e objetiva.

—N-não. Perdoe-me s-senhor. Só vim comunicar que recebemos noticias do restante da comitiva. Está tudo bem e seu irmão acredita que chegará em Suna ainda essa noite!

—Se já terminou pode se retirar! Está atrapalhando minha manhã. –O guarda não esperou ele falar uma segunda vez e em uma nuvem de fumaça.

—Você não precisava tratar ele dessa forma. –Me afastei um pouco e encarei seus olhos verdes.

—Ino, não se meta na forma que eu trato meus subordinados. Eu sei o que eu faço.

—Tudo bem, faça como quiser. Afinal eu sou só sua noiva, não é? –Sorri cínica e vi ele fechar os olhos nervoso.

—Ino, as coisas não são assim e você sabe disso! Não quero discutir com você. –me adiantei e abracei seu pescoço, ele envolveu minha cintura no mesmo instante. Pousei minha cabeça no vão do seu pescoço e sussurrei, só para ele ouvir.

—Eu também não e não quero me meter na sua vida. Mas quero ser sua amiga, Gaara. Quero te ajudar. Eu tenho evitado pensar nisso, mas todos os nossos amigos parecem sofrer com essa historia toda, só que ninguém percebeu que eu estou sozinha. Vou para outra vila onde eu só conheço você, vou passar anos da minha vida lá e tudo que eu tenho é a fé de que isso vai nos trazer um futuro melhor. Será pedir muito que você me deixe participar da sua vida? Nem que seja só um pouquinho? –A essa altura as lagrimas já escorriam dos meus olhos, mesmo que eu não quisesse que elas se mostrassem.

—Desculpe, Ino. Me perdoe, eu não pensei nisso ainda. Não quero pensar no que vai ser do amanhã, apenas no hoje. Já me machuquei muito Ino e para evitar mais dor para mim eu nunca penso no que pode acontecer. Egoísmo, não?

Não tive como responder aquilo, não por que eu concordava com isso, mas sim por que as lagrimas não permitiam que eu dissesse nada. A dor era forte.

Será que ele acreditaria se eu dissesse que eu também sinto isso? Que eu também sou assim?

Pov’ s Hinata

Às vezes, normalmente quando se está nervoso, o tempo parece correr um duas velocidades. As coisas acontecem rápido demais e ao mesmo tempo tudo parece durar uma eternidade. Essa noite foi assim.

Faz tempo, muito tempo, que eu não tinha uma noite como essa. Não dormi direito, tive sonhos estranhos e para piorar minha cabeça dói. Acho que além da noite o dia também será longo.

O sol batia forte contra o meu rosto, mas não foi isso que me fez acordar de mais um dos meus cochilos e sim o chakra do meu pai que estava totalmente fora de controle. Tá, não estava assim tão descontrolado, mas para ele que é sempre tão disciplinado é algo estranho.

Ele provavelmente quer que eu acorde, mas não quer vir me chamar. Era hora de começar a encenação.

Me levantei, o mais devagar que eu podia, afinal se eu vou embora daqui mesmo nada me agradaria mais do que irritar esse idiota até o limite. Mal posso acreditar que eu vou mesmo embora dessa casa!

É como um sonho!

Meu único arrependimento é não poder levar minha irmã junto, mas por mais que eu goste de me enganar minha irmã sabe muito bem conviver com eles, o sangue dela é tão frio quanto o deles. E eu me pergunto se eu poderia ter feito alguma coisa para evitar isso, mas acho que não. Eu era muito pequena quando minha mãe morreu e nem por isso fiquei desse jeito, eu dei todo o exemplo que eu poderia dar, toda a ajuda e carinho que eu tinha, mas nada adiantou.

Pensar nisso agora também não vai ajudar. Talvez esteja no sangue. Talvez eu não possa mudar isso, talvez ninguém possa. Minha mãe não mudou meu pai, apesar de amá-lo mais do que sua própria vida. Não consigo acreditar que Tenten consiga muita coisa e nem quero pensar no que está reservado para o futuro de Hanabi. Vou ser egoísta agora, vou pensar apenas no meu futuro.

Segui direto para o banheiro, onde fiz minha higiene matinal e troquei de roupa. Desci para o café da manhã muito à contra gosto, encarar aquela cara de bunda logo de manhã vai me fazer ter enjôo. A mesa já estava posta e sentados para o café da manhã estavam meu pai e Hanabi, que não parecia notar o clima mais tenso do que o habitual. Me sentei em silencio e comi devagar, mas é lógico que ele não poderia me deixar em paz. Ele tinha de retrucar.

—Por que não nos conta seus motivos para acordar tão tarde, Hinata?

—Lamento não saber do que está falando, papai. –Cinismo é de família mesmo e daí? Se ele pode ser assim eu também posso.

—Então me permita ajudá-la com sua memória tão inútil. Ontem você chegou tarde depois de sair com aquele fedelho! Você é uma Hyuuga! Dê-se ao respeito! Ainda mais com aquele moleque arruaceiro metido a...

—Chega! Não vou admitir que você fale do Naruto, o herói dessa vila, dessa forma. Se você não consegue respeitar ninguém como um homem, então respeite alguém como um ninja muito superior a você. Eu já tolerei demais suas atitudes. Eu mando em mim e nas minhas decisões Hyuuga Hiashi! –Minha voz ecoou por toda a casa. Vários empregados olhavam a cena espantados e alguns ninjas, que entraram na casa sem o menor respeito, provavelmente temendo um ataque, pareciam perdidos. –Eu não vou levar sua ultima atitude em consideração, papai, mas sugiro que tenha mais cuidado com suas palavras.

Sai da sala de jantar sem sequer dispensar um segundo olhar para aquela cobra velha que era o meu pai. Mesmo que aquilo me machucasse profundamente eu não podia negar que também me trazia um prazer secreto. Era bom saber que eu podia me defender dele.

Entrei no meu quarto e sentada na cama eu não fazia a menor idéia do que fazer. Minha cabeça está totalmente vazia, desprovida de sentimentos ou remorso pelas coisas que eu falei para o meu pai. Antigamente eu deveria estar aos prantos, mas agora nada mais importa, pelo menos não da mesma forma de antes.

Agora só me resta seguir em frente, não existe curvas ou atalhos, não para mim. É melhor eu me arrumar logo, daqui a pouco o Naruto deve estar chegando e eu vou ter muita coisa para fazer.

Segui para o meu banheiro e retirei meu vestido, entrei debaixo do chuveiro com a água o mais quente possível, deixei que a água passeasse por todo o meu corpo, lavando parte da angustia e solidão que estava impregnado em mim. Não que a água fosse capaz de levar elas embora, mas ao menos dava uma sensação de estar limpa, enquanto ela escorre, livre, ela parece anestesiar um pouco o que eu estou sentindo. Passei o sabonete por cada canto do meu corpo, mesmo que aquilo só me desse uma maldita sensação de limpeza, mas só da pele, por que do coração nada parecia ser capaz de cuidar. Meus cabelos encharcados se colavam pelo meu corpo, eu não deveria ter molhado ele, agora vou ter de lavar. Sinceramente não estou afim de deixar ele solto hoje, está muito quente de qualquer modo. Talvez uma trança ou prender tudo para cima, quem sabe. Preciso mudar um pouco hoje, afinal minha vida vai virar de cabeça para baixo hoje.

Passei a esponja encharcada de sabonete liquido pelos meus braços e pernas com a maior lentidão possível, tentando arrancar toda a sujeira que parecia formar uma crosta sobre mim. Em alguns partes eu esfreguei com tanta força que chegou a avermelhar. Não importa. Depois de passar pelo menos uns quinze minutos esfregando meu corpo com uma força desnecessária eu me enxagüei e sem lavar o cabelo eu sai. Me enrolei na minha toalha branca e felpuda assim que saí do Box de vidro, um vento gelado me fez arrepiar todos os pelos do meu corpo, mas não me incomodou de verdade. Segui para o meu armário espalhando pingos de água por toda parte. Eu não costumo fazer esse tipo de coisa, mas como essa é a ultima vez que eu tomo banho aqui, então ‘tô nem ai! Quero mais é que se dane!

Abri as portas claras vendo as inúmeras fotos que eu mesma coloquei ali, cada uma representava uma cena importante e inesquecível da minha vida e juntas formavam uma estranha coleção, formavam a minha vida, só que muito mais alegre do que a realidade. Tenho de me lembrar de levar elas quando for embora daqui, não posso simplesmente largar toda a minha vida aqui. Meus olhos vaguearam em direção ao relógio em cima do criado-mudo, já eram 11h25minh, logo Naruto deveria estar chegando. Voltei a olhar para o meu armário, tentando escolher alguma coisa que combinasse comigo naquela manhã. Nada parecia querer me ajudar. Escolhi uma saia rodada e comprida, acho que ele nunca me viu com outras roupas que não fosse às ninjas, por que na verdade ele nunca sequer me olhou como uma pessoa, uma mulher. E para acompanhar peguei uma camiseta simples e delicada, num tom rosa bem clarinho. A saia era branca, logo não vai ficar uma coisa muito chamativa. Escolhi uma lingerie qualquer, não pretendo ficar sem roupa. Me vesti sem pressa, não faz mal fazer um pouco de charme na final das contas. Sequei meus cabelos o melhor possível com a toalha e prendi-o em uma trança embutida, lembro que minha mãe costumava fazer muito nos meus cabelos quando ela ainda era viva. Não passei nada no rosto, como me era de costume. Eu me sinto agoniada toda vez que passo maquiagem, especialmente durante o dia.

Faltava menos de 10 minutos para o meio dia e eu já podia sentir o chakra dele se aproximando em uma velocidade assustadora. Sai do quarto e segui direto para a porta, passando sem encarar o meu pai que estava sentado na sala junto com Hanabi, calcei minhas sapatilhas claras na porta e sai, quando botei os pés para fora já pude notar os cabelos loiros e espetados próximos do portão da frente. Vários guardas encaravam ele com um misto de respeito e descrença. A maioria ali tinha presenciado a cena do outro dia e quem não viu já devia ter sido informado pelos outros. Não é qualquer um que desafia Hyuuga Hiashi e faz isso duas vezes seguidas. Caminhei alegre pelo caminho, não era bem fingimento, por que eu estava mesmo feliz por sair com ele, não importa o quanto eu mude meu coração continua sendo dele e de mais ninguém. Ele sorriu assim que me viu indo em sua direção, aquele mesmo sorriso doce e contagiante que só ele possuía.

Assim que cheguei ao seu lado ele segurou minhas mãos e sorriu mais ainda.

—Te deixei esperando por muito tempo? –Perguntei me esforçando para não gaguejar, mas foi impossível evitar corar.

—Não, mas pode apostar que eu esperaria o tempo que fosse necessário e que valeria cada segundo de espera. Você está linda Hina, linda e radiante. –Sorri ainda mais, mesmo achando que parecesse impossível para mim. Ele conseguia ser a cada minuto mais incrível. Como ele consegue ser assim?

—Agora você também fica falando essas frases de cafajeste para garotas burras de tão inocentes, garoto? –Ouvi a voz do meu pai e suspirei. É claro que ele estava esperando para que a entrada dele fosse espetacular. Ele gosta de chamar a atenção para si.

—Não me compare com o senhor, meu sogro. –Ele sorriu irônico. –Não quero mais discutir com o senhor. Eu realmente amo a sua filha. Hinata é muito especial. Eu realmente não entendo o motivo de me odiar tanto, mas eu não sinto o mesmo pelo senhor, então...

—Eu não quero você perto da herdeira do clã Hyuuga. Você não passa de um moleque que se acha um herói! Fora! Saia do território do meu clã imediatamente.

—Eu achei que tivesse sido bem clara hoje cedo, papai. –O sarcasmo parecia escorrer pelas minhas palavras. –Não te dei permissão para falar dele, muito menos para controlar minha vida. –Virei e encarei seu rosto pela primeira vez desde que ele chegou ali. Sua mascara de surpresa era perfeita. –Eu não pedi permissão para sair e nem vou pedir e agora se me der licença eu tenho um almoço para ir.

Enlacei meu braço com o do Naruto e me virei para sair dali. Naruto tinha uma cara surpresa, mas parecia satisfeito. Mal demos dois passos e o corpo dele bloqueou nosso caminho.

—Eu não terminei ainda Hinata! –Seus olhos eram duros, mas pareciam brilhar. Um brilho estranho e ao mesmo tempo conhecido, de orgulho ou algo assim. –É você quem escolhe: entra e continua a ser a herdeira desse clã, a garota que eu preparei para assumir o poder dessa família ou some da minha frente e nunca mais retorne para cá! Se sinta sem casa ou família.

—Você não pode estar falando sério! Não pode expulsar a Hina de casa só por que ela quer sair comigo. O senhor está exagerando, sei que podemos conversar mais sobre isso...

—Calado, moleque! Não te dei permissão para falar comigo, seu fedelho. Uma criança qualquer que se acha herói! Você não serve para a herdeira do clã Hyuuga.

—Nós não estamos falando do seu clã, mas sim da sua filha! Hinata é um ser humano, sua filha! Não a trate como um mero objeto de decoração que você pode colocar onde bem entender. –Não sei onde o Naruto aprendeu a usar as palavras dessa forma, mas gostei de ver ele me proteger. Gostei de ver que ele não é mais aquele garoto burrinho e encantador, ele cresceu e se tornou um homem forte, inocente, mas ao mesmo tempo ele ainda é meigo.

—Por favor vamos sair daqui Naruto-kun, depois eu me entendo com o meu pai. –Minha voz saiu baixa, quase sussurrada. Mas dessa vez não era de medo, mas sim de cansaço. Eu não estava abaixando a cabeça para ele, só estava desistindo de uma guerra sem sentido.

—Eu não vou tolerar isso, Hinata! Você tem de escolher agora! O clã ou esse garoto?! –Me virei para ele novamente e encarando os olhos cinzas quase branco tão parecidos com os meus e sinceramente tudo o que eu consegui sentir foi uma paz e uma alegria violenta, como se depois de muito tempo o ar voltasse a caminhar pelos meus pulmões. O sangue parecia voltar a passar por todas as extremidades do meu corpo. Eu estava voltando a viver. A vida voltava a estar em mim.

—Pois bem, eu escolho ele, satisfeito? –Perguntei com o tom de voz calmo de sempre. Não havia medo ou tristeza em mim ao deixar aquela casa. –Você não pode me controlar mais, papai. Estou saindo da sua casa e da sua família. Esqueça que um dia eu pertenci a essa clã sujo. Mas eu sei que você vai se lembrar de mim todos os dias dessa sua vida miserável, todas as noites em que você colocar a cabeça no travesseiro você vai lembrar que seu clã esta caindo e definhando. Você sabe que sem eu aqui tudo isso vai ruir, ninguém mais pode assumir esse merda toda a não ser eu. –Olhei para o Naruto pelo canto dos olhos, ele estava sério e imponente. Ele era mesmo incrível.

—Você não pode estar falando serio, Hinata! Essa é sua família, sua casa! Espera morar com esse moleque no meio da rua? Você não vai conseguir sobreviver sozinha, vai viver do que? –Meu pai perguntou desdenhoso. Como eu odeio aquele sorriso e aquele brilho fanático dos olhos claros.

—Eu vou cuidar da Hina, ela não vai ficar desamparada. Você pode apostar nisso. –Naruto interviu à meu favor, mas eu ainda tinha uma carta na manga.

—Você só esta se esquecendo de um detalhe crucial, papai. Você sempre achou que era superior a minha mãe, mas ela não era uma idiota como você julgava. Ela me deixou uma quantia considerável. Ela esperava isso, Hiashi. Apesar de te amar, ela sonhava com o dia em que eu iria me rebelar contra você, ela ansiava pelo momento que em que eu seria livre, livre de uma maneira que ela nunca foi!

—Ela... ela nunca faria uma coisa dessas! Está mentindo! –Sorri com o nervosismo dele. Idiota.

—Você quer saber de onde ela tirou esse dinheiro? –Perguntei com um sorriso gigante em meus lábios. O que eu posso fazer se a maldade é uma coisa de família? Está no sangue! –Ela nunca foi de comprar muitas futilidades, mas ela sempre comentava que precisava disso ou daquilo, não é? Era mentira, todo aquele tempo ela estava guardando para poder dar liberdade para as filhas dela. –Minha respiração tinha se acelerado um pouco com essa ultima frase. Meus pensamentos voltando, sem a minha vontade, para minha irmã que encarava a cena boquiaberta.

—Saia! Suma daqui sua imprestável!

—P-papai! O s-senhor não pode e-expulsar a H-hinata-oniichan! É ela que deve c-comandar o c-clã. O-os conselheiros n-não vão a-aceitar s-se o s-senhor e-expulsar e-ela de c-c-asa. –Eu nunca tinha visto minha irmã gaguejar e sinceramente nunca esperei ver isso algum dia, mas era bom no final das contas, mostrava que ela ainda tinha alguma humanidade, algum sentimento dentro dela. Mesmo que esse sentimento fosse pelo clã, pela imagem de Hyuuga perfeita que nós deveríamos sustentar sempre.

—Não importa mais nada disso para mim. Mas nem que esse velho estúpido me implorasse de joelhos para que eu voltasse eu não faria isso. Vou viver a minha vida, papai. Você não pode mais se meter nela, não pode mais me controlar.

—Ótimo! Vamos ver quem vai implorar de joelhos aqui, você vai ver quando esse garoto conseguir o que quer de você quanto tempo vai levar para ele te largar como uma peça de roupa usada! –Ele respirou fundo de novo e mantendo sua voz estável ele deu sua ultima ordem. –Vá, entre agora e arrume suas malas! Essa será a ultima vez que você entrará nessa casa, arrume tudo. Não ouse deixar nada para trás, quero que tire tudo o que tem esse seu cheiro imundo de dentro da minha casa.

—P-pai! P-por f-favor! Pense m-melhor nisso, não vai ter mais volta! Vocês estão de cabeça quente, não vão resolver nada se insultando dessa forma! –Hanabi ainda tentou argumentar, mas já não tinha mais volta desde o momento em que ele pressionou a Hokage-Sama, ameaçando desfazer as alianças do clã com a vila caso eu não me casasse com o próximo Hokage, não que eu possa dizer tudo isso a ela ou a qualquer outra pessoa.

—Como queira, papai. Eu faço questão de sair dessa casa. Eu faço questão de não deixar nada que tenha o meu cheiro nesse lugar! –Avancei alguns passos na direção da grande mansão, sendo seguida de perto pelo Naruto. Os guardas que assistiam a cena boquiabertos não ousaram se meter no meu caminho.meu pai ainda falou alguma coisa sobre o Naruto não ter permissão para entrar na casa dele, mas eu fingi não escutar e ele também. Ele pareceu se admirar com a beleza e imponência da casa, mas não parou para encarar por muito tempo, por que eu não dei esse tempo a ele. Segui sempre em frente, indo direto para o meu quarto.

Entrei e esperei que ele entrasse antes de fechar a porta com força, talvez mais força do que o necessário. Respirei fundo e logo senti braços fortes me abraçando, mesmo que eu não quisesse acabei me deixando levar pelo calor que emanava deles, me aconcheguei mais naquele abraço.

—Eu não queria que nada disso estivesse acontecendo com você. Me senti tão culpado e preocupado. Não quero nem imaginar como as coisas vão acontecer daqui para frente.

—Não precisa se preocupar comigo. Eu sou forte e sei me cuidar. –Dei um sorriso mínimo e me afastei dele, apenas o suficiente para encarar aqueles olhos que mais pareciam ser de um anjo.

—Não é só disso que eu estou falando,Hina. Não duvido, nem de leve, que você seja capaz de se defender. Não duvido, nem nunca duvidei das suas habilidades como ninja, mas você ainda é minha bonequinha! –Arregalei os olhos com essa ultima frase. Será que ele estava mesmo indo tão baixo nessa farsa? Será que ele não via a forma como brincava comigo quando falava esse tipo de coisa?

Meu peito grita para que ele esteja sendo sincero, mas minha mente já venceu essa guerra: ele mente! É nisso que eu tenho de acreditar, só isso é confiável. Só isso é aceitável!

Pov’ s Temari

Tinha um corpo estupidamente quente abaixo do meu, alem de quente ele era forte e macio. Os acontecimentos da noite passada começaram a passear pela minha mente. Era o Shika que estava de baixo de mim, com um braço ao meu redor e a respiração calma em cima da minha cabeça.

Ele devia estar desconfortável já que boa parte do meu corpo estava em cima dele, mas ele dormia. Também o preguiçoso que ele é deve conseguir dormir em qualquer lugar de qualquer jeito.

Um sorriso brincava em meus lábios cada vez que ele respirava, era uma sensação tão boa, única. E pensar que eu vou poder ter essa sensação pelos próximos dois anos é incrível, mas ao mesmo tempo assustador. Não quero nem imaginar como vai ser quando essa historia terminar. Não quero que essa historia termine. Pelo menos não como uma simples farsa. Eu queria que contos de fada existissem, assim eu poderia ser apenas uma princesa de um reino distante, ameaçada por uma bruxa má e que espera ansiosa pela vinda do príncipe encantado. Só mais uma garotinha frágil e meiga, que precisa do seu príncipe e não sente vergonha alguma de falar para quem quiser ouvir que ama, que precisa ser protegida.

Não posso mais ficar aqui, deitada, sonhando com essas baboseiras. Eu tenho uma vida para viver. Eu não sou uma princesa frágil eu sou uma ninja que quer proteger o seu povo e todos que estiverem ao meu redor. É isso. Chega de sonhos e ilusões.

Me afastei alguns centímetros do peito forte, só o suficiente para encarar o rosto bonito e sereno. Eu vivo reclamando que ele é preguiçoso, mas eu tenho de admitir que isso só deixa ele mais charmoso. Esse ar despreocupado, tranqüilo de ser e encarar a vida. Eu queria poder ser assim, mas não sou.

Ele parecia dormir em sono profundo, então duvido que perceba se eu me levantar bem devagar. E foi o que eu fiz. Com a maior delicadeza possível retirei seu braço de cima da minha cintura, ele se remexeu mas não acordou. Levantei com calma e sem fazer barulho ou movimentos bruscos.

Fui direto para o banheiro, depois de ontem eu precisava mesmo de um bom banho, de preferência bem quente e longo. Peguei uma bermuda jeans curtinha e uma regata escura e fui para o meu tão merecido banho. A água estava deliciosa, devo estar derretendo, mas não me importo, gosto desse calor. Acho que viver no deserto me fez ser maluca pelo calor. Passei o sabonete do hotel por todo o meu corpo, não era aquele que eu usava em Suna, tinha um cheiro cítrico demais para mim, mas tudo bem dá para o gasto. E por falar em gasto: quando minhas coisas que estão em Suna vão vir para cá? Logo eu não vou ter mais roupas para usar! Eu não esperava ficar tanto tempo aqui, e tipo dois anos é bastante tempo.

E por falar em tempo: aonde é que eu vou morar depois do casamento? Por que eu me recuso terminantemente a morar com os meus sogros. Eu preciso ter uma vida só minha, sem contar que se nos morarmos junto com os pais dele a gente vai ter de simular... é... não quero nem pensar.

Depois de uns dez minutos debaixo do chuveiro, quase derretendo, eu sai e me vesti ali mesmo, afinal o Shika está dormindo na minha cama. Passei um lápis pelo olho e um rimel básico. Não sou muito fã de passar uma maquiagem pesada. Prendi meu cabelo em um só rabo de cavalo. Pendurei minha toalha no Box e sai do banheiro.

O Shika já estava acordado, sentado na cama. Sorri para ele que retribuiu sereno. Como era tudo nele. Meu coração estava ameaçando sair pela boca, como alguém consegue ser lindo mesmo tendo acabado de acordar. Ele devia estar com a cara amassada, descabelado e ainda assim parecia perfeito para mim. Vai entender o coração, não é?

—Você quer tomar um banho? Posso pegar umas roupas do meu irmão emprestadas para você. –Por incrível que pareça eu corei. Estava totalmente vermelha. Coisa que não me acontecia com muita freqüência. Nunca, na verdade. Só ele tinha esse poder sobre mim.

—Seria ótimo. É disso mesmo que eu preciso. –Ele se levantou devagar e caminhou até mim. Minha respiração descompassou no mesmo instante. Ele parou na minha frente e pousou a mão delicadamente sobre o meu rosto. Seus dedos deslizaram delicadamente fazendo todo o caminho entre meus olhos, bochechas e o pescoço. Um arrepio desceu pela minha coluna. –Como você está? Quer dizer, depois de toda aquela confusão de ontem você não deve estar muito bem, é claro. Mas está pelo menos um pouquinho melhor? –Ele tinha o rosto sereno, mas a voz preocupada.

—Eu sou durona, Shika. Não precisa ficar preocupado, eu vou me recuperar, eu sempre me recupero. Tem de ser assim, sou uma konuiche. Uma guerreira.

—Eu sei disso tudo. E não estou dizendo que é diferente, você é a pessoa mais forte e corajosa que eu já conheci, mais ainda é uma mulher, linda e gentil. Ainda é um ser humano, e todos nós sentimos.

—Você tem razão. Como sempre, aliás. –Sorri para ele, suas mãos seguraram as minhas nas dele. Nossos dedos se entrelaçaram e eu juro que quase morri do coração. Aquela de ninguém é perfeito é a mais pura mentira, por que ele é PERFEITO. Um ser único e maravilhoso. Eu já disse perfeito? –Obrigado, por tudo. Por ontem e por tudo que será daqui para frente. Pode ter certeza que você ainda vai ver muito dessas crises emocionais durante esses anos. –Abaixei minha cabeça e deixei que meus olhos se perdessem no piso de cor enjoativa. –Eu sempre tive de ser forte, mais ainda sou só uma garota, desesperada por não saber o que vai acontecer no futuro. –Seus dedos tocaram meu queixo gentilmente me obrigando a encarar seus olhos.

—Eu também sou só um homem que quer desesperadamente saber o que vai acontecer, que quer acertar acima de tudo. Vamos tentar isso juntos, está bem? Sempre apoiando um ao outro.

—Sim. –Senti que tinha lagrimas presas nos meus olhos prestes a cair. É melhor eu parar com esse assunto sentimental. –Agora vá tomar um bom banho, eu vou buscar umas roupas e depois nós temos de ver alguns detalhes para o casamento e para depois dele. –Ele parecia saber exatamente o que eu queria dizer com aquilo, mas considerando o QI dele é mais do que obvio que ele já pensou nisso tudo.

Sai do meio do caminho e do quarto logo em seguida, só deu tempo de ouvir a porta do banheiro bater de leve. Gaara já estava acordado, ouvi ele conversar com um ANBU um pouco mais cedo. O quarto, que era de frente para o meu, estava com a porta fechada, dei duas batidas leves e esperei que ele atendesse. Normalmente eu entraria logo, mas como Ino dormiu aqui e eu não sei exatamente o que eles estavam fazendo, é melhor eu não me arriscar a ver meu irmãozinho sem roupas.

Não que eu nuca tivesse visto ele nu, mas agora era outra coisa. Eu vi ele pelado quando ele era criança, provavelmente ele me mataria hoje em dia. Quem me atendeu foi a Ino, que sorria de orelha a orelha.

—Tema! Eu ia mesmo te chamar, o Gaara me deu carta branca para comprar o enxoval. Acredita? Ele vai bancar tudo! Eu nem acreditei! Você vai comigo, né? –Ela, como sempre, não esperou pela minha resposta. –Ele ainda vai ser meu carregador particular!

—Incrível, Ino! Não sei como você conseguiu convencer ele a fazer uma coisa dessas. –Sinceramente, a Ino é impossível. Quem em sã consciência tentaria pedir ao meu irmão para servir de carregador e ainda fazer ele pagar as contas? –E é claro que eu vou com você! Também tenho de comprar algumas coisas, afinal eu não trouxe muita coisa de Suna. –Ainda não sei se eu vou ter que comprar um enxoval, não sei onde vou morar depois do casamento. –E gastar o dinheiro do Shika é tipo meu sonho de consumo! –rimos juntas, mas tipo esse é mesmo minha maior vontade. –Mas agora eu preciso de uma muda de roupa do meu irmão, o Shika está tomando banho e precisa de uma roupa. Pode pegar para mim?

—Claro! O Gaara está tomando banho também, depois ele vai me levar até em casa para eu me arrumar e depois nós vamos torrar o dinheiro dele pela vila! –Ela me puxou para dentro do quarto e seguiu para o armário dele. Ino começou a vasculhar as roupas a procura da mais adequada. –A gente pode combinar de se encontrar em algum lugar, que tal?

—Parece ótimo para mim. Será que alguma das meninas vai querer ir também?

—Acho que a Sah pode querer, ela falou outro dia que precisava de algumas coisas. Mas acho que é só ela, a Ten deve estar muito ocupada agora e a Hina vai sair com o Naruto, né? Ela deve vir para o hotel no final da tarde, não é? –Ela separou uma bermuda clara e uma camiseta em tom sóbrio, meu irmão dificilmente usa roupas de cores muito diferentes ou berrantes –a exemplo o Naruto- mas o Shika segue mais ou menos o mesmo esquema de cores, então ele não vai se importar muito.

—Verdade. Bom eu vou tomar café da manhã com o Shika aqui no hotel mesmo e depois a gente vai até o apê da Sah, chamar ela e o Sasuke para torrar a grana dos nossos noivos. –Peguei as roupas da mão dela e segui para porta. –A gente se encontra naquela loja de sapatos ma-ra-vi-lho-sa que tem perto do restaurante de comida típica, sabe? Aquele bem romântico?

—Sei. Combinado então! A gente se encontra lá, e de preferência compramos todos os pares disponíveis. –Sorri com ela de novo, vou gastar todas as economias dele! –Sai do quarto e entrei no meu, o Shika ainda ‘tava tomando banho, eu podia escutar o barulho do chuveiro. Não pude me impedir de imaginar a água caindo sobre os ombros morenos e fortes, deslizando pelo abdômen sarado e definido por anos de treinamento ninja. Passando pela cintura fina e as coxas grossas, se arrastando pelas panturrilhas e morrendo nos pés. Como eu queria ser aquelas gotinhas. Como eu gostaria de ser parte daquela água que tinha a permissão para passear por aquele corpo que eu tanto desejava.

Se organiza, mulher! Se controla, Temari. Mantenha o foco e a castidade dos seus pensamentos! É isso. Me sentei na cama e esperei, nada pacientemente diga-se de passagem, que ele terminasse. Cinco minutos depois eu ouvi o chuveiro sendo desligado e logo depois a porta foi aberta. Ele estava lindo, todo molhado e com pequenas gotinhas escorrendo pelo peito desnudo e morrendo na toalha que ele tinha enrolada na cintura.

—Me desculpe, mas eu não achei nenhuma outra toalha no banheiro, então tive de pegar essa. –Ele parecia verdadeiramente envergonhado. As bochechas em um gracioso tom rosado.

—Tudo bem, não se preocupe com isso. Eu peguei essas roupas para você. Acho que vai servir direitinho. E você não sabe da maior! –Ele arqueou uma sobrancelha e eu não esperei ele perguntar para eu responder. –A Ino fez o maior milagre do mundo!

—Qual? –Ele parecia verdadeiramente interessado enquanto pegava as roupas da minha mão e voltava para o banheiro para se trocar.

—Ela convenceu o Gaara a ir as compras com ela e além de bancar tudo ele vai servir de carregador para as sacolas dela! É inacreditável, não?

—Tem certeza de que estamos falando do mesmo Gaara? Essa historia não pode ser verdade.

—Não só é como eu fui convidada a bater perna com ela pela vila, e o senhor Nara aqui presente vai comigo para carregar as minhas sacolas.

—Problemática! –Ele saiu já vestido do banheiro e me deu um sorriso divertido. –Fique sabendo que eu só vou por que é você que está me pedindo. –É impressão minha ou aquilo nos lábios dele é um pequeno sorriso malicioso?

—Você vai por que eu estou mandando querido! –Ele sorriu mais abertamente e acabou concordando comigo.

—Seu desejo é uma ordem, minha querida! Mas eu achei que íamos ter uma conversa séria antes.

—Não é bem uma conversa séria, Shika. É só umas coisas que eu quero esclarecer.

—Pode mandar! –Ele sentou na minha frente na cama e olhou nos meus olhos, ele estava serio, mas calmo. Era estranho como ele conseguia ser duas coisas opostas ao mesmo tempo. –Vou ouvir tudo o que tiver para me dizer, tudo que precisar dizer. –Respirei fundo e finalmente comecei a expor minhas duvidas.

—Aonde nós vamos morar depois do casamento? Quero dizer, não vamos morar com seus pais, não é? –Vi ele franzir as sobrancelhas, mas ele esperou que eu continuasse. –Não é nada contra eles, mas... é que eu não consigo, entende? Não consigo me imaginar morando com outras pessoas. Nossa encenação vai ter de ser muito realista e... –Não havia nada que eu pudesse falar agora, minhas bochechas arderam mais fortemente, estava extremamente envergonhada. Eu sinceramente espero que ele me entenda.

—Eu entendi, Tema. Não se preocupe, eu entendo o que você quer dizer, vai ser muito complicado morarmos junto com eles. Mas eu tenho uma casa, só não me mudei ainda por que minha mãe goste de me ter por perto e com aquela lá não existe como discutir, é impossível vencer ela. –Ele riu suave, eu acompanhei seu riso. Com delicadeza ele se virou e deitou a cabeça no meu colo. Tão displicente. Tão encantador. Tão Shikamaru. –Ela me lembra você, sabia? Forte e decidida, esperta e carinhosa, o tipo de pessoa perfeito. –Se eu estava corada antes agora meu rosto deve ter pegado fogo. Aquilo era ele me elogiando? Ele parecia tão sincero que por um momento eu me peguei imaginando como seria se ele me olhasse nos olhos nesse exato instante e dissesse que me ama. Acho que meu coração parou de bombear sangue para o resto do meu corpo. –Vou mandar fazer uma reforma, acho que não vai precisar de nada muito grande, mas seria bom se você desse uma olhada antes para ver se você quer mudar alguma coisa.

—Tudo bem. Podemos fazer isso amanhã, afinal o casamento não vai demorar para acontecer. Onde é essa casa? –Tipo eu me recuso a morar em um buraco imundo.

—Não se preocupe, é dentro dos limites do meu clã, perto da casa dos meus pais. Fica um pouco longe do centro da vila, mas é por que meu clã é um pouco recluso, mas o ambiente é agradável.

—Shika, você já parou para pensar no que vai ser de mim daqui para frente?

—Como assim? Você está em uma vila de amigos, eu estou aqui e vou cuidar de você. Não tem com o que se preocupar. Ninguém vai te ferir aqui, eu não vou deixar.

—Não é disso que eu estou falando. Sei que posso confiar em você e na maioria das pessoas de Konoha, mas eu sou uma ninja, Shikamaru! Eu vivo disso, sempre vivi. Não sei fazer outra coisa alem disso e nem quero para ser mais franca. Você acha que eu posso, ou melhor, que eu vou conseguir viver como uma dona-de-casa? Acha que eu vou sobreviver dessa forma? Eu estou tentando não pensar de forma egoísta, mas está impossível. Eu sei que a Ino também está se mudando para uma vila desconhecida e diferente de mim ela só vai ter o Gaara, mas lá ele pode colocar ela para trabalhar no hospital. Ino é uma medica formidável e muito mais forte do que todo mundo pensa, mas e eu? O que eu vou fazer aqui? Os conselheiros não confiam em mim, as pessoas na vila não confiam em mim. Não posso participar de missões, é como se estivessem retirando uma parte do meu corpo, sem anestesia. Dói. –Já podia sentir as lagrimas queimarem meus olhos, mas respirei fundo e não permiti que elas escorressem. Eu tinha de ser forte.

—Você não vai sofrer assim, eu não vou deixar. Sei que você vai sentir falta das missões, mas com o tempo eu tenho certeza que a godaime vai conseguir te encaixar em algumas missões, nada muito arriscado, mas ela confia em você. Eu confio em você. Vai dar tudo certo. –Ele tentava passar confiança para mim, mas não sei se ele tinha mesmo toda essa confiança no futuro. –Agora vamos, por que eu estou morrendo de fome. E depois você ainda quer comprar o enxoval hoje, não é?

—Quero, não sou muito ligada nesse tipo de coisa, mas é minha futura casa, então vou cuidar de tudo nos mínimos detalhes, sem contar que te fazer carregar minhas sacolas é um sonho meu. –Ele levantou e seguimos para a porta, Ino e Gaara estavam uns dez passos a nossa frente, descendo os degraus devagar e de mãos dadas. Formavam um casal muito bonito. Talvez, ao final desses dois anos, eles não sejam apenas um casal de mentira. Ino tem um poder muito parecido com o do Naruto, o poder de mudar as pessoas.

Não chamei por eles, o Gaara provavelmente vai me encher o saco se ver o Shika sair do meu quarto, mesmo ele já sabendo que ele dormiu aqui. Seguimos os dois com passos lentos, mas eu não esperava nada mais rápido do que isso do Shika. Deve ser impossível para ele fazer qualquer coisa com um pouco mais de velocidade. Preguiçoso! O preguiçoso que eu amo.

—Nós vamos tomar café aqui mesmo?

—Vamos. Quer dizer por mim vamos, mas se você quiser ir para outro lugar tudo bem. Eu não me importo com isso.

—Não é só que os homens da comitiva não parecem gostar muito de mim, e eu acho que sei o motivo. –Ele soltou um suspiro cansado, mas com uma nota de humor.

—Que bobagem! Por que eles não gostariam de você? Deve ser só impressão sua. –Franzi um pouco as sobrancelhas, só poderia ser impressão dele. À essa altura nos já entravamos no salão onde era servido as refeições. Ele escolheu uma mesa mais ao canto, mas ainda bem central. Aquilo parecia incomodar ele da mesma forma que me incomodava. Detesto ter todos me encarando.

—Você realmente não se olha no espelho, não é? –Ele sussurrou no meu ouvido enquanto puxava a cadeira para que eu me sentasse, um gesto de cavalheirismo. Sorri para ele por causa do gesto.

—O que você quer dizer com isso? –Perguntei confusa.

—Eu estou dizendo que todos eles babam por você, você é linda, perfeita. Só você que não percebe isso. –Corei de uma forma que eu acreditava que só a Hinata fosse capaz.

—Você é um bobo. –Abaixei um pouco o rosto para evitar que ele olhasse ainda mais o meu constrangimento. Só ele para me deixar dessa forma com algumas poucas palavras.

—Se você não quer acreditar em mim, tudo bem. –Nesse instante a moça veio perguntar o que iríamos querer. As opções eram bem limitadas, afinal é “cortesia” do hotel. Optei por alguns pãezinhos e um suco de laranja, Shika quis a mesma coisa, só que preferiu café forte. –Acha que vamos demorar muito nessas compras?

—Gaara deu carta branca para Ino, o que você acha?

—Que não vamos parar até que todas as lojas da vila estejam fechadas! –Ri da cara de tédio dele, mas eu sabia que ele tinha razão. Não vai acabar tão cedo.

Tomamos nosso café em silencio, até por que nossos olhos pareciam conversar e volta e meia eu sentia meu rosto arder, acho que nunca corei tanto em toda a minha vida.

Pov’s Ino

Depois de sairmos do hotel seguimos direto para minha casa, sempre de mãos dadas e passos calmos. Não demorou quase nada e eu já podia ver a casa grande e imponente. Muito bonita e serena. Não havia ninguém do lado de fora, não havia ninguém me esperando e nem parecia que alguém me esperava do lado de dentro. Mas para onde eles poderiam ter ido? O silencio parecia me dilacerar por dentro, ele queimava meus tímpanos e machucava meu cérebro.

Será que eles vão me aceitar de volta depois de tudo o que eu disse ontem?

Será que eles vão entender que eu tenho de partir?

Será que eles vão me perdoar algum dia?

Será que eles não entendem que não há nada que eu possa fazer?

Será que eu ainda tenho uma família?

Será que eu ainda tenho permissão de entrar nessa casa?

Será que eu ainda sou uma Yamanaka?

—Não se preocupe Ino. Eles vão acabar te perdoando, cedo ou tarde. –Ele parecia ler minha mente. Às vezes até parecia que era ele que tinha poder sobre as mentes e por um momento fugaz eu me permiti acreditar nas palavras dele. Sorri e olhei naqueles olhos, que de tão profundos pareciam querer arrancar sua alma para fora do corpo e desvendar todos os segredos que ela guarde. Era intenso, forte e único.

—Eu espero que sim. –Meu sussurro foi igual ao dele, mais parecia uma fagulha ao vento. Nossos passos, aparentemente inconscientemente, se aceleraram e em menos de cinco minutos eu me vi diante da porta que até ontem me era tão familiar, que trazia paz e aconchego, e que agora parecia querer me expulsar, já não me reconhecia como eu também não parecia ter mais conhecimento nenhum sobre ela. Como as coisas mudam tão rápido? Respirei fundo e estiquei o braço, as pontas dos meus dedos rasparam de leve e a porta foi aberta. Meu pai escancarou a porta e me encarou nos olhos. Seu olhar era duro, parece que a noite de sono não amenizou a raiva que ele estava sentindo. Os braços de Gaara se fecharam ao redor da minha cintura me dando apoio, minha voz parecia presa na garganta.

—Bom dia Senhor Yamanaka. Vim trazer Ino para ela se arrumar, nós vamos ao centro da vila comprar o enxoval. –Gaara falou em tom sereno, nem parecia que aquela cena de ontem tinha acontecido de verdade. Será que foi só um sonho meu?

—Até onde você vai com essa historia Ino?

—Por favor, senhor Yamanaka, já basta disso. Não quero mais discutir, até mesmo por que Ino sofre muito com isso e eu não quero que ela sofra. Acredito que podemos nos respeitar e nos tratarmos cordialmente, sei que ambos somos civilizados o bastante para isso. –A voz dele soou segura e calma, talvez ele consiga evitar que essa relação piore ainda mais, ele não foi escolhido para Kazekage por nada, afinal, ele sabe o que quer e impor isso de forma incisiva. Ele é um líder nato.

—O que vieram fazer aqui? Está muito cedo e sua mãe só conseguiu dormir agora pouco preocupada com você, não quero que ela acorde.

—Então não vamos começar a discutir, como o Gaara já comentou nos vamos fazer compras no centro da vila. Eu só queria tomar um banho antes e trocar de roupa. –Meu pai apenas saiu da frente da porta, permitindo que eu entrasse. Gaara veio comigo, as mãos bem presas na minha cintura. Seguimos direto para o meu quarto, posso imaginar o quanto isso deve ter irritado o meu pai, mas era melhor não deixar os dois sozinhos. Não posso nem imaginar na merda que daria.

Abri a porta com calma e deixei ele entrar antes de fechar e passar a chave. Minhas bochechas logo ficaram escarlates, mas eu não pude evitar. Ele era o primeiro homem que entrava no meu quarto, ele sorriu de leve, passou os dedos pela minha bochecha de leve, um carinho tão delicado que não parecia ser ele ali, o fazendo. Meu corpo tremeu todo com os olhos dele praticamente devorando minha alma.

—E-eu vou tomar um banho rápido e você pode me esperar aqui, está bem? Não vou demorar.

—Não se preocupe com isso, leve o tempo que precisar. Normalmente se usa um bom banho para relaxar, então só saia de lá quando estiver recuperada. Com aquele brilho que só você tem. Vou estar bem aqui. –Ele sentou na beirada da minha cama e sorriu. –Não vou a lugar algum sem você. –Eu retribui seu sorriso e com passos silenciosos segui para o meu guarda-roupa lilás coberto por flores coloridas, bem infantil, mas eu não me importo com isso, meu quarto todo era assim, meio infantil, meio feminino demais.

Deixei o quarto e segui para o banheiro, a água quente escorria pelo meu corpo bem lentamente, relaxando meus músculos. Passei meu sabonete liquido com lentidão por cada parte, o cheiro de morango impregnava o ar quente do Box e minha pele. Eu adorava aquele cheiro, era doce e suave, me trazia uma paz e aconchego. Optei por não lavar os cabelos, apesar de ser essa a minha vontade. Quando eu lavo eles me sinto mais limpa, como se estivesse purificada. Enxagüei meu corpo, deixando a água caminhar por todas as partes.

Uns quinze minutos depois eu sai e me vesti um vestido de alcinhas claro e rodado. Voltei para o meu quarto e encontrei o Gaara sentado no parapeito de minha janela com alguma coisa nas mãos, ele parecia bem entretido por que se assustou quando me viu entrando. Ri com aquele movimento, ele escondeu o que estava na mão dele e sorriu sem graça. Ele estava corado!

—O que você estava vendo ai?

—N-nada! Então, vamos? Desse jeito a Temari vai ficar esperando e ela odeia esperar! –Ele falava todo afobado tentando tirar minha atenção do que ele estava falando antes.

—Tudo bem, mas não pense que eu vou esquecer, tá? O senhor ainda vai me contar exatamente o que estava fazendo, hun! –Calcei minhas sapatilhas claras e segurei sua mão o puxando para sairmos. Ele me seguiu sem reclamar, ao invés disso, entrelaçou seus dedos nos meus de forma carinhos.

Meu pai estava sentado na sala, devia estar meditando por que seus olhos estavam fechados e sua respiração era muito calma. Ele não fez movimento algum, como se não tivesse notado nossa presença. Fiquei sem saber o que fazer, será que eu devo fingir que nada aconteceu e dar tchau?

Minha resposta veio quando Gaara soltou minha mãe e se afastou para a porta, respirei fundo e tomei coragem, ou pelo menos um décimo da coragem que eu precisava.

—Estou indo papai, devo chegar tarde hoje. –Dei um beijinho na bochecha dele e sussurrei no seu ouvido, mesmo sabendo que Gaara poderia ouvir facilmente apesar da distancia. –Só confie em mim, por que eu sei o que eu estou fazendo, não precisa se preocupar com nada.

—Você se tornou uma ninja excepcional, Ino. Me pergunto se deixar você entrar nesse mundo foi mesmo uma boa decisão, mas já não há como mudar o passado, não é mesmo? Faça o que você quiser, mas não venha se arrepender no meu colo depois. Eu tentei te proteger, mas você não quis, já não há nada que eu possa fazer por você agora. –Sua resposta foi suave, não parecia mais o homem colérico de ontem. Sorri abertamente e sai, pode ser mesmo que eu me fira no futuro com essa historia sem pé nem cabeça, mas eu sei que saber que vidas foram poupadas por esse meu sacrifício vai fazer com que tudo valha à pena. Gaara segurou minha mão e juntos saímos em direção ao centro da vila.

Notas finais
Eu, particularmente, gosto desse capitulo e espero receber a opinião de todos para me animar ainda mais e acelerar o próximo!!! Eu estou implorando por reviews, quanto mais eu receber mais rapido eu vou escrever. É uma promessa!!!
Kissu Kisuu e até o proximo que deve vir em duas semanas no máximo!!!